Notas iniciais
Hey Guys!!!!
E é aqui que começa a nova e melhorada Once Upon a Time: The New Cinderela!
Não que seja importante, mas estou na maior Nostalgia ouvindo músicas do High School Musical enquanto escrevo esse capítulo e meus amores... O coração chega a acelerar quando vejo Zac Efron! O primeiro Crush a gente nunca esquece ♥
Aproveitem o "capítulo"! *-*

P.S. -_- Houve um erro no agendamento do capítulo e eu só pude ver agora. Culpem essa chuva terrível que graças a Deus já passou. Sério, parecia que iria chover Icebergs aqui!

"Os sorrisos mais doces guardam os segredos mais sombrios..."

Maldita hora em que Jane Morgan havia feito aquela ligação.

Dentre todos os dias daquela semana eles tinham que ter escolhido justamente o dia de hoje, quando tudo a minha volta começou a desmoronar, para me dar aquela notícia? Após tantos meses a espera de uma resposta, tanto tempo que passei esperando uma única ligação, uma única resposta que se resumia a sim ou não e haviam escolhido aquele momento?

Por um momento me permito soltar uma risada irônica ignorando durante alguns míseros segundos as lágrimas que insistem em continuar a cair. Foi um ato ingênuo vindo da minha parte pensar que havia sido apenas uma drástica e infeliz coincidência. Não, as coisas nunca haviam sido fáceis, porém eu havia me esquecido disso.

É o que o excesso de felicidade trás. Tantas coisas boas acontecendo ao meu redor e eu nem ao menos cogitei me agarrar a realidade de que nada é duradouro.

Apoio as costas contra a superfície macia da madeira da cama coberta por um enorme edredom cor-de-rosa e trago as pernas para mais junto do corpo de modo que eu fique encolhida ao lado da mobília.

A vida já havia se certificado de tomar esta decisão em meu lugar há anos atrás. Fora mais como eu decreto. Kimmberly Beaulah Crawford não teria facilidades em sua vida — ainda mais com um segundo nome como este. Nada viria de bom grado. Tudo lhe seria dado depois que seus esforços fossem provados e ainda assim seria testada.

Coisas boas acontecem, mas quando estas vem em excesso é porque algo esta muito errado.

Respiro fundo mais uma vez na tentativa de conter um pouco das lágrimas e para minha total surpresa dessa vez funciona. Uso a mão esquerda para dar impulso e me levantar de uma vez. Observo atentamente a marca recente de queimadura em minha mão direita. Algo a mais para adicionar a minha lista de Fracassos do Dia.

Caminho em direção ao pequeno banheiro no canto direito do quarto dando o máximo de mim para não olhar pra trás, mais especificamente para o que está em cima da cama.

Procuro com o auxílio da mão boa um rolo de gaze na caixinha de remédios em baixo da pia.

A queimadura já não ardia mais como antes, mas o leve contato com qualquer coisa poderia causar uma dor incomoda.

Maldita hora em que eu havia o guardado em um lugar tão óbvio na pressa de seguir as indicações que Jane Morgan havia me passado.

E agora lá estava ele. Com a capa de couro que um dia fora Vermelha coberta em sua maioria por tons de preto. As páginas amareladas que continham segredos escritos à mão estavam com a coloração de Papel queimado. E ainda que eu tivesse sido mais rápida — se é que isso fosse possível — não teria adiantado de nada.

Maldita hora em que eu havia deixado a droga da chave na fechadura na pressa de sair de casa e ir até a Central de Correios da cidade como Jane Morgan havia me instruído ao telefone.

O envelope verde claro ainda permanecia lacrado em minhas mãos. O selo preto com o kanji de Luta ( 闘 ) usado para confirmar que o documento era verdadeiro ainda permanecia intacto.

Depois de tantos meses de espera ele enfim estava aqui.

Ao abrir a porta da frente me deparo quase que instantaneamente com a última pessoa que eu queria ver naquele momento.

O corpo esbelto coberto por uma blusa verde esmeralda e uma saia lápis preta. A bela cabeleira ruiva lhe caía tão bem que quase parecia natural. Quase. Ninguém nascia com fios ruivos em tons de vermelho.

Minha meia-irmã tinha um jeito único de fazer seus joguinhos e eu tinha noção o suficiente pra saber que ela não estaria em casa às 04:40 pm daquele dia se já não tivesse algo em mente.

E eu que havia pensado que aquele dia não poderia ter sido pior.

A lareira da sala estava acesa tornando tudo ainda mais estranho. A primavera chegara a pouco e o clima estava agradável o suficiente para que agasalhos ou qualquer outra coisa que tivesse como função aquecer fossem deixados de lado por hora.

E foi analisando cada um desses fatores que reparei em algo que jazia em seu colo. Um pequeno livro com a capa de couro vermelho.

O Diário.

— Ora, ora, vejamos quem decidiu sair da toca. Já está se sentindo mmelhor, Cindy?

O uso do último nome faz com que eu seja tirada daquele estado de torpor e me traz de volta para a realidade.

A única reação que tenho no momento são os três passos vacilantes que consigo dar ainda assimilando o que ela pretendia com aquilo. Os únicos sons que parecem estar presentes no local são o crepitar do fogo na lareira, o ranger do piso amadeirado sob o peso dos meus vans azul ciano.

— Deixe-me adivinhar. Você deve estar se perguntando o que estou fazendo com isso uma vez que o deixou em seu quarto da última vez que o viu.

Eu queria dizer algo. Queria questiona-la perguntando que direito ela tinha de entrar em meu quarto, mexer em minhas coisas e pegar algo de valor como aquele diário. Porém minha voz não saía. Era como se eu não tivesse domínio sobre meu próprio corpo.

— Deveria ser mais cuidadosa, Kimmy.

— É Kim pra você. — digo algo pela primeira vez e minha voz incrivelmente não soa nenhum pouco vacilante.

— Então a gatinha resolveu mostrar a garras, não é mesmo? Infelizmente a sua confiança em si mesma chegou um pouco tarde de mais.

Sua voz soava como a de alguém que tinha todo o tempo do mundo, coisa que de fato ela tinha.

— Continuando. — ela prosseguiu — Eu realmente pensava que você era uma garota esperta, Kimmy, mas vejo que me enganei ao seu respeito.

Donna Tobin parecia uma garotinha egoísta, traiçoeira e descarada, mas na verdade é muito, muito mais que isso.

— Primeira regra quando se está em uma briga: Nunca deixe que seus segredos e sentimentos expostos para ninguém, nem para os mais íntimos. Você acha que conhece as pessoas, e depois elas te surpreendem.

— Isso também se aplica a objetos com grande valor sentimental. — Ela ergueu o pequeno diário com um sorriso triunfante se formando nos lábios. Como se tudo aquilo se resumisse a uma guerra e ela houvesse saído como a vitoriosa. — Esse era o diário da sua mãe, não é mesmo? Há lugares mais estratégicos para se guardar algo como isso. Você sabe, deixa-lo exposto na ponta de uma prateleira de livros não é considerado como esconderijo. Ao menos se ele estivesse em meio aos outros ainda poderia dizer que você se esforçou um pouco.

A menção a minha mãe fez com que uma onde de fúria me atingisse. Nem mesmo eu me referia a ela buscando afastar as memórias desagradáveis de um passado trágico.

Mordo o canto da boca em uma tentativa de manter a aparência de alguém calmo mesmo que não estivesse. É necessário manter as aparências.

— Céus, diga alguma coisa. Você pode até ter sido boa em esconder as coisas, mas se tornou um livro aberto durante esse último ano. Nós duas sabemos que você está louca pra dizer algo. Vamos, Kimmy, não esconda nada.

— O que esta fazendo com ele?

— Curta e grossa. Direto ao ponto. Gostei da atitude.

Ela se levante e mais uma vez os únicos sons audíveis vem da lareira e dos passos — dessa vez os seus — de seus pequenos sons. Logo ela para bem a minha frente.

Por breves segundos sou tomada pela sensação de inferioridade causada pela pequena diferença, porém ainda assim perceptível, de altura entre nós.

— Não se faça de sonsa, Kimmy, essa cara de desentendida não lhe cai bem. — ela reverbou — Ter um segredo revelado diante de todo o colégio foi só o começo e nós duas sabemos que eu sou capaz de fazer bem mais que isso.

Era obvio que se tratava daquilo.

— Sabe, uma mulher com o coração partido é capaz de causar grandes estragos na vida de quem lhe causou dor. Já te ocorreu que é por isso que muitos furacões tem nomes de mulheres?

— Vocês já haviam terminado há meses. — Contrapus. Eu sabia que aquilo não era o suficiente. Nada seria. E apesar de que essa fosse a total e absoluta verdade Donna continuaria a me culpar. Ela tinha quase que uma necessidade de responsabilizar alguém quando algo acontecia fora de seus planos.

Donna se afastou de mim e se encaminhou a passos lentos até estar ao lado da lareira e naquele momento eu soube exatamente o que ela pretendia.

— Donna, não. — tive a sensação de que minha garganta estava se fechando e que um nó se formava em meu estômago. Era como se o desespero que crescia dentro de mim estivesse tomando atitudes totalmente diferentes das que eu realmente queria e precisava tomar. — Não faça algo que possa vir a te trazer arrependimento depois.

Ela me olhou incrédula para logo depois soltar uma risada debochada.

— E o que te faz pensar que eu irei sentir algum tipo de culpa? — Donna perguntou. O fogo refletia diretamente em suas iris castanhas — mais escuros do que as minhas deveriam estar naquele momento — e era como se as chamas estivessem dançando em seus olhos, o que tornava tudo mais assustador — Você não foi uma boa garota nesse último ano, Kimmy e garotas más não são bem recompensadas. Cada ato tem seu preço.

Respirei fundo e fechei meus olhos, sentindo o coração acelerar lentamente a casa batida. O nervosismo nunca havia sido um bom aliado para mim e naquele momento não seria diferente.

— Esse diário... Você sabe, ele foi da minha mãe e é uma das únicas coisas que eu ainda tenho dela. — mais uma vez minha voz havia me traído, saído mais frágil e insegura do que eu gostaria de deixar transparecer.

— Quem vivi de passado é museu, Kimmy. Encare isso como a chance de deixar parte do seu passado pra trás.

Donna me lançou um último sorriso antes de lançar o diário para as chamas.

Minha primeira reação foi permanecer estática. Senti todo o ar se esvair de meus pulmões e o nós que a minutos atrás se formava em meu estômago parecia nunca ter estado ali. Agora, em seu lugar, eu sentia um completo vazio.

Segundos depois, em um ato completamente impulsivo, corri em direção a lareira e cai de joelhos em sua frente. Assim que meus olhos avistaram a capa vermelha na beirada e sem pensar duas vezes estiquei a o braço direito em uma tentativa estúpida de impedir que o fogo, este que acabara de entrar em contato com uma das pontas do diário, o consumisse por completo. Fora uma das piores atitudes que eu já havia tomado.

No instante em que minha mão entrou em contato com o couro da capa pude sentir a queimação. No segundo seguinte — já de pé e sentada no sofá — reprimi um grito de dor.

A última vez que senti uma dor física semelhante aquela fora quando ainda estava aprendendo a andar de Skate. Foi logo no início, eu havia acabado de subir na prancha e cai com tudo no chão. Simplesmente assim. Eu havia dispensado o capacete, as joelharias e tornozeleiras. Voltei pra casa com os joelhos em carne viva, uma perna quebrada, os braços ralados e a cabeça enfaixada.

As lágrimas haviam começado a descer e a sensação de ardência havia aumentado.

Donna andou até a porta da frente, a abriu e antes de sair falou:

— Garotas podem parecer frágeis, mas não bobas. Hoje chora, amanhã ela se vinga. O jogo apenas começou.

Notas finais
Amores da minha vida, esse foi o Prólogo.
Então gostaram?
Favoritem e recomendem!
Sejam educados e deem um oi para a autora