I Just Wanna Stop
27 Festa Surpresa
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Depois do telefonema de Klaus, eu demorei a pegar no sono novamente. Ainda estava impressionada com sua atitude. A cada dia que passava, eu me surpreendia mais com ele. Quando eu finalmente consegui dormir, já passava das uma da manhã. No dia seguinte acordei com Cami cantando parabéns, segurando um bolo coberto por M&M’s coloridos e com o número dezoito em cima. Não pude deixar de sorrir com a cena. Acabei cantando junto com ela e assoprei as velas fazendo um pedido, mantendo o costume que eu tinha desde criança. Dessa vez eu pedi que todas as pessoas que eu amo fiquem bem, independente do que venha a acontecer.
— Feliz aniversário, Lexi! Não acredito em como o tempo passou tão rápido! – Exclamou Cami me abraçando.
— Obrigada. – Agradeci emocionada retribuindo ao seu abraço.
— Eu sei que você disse que não queria nada, mas eu não podia simplesmente deixar essa data passar em branco. – Justificou-se apontando o bolo.
— Tudo bem. Eu já esperava por algo assim. – Garanti rindo. Cami abriu um imenso sorriso como resposta.
— É realmente uma pena que Megan e David não estejam aqui para comemorar esse dia com a gente. Seus pais ficariam muito orgulhosos da garota incrível que você se tornou. – Afirmou ela depois de alguns minutos em silêncio.
Senti meus olhos marejarem. A morte dos meus pais sempre foi um assunto muito delicado para mim e a saudades que eu tinha deles era uma dor com qual eu tinha aprendido a conviver. Não tive outra reação a não ser abraça-la. Cami era a única família que me restava e era por isso que eu não suportava a ideia de perdê-la de alguma forma.
— Certo... Já chega! Hoje não é dia pra tristeza! Muito pelo contrário! Eu quero ver um sorriso bem radiante nesse rostinho lindo. – Disse Cami assim que nos separamos.
Enxuguei algumas lágrimas que haviam caído sem o meu consentimento e ela fez o mesmo. Acatei o seu pedido e me levantei, indo para o banheiro, enquanto Cami me esperava na cozinha para tomarmos café. Depois de muitas risadas e lembranças dos meus aniversários anteriores, e de eu me lambuzar inteira com chocolate enquanto comia o bolo delicioso que ela havia feito especialmente para mim, Cami me pediu para comprar algumas bebidas e guloseimas. Segundo ela, para oferecer a Steve quando ele viesse se juntar a nós mais tarde. Mesmo achando desnecessário, fui praticamente obrigada por Cami a ir. Ainda questionei por que ela mesma não fazia isso, mas segundo a própria, ela preferia ficar e arrumar a casa para quando a visita chegasse.
Sem muitas opções, peguei minhas chaves, algum dinheiro, meu celular e fui para rua. O dia estava bem bonito, o que ajudou a manter meu bom humor. Mal dobrei a esquina e recebi uma mensagem de Rebekah me pedindo para encontra-la. Franzi o cenho, entrando em um debate interno. Eu não queria rejeitar seu chamado, mas também não queria demorar a voltar para casa e chatear Cami. Após alguns minutos de indecisão, respondi a mensagem da Original e segui ao seu encontro. Prometi a mim mesma que seria rápida. Quando cheguei ao local marcado, não havia nenhum sinal de Rebekah. Estranhei esse fato, porém não demorou muito para que duas vozes conhecidas se fizessem presentes.
— Feliz aniversário! – Ouvi dizerem atrás de mim e me virei imediatamente, dando de cara com Rebekah e Hayley, ambas sorridentes. Foi impossível não sorrir de volta.
— Meninas! – Exclamei feliz abraçando as duas ao mesmo tempo.
— Não achou que nos esqueceríamos de você justo hoje, não é? – Indagou Rebekah quando nos afastamos.
— Nós tínhamos que te dar pelo menos um abraço. – Completou Hayley.
— Como vocês souberam? – Perguntei realmente curiosa.
— Não existem segredos nessa cidade. – Respondeu Rebekah bancando a misteriosa e recebendo um olhar reprovador de Hayley.
— Através do Klaus. – Revelou a morena fazendo Rebekah revirar os olhos.
— Ou isso. – Retrucou a Original, fazendo pouco caso. Tive que rir.
— Bom, independentemente de como descobriram isso, o importante é que vocês estão aqui. Eu realmente fiquei muito feliz. – Afirmei olhando as duas.
— Isso é ótimo! Porque ainda temos que te dar os nossos presentes. – Cantarolou Rebekah.
— Presentes? Meninas, não precisa. De verdade. Sem falar que eu não posso demorar muito... – Comecei a me justificar, porém fui interrompida por Hayley.
— Mas é claro que precisa! E caso você ainda não saiba, não se contraria uma mulher grávida. Portanto, você vem com a gente. Prometo que vai ser rapidinho. – Argumentou.
Depois de refletir por alguns segundos, suspirei completamente derrotada.
— Está certo, eu vou! Mas eu realmente não posso demorar muito. – Adverti.
Hayley e Rebekah trocaram um olhar cúmplice e não demoraram a me arrastar para não sei onde. Fomos conversando e rindo o caminho inteiro. Quando me dei conta, estávamos em frente a uma grande e famosa loja de roupas.
— Ficamos na dúvida sobre o que te dar, então achamos melhor deixar você mesma escolher. – Explicou Hayley.
— Embora eu já tenha uma ideia do meu presente. E como você tem tanto bom gosto quanto eu, tenho certeza que vai adorar. – Pronunciou-se Rebekah num tom convencido, arrancando um sorriso meu e um revirar de olhos de Hayley.
— Meninas, realmente não precisava de nada disso. Só a companhia de vocês já é mais do que suficiente. – Falei.
— Own, honey! Isto foi realmente adorável, mas eu já separei alguns vestidos maravilhosos para você e a menos que queira demorar ainda mais aqui, sugiro que vá direto para o provador. – Retrucou Rebekah dando um daqueles sorrisos que me lembrava vagamente de Klaus.
Sem alternativas, obedeci sem questionar, seguindo para o provador de roupas com Hayley ao meu lado. Enquanto eu entrei em uma das cabines, ela sentou em um dos confortáveis sofás de espera. Poucos minutos depois a Original caminhou até nós com os braços cheios de vestidos. Arregalei os olhos diante da cena, porém antes que eu pudesse protestar, Rebekah me entregou os vestidos e fechou a porta da cabine, me deixando com umas dez peças para experimentar. Sem querer perder mais tempo, tirei minha roupa e peguei o primeiro vestido que vi pela frente.
(...)
Encarei meu reflexo no espelho tanto aliviada quanto encantada. Aliviada porque aquele era o último vestido, e encantada porque, sem dúvidas, aquele era o que eu tinha mais gostado, apesar de todos serem lindos. Saí do provador para mostrar a Hayley e Rebekah como havia ficado. Ambas aguardavam por mim sentadas lado a lado. Enquanto Rebekah bebia uma taça de champanhe e matinha as pernas cruzadas, Hayley tinha um copo de suco em mãos e batia o pé de forma ritmada contra o piso. Assim que me viram, elas paralisaram seus movimentos.
— O que acham? – Perguntei dando uma voltinha.
— Eu sei que disse isso de todos os outros, mas você realmente está linda. – Manifestou-se Rebekah.
— Com certeza é esse. – Concordou Hayley. Assenti com a cabeça.
— Esse foi o que eu mais gostei. – Confessei ainda analisando o vestido.
— Maravilhoso! Agora, para o look ficar completo, só falta você experimentar o sapato que escolhemos enquanto você trocava de roupa. – Anunciou a loira entregando-me um par de saltos pretos.
— Sério isso? – Indaguei sentando ao lado dela para calçar os benditos sapatos.
— Aprenda uma coisa, Lexi. Um Mikaelson nunca faz um serviço pela metade. – Respondeu Rebekah tomando outro gole do seu champanhe.
Suspirei em desistência e fiquei de pé para elas verem o resultado final do melhor ângulo possível.
— Perfeito, como eu havia imaginado. – Comentou a Original.
— Você está incrível! – Exclamou Hayley. Não pude deixar de sorrir.
— Pronto! Agora que já está tudo resolvido, eu vou trocar de roupa para irmos. – Informei, entretanto antes que eu pudesse entrar no provador, Rebekah me impediu.
— Não! De jeito nenhum! Você está tão linda! Sem falar que hoje é o seu aniversário. Não se faz dezoito anos duas vezes. Hoje mais do que nunca você tem que estar deslumbrante! – Discursou ela.
— Mas... – Tentei contestar, porém Hayley logo me cortou.
— Deixe suas roupas com Rebekah. Ela vai cuidar disso enquanto eu pago a conta. – Decretou me levando com ela até o caixa.
Enquanto a observava efetuar o pagamento, olhei o relógio pendurado na parede e quase tive um treco. Cami com certeza iria me matar. Poucos minutos depois Rebekah nos alcançou com duas sacolas da loja em mãos com os meus pertences dentro. Mal saímos de lá e eu já estava me despedindo delas.
— Hayley, Rebekah, muito obrigada por tudo. Vocês fizeram o meu dia ser muito mais especial. – Agradeci verdadeiramente grata e feliz pelos nossos momentos juntas.
— Ainda não acabou, honey. Tem um ótimo salão de beleza aqui perto. Não que você precise, mas uma maquiagem bem feita e trato no cabelo nunca são demais. – Comunicou Rebekah.
— O quê?! Gente, realmente não dá. Cami já deve estar morrendo de preocupação comigo. Eu devia ter voltado para casa há horas. – Objetei.
— Por isso mesmo! Já que vai levar uma bronca daquelas quando chegar em casa, pelo menos faça valer a pena. – Ponderou Hayley recebendo um olhar incrédulo meu.
— Exatamente! – Apoiou Rebekah mais uma vez me arrastando pelas ruas da cidade.
Mesmo a contragosto, segui com elas até o tal salão. Ao chegarmos lá, Rebekah usou a hipnose para que fôssemos atendidas, uma vez que não tínhamos horário marcado. Acabei fazendo as unhas, escovando o cabelo e me maquiando. Rebekah e Hayley também fizeram o mesmo. Não sei quanto tempo depois, saímos completamente produzidas do salão.
— Eu não sei vocês, mas eu nunca tive a oportunidade de passar um dia como esse, ainda mais entre amigas, então... Obrigada. – Confidenciou Hayley agradecida.
— Eu também não. Devíamos fazer isso mais vezes. – Sugeriu Rebekah empolgada.
— Por mim tudo bem. Foi realmente sensacional! Mas agora eu tenho mesmo que ir. Prometi passar o dia com Cami e Steve ficou de aparecer lá para me dar um beijo. Ou seja, estou mais do que atrasada. – Falei pegando minhas sacolas da mão da loira.
— Você não disse mais cedo que precisava comprar algumas bebidas e outras coisas para levar para casa? – Interpelou Hayley.
— Sim. – Confirmei confusa.
— Nós iremos com você. Te ajudamos nas compras e depois te damos uma carona no meu carro. – Planejou Rebekah.
— Okay. – Assenti voltando a caminhar com elas ao meu lado. Tinha certeza de que chegaria mais rápido em casa agora.
Assim que entramos no bendito mercado nos tornamos o centro das atenções. Certamente estávamos arrumadas demais para o ambiente, no entanto a minha pressa não deixou esse pequeno detalhe me incomodar. Peguei tudo o que eu achei que deveria e até o que não devia graças à influência de Rebekah e Hayley. Paguei as compras e acompanhei ambas até o carro da Original.
Embora eu soubesse que estaria muito ferrada quando chegasse em casa, eu não me arrependia. Passar esse tempo com elas realmente foi muito legal. Fazer novas amizades era sempre bom, principalmente com pessoas tão incríveis. Automaticamente me lembrei de Davina. Se ela estivesse aqui, aí sim eu poderia dizer que estava tendo o melhor aniversário de todos. Fiquei tão perdida em meus pensamentos que demorei a perceber que Rebekah fazia um caminho bem diferente do da minha casa.
— Droga! Eu sinto muito, Rebekah. Eu esqueci que tinha que te orientar. Foi mal, mas minha casa fica para o outro lado. – Avisei deslizando um pouco para frente no banco de trás do veículo.
— Eu sei. – Respondeu simplesmente me lançando um sorriso pelo retrovisor. Levei alguns segundos para absorver o que tinha ouvido.
— Então por que... – Deixei a pergunta no ar, incapaz de completa-la.
— Porque nós precisamos passar em um lugar antes. – Esclareceu ainda sorridente. Encarei seu reflexo completamente chocada.
— Vocês... – Nem consegui concluir a frase.
— Apenas relaxe, Lexi. Já estamos quase lá. – Tranquilizou-me Hayley. Sem outra opção, voltei a me recostar no banco.
Eu torcia internamente para que aquela fosse de fato a última parada no roteiro das duas. Eu não podia perder mais um minuto sequer. Peguei meu celular, tanto para olhar as horas quanto para mandar um sinal de vida para Cami, mas, para o meu completo azar, ele estava descarregado. Com um suspiro, virei o rosto para janela, prestando atenção no percurso que fazíamos. Não demorei a reconhecer o trajeto que eu vinha fazendo muito ultimamente. Apesar do estranhamento, me mantive em silêncio. Não demorou muito para que Rebekah finalmente estacionasse o carro em frente ao casarão. Enquanto ela e Hayley saíam do veículo, eu não me mexi um centímetro.
— Você não vem? – Chamou-me Hayley.
— Acho melhor não. Vou esperar aqui mesmo. – Respondi decidida. Se eu entrasse com elas com certeza me atrasaria ainda mais.
— Nem pensar! Com o sol que está fazendo hoje você vai acabar derretendo se ficar aí. – Contestou Rebekah praticamente me arrancando do carro.
— Meninas... – Protestei enquanto era arrastada pelas duas até a entrada do casarão. – É sério, Cami vai me matar quando eu chegar em casa e vocês serão as responsáveis por isso. – Completei tentando comovê-las.
— Eu não teria tanta certeza. – Contrariou-me Rebekah num tom divertido, tapando meus olhos assim que chegamos à entrada do pátio.
— Mas o quê...? Rebekah, Hayley... O quê...? – Mal consegui terminar de falar.
— Surpresa! – Gritaram as duas alegremente quando Rebekah tirou as mãos dos meus olhos. Tive que piscar várias vezes para acreditar na cena diante de mim.
O pátio do casarão estava todo decorado com balões coloridos e havia uma imensa faixa com os dizeres “Feliz Aniversário Lexi!”. Ainda havia duas grandes mesas próximas à faixa. Uma delas com um bolo de cinco andares, com o número dezoito em cima, e doces variados espalhados ao redor e a outra com uma tigela enorme de cristal com o que eu deduzi ser ponche dentro. E embora essa visão já fosse o suficiente para me deixar completamente chocada, o que de fato me surpreendeu foi ver Klaus, Elijah, Marcel, Cami e Steve me encarando sorridentes.
Permaneci paralisada onde estava. Eu realmente não esperava por algo assim. A primeira pessoa a se manifestar foi Cami, que veio até mim, me tirando do torpor no qual eu me encontrava.
— Eu verdadeiramente espero que você aproveite essa festa, porque você não faz ideia do quanto me custou participar disso. – Sussurrou Cami no meu ouvido enquanto me abraçava.
Depois que nos separamos, foi a vez de Steve me cumprimentar.
— Feliz aniversário, meu amor. – Disse ele, me beijando em seguida. Correspondi um pouco surpresa. Era a primeira vez que ele me chamava assim.
— Obrigada. – Falei o abraçando.
— Eu não sabia mesmo como te presentear, então achei que comprar os ingressos daquele show que vai ter aqui e que você está louca para ir era uma boa ideia. Acertei? – Perguntou inseguro. Fiquei estática por alguns segundos.
— Mas é claro que sim! Eu não acredito! – Comemorei me jogando nele, o fazendo rir.
— Parabéns, Lexi! – Saudou-me Marcel também me abraçando, depois que eu me afastei de Steve.
— Obrigada. – Agradeci alegre.
— Eu não fazia ideia do que te dar, então acabei recorrendo a Cami. – Confidenciou ele, olhando rapidamente para minha tutora. – Eu comprei o novo álbum da sua banda preferida. Espero que goste. – Emendou sorrindo em expectativa, me entregando o CD decorado com um bonito laço de fita.
— Você está brincando?! Eu amei! – Exclamei bastante empolgada.
— Fico muito feliz que eu tenha acertado. – Declarou Marcel parecendo aliviado.
— E como acertou! – Assegurei com um imenso sorriso.
Nem tive tempo de apreciar mais meu tão amado presente. Elijah logo se aproximou de mim com seu costumeiro sorriso torto.
— Feliz aniversário, Lexi. – Desejou ele, polido como sempre, estendendo uma caixa de veludo preto em minha direção.
Peguei a caixa e não pude evitar arregalar os olhos ao ver o que tinha dentro. Havia um lindo bracelete de safiras azuis com pequeninos diamantes incrustados ao redor e delicadas flores formadas por diamantes maiores. Sem dúvidas uma belíssima e autêntica joia.
— Assim que o vi, eu me lembrei de você. Acho que combina perfeitamente com seus olhos. – Explicou Elijah.
— Obrigada... É muito lindo. – Falei ainda maravilhada com a beleza do bracelete. Elijah sorriu mais uma vez e se afastou.
Voltei minha atenção para Klaus e notei que ele mantinha uma expressão séria no rosto, porém logo a desfez quando percebeu que eu o estava olhando. Abri um dos meus melhores sorrisos para ele e me aproximei.
— Foi tão fácil atraí-la para cá quanto eu achei que seria. – Gabou-se quando parei a sua frente.
— Isso foi ideia sua? – Indaguei pasma me referindo à festa. Ele deu de ombros, abrindo um meio sorriso.
— Em tese sim, porém digamos que eu tive algumas colaborações na execução do plano. – Confessou indicando as pessoas atrás de mim. Não pude conter o impulso de abraça-lo.
— Já te disseram que você é o melhor amigo do mundo? – Inquiri próximo a seu ouvido.
— Não. Mas eu adoraria ouvir isso mais vezes. – Sussurrou de volta fazendo um arrepio percorrer o meu corpo.
Como resposta, apertei ainda mais meus braços ao redor dele. A cada dia que passava, eu ficava ainda mais grata por tê-lo em minha vida.
(...)
Acabou que esse foi um dos melhores aniversários que eu já tive. Só o fato de ter reunido Klaus, Cami e Steve no mesmo ambiente já foi memorável. Pelo menos por algumas horas todos conseguiram esquecer suas diferenças e os problemas para se divertirem juntos. Rebekah pegou as compras que havíamos feito no caminho para cá e as espalhou pelas mesas. A mesa do ponche ficou abarrotada de bebidas, em sua maioria escolhidas pela própria Original enquanto estávamos no mercado. Recusei-me a beber os drinks alcoólicos servidos por ela. Não quis correr o risco de terminar o dia bêbada. Quanto à divisão do bolo... Sem dúvidas foi a parte mais constrangedora e divertida. Cantar parabéns com os Originais, Hayley, Marcel, Cami e Steve foi no mínimo inusitado. Só não foi um dia perfeito porque faltava Davina. Não importa quanto tempo passe, eu sempre vou sentir a ausência dela em momentos como esse.
Fui tirada dos meus pensamentos melancólicos pela aproximação de Klaus. Estávamos no segundo andar do casarão, mais precisamente na mesma sala em que já tínhamos nos reunido inúmeras vezes. Eu me encontrava de pé, perto da janela, observando a agradável e colorida noite da cidade.
— Eu ainda não tive a oportunidade de dizer o quanto está deslumbrante. – Disse ele parando ao meu lado. – Resolvi não provocar o seu namoradinho hoje. – Completou irônico.
Lancei lhe um olhar repreensivo, mas logo suavizei minha expressão.
— Por falar nisso, obrigada por tê-lo convidado. – Agradeci com sinceridade.
— Agradeça pela presença dele a Rebekah. Se dependesse de mim, ele não estaria nem mesmo a um quilômetro daqui. – Retrucou sem me olhar.
Balancei a cabeça em negação, mas não rebati. Não queria iniciar uma discussão.
— Então? O que tinha de tão importante para me mostrar? – Questionei lembrando o motivo pelo qual tínhamos subido.
— Eu fui o primeiro a te desejar feliz aniversário, nada mais justo do que eu ser o último a te entregar meu presente. Não dizem que o melhor sempre fica para o final? – Explicou indo até uma gaveta e tirando um papel enrolado e amarrado com uma fita vermelha. – Eu podia ter sido tão exibicionista quanto Elijah, mas preferi te dar algo feito por mim mesmo. – Emendou me entregando o tal presente.
Olhei dele para o objeto em minhas mãos, cheia de curiosidade. Desfiz o laço da fita e desenrolei o papel. Eu não podia ter ficado mais surpresa ao ver o que tinha nele. Era um desenho meu, feito especialmente por Klaus.
— Você gostou? – Perguntou preocupado.
— Se eu gostei? Eu adorei! É maravilhoso, Klaus! – Afirmei completamente encantada.
Ele não disse nada, apenas abriu seu lindo sorriso de covinhas. Sem ter outra forma de expressar meus sentimentos, joguei-me nele abraçando seu pescoço.
— Obrigada por ter feito esse dia tão especial. – Sussurrei.
Klaus não respondeu, mas seu aperto em minha cintura era o suficiente. Nós havíamos chegado em um ponto da nossa amizade em que não dava mais para voltar atrás. Independente do que acontecesse, eu tinha certeza de que isso que nós tínhamos seria pra sempre.

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