I Love You Like I Didnt Yesterday
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ninguém disse que quer ler, mas enfim -q
Há quanto tempo eu estava olhando para a parede? Droga. Para quê serve a solidão se o tempo passa tão rápido?
Os outros chegariam daqui a pouco... Não, ainda era o meio da madrugada. Eles só chegariam quando amanhecesse.
Eu estava com um nó dentro de mim. Toda vez que tentava soltá-lo, puxando-o por alguma ponta, um sentimento diferente aflorava. Às vezes era raiva. Por que Gerard tinha que ter me beijado? Idiota, imbecil, inconsequente.
Mas a raiva passava, eu puxava outra ponta e vinha confusão. Confusão por ter gostado, confusão por ser o Gerard, confusão por estar confuso. Depois vinha alegria, como se fosse o resquício do êxtase de alguma droga, algo que colocava um sorriso besta na minha cara.
E tesão. Eu queria me bater quando sentia um formigamento entre as pernas ao lembrar do beijo, mas era inevitável. Era uma das pontas do nó.
E aí a mistura ficava muito forte para eu suportar, e a mente de repente esvaziava. Eu olhava para o nada e não via o tempo passar.
Balancei a cabeça. Precisava comer alguma coisa. Coloquei o tênis e a blusa que eu havia tirado e saí do quarto do hotel. Fui para o elevador, ainda pensando. Bem, talvez não significasse nada. Eu fui pego de surpresa, e ainda sou humano, não sou? É claro que meu corpo reagiria... Será que a corrente elétrica que eu senti deveria ter sido tão forte assim? Claro que sim. É natural, Frank, é instintivo. E se uma fã estivesse aqui, agora, com certeza diria que eu seria louco se não me sentisse assim com Gerard. Mas eu não sou uma fã, cassete!
Quando percebi, já estava no restaurante do hotel. Cortei minha briga mental comigo mesmo e pedi um sanduíche qualquer para o atendente entediado. O lugar estava quase vazio.
Minha mente voava enquanto eu comia. O momento do beijo se repetia em meus olhos; a intensidade, a surpresa, a paixão. Lembrei-me do arrepio que tomou conta de todo o meu corpo, de como me retesei a princípio, mas logo me deixei levar, derretendo-me e sentindo minhas pernas querendo falhar. Fora tão rápido, mas eu estendia a lembrança, tentando sentir de novo o gosto dos seus lábios...
— EEEI FRANK!
Gerard. Era o Gerard. Gritando no restaurante quase vazio, caminhando na minha direção, e quase... me matando... de susto.
— Pelo amor de Deus, Gee — eu falei quando meu coração saiu da minha boca. — Sou muito novo pra morrer.
Ele se sentou na cadeira à frente, me olhando como se eu fosse meio retardado.
— Eu vim por aquela porta ali — ele falou, apontando para uma porta que estava quase na minha cara. — Como você não me viu?
Adoro como penso em respostas rápidas.
— Deve ser essa sua obsessão com vampiros. Você tá ficando muito silencioso.
Ele riu, debochado, e se encostou na cadeira.
— Então é melhor prestar atenção, Frankie, nunca se sabe quando vou decidir te devorar.
Odeio como penso em duplos sentidos.
— O que você tá fazendo aqui, afinal? — perguntei. — A festa não acabou, né?
— Não, claro que não. É que eu não queria beber mais, então saí — ele olhou para baixo por um momento, e eu senti uma pontada de dor ao lembrar de seus antigos problemas com álcool. — E também saí pra checar você. A mulher da recepção disse que te viu indo pro restaurante. Você disse que estava cansado, achei que ia te encontrar desmaiado no chão do seu quarto.
Eu ri.
— A fome me acordou.
Ele olhou para o meu prato.
— E por que não come?
Olhei também. Que lindo, eu só tinha dado duas mordidas. E para falar a verdade, eu nem sabia do que era aquele sanduíche.
Gerard o abriu para descobrir junto comigo: peito de peru.
— Frank, você odeia peito de peru.
É, Frank. Dá para prestar atenção na vida? Seu corpo agradece.
— Acho que tô com sono — falei, e era verdade. Também.
— Com certeza. Eu também. Vem, vamos dormir.
Ele se levantou e eu o segui. Ele estava bem cansado, dava para ver. Agradeci mentalmente aos espelhos do elevador para observá-lo sem que ele notasse. E agradeci o fato de não saber caso ele tenha notado.
— Não tem nada pra me dizer? — ele perguntou enquanto saíamos do elevador.
— Ahn... — demorei dois segundos para me tocar. — Ah, sim. Você foi incrivelmente sexy hoje, Gerard.
Ele riu e felizmente não me viu corando. Só agora eu percebia como sempre falava a verdade quando dizia isso.
Meu quarto era o mais perto. Quando entrei, virava-me para fechar a porta quando Gerard passou por mim, sem cerimônias.
— Banheiro — disse simplesmente, já sumindo da minha vista.
— O seu tá ali na frente, seu folgado.
Ele me ignorou. Eu tirei a blusa e fui até um canto para pendurá-la, sem perceber que eu passaria em frente ao banheiro para isso; que, é claro, estava com a porta aberta.
Parei ao lado da porta, sem que ele pudesse me ver, e senti minha pulsação acelerar pela visão de canto de olho que eu tive.
— Merda — murmurei, sem emitir som algum, só mexendo os lábios.
Isso era alguma provação divina? Se sim, realmente, era injusto. Deus sabe que eu não sou uma pessoa muito resistente. E para que ser? Se eu queria parar na frente da porta e olhar para ele, o que me impedia? Eu era Frank Iero. Bonito, talentoso, amado por milhares e que sempre fez o que deu na telha, e agora não criava coragem só para olhar? Ah, eu já fui melhor.
Quando estava prestes a tomar minha decisão, Gerard apareceu do nada ao meu lado e soltou um grito rápido, assustado.
— Que é isso, Frank, tava me espionando?
Queria poder dizer que sim. Pensei rápido de novo.
— Só retribuindo o susto, querido. Quem vai devorar quem agora?
Ele sorriu um pouco e me encarou por um segundo. Seu olhar o denunciava; eu não era o único que via malícia em quase tudo. Eu sorri também, e o silêncio quase começava a ficar constrangedor quando ele se virou e passou um braço por sobre meus ombros, guiando-me para a cama.
— Ok, hora de nanar — falou, me jogando na cama e logo em seguida bocejando. — Hoje o show foi intenso, né?
— Muito — respondi, olhando para baixo e descalçando os tênis. Ele não tinha idéia de quão intenso.
Então ele riu baixo, o que me assustou um pouco. Não, Frank, ele não está lendo seus pensamentos.
— Cara, achei que eles iam morrer quando nós nos beijamos. Você ouviu aqueles gritos?
Uma parte da minha mente respondeu “Aham, ouvi, sim, estava dando muita atenção a eles”, mas o resto de mim congelou. Ele iria falar disso agora? Sério mesmo?
— Frank? — ele me cutucou, e eu virei o rosto para cima para ver uma expressão preocupada. Ele se sentou ao meu lado. — Você não tá... chateado, está?
Ri de nervoso.
— Não, claro que não!
— Mesmo? Foi tão do momento, a adrenalina e tudo, eu nem pensei se você não queria...
— Não precisava pensar — eu respondi, talvez rápido demais. Olhei para baixo — Quer dizer, os fãs adoraram, né? E eu adoraria ver a cara de algum homofóbico na hora.
Ele riu.
— É, deve ter sido impagável — ele parou, também olhando para baixo. — Sabe, aquele beijo foi algo repentino e impensado, mas eu não acho que vamos nos arrepender.
Não levante o rosto, Frank, você está vermelho. Eu sempre falo comigo mesmo?
— Por que iríamos? — perguntei.
— Sei lá. Possíveis complicações, talvez.
Ele suspirou e se levantou de repente.
— Bom, tá, dormir. — falou, olhando para mim. Será que eu já estava com uma aparência natural?
Ele sorriu um pouco e, distraidamente, trouxe uma mão para o meu rosto. Tirou um pouco do meu cabelo da frente dos meus olhos e colocou por trás da minha orelha, de uma forma quase automática, como se não tivesse nem notado que fez isso. Por favor, por favor, que a minha respiração não tenha se alterado audivelmente.
Ele se afastou. Caminhou para a porta e saiu, mas antes de fechá-la, virou-se para mim e piscou, rapidamente. Levemente. Sensualmente. Gerardmente.
Fiquei alguns segundos fitando a porta, estático, antes de jogar a cabeça no travesseiro.
— Merda — falei, dessa vez em som alto e claro.
É. Aquilo ia dar merda.
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