Notas iniciais
Lua, minha única leitora, Feliz natal atrasado e Feliz ano novo!!

Imediátamente parei o beijo e vi um rosto feminino olhando pra mim com decepção.

- Padre, não é? — Disse a mulher morena de vestido roxo e uma jaqueta jeans do Hard Rock Cafe. Logo reconheci, era Elisabeth.

Moon se assustou também com o barulho de vidro e olhou confusa para mulher que estava ali à sua frente.

- Elisabeth, que surpresa!- Estava totalmente sem graça, obviamente.

- Ela é a Elisabeth? — Perguntou Moon.

- Sim, sou eu. Que surpresa desagradável hein Gerard. Eu não sabia que beijava mulheres aqui na capela. — Disse totalmente irônica.

- É que... — Moon me interrompeu- Me perdoe, é que ele não tem culpa de nada, fui eu quem o beijou.

- E ele gostou obviamente. Um conselho, se for pra beijar alguém beije no quartinho que você chama de casa, respeite Deus pelo

menos — Ela não parecia estar chateada ou decepcionada, mas estava irritada.

- Pode deixar, Beth. Bem, o que faz aqui?

- Vim te visitar. — Logo ela abriu um sorriso no rosto.

- Que bom! Bem deixe te apresentar, essa aqui é a Moon. — Ela extendeu a mão para comprimentá-la. — Prazer, Elisabeth Simons.

- Eu te contei sobre a Elisabeth, minha primeira e única namorada. — Ela sorriu mostrando seus dentes branquíssimos bordados por um batom vermelho.

- É já que não podemos namorar viramos melhores amigos, o que é a mesma coisa. — Disse ela me dando um cutucão.

- E você Moon, o que vocês são um do outro?

- Cunhados. Na verdade eu só descobri hoje pela manhã.

- Hum... cunhados... — Ela sorriu com deboche e logo me puxou pra minha casa, quer dizer a mim e a Moon.

Elisabeth era a mulher que eu havia amado durante toda a minha adolescencia e inicio da juventude. Eu ainda gostava dela, no fundo no fundo, mas ela era casada agora e derrepente a Moon aparece na minha vida e faz eu me apaixonar totalmente por ela.

Chegamos na minha casa/quartinho e Elisabeth já começa a se lamentar reclamando por ter deixado a garrafa de vinho cair no chão.

- Droga, o que vamos beber?- Perguntou Elisabeth sentando-se na cadeira próxima a de Moon que obseravava tudo totalmente sem graça.

- Tem suco na geladeira, pode ser? — Perguntei segurando a jarra de suco.

- Por mim tudo bem. — Disse Moon.

-Tá pode ser também.

Elisabeth pegou três copos e serviu o suco para nós três enquanto eu trocava de roupa no meu quarto.

Logo após voltei para cozinha e tomei o suco que me esperava.

- Então, como vocês se conheceram e como se apaixonaram?- Perguntou Moon.

- Promete não rir? — Perguntei predendo o riso.

- Prometo.

- Ok, eu conto- Disse Elisabeth tomando o meu lugar.- Começou quando estudavamos na 8º série. Eu era a ''popular'' e era a chefe do grupo de lideres de torcida e ele — ela soltou um olhar de despreso pra mim mas em tom de brincadeira e prosseguiu- Ele era um menino obeso e esquisito que não tinha amigos e vivia desenhando pelos cantos da escola. Eramos da mesma turma e o professor de álgebra pediu que formassemos duplas para fazer um trabalho, mas era em sequencia alfabética, como não tinha ninguém com a letra ''F'' eu e ele tivemos que juntos. Eu chorei no banheiro durante todo o dia e ele nem se ligou com nada. Bem chegou o dia de fazermos os trabalhos, eu sempre fui uma aluna muito exemplar além de não ter muita dignidade na época, mas por sorte ele era bom naquilo que eu não era. — Ela parou para tomar um gole de seu suco — Chegou o dia de nós reunir-mos para poder fazer o tal do trabalho. Eu estava triste por estar com alguém tão esquisito como ele era mas fui. Chegando na casa dele para poder-mos fazer o trabalho eu mudei totalmente os meus conceitos, ele era um cara legal, só era ignorado. — Tomei o lugar dela e comecei a contar a minha parte na história. — Bem, ela não era patricinha como as outras meninas e logo fizemos amizade. Nós ficavamos juntos no recreio, já que eu era''ignorado'' na escola e ela me fazia companhia não só na escola e sim em casa, nas festas, resumindo eu só passei a viver apartir do dia que eu encontrei com ela. Eu acabei me apaixonando por ela, mas não tive coragem de contar, mas pra minha surpresa ela também gostava de mim e depois de alguns meses nós começamos a namorar. Era equisito porque ela era, ou melhor é linda e eu era estranho, sombrio.

- Advinha o que aconteceu? Me cortaram do grupo de lideres de torcida só porque eu faltava os ensaios para ir pra casa do Gerard.- rimos juntos- Nem liguei, eu amava aquele gordinho estranho. Depois de escancararmos o nosso namoro nós nos formamos mas continuamos juntos até o dia que a mãe dele disse que ele iria pro Seminário para ser padre, confesso que foi o pior dia da minha vida.

- Da minha também.

- Foi daí que resolvemos fugir pro colorado aonde o meu amigo, que também virou amigo dele morava. Ficamos lá por 1 ano, era algo lindo dormir e acordar ao lado dele todos os dias, erámos jovens e estavamos amando um ao outro até eu descobrir que estava grávida.- Moon faz uma cara surpresa e olha pra mim que apenas disfarço com um sorriso falso.

- Quer dizer que o seu filho é filho dele? — Perguntou Moon com uma feição horrorizada.

- Não! O nosso filho eu... — Ela abaixou a cabeça e começou a chorar e eu fui consolá-la terminando de falar.

- Ela abortou o nosso filho.

- Mas isso não é proibido pela igreja?

- É mas... Ele iria ser padre e eu não queria manchar a imagem dele, talvez se eu tivesse falado isso estariamos juntos, não é Gee?

Apenas balancei a cabeça, se isso tivesse acontecido eu não teria conhecido Moon, quer dizer teria mas não do modo que nos conhecemos e me apaixonei por ela.

- É por isso que a minha mãe a odeia, só por ela ter ficado grávida de mim.

- Nossa! Deve ter sido muito dificil pra ambos, ter que abortar um filho... Deve ter sido complicado não é?

- Muito. Eu não queria mas eu não poderia voltar pra casa grávida de um filho que não iria ter um pai, e meu pai era muito machista ele teria arrancado o bebê de mim à força, por isso que eu fiz isso.

- Você sabia que ela ia fazer isso, Gerard?

- Ela contou pra mim que tinha perdido o bebê, só contou que abortou 5 anos depois. — Disse olhando para Elisabeth com um olhar fúrioso.

- Nossa, que história essa de vocês, hein.

- Verdade. Um verdade, eu nunca deixei de amar o Gerard e ele sabe disso. Eu me casei com um homem importante, sabe? É alguém que me ama e cuida de mim, mas não é ele. Hoje somos apenas amigos, só isso. — Disse deixando brotar algumas lágrimas de seus olhos.

- Como se chama o seu filho, Elisabeth?

- Jimmy. E advinha quem é o padrinho?

- Ela sabe que sou eu, contei a ela.

- Você já contou tudo pra ela né?

- Sim.

Rimos e mudamos o assunto, um assunto mais agradável, tudo fluia bem até minha mãe chegar e estragar o clima calmo e descontraído dali.

Notas finais
Mais???