I Knew You Were Trouble
23 She will be loved...2
Notas iniciais
–Sabe, um dia antes do incêndio no galpão eu fui no show deles. Foi o melhor show da minha vida. Eu acho que nunca cantei tanto na minha vida. Eu estava na primeira fila, e o vocalista olhou direto para mim. Foi perfeito. Você gosta deles? – Ele não me respondeu – Dan? – Falei me virando e encontrando ele estático.
Seriam sintomas pós-tatuagem?
Que garoto estranho.
(...)
P.O.V Dan
Então era ela! Tudo faz sentido agora. Eu me lembro muito bem do show, e de uma garota próxima ao palco. Ela era muito bonita, e prendeu minha atenção durante todo o show.
–Parecia que ele cantava para mim, sabe? – Ela falou me cutucando.
Essa mesma garota cantou durante todo o show e no final quando acabou eu pedi para os seguranças irem chamá-la, porque eu gostaria de conhecê-la. Ela não estava mais lá.
–Eu infelizmente tive que ir para casa mais cedo – fez uma careta que era para ser uma cara de triste. Eu ri disso e ela me deu um tapa – Não ri! Meu pai não sabia que eu tinha ido ao show. Eu sai escondida, e tive que voltar antes dele chegar em casa.
–Uau, que rebelde. – mostrou o dedo do meio e continuou andando.
Chegamos à Land Rover, e fomos em direção a casa. Na hora em que Charlie me disse que eu teria que fazer uma tatuagem, eu fiquei um pouco preocupado, confesso. Não por causa da dor, nem nada do tipo, mas e se ele pedisse para Lola fazer no meu braço? Ela iria ver as minhas tatuagens e me reconhecer na hora. O pior ainda foi escutar ela falar sobre mim, e nem ter me reconhecido. Foi por pouco.
–Hey, bobão – Charlie delicadamente me chamou enquanto dirigia – Liga o rádio.
Ela sempre faz isso, impressionante. Dessa vez não era Justin Bieber, era muito pior. Era “We had it all” da Underground Legends. Fiquei sem reação e fingi estar distraído mexendo no celular. Pelo canto do olho espiei Charlie cantar junto com a música. Ela era incrível.
–We had it allllllllllllllllllll – Ela gritava o refrão. Era uma indireta isso? Por favor, temos que chegar em casa logo.
–Então, Charlie, como andam as obras? — Tentei mudar de assunto, não aguentava mais me ouvir cantar.
–Vão muito bem, vamos conseguir fazer a feira na data certa – Ela sorriu, o que me fez sorrir –Pronto, chegamos.
Me virei, e estávamos em casa — na casa dela. Descemos do carro, e entramos na casa. Valerie estava sentada no sofá com um violão em mãos.
–Que ódio – Ela deixou o violão de lado.
–Tentando tocar? – Charlie disse jogando as chaves na mesa.
–Não, to tentando fritar pastel – Ah, esse sarcasmo era de família.
–Idiota – Charlie falou subindo as escadas.
–Ei, parece que nem lembra mais que tem prima – Valerie falou subindo as escadas.
Olhei para o violão, e o violão olhou para mim. Há quanto tempo eu não tocava? Meses, talvez. Peguei em mãos e vi que estava gravado Kurt nele. Ele era preto fosco, muito bonito. Dedilhei algumas coisas e senti uma coisa que não sentia há muito tempo. Escutei o som de uma risada e percebi que estava sendo observado. Me virei e notei Valerie me olhando encostada na parade.
–Você toca bem, Dan.
–Obrigada – Falei sorrindo.
–Experimenta tocar uma da Underground Legends – Ela me olhou sugestiva e saiu de lá rindo.
Ué, essa garota sabe de alguma coisa?
P.O.V Charlie
Estava tirando minha blusa para ver melhor minha nova tatuagem e de repente alguém abriu a porta.
–Bobona – Era Val que tinha aberto. Sorri lembrando que Dan já fez isso.
–Ficou perfeita – Val falou olhando mais de perto.
Me virei para o espelho e vi elas. A tatuagem de Luke nas costelas, a nova nas costas e Faith na nuca. Onde Dan achou que eu tinha outra? Idiota. Coloquei uma blusa que era de Luke e tirei meus sapatos que deram lugar a minha pantufa de abelhinha.
Val estava deitada sobre a minha cama mexendo no celular, então resolvi ir até a varanda. O vento estava frio, e estava chuviscando um pouco. Notei que um carro estava parado na frente da minha casa. Fiquei espiando por um tempo até que um cara saiu do carro. Ele estava com um violão nas costas.
Espera, aquele ali é o meu professor de história?
P.O.V Valerie
Eu estava rindo sozinha me lembrando da cara de Dan quando falei aquilo mais cedo, quando Charlie saiu da varanda correndo e com uma cara de surpresa.
–Val, acho que tem alguém aqui que quer te ver – Ela sorriu.
Fui em direção a varanda e foi ai que o vi. A mesma barbinha mal feita, o cabelo certinho no lugar – o que me deixava irritada – e os olhos que antes eram de um azul vibrante, e que agora estavam cansados e tristes. Ali estava James, parado com um violão me olhando. Os pingos de chuva estavam ficando mais fortes, e achei que talvez ele fosse embora, mas não. Ele tirou o violão das costas e começou a cantar.
Beauty queen of only eighteen, she
had some trouble with herself
É, sou eu.
He was always there to help her, she
always belonged to someone else
Ele sempre esteve.
I drove for miles and miles
And wound up at your door
Ele sorriu. É, a Italia é bem longe.
I've had you so many times
But somehow, I want more
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Eu sorri. Que ironia, não?
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while And she will be loved...
I know where you hide
Alone in your car, Know all of the things that make you who you are.
É, ele me conhece muito bem.
I Know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls...
Realmente, um adeus não significou nada para nós.
Tap on my window, knock on my door
I want to make you feel beautiful...
Ele sorriu para mim, e me encarou esperando alguma reação. A chuva tinha ficado mais forte, e como a chuva, minhas lembranças também. Tudo que ele havia me dito na Itália, o jeito que ele me tratou, tudo.
Fechei a varanda, e voltei a sentar na cama. Charlie me olhou indignada.
–Valerie! Porque você fez isso? Ele veio até aqui pedir desculpas. – Ela sentou ao me lado.
–Não! – Falei a encarando – Ele não merece nada. Ele é um idiota. Ele duvidou de mim, não confiou no que eu disse e preferiu escutar a outra. Acha que agora com um simples pedido de desculpas ele vai me ter de volta? – Ela me fitou por um tempo, e sorriu sozinha.
–Sabe Val, alguém uma vez me disse que nós temos que deixar nosso orgulho de lado e lutar pelo que queremos. Você é igualzinha a mim, Val. Muito cabeça dura. O que o seu coração tá dizendo? – Eu fiquei pensativa – Eu vejo nos teus olhos que você ainda ama ele.
–Eu sempre vou amar. – Falei sincera.
–Então tá esperando o que? Ele tá lá fora te esperando na chuva depois de ter cantado She will be loved. Ele é perfeito. Perfeito pra você. – Olhei para ela e sorri. Sai correndo e quase rolei escada abaixo. Dan me olhou e sorriu.
–Ele ainda está ai. – Falou olhando pela janela.
Abri a porta e o vi parado todo molhado por causa da chuva com o cabelo sobre s olhos e as mãos tremulas. Fui em direção a ele.
–James..
–Val, me escuta. – Tirei os cabelos do rosto e o encarei – Eu sinto muito, eu sei que você nunca vai me perdoar por não ter acreditado em você, mas eu peço desculpas. Eu estava cego, eu sempre tive ciúmes de você — o sotaque deixava ainda mais fofo — Você foi a melhor coisa que já me aconteceu, e minha vida sem você não tem graça, se é que se pode chamar de vida. Eu tive que fazer isso, Val. Eu te amo mais que tudo, e faço o que for preciso para te ter de volta. – Eu sorri para ele.
–Até me dar dez no boletim? – Ele sorriu e foi se aproximando.
Colocou a mão em minha cintura e acariciou minhas bochechas.
–Eu te amo, Val.
–E eu amo voce, James.
Então nos beijamos.
E foi como se nunca tivéssemos nos separado.
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