I Just Wanna Stop

26 Feliz...? Aniversário!


Notas iniciais
Good night, my sweethearts! Não tenho mais cara pra pedir desculpas a vcs pela demora e.e Infelizmente minha vida é mais instável do que uma montanha-russa, então... So sorry! Agradeço imensamente pelos comentários maravilindos do último capítulo! *-* Espero que gostem e boa leitura!

Pov. da Lexi

Um mês e meio depois da minha primeira e única visita ao Cauldron, para o desespero de Cami e o desagrado de Steve, eu estava cada vez mais próxima de Klaus. Eu ultimamente passava a maior parte do tempo no casarão. Até mesmo já conhecia alguns dos vampiros subordinados ao meu melhor amigo pelo nome. E apesar de quebrar minha cabeça todos os dias tentando descobrir algo relacionado ao poder Colheita, ainda não tínhamos conseguido uma pista sequer. Também não tive contato com Sabine e muito menos com Sophie durante essas semanas. Não sabia dizer se isso era bom ou ruim.

Pelo menos eu consegui resolver outra pendência que já me incomodava há algum tempo. Fui até a igreja me acertar com o padre Kieran. Desde o dia da morte de Davina que não nos víamos e eu achei que seria bom nos reconciliarmos. Cami ainda não o havia perdoado, mas eu prometi ao padre agir como uma ponte de reaproximação para os dois. E embora eu passasse boa parte do dia no casarão, eu ainda ia à cafeteria do Joe com frequência. E por mais incrível que pareça, Klaus me acompanhava quase sempre. Só que o problema era sua relação com Steve. Apesar dos meus esforços, eu não conseguia fazer eles se entenderem. Ao que parecia, eles eram como água e óleo. Incapazes de se misturar.

Interrompi meus pensamentos ao sentir meu corpo se chocar com algo. Pedi desculpas a adorável senhora com quem eu tinha esbarrado e olhei ao redor procurando por Klaus, não demorando a encontra-lo. Estávamos em uma exposição de arte contemporânea do outro lado do rio Mississipi. Foi uma grande surpresa para mim ele ter aceitado meu convite. Por mais que eu soubesse o quanto ele gosta e se interessa por arte, não conseguia imaginar o Híbrido Original fazendo esse tipo de programa, ainda mais na minha companhia. Andei até ele e parei ao seu lado.

Klaus estava de pé com as mãos para trás analisando criticamente um quadro pintado inteiramente de verde, posicionado ao lado de dois quadros semelhantes, porém nas cores vermelho e branco. Olhei de relance para ele e pela sua expressão pude perceber que ele parecia não gostar nem um pouco do que via.

— Pelo visto, consideram qualquer coisa como arte hoje em dia. O que aconteceu com os grandes mestres como Da Vinci, Michelangelo, Renoir e Monet? – Perguntou ao notar minha presença. Não pude deixar de sorrir com a sua opinião um tanto antiquada.

— O conceito de arte nos dias de hoje, Klaus, não é tão diferente do que era no princípio. Arte nada mais é do uma abordagem sensível do mundo, real ou não. – Argumentei.

— É mesmo? E ao que essa magnífica tela verde te remete? – Indagou debochado virando-se para mim.

— Esperança. – Respondi de imediato. Klaus me encarou por alguns segundos antes de passar para o quadro vermelho.

— E esse? – Voltou a perguntar.

— Raiva, paixão, amor, vingança. – Enumerei recebendo um olhar incrédulo dele.

— Muito bem... E este aqui? O que tem a dizer sobre ele? – Questionou parando diante do quadro branco.

— Esse me lembra o nada, o vazio, mas também me traz paz. – Falei com os olhos fixos no quadro. Quando voltei minha atenção para Klaus, ele me observava admirado.

— Você realmente tem o dom de enxergar coisas que ninguém mais vê. – Afirmou ainda me encarando.

— Talvez seja por isso que eu me tornei sua melhor amiga. – Retruquei o levando para a próxima fileira de telas.

Talvez. Ou então... Você tem sérios problemas. – Retorquiu dando um dos seus típicos sorrisos irônicos, me fazendo balançar a cabeça em negação e lhe dar um fraco tapa no braço.

— Okay, Sr. Engraçadinho. Ainda temos muitas obras para ver. Quem sabe até o fim da noite eu consiga te fazer apreciar, pelo menos um pouquinho, a arte abstrata. – Comentei enquanto atravessávamos um corredor.

— Você pode tentar. E embora eu não duvide nem um pouco da sua capacidade de persuasão, devo alerta-la de que terá muito trabalho pela frente. – Informou ele num tom provocativo.

— Sem problemas. Você sabe que eu adoro um bom desafio. – Assegurei convicta. Ainda tinha umas boas horas pela frente para fazê-lo mudar de opinião.

Depois de conhecermos a exposição inteira e eu discorrer sobre o significado de cada obra, pelo menos no meu ponto de vista, eu finalmente consegui fazer Klaus criar alguma simpatia pela arte contemporânea. Ele até mesmo me presenteou com um quadro do artista israelense Leonid Afremov. Não tive outra reação a não ser abraça-lo e encher o seu rosto de beijos, o que resultou em algo que eu jamais achei que iria presenciar: o todo poderoso Híbrido Original completamente encabulado e paralisado com o meu pequeno surto. Inclusive agora enquanto saíamos, Klaus ainda não parecia totalmente recuperado do choque causado pelo meu ataque poucos minutos atrás.

— Andar com você ainda vai destruir minha reputação. – Resmungou descendo a escada.

— Você fala como se alguém aqui te conhecesse. – Disse dando de ombros.

— Eu sou Klaus Mikaelson, sweetie. Meu nome e minha fama percorrem o mundo muitos séculos antes de você sequer sonhar em nascer. – Rebateu com superioridade.

— Já te falaram que humildade é uma das suas maiores qualidades? E caso você não saiba, quando apertou minha mão concordando ser meu BFF, esse tipo de situação estava incluída no pacote. – Ironizei recebendo um olhar atravessado dele.

— Eu não... – Antes que ele pudesse terminar de protestar, o interrompi, parando uma mulher que passava por nós.

— Boa noite, moça. Será que você poderia tirar uma foto nossa? – Perguntei apontando nós dois.

— Claro. – Respondeu a desconhecida com um sorriso simpático. Sorri de volta e entreguei meu celular a ela.

Klaus permanecia estático no mesmo lugar, me encarando incrédulo.

— Por favor! Não podemos deixar esse momento passar em branco. – Implorei fazendo a minha melhor expressão pidona.

Depois de alguns segundos me analisando, Klaus tirou a jaqueta. Foi a minha vez de encara-lo, só que sem entender nada.

— Se está no inferno, abrace o diabo. – Murmurou antes de se dirigir a mulher. – Segure isso e tire logo essa maldita foto. – Ditou a compelindo.

Nem tive tempo de reagir, apenas posei para foto junto com Klaus e depois o vi pegar e vestir novamente sua jaqueta. Peguei meu celular e agradeci à desconhecida, a vendo seguir seu caminho. Olhei a foto e foi impossível não sorrir. Havia ficado muito boa. Mostrei a foto a Klaus e ele revirou os olhos.

— Não se preocupe, eu mando ela para você depois. – Garanti rindo da sua aparente impaciência.

— É melhor irmos antes que você tenha mais uma das suas crises adolescentes. – Reclamou guiando-me para o carro.

— Admita, essa é umas das coisas que você adora em mim. – Brinquei o fazendo bufar.

Acabei rindo mais uma vez. Era sempre muito divertido provoca-lo desse jeito. Eu acho que a graça da nossa amizade estava justamente no fato de sermos tão diferentes. Sem falar que eu amava o fato de ser a única a viver momentos assim com ele.

Por mais insano que pudesse parecer, eu me sentia privilegiada por ter Klaus em minha vida. Pouquíssimas pessoas no mundo tem a sorte de ter um melhor amigo tão foda quanto o meu. Seja lá qual fosse a causa dos meus estranhos “dons” eu seria eternamente grata a eles por terem me trazido até aqui.

xXXx

Uma suave brisa insistia em desarrumar meu cabelo enquanto eu observava algumas crianças brincando ao longe e sentia os braços de Steve ao meu redor, em um abraço gostoso. Estávamos acomodados em baixo de uma das muitas árvores da praça principal da cidade. Eu estava sentada entre as pernas de Steve com as costas apoiada em seu peito. O clima ensolarado e agradável contribuía para o dia ficar ainda mais perfeito. Era em momentos como esse que eu conseguia me esquecer de todos os meus problemas.

— É quase um milagre te ter assim, sabia? Só para mim. – Sussurrou Steve em meu ouvido fazendo um arrepio percorrer o meu corpo.

Não pude deixar de sentir uma pontada de culpa. Ele tinha razão. Eu o estava deixando muito de lado ultimamente para tentar suprir a carência do meu melhor amigo.

— Eu sinto muito. É tudo bem mais complicado do que parece. O Klaus precisa de mim. – Me justifiquei tentando fazer com que ele entendesse o meu lado.

— E você acha que eu como seu namorado também não preciso? – Retrucou me arrancando um suspiro.

— Tudo bem. Você está certo. Eu prometo que de agora em diante eu vou equilibrar mais as coisas, okay? – Me rendi virando um pouco para olhá-lo.

— Não é exatamente o que eu queria, mas vai ter que servir. Pelo menos por enquanto. – Respondeu contrariado. Sorri para ele e o puxei para um beijo lento. – Já sabe o que vai fazer amanhã? – Perguntou quando nos afastamos. Deixei escapar outro suspiro, nem um pouco empolgada para falar desse assunto.

As semanas haviam se passado bem mais rápido do que eu gostaria. Hoje era a véspera do meu aniversário e apesar das coisas incríveis que tinham acontecido comigo esse ano, eu não sentia a mínima vontade de comemorar essa data. Sobretudo por causa de Davina. Eu ainda me encontrava de luto pela sua morte.

— Não. No que depender de mim, ficarei o dia inteiro na cama, debaixo do meu cobertor, refletindo sobre a vida. – Afirmei expressando todo meu desanimo. Steve riu.

— Espero que isso não tenha a ver com o fato de você estar ficando mais velha. Com dezoito anos é meio cedo para começar a se preocupar com idade, não acha? – Brincou. Acabei sorrindo.

— Bobo! – Exclamei o batendo de leve e recebendo um beijo na bochecha como resposta.

— Mas falando sério. Por que você não quer fazer uma festa? Eu sei que Cami ficaria mais do que feliz em organizar uma, mesmo em cima da hora. – Indagou.

— Porque não será a mesma coisa sem Davina. Não faz tanto tempo assim que ela se foi e eu não quero comemorar meu aniversário sem ela. Tê-la conhecido foi um dos acontecimentos incríveis que marcou esse ano para mim. – Respondi sentindo a familiar pontada de saudade e tristeza que sempre me atingia quando eu pensava nela.

Steve estreitou os braços ao meu redor e apoiou o queixo em meu ombro.

— Eu realmente sinto muito. – Disse baixinho com o rosto colado ao meu. Fiquei em silêncio apenas aproveitando a sensação de conforto que ele me trazia.

Era impressionante o quanto Steve me fazia bem. Ele, juntamente com Cami, representava a âncora que me prendia ao mundo natural e me impedia de afundar de vez na obscuridade do mundo sobrenatural.

— Se você quiser e estiver livre amanhã, pode aparecer lá em casa. Apesar dos meus apelos a Cami, tenho certeza de que não vou conseguir escapar de um bolo com algumas velas em cima. – Comentei depois de alguns minutos.

— Claro que eu vou. No que depender de mim esse vai ser o primeiro de muitos aniversários que comemoraremos juntos. – Assegurou com um lindo sorriso.

Não tive nem tempo de absorver suas palavras. Steve me beijou e eu não hesitei em corresponder. O futuro, ainda mais o meu, era tão imprevisível. Será mesmo que haveria outras datas para celebrarmos? A única certeza que eu tinha no momento é que eu desejava de todo coração que a resposta para essa minha pergunta fosse positiva.

(...)

Passei o resto do dia na companhia de Steve e quando cheguei em casa tive que recusar mais uma vez as propostas de Cami que envolviam o dia de amanhã. Estranhei não ter recebido nenhuma ligação de Klaus. Eu não tinha levado meu celular, mas imaginava que quando voltasse encontraria algum sinal de vida dele. Geralmente quando eu dedicava um pouco que fosse do meu tempo a Steve, Klaus assumia um papel meio infantil. Primeiro ele me ignorava por completo e depois arranjava um jeito de me ocupar integralmente. Até pensei em telefona-lo, porém Cami me distraiu a noite inteira com histórias e lembranças de quando eu era mais nova. Acabamos com uma panela de brigadeiro no colo, deitadas no sofá, assistindo a uma maratona de Velozes e Furiosos. Após assistirmos o sexto filme da franquia, o cansaço me venceu e eu fui para o quarto, não demorando a desabar sobre a cama e dormir.

Acordei, não sei quantas horas depois, com o toque estridente do meu celular. Completamente zonza de sono, levei algum tempo até resgata-lo em meio as cobertas. Peguei o celular e fiquei mais alerta ao ver o nome de Klaus piscando na tela. Algo grave deveria ter acontecido para ele me ligar esse horário.

— Alô? Klaus? Aconteceu alguma coisa? – Procurei saber ainda com o raciocínio lento e a voz um pouco arrastada.

— Não. Está tudo bem. – Respondeu num tom divertido. – Eu apenas queria ser o primeiro a te desejar feliz aniversário. – Completou poucos segundos depois.

Sem acreditar direito no que tinha ouvido, olhei o relógio em cima da minha escrivaninha. Era exatamente meia noite e um minuto. Antes que eu me desse conta, um sorriso imenso surgiu no meu rosto. Klaus era mesmo inacreditável.

— Feliz aniversário, Lexi. – Desejou em seguida.

— Obrigada. – Agradeci realmente emocionada com sua atitude.

— Volte a dormir. Amanhã, ou melhor, daqui há algumas horas, você terá um longo dia pela frente. – Disse mantendo o tom contente.

— Tenha uma boa noite, Klaus. – Despedi-me ainda comovida com seu gesto.

— Boa noite, sweetie. – Ele murmurou antes de desligar.

Fiquei encarando a tela do celular ainda sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Pela primeira vez em semanas eu me sentia feliz com o meu aniversário.

Notas finais
E então? O que acharam? Comentem! XOXOXOXOXOXO