I Just Wanna Stop
44 Percepções
Notas iniciais
Pov. do Klaus
Completei mais uma volta, apurando os meus sentidos em busca de qualquer sinal que indicasse a aproximação de alguém. Já tinha perdido a conta de há quanto tempo estava andando de um lado para o outro no pátio do casarão. Toda essa minha ansiedade devia-se a minha espera pela chegada de Lexi. Desde a ligação que recebi de Hayley durante o dia, que eu estava desesperado para vê-la. Embora soubesse que Elijah jamais deixaria algo acontecer com ela, precisava conferir com os meus próprios olhos o seu estado. Quando Hayley me contou sobre o atentado no Bayou, por um momento senti o chão sumir debaixo dos meus pés. A mesma sensação horrível que senti quando Sabine/Celeste anunciou que tinha ligado à vida de Lexi a dela e que pretendia se matar tomou conta de mim. Só voltei a respirar após a lobinha me garantir que tanto ela quanto Lexi estavam bem. Nesse mesmo telefonema Hayley manifestou sua desconfiança sobre Marcel ter sido o mandante do ataque. Ela queria que eu a acompanhasse numa visita ao vampiro para tirar satisfações sobre o ocorrido. Mesmo querendo esclarecer essa história o quanto antes, não pude atender a convocação de Hayley. A situação do padre estava crítica e eu havia dado a minha palavra a Lexi de que cuidaria dele e de Cami. Depois que Lexi foi embora, a coisa piorou de um jeito que eu fiquei mais do que aliviado por ela não estar lá para presenciar aquilo. Com certeza as lembranças desse episódio tenebroso a faria ter pesadelos por muito tempo. Infelizmente o meu alívio durou apenas até descobrir o que tinha acontecido no Bayou.
A enviei para o acampamento dos lobisomens na companhia de Elijah somente para preservá-la. Se eu tivesse a mínima ideia de que o lugar seria alvo de um atentado terrorista jamais teria permitido que ela fosse. Minha única intenção era protegê-la. Entretanto acabei falhando miseravelmente. E o pior era que quando ela chegasse, ainda teria que lhe dar a trágica notícia da morte de Kieran. Embora soubesse que o padre era um caso perdido desde o início, fiz o máximo que pude para poupá-la desse sofrimento. Até o transformei, mesmo sabendo que ele nunca escolheria completar a transição, para que ele pudesse ter uma despedida digna da sobrinha. No entanto nem tudo saiu como o planejado. Quando os deixei a sós, naquele momento particular, fui atrás de Genevive. Eu não acreditava que Marcel fosse o responsável pelo ataque no Bayou, ele não se atreveria a tanto. Já as bruxas... Se a ruiva estivesse envolvida naquilo de alguma forma, não hesitaria em retalia-la. Não permitiria que ninguém atentasse contra meu filho ou contra Lexi. E apesar de não confiar em Genevive, pela sua reação, acabei me convencendo da sua inocência nesse caso em específico. Ela ainda resolveu comentar comigo sobre o padre Kieran. Aproveitando a oportunidade para mostrar que ela não tinha atingido completamente o seu objetivo, contei-lhe sobre a transição. Foi a bruxa que me alertou tanto sobre o retorno do feitiço que havia enlouquecido Kieran como sobre a quebra do feitiço de limite devido a morte do padre. Retornei a igreja bem a tempo de impedir que Kieran matasse Cami. Não gostava nem de pensar no que poderia ter acontecido a Lexi caso ela também estivesse lá.
A morte definitiva do padre foi realmente lastimável. Depois de deixar Cami aos cuidados de Marcel e ter suspendido o exílio do mesmo por vinte quatro horas como uma cortesia minha para os dois, segui direto para o casarão. Havia informado a Elijah que ele deveria trazer Lexi diretamente para cá. E eu não aguentava mais tanta demora. Já havia dado tantas voltas no mesmo lugar que tinha impressão de que um buraco se abriria em baixo dos meus pés a qualquer momento. Quando finalmente o cheiro de Lexi chegou até mim, de imediato senti parte da aflição que me consumia desaparecer. Não demorou muito para que ela surgisse em meu campo de visão seguida por Elijah. E apesar do estado deplorável do meu irmão, que além de estar com seu elegante terno completamente arruinado, também estava coberto de fuligem, concentrei toda a minha atenção em Alexandra.
Havia esperado o dia inteiro por isso. Quando Hayley me relatou sobre o ataque, meu primeiro impulso foi querer ir correndo até lá, porém me obriguei a ficar onde estava cumprindo o que havia prometido. Pois por mais que me custasse admitir, sabia que Elijah a protegeria quase tão bem quanto eu. Entretanto agora vendo sua expressão completamente devastada, me arrependi amargamente de não ter ido busca-la de imediato.
Fiquei mais do que aliviado ao constatar que embora suas roupas estivessem sujas de barro e cinzas, ela não possuía nenhum machucado aparente. Os dois se aproximaram e não perdi tempo em ir até Lexi para analisa-la melhor.
— Hayley me ligou mais cedo contando o que aconteceu. Você está bem? – Perguntei ainda examinando seu corpo com os olhos em busca de algum ferimento.
— Estou. – Respondeu num tom exausto. – Graças ao Elijah. – Emendou lançando um sorriso fraco para meu irmão. Acompanhei seu olhar.
Apesar de me sentir incomodado por não ter sidoo responsável por defender Alexandra, era grato a Elijah por tê-lo feito. Mesmo que odiasse ter que reconhecer isso, mais uma vez eu devia a vida de Lexi a ele.
— Se eu soubesse... – Desculpei-me a minha maneira, voltando a focar em Alexandra.
Ela parecia tão abalada... Não hesitei um segundo sequer em envolvê-la em meus braços quando Lexi abraçou minha cintura, escondendo seu rosto em meu peito. De novo me amaldiçoei por tê-la mandado para o Bayou justo hoje. Quando descobrisse quem foi mandante desse atentado, o proporcionaria uma morte espetacular. Depois de algum tempo, Lexi afastou-se minimamente de mim e ergueu o rosto para me olhar.
— E quanto ao padre Kieran? – Quis saber preocupada.
Desviei meus olhos dela para Elijah. Aquilo foi o suficiente para ele entender o que viria a seguir. Meu irmão baixou a cabeça por um momento e voltou seus olhos para Lexi. O imitei. O momento que eu desejava adiar o máximo possível esta noite enfim chegou. Eu realmente não queria ter que dar essa notícia a ela, principalmente hoje. Respirei fundo antes de falar.
— Sinto muito. – Pronunciei me sentindo a pior das criaturas ao ver os lindos olhos azuis da garota a minha frente se encherem de lágrimas e sua expressão se tornar ainda mais desolada.
Não contive o impulso de abraça-la novamente. Dessa vez senti as lágrimas de Lexi molharem minha camisa. Estreitei meu aperto ao seu redor, escondendo meu rosto em seu cabelo. Era impressionante o quanto o sofrimento dela me afetava. Eu simplesmente não suportava vê-la daquele jeito. Tudo o que eu queria era poder apagar esse dia desastroso da sua memória. Após o que poderia ter sido uma eternidade, Lexi fez menção de se distanciar e mesmo sem querer a soltei.
— Preciso voltar para casa. Cami... – Começou a se desesperar, porém a interrompi.
— Cami está com Marcel. Suspendi o exílio dele por um dia para que ele pudesse cuidar dela. Cami também achou melhor para você passar essa noite aqui. Ela me entregou sua mochila com algumas roupas. A deixei em seu quarto. – Expliquei a fazendo me encarar surpresa.
A ideia de Lexi ficar aqui essa noite havia partido de mim. Depois de tudo que tinha acontecido hoje, o que eu mais queria era tê-la por perto, onde pudesse zelar por ela e por sua segurança. Cami estava tão desnorteada que aceitou sem nem questionar.
— Você deveria subir para tomar um banho e descansar um pouco. – Aconselhei fazendo um breve carinho em seu rosto.
Lexi assentiu, ainda atordoada demais com os últimos eventos para fazer qualquer objeção. Ela se encaminhou para a escada e assim que a vi sumir no segundo andar, voltei-me para Elijah.
— Obrigado. – Agradeci a contragosto. Manifestar minha gratidão a ele em voz alta por algo que envolvia Alexandra era tão agradável quanto beber verbena ou wolfsbane.
— Disponha. Sei o quanto Lexi é importante para você. E também nunca permitiria que algo acontecesse a ela, principalmente sob meus cuidados. – Disse com seu costumeiro tom solene.
Ergui minhas sobrancelhas para ele e franzi o cenho. Não sei o que me intrigou mais em sua fala. O modo como ele afirmou que tinha conhecimento sobre a importância de Lexi para mim ou a última parte. Onde ele expressou explicitamente o seu zelo por Alexandra. Pensei em confronta-lo, mas desisti. Não estava com cabeça para discutir com Elijah agora. Tínhamos problemas mais urgentes para debater.
— A julgar pelo seu estado, a situação foi mais feia do que eu havia imaginado. – Observei mudando de assunto.
— Você não faz ideia. Precisamos ter uma conversa séria sobre isso. Obviamente depois que eu me refizer dessa bagunça. – Garantiu apontando para si mesmo antes de também ir para o segundo andar.
O deixei subir. Aproveitei o momento sozinho para organizar meus pensamentos. Pela primeira vez no dia desde o telefonema de Hayley, pude sentir um pouco de sossego. Apesar dos traumas, os quais eu faria o possível para ajuda-la a superar o quanto antes, Lexi estava bem. E isso era o que mais importava.
(...)
Fiquei no pátio por mais algumas horas antes de subir, refletindo sobre os meus próximos passos. Quando adentrei a sala de estar, me deparei com Elijah voltado para janela com um copo de uísque em mãos. Ele já se encontrava impecável como sempre em um dos seus inúmeros ternos caros. Me encaminhei a mesa, disposto a ir direto ao assunto.
— Primeiro, o massacre do Marcel. – Comecei me referindo ao ocorrido na Fete des Benedicitions. – Agora, bombas no Bayou. Creio que está pronto para desistir desse tratado. – Concluí me sentando.
— A aliança com os lobos, para ser bem sucedida, creio que irá querer isso. – Disse ele pondo o grimório da nossa mãe na mesa diante de mim.
Não pude deixar de ficar surpreso. Afinal ele mesmo havia escondido o grimório. Até hoje de manhã, meu irmão não concordava com o meu plano. Tanto que havia tirado o livro de feitiços de nossa mãe do meu alcance para que não pudesse usá-lo em meu propósito. Entretanto ao que parecia, os recentes acontecimentos tinham modificado a sua opinião.
— Suponho que devo agradecer à Hayley e quem sabe à Lexi, por você ter mudado de ideia. – Alfinetei analisando o livro.
— As rixas da cidade são piores do que imaginei, Niklaus. As tribos, as facções, as famílias... As famílias vão escolher lutar. E se devo escolher um lado... À nossa vitória, irmão. – Discursou entregando-me um copo de uísque e oferecendo-me um brinde.
Aceitei o seu gesto. Embora ainda estivesse um pouco admirado com sua mudança de atitude, não contive meu contentamento. O apoio de Elijah era tudo o que eu precisava para levar os meus objetivos adiante sem maiores complicações. Agora com Elijah ao meu lado, seria praticamente impossível alguém impedir a soberania Mikaelson em New Orleans. Após a conversa mais do que produtiva com Elijah, resolvi ir até o quarto de Lexi. Minha intenção era velar o seu sono por um tempo, porém me surpreendi ao encontra-la acordada.
Lexi estava deitada na cama com os olhos fixos no nada. Diferentemente de quando chegou, suas pernas e braços estavam expostos, uma vez que seu pijama consistia em um short de algodão azul claro listrado e uma blusa de manga curta branca. Fiquei satisfeito ao verificar que não havia nenhum hematoma em sua pele. A observei por algum tempo, desviando meu olhar dela quando percebi que sua beleza estava me afetando. Permaneci parado na porta do quarto, sem saber o que fazer.
— Klaus? – Lexi me chamou, despertando-me dos meus devaneios.
Voltei minha atenção para ela. Sua expressão continuava triste. Mais uma vez desejei poder apagar suas memórias de hoje.
— Só passei para ver como você estava. Achei que já estivesse dormindo. – Justifiquei sem sair do lugar. Ainda não sabia como agir.
Minha vontade era conforta-la. Fazê-la esquecer de todas as lembranças ruins e garantir que nada a prejudicasse novamente. Entretanto não sabia como dar vazão a esses desejos. E vê-la devastada desse jeito me atingia de uma maneira inacreditável. Não conseguiria ficar ali, presenciando seu sofrimento sem poder fazer nada. A olhei uma última vez e me virei para sair, mas antes que o fizesse, a voz embargada de Lexi me impediu.
— Por favor... Não vá. Eu não quero ficar sozinha. – Implorou num tom suplicante.
Naquele momento, tive um pequeno vislumbre da dimensão dos meus sentimentos por aquela garota. Eu seria capaz de fazer qualquer coisa por ela. Bastava ela pedir.
Hesitei um pouco antes de ir até ela e sentar ao seu lado na cama. Depois de fitar seus olhos por alguns segundos, peguei alguns travesseiros e os ajeitei, deitando-me ao seu lado. Senti meu corpo tensionar quando Lexi extinguiu a pouca distância que existia entre nós e repousou sua cabeça sobre o meu peito, segurando minha camisa entre seus dedos. Por um instante fiquei completamente paralisado, sem saber como reagir a essa proximidade. Ainda com certo receio, levei uma das minhas mãos ao cabelo de Lexi, iniciando um carinho ali.
Permaneci daquele jeito mesmo depois de ela já ter dormido. Lexi demorou a pegar no sono e considerando tudo que ela tinha passado hoje, isso era mais do que compreensível. Cheguei a cogitar a ideia deixa-la, mas desisti instantaneamente. Não havia nenhum outro lugar no mundo onde eu quisesse estar neste momento. Eu realmente devia me preocupar com o rumo que minha amizade com Lexi estava tomando, entretanto não queria pensar sobre isso agora. Resolvi apenas aproveitar a paz e o prazer que tê-la em meus braços me proporcionava e me permiti relaxar. Me sentia tão bem que não tardou muito para que eu adormecesse.

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