I Knew You Were Trouble
24 Am I ready to go?
Notas iniciais
–Eu te amo Val.
–Eu te amo James.
E então nos beijamos, e foi como se nunca tivéssemos nos separado.
(...)
P.O.V Charlie
E ali estava eu, parada observando minha prima beijando o namorado dela, vulgo meu professor de história, na chuva. Que cena romântica. Desci as escadas, parecia errado ficar bisbilhotando esse momento tão pessoal. Dan estava olhando pela janela sorrindo.
–Eles formam um belo casal – Falei me sentando no sofá.
–É verdade – disse saindo da janela.
Notei que Kurt estava sobre a mesa de centro, peguei o violão e tentei tirar alguma coisa, mas não deu muito certo. Dan riu.
–Você tocou bem aquela noite no restaurante, o que aconteceu?
–Aquela música era a única que Luke conseguiu me ensinar, porque eu a treinei todos os dias – Falei olhando para o violão. Ele ficou em silencio.
–Por que Kurt? — perguntou.
–Luke curtia bastante Nirvana – sorri lembrando dele com o cabelo de Kurt quando tinha quatorze anos.
Coloquei o violão de volta na mesa, e Dan o pegou. De repente uma melodia familiar começou a surgir, Dan estava tocando Come As You Are. Fiquei olhando boba para ele. Além de tocar bem – algo que eu desconhecia – essa música era a que Luke mais gostava. Ele parou de tocar.
–Essa música era a preferida dele – Falei.
–É a minha também – disse colocando o violão sobre a mesa.
–Você até que me lembra ele, sabe. – Era verdade.
–Mas não somos irmãos, Charlie — falou com convicção.
–Eu sei, nem poderíamos. – lembrei de tudo que já passamos, e não, de jeito nenhum eu faria isso com meu irmão.
Escutei um barulho de chaves na porta. Minha mãe entrou um pouco molhada, algo do tipo pingando pela sala inteira, e foi até a cozinha.
–Charlotte, venha até aqui – Aquilo não era uma ordem, mas por mais que eu quisesse continuar ali com aquele papo com Dan relembrando os velhos tempos, não queria ver minha mãe brava.
Fui até ela, e a encontrei sentada em uma cadeira, em cima da mesa dois cupcakes cor de rosa.
–Filha, precisamos conversar – sentei de frente para ela – Eu recebi uma carta já faz certo tempo, da universidade de Oxford. Eu fiquei receosa de entregá-la para você, pois não sabia se estava pronta para resposta. Depois de tudo que passamos, eu não sei se suportaria ter aquela Charlie como filha de novo. Você esta diferente agora, Chars. Você amadureceu bastante filha, e acho que está pronta para ler o que está escrito aqui – Ela tirou um envelope da bolsa.
O peguei em minhas mãos.
Uma folha de papel.
Simplesmente uma carta que pode mudar toda minha vida. Meu futuro literalmente está em minhas mãos.
O abri com calma.
–E ai? O que está dizendo? – Minha mãe perguntava a cada dois minutos.
Eu estava estática, nem me lembro ao certo o que a carta estava dizendo. Apenas três palavras me fizeram sorrir, e esquecer do mundo. Minha mãe tirou-a em um puxão de minhas mãos.
–Você foi aceita! – Ela pulou em meu pescoço, e me abraçou forte – Minha garotinha, passou!
–Mãe, eu vou conseguir realizar o nosso sonho – Meu, e de Luke.
–Ah, filha – Minha mãe enxugou uma lagrima – Eu sei que ele deve estar muito feliz com essa noticia, onde quer que ele esteja.
–Mãe, na carta também diz que por causa dos meus créditos escolares, e trabalhos voluntários, eu ganhei uma bolsa para começar um curso mais cedo, diferente da faculdade, mas que ajuda na preparação. Aqui diz que começará na primavera — enquanto falava, meu sorriso teimava em continuar ali.
–E você vai filha? – A encarei pensativa. Olhei para o outro lado da porta e Dan estava parado nos olhando. – Olha só, Dan. – Minha mãe correu até ele e mostrou a carta de admissão. – Minha filhinha vai ser médica!
Ele leu a carta em silencio.
–Parabéns, Charlie. E você vai? – Ele parecia triste.
–Eu não sei ainda – Falei confusa.
Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Escutei um barulho bizarro, e lembrei que era nossa campainha escrota. Ótimo momento, muito obrigada. Queria mesmo sair dali.
–Eu vou atender – Falei saindo de lá.
Abri a porta, e me deparei com Hanna. Ela estava séria. Usava uma touca preta, e um casaco da mesma cor. Os cabelos loiros estavam levemente ondulados, talvez pela chuva que estava se aproximando.
–Precisamos conversar — pareceu uma ordem.
Tirei a chave da fechadura e me sentei na escada junto dela. Fiquei brincando com meus chaveiros, já que o silencio estava me matando. Somos duas tagarelas, mas nenhuma de nós quis falar nada.
–Então.. – Ela falou olhando para baixo.
–Então..
–Eu queria saber o que vai ser de nós, quer dizer, porque você tá assim comigo? – Olhei para ela, parecia que estávamos tendo uma DR.
–Nada, não aconteceu nada.
–Nada? – Ela já estava falando mais alto, culpa dessa alma de barraqueira que ela tem – Porque você não fala mais direito comigo? O que eu fiz para você?
–Tudo bem você ter terminado com meu melhor amigo, eu entendo, foi o certo. Agora, você podia ter me dito pelo menos que o motivo era o Dan. – Despejei tudo de uma vez, e falei rápido demais, como sempre.
–Dan? Do que você está falando? — parecia confusa.
– O garoto novo de que você falou que estava gostando, vocês juntos na pracinha. Eu entendi, não preciso de nenhum desenho.
Ela começou a rir, o que me deixou irritada.
–Meu Deus, Charlie. Vai ser ciumenta assim na puta que pariu. – Ah, que delicada.
– Desculpa, mas porque você tá me xingando? Quem deveria te xingar era eu! Como você pode fazer isso comigo? Pensei que fossemos melhores amigas.
– E nós somos! — gritou — Charlie, você entendeu tudo errado. Eu nunca tive, e nem quero ter nada com o Dan.
–Não? – Falei confusa.
–Não. — balançou a cabeça — O garoto de quem eu estava falando era o primo dele. Quando você nos viu no parque, nós estávamos conversando sobre ele. Dan estava me contando que ele falou de mim. – Ai Meu Deus.
–Sério?
–Sim! Eu sabia que tinha acontecido algo de diferente entre a gente, mas sei lá. Isso não vem ao caso agora. Charlie, eu nunca faria nada disso com você, eu sei o quanto você gosta dele. – Eu fiquei muito sem graça, e se pudesse me enterrar em um buraco, o faria.
– Eu não sei o que dizer, me desculpe. Eu sei lá, acho que..
–Ficou com ciúmes? – Fiz uma careta – É, porque foi bem isso o que aconteceu. Charlie, você tá apaixonada por ele. E não adianta negar. – Ela riu afastando o cabelo loiro do rosto.
–Tá, mas do que adianta? Ele não quer nada comigo, já deixou isso bem claro. Eu não vou me humilhar e ficar bancando a apaixonadinha. Agora nem tem mais tanta importância também.
–Do que você tá falando? – Ela me encarou confusa.
–Hanna, eu fui aceita em Oxford — ela ficou boquiaberta — Eu vou cursar medicina– Ela deu um grito, e me abraçou forte.
–Mas já? Tão cedo..
–Bom, com o meu trabalho no hospital, e meus créditos escolares, eu ganhei uma bolsa para iniciar um curso mais cedo, é uma preparação, sabe, para a faculdade — sorri.
–E você vai? — franziu o cenho.
Respirei fundo.
–Acredite, você é a terceira pessoa que me pergunta isso e menos de 30 minutos. Eu não, que dizer, isso nunca passou pela minha cabeça. Tem tantas coisas que eu quero fazer ainda, todos os planos que eu fiz até o final do ano, eu não sei. A única coisa favorável é que eu não vou ter que encarar Dan todos os dias, porque é difícil você conviver com a pessoa que você gosta, e ela nem ai — mexi frenéticamente meus dedos. Não queria encara-la — Essa história de amigos, não dá certo, Hanna. Eu quero mais do que isso, sabe? — seu olhar ficou vazio — Ele é um babaca mesmo.
–Chars, isso é difícil — pegou em minha mão — Você está pronta para dizer adeus para tudo isso? Para todos nós? — fitei o chão.
O adeus significa esquecer?
Never say goodbye,
Because saying goodbye
Means going away
And going away
Means forgetting.
– Peter Pan.
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