I Just Wanna Be Your Hero
12 I never gave a damn about the weather
Notas iniciais
– Por favor, não conte o que eu te falei para ninguém. Seu ex-namorado pode ser um psicopata, você pode querer prendê-lo para sempre, mas eu não quero te perder. — ele falou, sua voz com paz e urgência ao mesmo tempo.
– Eu não vou contar. Você vai ser meu cavaleiro de armadura brilhante? — perguntei, olhando em seus olhos azuis como o céu e tentando não me perder neles.
– Sim. Eu vou. — ele respondeu, sério, como se eu estivesse falando de algo como o aquecimento global.
Ri com o pensamento. Mas parei. Deus, é difícil demais não me perder nesses olhos. Quer saber? Foda-se. Eu quero me perder nesses olhos há mais tempo do que possa me lembrar. Passei minhas mãos pelo cabelo dele, tentando desarrumar e deixá-lo um pouco menos perfeito, mas não consegui. Ele é perfeito o tempo inteiro.
Beijei-o. Em menos de um segundo, ele retribuiu, suas mãos repousando em minha cintura. Separamo-nos pela falta de ar.
– Elena... — ele me olhou, sua mão envolvendo a minha. — Por que? — ele falou, quase como um sussurro em meu ouvido.
Em qualquer outro momento, se ele falasse de qualquer outro jeito, eu teria ficado com raiva. Mas assim não. Não aqui.
– Por que? Porque eu posso estar no céu, no inferno, na merda, em qualquer lugar e você está do meu lado. É a única pessoa que já fez isso e ainda faz isso desde sempre. Eu sempre tentei não fazer isso. Tentei muito, por muito tempo, resistir a tudo o que eu sempre senti. E agora eu sei que fui estúpida a vida toda. Me perdoa?
Ele estava estático, sério.
– Elena, isso não é motivo pra pedir perdão pra ninguém. Muito menos pra mim. — ele me puxou mais para perto.
– Na verdade, eu sou mais burra do que uma porta. — ele levantou uma sobrancelha. — Sabe aquela festa pros formandos da nossa turma?
– Aquela em que eu fiquei com...
– Sim. — cortei-o. — A verdade é que eu queria de verdade ficar com você. E eu me incomodaria se você insinuasse ficar com qualquer menina. Não precisaria nem ficar mesmo com ela. Só estar perto serviria.
Eu fiz muita merda naquela noite.
FLASHBACK ON
Tínhamos ido para aquela festa pré formatura. Eu, Damon, Stefan, Bonnie, Jeremy (de introsa, ou seja, como namorado ciumento da Bonnie), Care, Tyler, Matt, Rebekah, os irmãos Mikaelson (só Rebekah estava se formando, mas fazer o que quando se tem irmãos "super-protetores". Melhor dizendo, farreiros) e o resto da turma de formandos da escola. Tanto jovem junto num parque com a floresta bem do lado não poderia dar certo nunca.
E não deu mesmo. Em menos de vinte minutos na festa, Bonnie e Jeremy já tinham ido pro mato se agarrar [meu Deus, eu queria não saber o que minha melhor amiga faz no mato (principalmente com meu irmão mais novo, eca)], Katherine já tinha começado a stalkear um tal de Elijah, irmão de Rebekah (porque tinha descoberto que eles eram ricos), Tyler e Care tinham ido pro mato também, Stefan estava stalkeando Katherine stalkeando Elijah, o resto se espalhou e eu e Damon acabamos ficando sozinhos. Do nada, ele se virou para mim.
– Oi, Lena. — ele falou.
– Oi, Dam. — eu falei, sorrindo — O que foi?
– Eu gosto de você. — ele falou.
Senti meu coração perder uma batida e depois voltar, batendo muito rápido. Não podia ser verdade. Eu vi ele namorar com metade das garotas da sala e chamar metade pra dançar no baile, enquanto eu ficava sentada na mesa com o Matt vomitando no banheiro. Então fiz o que podia. Disfarcei.
– Ora. Eu também gosto de você.
– Ótimo. Isso torna tudo muito mais fácil.
Ele se aproximou de mim e me beijou, mas o beijo durou pouco, já que eu o afastei. Eu queria muito isso, desde sempre, mas eu o afastei. Eu posso querer isso desde sempre, mas eu não vou dar às pessoas a satisfação de dizer coisas como "ai, eu sempre soube que vocês iam ficar juntos" ou "finalmente se assumiram, hein?". Simplesmente não minha versão de 6 anos atrás.
– Não foi isso que eu quis dizer, Dam. — eu disse.
– Ah. Desculpe, então. — ele se virou e estava saindo, quando eu me arrependi e o puxei pelo antebraço. Eu não devia ter afastado ele. Ele se virou para mim, provavelmente um pouco aborrecido.
– Vamos esquecer isso, por favor? — pedi. — Nunca aconteceu.
– Tudo bem.
Após uns poucos momentos de um silêncio mega constrangedor, disparei.
– Você beija bem.
– Você acha? — ele perguntou de um jeito que mais pareceu brincadeira do que sinceridade. Claro que ele beijava bem, oras!
Ri.
– Não. Só falei como prêmio de consolação, pra você não ficar tristinho. — ri novamente. Não é possível que ele não saiba que eu estava brincando. — Tem muitas garotas bonitas na festa. Vá atrás de uma delas. Tenho certeza de que qualquer uma delas ficaria encantada de ter a atenção de Damon Salvatore por cinco minutos.
Ele riu, mas percebi que não era genuíno. Damon não ri com facilidade. Suas risadas são seus sorrisos.
– Vou tentar. — ele falou, concluindo após uma pausa. — Você vai ficar bem sozinha?
– Claro. Daqui a pouco, o Jer e a Bon saem do mato e eu tenho companhia de novo.
– Tem certeza de que não vai ter nenhum atirado por aqui? Um do tipo que te estupre e roube seus órgãos?
Eu ri e o atirei na direção de Rebekah, que estava num canto da festa. Ela foi, literalmente, a primeira pessoa que eu vi.
Acabou que eu fiquei sozinha por mais tempo do que eu esperava.
Bonnie e Jer não voltaram por uma meia hora e eu teria ficado sozinha se o Matt não tivesse me "feito companhia". Ou seja, ele ficou bebendo e jogando cantadas de bêbado pra cima de mim, enquanto eu queria desesperadamente que qualquer um chegasse. Qualquer um mesmo.
No fim das contas, ninguém apareceu e eu fui obrigada a assistir uma das cenas mais dolorosas da minha vida. Damon estava se agarrando com Rebekah Mikaelson na frente de todos. E eu nem quero imaginar a cara que eu fiz, mas não deve ter sido bonita. Só pela cara que ele fez quando olhou para mim, eu imagino.
Eu até demoraria mais na festa, mas já estava de saco cheio de ver o que eu mesma causei. Então apenas saí.
FLASHBACK OFF
– Ora, ora. Quem diria que Elena Gilbert tem ciúmes de mim? — ele olhou pra mim e depois apoiou o queixo em minha cabeça.
– E porque não teria? Sou uma pessoa privilegiada de ter um cara lindo andando comigo o tempo quase todo. E ter outras meninas olhando pro "meu" homem não rola. Porque você é meu, mesmo quando não é e mesmo quando eu não sou sua.
– Ah, é? — ele perguntou, uma sobrancelha levantada. — E quando você não foi minha?
– Acho que... nunca. — beijei-o e ele sorriu aquele sorriso perfeito.
Por alguns segundos, eu esqueci de tudo. Esqueci onde eu estava, o porque de eu estar aqui e mesmo a raiva que eu estava sentindo de quase todos. Por alguns segundos, só havia a imensidão azul daqueles olhos e a perfeição do sorriso dele.
Então a magia se quebrou quando eu lembrei de tudo. E como eu sou estúpida.
Ficar com um cara que mal conhece e que nem gosta de você, que ainda por cima é psicopata, te trai o tempo quase todo e nem liga que você vai ter um filho dele, ao invés de ficar com a única pessoa que te entende nesse mundo e provavelmente a única que sempre vai te entender, além de estar apaixonada por ele... Eu definitivamente tenho certos problemas mentais. Eu provavelmente ia chorar, mas... eu ri.
Comecei a rir feito uma idiota. Ri até minhas bochechas doerem e eu ter que parar.
– O que foi, Lena? Eu tô com a boca melada de sorvete? — Damon perguntou, já passando a mão na boca.
– Nada. Eu só prefiro rir pra não chorar. Sou só estúpida!
Ele colocou a mão na minha testa, provavelmente preocupado.
– Eu tô bem! Não liga.
Ele deu de ombros, como se tivesse acabado de se lembrar que eu sou desse jeito mesmo. Então começou a chover e ele ainda estava me observando.
– Então, vamos sair da chuva? — ele perguntou, amigavelmente, a chuva já encharcando sua camisa fina.
– Dance comigo. Pra compensar o baile de formatura. Por favor. — pedi.
Ele levantou uma sobrancelha e cruzou os braços, enquanto a chuva engrossava a cada segundo.
– Tipo, aqui? No meio da chuva? Você tem problemas, Elena?
– Sim. Foda-se a chuva. Ela só atrapalha o que as pessoas querem fazer. E eu acho que você me conhece bem o suficiente para saber que eu tenho muitos problemas.
Ele suspirou e pousou as mãos na minha cintura e eu passei as minhas pelo seu pescoço. Beijei sua bochecha.
– Se você pegar uma gripe, a culpa não é minha.
– Entendido. — beijei-o nos lábios.
Então começamos a dançar e ficamos assim pelo que podem ter sido minutos ou horas. Não importa, só sei que, quando paramos, a chuva tinha parado e eu estava com frio, então fomos para o carro, simplesmente encharcados.
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