Notas iniciais
Eu não sei se tá muito fluffy ou eu que tô muito amarga hoje, mas enfim. Espero que esteja bom! (E obrigada pelos comentários :D)

08:46 — SÁBADO

– Bom dia, Cas! — Dean entrou na sala da detenção mordiscando uma rosquinha — Servido?

Cas não respondeu, mas suas olheiras e olhar sério já falavam por ele.

– Por que essa cara? Você não foi banido da biblioteca e eu posso continuar a me chamar Dean Winchester. Deu tudo certo!

Cas continuou em silêncio.

– Tá, tá, já entendi, é sua primeira detenção. Você tem todos os motivos para ficar zangado comigo. — Dean alcançou a mochila de Cas e começou a remexê-la, bastante à vontade — Mas sério, você não trouxe nada pra comer? A cantina não abre sábado. Eles só liberam a gente lá pra meio-dia. Você ao menos tomou café da manhã?

– Por que você tá fazendo isso? Você tá se sentindo culpado?

– Eu só tô tentando ser seu amigo, tem alguma coisa errada com isso? — Dean tirou uns papéis da mochila de Cas e começou a analizá-los — Claro que eu sei que a culpa é toda minha. Mas foi um acidente, eu caí no sono, o que eu posso fazer, é uma coisa humana, eu... espera. O que é isso?

– Deixa eu ver. — Cas pegou o papel na mão — Ah, é o panfleto que a Charlie me deu. Convenção de Star Wars. Ignore.

– Você gosta de Star Wars?!

– Gosto, mas...

– Cara, eu adoro Star Wars!

– Chega, tá? Não precisa ficar forçando amizade comigo. Eu te perdôo. Você está livre para cuidar da sua vida agora.

– Eu não tô forçando amizade, é verdade! Eu adoro Star Wars e eu posso provar isso. Vem comigo. — Dean esticou o braço para levantar Cas.

– Pra onde? A gente não pode sair daqui.

– Vamos, Cas!

Um pouco contrariado, Castiel se deixou ser levantado e os dois foram até a biblioteca da escola, sem nem ao menos dar satisfação para o professor da sala ao lado, que supostamente os vigiava.

– Parece que tá fechada. Poxa, que chato. Vamos voltar. — Cas tentou.

– Rá. Boa tentativa, mas a gente não precisa de chave hoje. — Dean desmontou um clips de papel e sem muito esforço, conseguiu violar a fechadura e abrir a porta.

– Será que naquele dia você não podia simplesmente ter arrombado a biblioteca depois que eu fechasse e ter me deixado fora disso tudo?

– Até que é uma boa ideia. Meio inútil agora.

– Por que a gente tá aqui mesmo?

Dean sentou-se na mesa central e ligou o notebook à sua frente. Tirou um pendrive do bolso e o plugou ali. Procurou o arquivo de texto desejado e clicou duas vezes para abri-lo, virando a tela para Cas olhar.

– Eu quero que você leia isso.

Cas analisou o texto e em seguida olhou para Dean. Leu mais um pouco do texto e olhou de novo para Dean. Leu o texto e olhou mais uma vez para Dean. Texto, Dean, texto, Dean.

– Isso... isso é uma fanfic?

– Sim! Uma fanfic de Star Wars.

– Por acaso foi isso que você ficou fazendo a noite toda?

– Foi. — Dean sorriu — Cara, essa história não saía da minha cabeça. Eu precisava escrever tudo logo. E de jeito nenhum que eu ia fazer isso em casa, afinal, você sabe, é uma fanfic. E de Star Wars.

Castiel não estava sorrindo. Pelo contrário, ele parecia bastante zangado. Pegou Dean pela gola do casaco e o arrastou até bater-lhe contra uma estante de livros.

– EU ME REBELEI POR ISSO?!

– C-calma, Cas. — Dean falava com dificuldade, os olhos arregalados, legitimamente assustados. Castiel então percebeu o que estava fazendo e largou Dean.

– D-desculpa. — passou a mão pela testa — Você tá bem?

– Pff, cê tá de brincadeira, né? Quando você me tacou na parede, eu pensei até que você fosse me beijar.

– O quê?

– Eu tô zoando, cara. — Dean juntou os braços atrás de si para esticar as costas. Era óbvio que a pancada tinha doído um bocado. — Puxa, você é forte.

– Olá, meninos. — o professor supostamente responsável pela sala de detenção apareceu na porta da biblioteca — Posso saber o que vocês estão fazendo aqui?

– A gente veio pegar um livro. — disse Cas, ao mesmo tempo em que Dean disse — A gente veio pegar meu pendrive.

Os dois trocaram um olhar perplexo.

– Espera, eu vim pegar meu pendrive. Ele veio pegar um livro. — Dean arrancou seu pendrive do notebook e tomou controle da situação — A gente já tava voltando.

– Ótimo. — o professor respondeu, enquanto os dois caminhavam em direção a porta, tentando sair de lá o mais rápido possível — Ei, esperem. — o homem apontou para Castiel — Ele não veio buscar um livro?

– Ah, sim. — Cas respondeu meio baixo, enquanto andava até a prateleira mais próxima e pegava um livro qualquer para acabar logo com aquilo.

O homem trancou a porta da biblioteca e os meninos foram de volta para a sala.

– Que livro você pegou?

– Hm. — Cas colocou os olhos na capa pela primeira vez — O Diário da Princesa.

– Boa escolha. — Dean deu uma risadinha enquanto terminava de colocar o resto da rosquinha na boca — Ei, se eu te fizer uma pergunta, você me dá uma resposta sincera? Tipo, sincera, sincera mesmo, nada além da verdade?

– Por que eu mentiria?

– Sei lá, pra não ferir meus sentimentos ou algo do tipo.

– Mas como assim? A verdade não fere sentimentos. A verdade é a verdade, ora.

– Mas e se a verdade for difícil de aceitar? Aí fere sim.

– Ué, mas é melhor saber a verdade do que...

– Ok, para. Para tudo. Estamos perdendo o foco. Diga a verdade. — Dean respirou fundo e segurou os braços de Cas, para trazer toda a atenção dele para si — O que você achou da minha fanfic?

O corpo de Cas, que estava completamente contraído, foi relaxando aos poucos. Essa mania de falar tocando nas pessoas que Dean tinha ia se tornar um problema se continuasse constante.

– Meu Deus, por que você tá calado? Desembucha, foi tão ruim assim?

– O quê? N-não. É que... eu não sei. Eu não consegui ler ela toda.

– Ah. — Dean soltou um suspiro de alívio — Nesse caso, leva meu pendrive e lê ela com calma. Daí você me diz sua opinião.

– Mas por que eu? Por que eu tenho que fazer isso?

– Porque você é meu amigo agora. É isso que os amigos fazem.

– Só porque a gente gosta das mesmas coisas não significa que a gente deva ser amigo. — Cas disse, mas logo encontrou os olhinhos pidões de Dean Winchester e de repente, seu lado otário falou mais alto — Mas tá, eu vou dar uma olhada.

– Demais! Nossa, muito obrigado, Cas. Você é o melhor!

– Deixa quieto. É só porque eu não tenho nada melhor pra fazer no domingo mesmo. — o que era uma grande mentira. Cas estava cheio de dever de casa para fazer naquele domingo. E mesmo assim, a primeira coisa que ele fez quando acordou domingo de manhã foi ler aquela maldita fanfic.

Preciosas horas de sua preciosa vida, horas que nunca mais teria de volta, desperdiçadas daquela maneira.

19:47 — DOMINGO

– Dean? — o irmão mais novo de Dean, Sam, tentava fazer com que o outro abrisse a porta do quarto, mas a música lá dentro estava alta demais para Dean ouvir qualquer coisa.

– Você não sabe abrir a porta com um clips de papel? — Castiel perguntou

– Isso seria arrombar, não é? Isso é meio errado.

– Desculpa, eu achei que fosse uma coisa de família.

– Tudo bem. — Sam deu de ombros — Olha, eu vou voltar pro meu quarto, mas pode ficar batendo na porta que uma hora ele escuta.

– Ok, obrigado.

Cas bateu mais algumas vezes, até que a música parou de repente e um Dean sem camisa, com uma toalha enrolada no cabelo e outra na cintura, veio abrir a porta.

– Mas que droga, Sammy, você... — deparou-se com os olhos azuis de Castiel, transtornados por acharem que tinham visto mais do que deveriam, porém incapazes de se fechar — Cas?! O que você tá fazendo aqui?

– Eu terminei... — estava nervoso demais, demorou uns 30 segundos para encontrar o próprio bolso — Aqui. Seu pendrive. Eu terminei de ler. — esticou o objeto para Dean.

– Ah, sim. — Dean sorriu — E o que você achou?

– Bem, eu tenho muitos comentários a fazer, então... talvez você queira... se vestir primeiro.

– É verdade, tá ficando frio aqui embaixo.

– Então tá, eu vou esperar aqui embaixo. — Castiel se atrapalhou — Quer dizer, lá embaixo, na sala... V-você entendeu. Eu... Adeus. — e andou rápido corredor e escada abaixo, sem olhar para trás.

Castiel não queria se distrair. Ele estava lá para entregar aquele maldito pendrive, fazer um comentário sobre a fanfic e ir embora. Para sempre. Não queria continuar se prejudicando por causa de Dean.

Mas era impossível não se entreter com Dean Winchester, ele era a distração em pessoa.

– O Sam te ofereceu alguma coisa pra beber? — Dean disse, descendo as escadas cinco minutos depois, com uma blusa cinza e uma calça de pijama verde estampada com um monte de Muppets. Cas deu uma risadinha. — Que foi?

– Nada.

– Sei. — Dean apertou os olhos — É a calça, não é?

– N-não. Claro que não.

– Pode rir, eu sei que você só tá com inveja, porque ela é muito descolada.

– Ah, com certeza. — Castiel riu de novo, mas ficou sério quando Dean se acomodou ao seu lado, no sofá de dois lugares. Além de ser bonito, Castiel constatou que Dean também cheirava muito bem.

– Sabe, você não precisava ter vindo hoje, a gente vai se ver amanhã na escola de qualquer jeito.

– Aham. — Castiel respondia, meio sem prestar atenção.

– Como você descobriu onde eu moro, a propósito?

– Aham.

– Cas?

– Eu! Desculpa, eu... — Cas acordou do devaneio — O que eu tava falando? Ah, sim, sua fanfic.

– Ah, é! — havia muita expectativa nos olhos de Dean — Prossiga.

– Então... — Cas tossiu — é uma história bastante... exótica.

– Exótica?

– É... A começar pela sinopse. Com todo respeito, que tipo de pessoa shipa a princesa Leia com um Stormtrooper? Eles são só clones, sabe? E tem muitas cenas desnecessárias, tipo...

– Você odiou, né?

– Não é isso... Eu só acho que podia ser melhor.

– Cas, eu disse que era pra você ser sincero. Fala logo que você odiou.

– Mas não é isso...

– Fala a verdade!

– Tá! Tá bom! Essa foi a pior coisa que eu já li na minha vida! Satisfeito?

– Foi tão ruim assim?

– Aliás, aceitar ler esse negócio foi a pior coisa que eu já fiz na minha vida! Eu... eu peguei um metrô pra vir aqui! Eu desperdicei o meu domingo, era pra eu ter estudado, mas não! AAH! — Cas deu um grito no meio da sala de Dean. Até Sam desceu para ver se estava tudo bem.

– Caramba, — Dean deu dois tapinhas nas costas de Cas. Ele não parecia zangado nem nada — cê colocou tudo pra fora, hein, amigo.

– E para de me chamar de amigo! Eu... eu preciso ir pra casa.

– Espera, Cas, não vai ainda. — Dean levantou-se e correu escada acima, avisando que já voltava. Cas e Sam trocaram um olhar de dúvida, mas nenhum dos dois sabia do que se tratava.

Menos de um minuto depois, Dean já estava de volta com uma caixa de CD na mão.

– Olha, eu sei que agora tá meio fora de contexto mas, — entregou o CD nas mãos de Cas — eu fiz uma playlist pra você, como agradecimento. E também porque agora que a gente é amigo, acho que precisamos compartilhar mais gostos em comum.

Cas não disse nada, mas ficou olhando para o objeto como se aquilo fosse uma das sete maravilhas do mundo. Ia dizer alguma coisa, mas perdeu totalmente a linha de raciocínio quando levantou o rosto e encontrou os olhos de Dean, se deliciando com a sua reação.

Naquele momento, Cas soube que não tinha mais como negar, ele sentia sim alguma coisa por Dean. E o sentimento de que talvez aquilo fosse recíproco fez o garoto entrar em pânico.

– E-eu preciso ir pra casa. — Cas abaixou o rosto de novo e assim que Dean abriu a porta, saiu correndo sem olhar pra trás.

Notas finais
Gentche, o Sam nessa fic tá tipo aquela criança em peça infantil que faz papel de árvore só pra complementar o cenário. Desculpa, Sammy, meu bbzinho lindo, azeitona da minha empadinha, te amo 4ever, mas dessa vez não deu, você vai ser só figurante mesmo. Enfim, comentem! E obrigada pela atenção!