I Hate You Too!

31 XXXI- Sonho americano


Notas iniciais
Voltei e dessa vez com apenas uma semana! Tô melhorando, hein? kkk — O último capítulo teve quatro comentários e atualmente estamos com 490... Queria tanto que nesse capítulo chegassemos aos 500! Seria uma marca bem singela, porém nunca batida por mim! Podem me ajudar! — Um beijo as lindocas. Allie, Amanda, Patty e Yuno! Obrigadão por estarem insistindo nos meus escritos! — COMENTEM E RECOMENDEM, MEUS AMORES!

Como havíamos combinado. Vinícius iria aparecer na minha casa, hoje pela manhã. Estava próximo das dez horas, mas Vinícius não era nada pontual. Paulo e minha mãe estavam em casa, o que poderia dificultar a nossa conversa. Era domingo e eles não tinham que trabalhar. Ambos estavam na cozinha, enquanto esperava Vinícius na sala.

—Has… -Minha mãe chamou aparecendo na sala. Ela estava bem casual por estar em casa. -Quer lanchar algo? O Almoço só vai sair umas duas da tarde, filho.

—Não mãe, agora não… Eu estou esperando o Vinícius…

—Filho… -Ela se aproximou preocupada, sentando ao meu lado e me olhando seriamente. -Esse garoto é um… Namoradinho? Algo assim? Pode me apresentar se preferir…

—Não, mãe! -Reclamei a olhando. -Ele só tá me ajudando em física! Relaxa que não tô me envolvendo com ninguém.

—Nem com o… Como é o nome dele mesmo? -Perguntou a si mesma.

—Nem com o João. Relaxa mãe, eu tô muito bem sozinho… -Disse apertando a mão dela.

—Ok, amor…

Logo a campainha tocou, deveria ser Vinícius. Mamãe levantou e voltou para cozinha enquanto eu ia abrir a porta para ele.

—Está atrasado…

—São dez da manhã, tá? -Respondeu entrando.

—Vamos pro quarto. -Falei me encaminhando para o quarto, enquanto ele me seguia.

Entramos no meu quarto e eu logo fechei a porta. Na verdade, eu deveria ter trancado, mas depois da pergunta nada conveniente da minha mãe, eu preferi não colocar mais interrogações na cabeça dela. Vinícius, folgado como sempre, já estava bem deitado na minha cama. Optei por sentar na cadeira do PC ali perto.

—Acho bom você ter uma boa explicação de todo esse drama do Yuri, eu entendo que ele poderia estragar toda a minha reputação, mas como você que ele estaria na boate?

—Eu estou espionando o Yuri.

—O que? -Perguntou sentando-se na cama com rapidez. A cara de Vinícius era de choque, talvez porque ele não esperasse aquilo de mim. -Mas como?

—Tenho um amigo me ajudando, ele sonda e me conta. Estou querendo descobrir alguma coisa importante…

—Fala.

—O que?

—Essa coisa importante. -Vinícius sentou-se com as pernas cruzadas e juntas, como uma criança que espera o doce.

—Porque queres saber?

—Você quer minha ajuda ou não quer?

Aproximei a cadeira do PC da cama e olhei bem fundo nos olhos do garoto.

—Você ainda não entendeu que é você que está na minha mão e não o contrário? -Perguntei e Vinícius se aproximou do meu rosto, me deixando um pouco envergonhado pela proximidade.

—Nós estamos um na mão do outro, Hassanzito. Ou você não lembra que ainda tem coisas minhas aqui na sua casa? Um telefonema anônimo e tudo isso pode estragar a sua perfeita vida.

E no fim, Vinícius tinha razão.

—Eu descobri uma das coisas que Yuri tinha sobre Jonathan.

—Que por algum acaso é? -Realmente ele não estava brincando quando dizia que queria saber.

—Jonathan foi acusado por Yuri de ter matado um garoto, porém tudo não passou de uma armação do Yuri para ter o Jonathan como sua marionete. -Vinícius voltou a deitar e continuou rindo. -Pode parecer besteira, mas é verdade. Yuri foi bem convincente! Jonathan e o garoto brigaram, estava bem escuro e quando Jonathan bateu no garoto, ele caiu e tinha sangue na situação. Yuri foi quem averiguou o pulso do garoto e disse que ele estava morto. Jonathan entrou em desespero e acabou aceitando a ajuda de Yuri para ocultar o cadáver.

—Assassinato e ocultação de cadáver… O Jonathan não estava pra brincadeira, hein Hassan?

—Você tá levando a sério, mas eu estou, literalmente desenterrando um cadáver que nunca existiu, mas preciso de provas para conseguir fazer isso.

—Me inclua fora dessa! -Vinícius falou levantando. -A última coisa que eu preciso agora é de inimigos e o Yuri é um péssimo inimigo. -Antes que ele saísse levantei e o segurei firme pelo braço.

—Agora que você descobriu tudo que eu estou tramando, vai simplesmente sair assim, como quem não quer nada?

—Qual é? Acha que eu vou contar algo pro Yuri?

—Quem me garante que não?

—Eu garanto!

—Você mesmo disse que não está em busca de inimigos e não me queira fazer de inimigo para você, Vini.

O moreno segurou meu braço com força e me levou contra a parede com força, enquanto segurava meu corpo com as mãos.

—Agora você brinca de ameaças, Hassan?

—Você mesmo falou que um telefonema anônimo pode estragar toda a minha vida, porém o mesmo recai pra você… Eu não terei nenhum motivo pra fazer isso, exceto se você não me ajudar, afinal eu estou te ajudando, não é?

—Certo. -Vinícius me soltou, mas conseguia perceber que ele estava fazendo aquilo a contragosto, era nítido que ninguém queria ficar minimamente contra Yuri. O garoto era o mais próximo de um vilão que nossa vida de ensino médio tinha nos dado.

—Relaxa, você não vai ter que encostar no Yuri, só vai me ajudar quando eu estiver precisando.

—Explique melhor. -Vinícius estava tão chateado que nem pensou em sentar, apenas ficou de pé, com as mãos nos bolsos da calça, demonstrando a impaciência.

—Eu e João não estamos podendo nos encontrar. ele que está descobrindo as coisas do Yuri e se eu for visto com ele e Yuri descobrir, associar o meu nome como mandante é fácil e não é isso que eu estou buscando.

Óbvio que eu não ia contar o plano completamente para Vinícius. Ele poderia virar contra mim, se aproximar de Yuri e me tirar para fora da lista de problemas dele numa tacada só. Eu não podia sair confiando em Vinícius assim, ele era um oportunista, maluco por dinheiro que vendia drogas e abusava de garotos viciados para o próprio prazer. E diferente de mim, Yuri teria muito dinheiro para dar a Vinícius.

—E eu entro nisso como?

—Você vai me auxiliar a fazer comunicação com João. Mandando algum recado pra ele ou encontrando com ele quando eu pedir, claro que sem atrapalhar o seu negócio,

—Então vou ser seu garotinho de recados…

—Não transforme nisso em algo pior do que pode ser, não é? Eu não vou ficar te ligando a cada meia hora pedindo pra me ajudar a resolver isso, não será algo que vai atrapalhar toda a sua vida, é apenas pra eu ter certeza que o meu contato com João vai ser feito sem que Yuri possa perceber que isso acontece, entende?

—Tá… Eu faço isso!

—Obrigado.

—Ok… Agora eu já me vou!

[...]

(POV: Jonathan)

Durante a manhã havia chovido, eu estava deitado no quarto e o dia estava bem morto. Se no Brasil, o domingo já era uma grande merda, nos Estados Unidos aquilo ainda era pior. A chuva foi passageira, deu pra melhorar um pouco o calor do dia,o dia estava bem mais ameno que os últimos dias de calor, segundo meu avô o frio estava se aproximando e eu já não estava gostando do possível frio que aquele país poderia me trazer.

Aquele dia, Caleb não estava por aqui e, por mais incrível que soasse, eu até sentia falta dele. Apesar de estranho, Caleb era o mais próximo de um amigo que eu tinha nesse momento. Aquela viagem tinha se mostrado uma grande solidão, não que eu me importasse em ser sozinho, a solidão era algo indiferente pra mim. Aliás, eu nunca fui uma pessoa muito comunicativa ou amigável no geral. Talvez, pelas coisas que me aconteceram na infância, ou não… Vai saber!

Lembrei de Kyle… O garoto do bar, o garoto do ecstasy. Ele poderia a minha solução de um dia completamente apático. Eu poderia sim, fazer uma chamada de vídeo com a minha família e transformar a minha falta do que fazer em matar a saudades, mas aquilo apenas iria me levar a pensar coisas e principalmente em alguém que eu não queria ter que pensar. A minha cabeça já estava bem cheia de novidades pra eu ter que sempre voltar a pensar no Hassan. Saquei meu telefone e disquei o número que já havia salvo. Pouco tempo depois ouvi a voz do loiro na linha.

—Oi? —Perguntou na linha.

—Oi… Jonathan do bar, lembra?

—Sim, claro! —Respondeu empolgado.—Tudo bem, Jonathan?

—Vou sim e você?

—Meio parado…

—Está sem fazer nada?

—Até o momento sim… Tem alguma ideia? —Perguntou sugestivo.

—Podemos sair, não? -Perguntei, talvez estivesse soando um pouco apressado demais, mas eu não estava querendo brincar de conquistar ninguém, nem estava com cabeça para isso. -O que você acha?

—Claro… No shopping?

—Pode ser, encontro você na praça de alimentação… Próximo ao McDonald’s.

—Ótimo! Te vejo lá daqui uma hora, ok?

—Perfeito.

—Tchau, Jonathan.

[...]

Depois do encontro marcado, foi difícil mentir pro meu avô e dizer que ia encontrar uma “amiga” e ele acabou me levando até o shopping, eu havia prometido que não demoraria mais do que duas horas e que voltaria de táxi, por ainda não saber andar de transporte público na cidade. Depois da ligação eu havia ido tomar banho e trocado de roupa. Preferi usar um jeans normal e uma camisa preta. Como Kyle estava naquele bar gótico, ele devia gostar de usar cores escuras e tal.

Fiquei esperando por volta de dez minutos, sentado numa das mesas perto do McDonald’s que foi basicamente onde havíamos combinado. Até um garoto loiro, com o cabelo comprido, mais ou menos na altura do ombro, usando uma camisa social e uma calça social senta-se na mesa, os olhos verdes me olham e ele logo sorri.

—Oi…

—Não está me reconhecendo, Jonathan?

—Kyle? -Falei e ele sorriu estendendo a mão. -E esse cabelo?

—Eu estava com ele preso no dia do bar, não sabia que ele me deixava tão diferente assim…

—Muito. -Fiquei envergonhado por não ter percebido.

Mas Kyle era muito melhor com o cabelo comprido. O rosto dele era fino, só o nariz um pouco avantajado que deixava claro que ele era homem, se não fosse isso, poderia ser facilmente confundido com uma mulher. Eu devia ter uma queda por garotos exóticos.

—Gostando da cidade? -Perguntou enquanto me olhava. E uau… Aquele garoto não devia ser o mesmo do bar.

O Kyle do bar parecia meio perdido, envergonhado e esse garoto era sexy, os olhos dele não paravam de me encarar e ele parecia vidrado em mim, o que me deixava um pouco tenso.

—Poderia estar gostando mais… -Pensei logo em mudar de assunto, aquilo poderia soar muito como indireta. -Porque tão arrumado?

—Eu disse que estava livre em casa, mas na verdade, acabei de sair do trabalho.

—Nossa… Mas é domingo?

—Meus dias de folga são uma bagunça.-Explicou sorrindo.

—Porque mentiu? Poderíamos marcar outro dia…

—Não se estraga um primeiro encontro, Jonathan… -O loiro disse e nossa… Esse garoto não tem papas na língua, hein?

Apesar de eu ser bem confiante e não me intimidar por muita coisa, Kyle não parecia o garoto desengonçado que veio me pedir um beijo em troca de um ecstasy. Kyle era incrível, se vestia bem e tinha muita autoconfiança. O loiro não deixava de me olhar, os olhos verdes dele me olhava no rosto com muita atenção, pareciam não deixar passar o menor detalhe. Era melhor eu dançar conforme a música.

—Então quer dizer que você nunca deixou um primeiro encontro passar?

—Com caras bonitos como você, nunca! -Explicou ainda me olhando e já que ele parecia brincar, iríamos brincar.

—Se tivesse na sua posição, eu também não deixaria passar.

—Então entramos num consenso aqui?

—Acredito que sim, mas é melhor comermos algo, não? -Mudei de assunto enquanto encarava o sorriso brilhante do americano. -Vamos comer?

[...]

—...Daí a gente caiu da cama, juntos, enrolados no mesmo cobertor e minha mãe ouviu o barulho, quando ela chegou no quarto, encontrou o meu melhor amigo e eu no chão, enrolados no mesmo cobertor e muito possivelmente numa posição pouco convencional que amigos costumam ficar... -O loiro ria ao contar como os pais descobriram sua sexualidade. O nosso lanche já estava perto do fim, eu escolhi comer um sanduíche com refrigerante e batatas e ele me acompanhou com o mesmo pedido.

—Vê pelo lado bom, pelo menos ela não pegou vocês transando ou algo assim.

—Com doze anos, eu nem conseguia pensar nisso ainda.

—Mas qual foi a reação dela? Você era bem jovem?

—Minha mãe sempre foi muito apoiadora, sabe? No fundo, ela sempre soube. Esse meu melhor amigo da época, é que escondeu dos pais até hoje, tanto que ele já até casou e acho que ninguém desconfia que ele é gay ou bi… Nem disso eu sei. E seus pais?

—Meu pai não sabe de nada… Eu tinha um rolo com um amigo, mas meio que acabou quando eu vim para cá…

—Ahh verdade. -Kyle sorriu, o americano levou a mão até a minha e apertou. -Ás vezes, eu esqueço que você nem é originalmente daqui. -O loiro levantou-se e estendeu a mão. -O que te trouxe para cá? Foi o incrível sonho americano. -O loiro riu ao associar a minha vinda a tão costumeira vinda aos Estados Unidos.

—Na verdade, não. Eu vim ficar com meu avô, enquanto esperamos para ver o que acontece com minha avó. -O americano olhava interessado. -Ela está doente, numa espécie de coma induzido.

—Me desculpe…

—Tudo bem… A vida é assim, não é? -Sorri para o loiro, que me devolveu um sorriso.

—Vamos dar uma volta? Tem um parque bem legal aqui do lado do shopping.

—Vamo, mas eu não posso demorar muito, prometi pro meu avô que voltava cedo.

—Ué, tô tão chato assim… -Kyle comentou como se tivesse chateado, logo em seguida, rindo.

—Não, de verdade… Meu avô é mais velho e eu não costumo sair, fora que eu nem sou desse país… Nem entendo direito a merda dessa cidade!

—Vamo logo, pro parque então!

Descemos pela escada ainda conversando um pouco. Kyle falava sobre seu emprego como agente de viagens e que às vezes acabava fazendo um bico como guia turístico, quando a gente estava sem guias. E por isso, deu pra perceber como ele conseguia se relacionar bem com as pessoas e era engraçado. Deveria ser pré-requisito ter aquele tipo de perfil.

Ao chegarmos no parque, tudo estava lindo. O sol já estava bem mais próximo de se pôr, deixando as árvores com uma cor única. Algumas pessoas estavam por ali, a maioria famílias, mas ninguém parecia se importar com nós dois caminhando juntos.

Kyle acabou me levando para um lugar menos lotado, ele havia dito que era o lugar de casais. Era próximo de um lago, onde as pessoas sentavam em pequenos bancos que tinham por ali. A maioria estavam apenas como casais, alguns se beijavam e era claro que não tinha famílias naquela parte do parque, nem crianças ou cachorros.

Sentamos em um banco verde, que era um pouco distante do lago, mas dava para vê-lo bem. A maioria dos casais eram hetero, mas dava para ver alguns meninos e algumas meninas namorando por ali.

—Esse parque é lindo… -Comentei olhando para os lados e olhei para Kyle que não tinha tirado os olhos de mim. Com certeza fiquei vermelho, afinal aquele tipo de atenção não me era comum ultimamente.

—Gostou? Imaginei que fosse gostar…

—Queria entender, como você estava todo retraído no bar e aqui é todo solto?

—Além de bêbado eu sou tímido… Principalmente num primeiro contato. -O loiro mexeu no cabelo, colocando uma mecha atrás da orelha. -Fora que estamos bem mais íntimos agora…

—Estamos? -Perguntei o olhando e antes que pudesse sequer pensar.

Kyle agarrou minha nuca e me beijou. Um beijo bem calmo para ser nosso segundo. Não era um beijo apaixonado, mas era um beijo carinhoso. O loiro beijava bem, apesar de tomar a frente, ainda sim, era perceptível que ele gostou quando eu tomei as rédeas da situação e comecei a comandar o beijo. Kyle tinha uma boca gostosa, com cheiro de menta e nossa… Aquele cheiro me lembrava o Hassan…

Separei-me do loiro rápido, sem que ele pensasse que o beijo foi ruim.

—Esse é nosso segundo beijo… Acho que estamos mais íntimos agora!

—Concordo. -Kyle era incrível, era como o meu sonho americano.

[...]

(POV: HASSAN)

Durante a tarde, João havia me ligado de um telefone público, ainda para evitar qualquer chances de Yuri saber do nosso contato. Disse que a festa na boate havia rendido boas coisas e que precisávamos conversar. Pensei em ir na sua casa ou em pedir para ele vir até a minha, mas a melhor coisa talvez, fossemos nos encontrar num lugar público, bem lotado, onde conversaríamos rapidamente. Pedi para que ele me encontrasse no shopping, dentro da Loja Americanas, na sessão das barras de chocolate. Poderia parecer um lugar escondido para se encontrar, mas era um lugar bem cheio, onde dificilmente alguém poderia nos espionar.

E lá estava eu, no meio de um corredor, com prateleiras e prateleiras dos mais variados chocolates. Apenas admirando todas aquelas barras. Sair domingo a tarde, havia sido difícil, minha mãe fez todo uma investigação criminal de sempre… Filho de advogada é osso. A sorte é que Paulo interviu e disse que iria me deixar e me buscar no shoppping, o que a deixava mais calma.

João chegou com pouco tempo que eu estava na sessão, com uma habitual jaqueta de couro e jeans, ele chegou e me abraçou.

—Saudades. -Falou o moreno, me apertando contra seu corpo e eu o abracei de volta.

—Também estava… -Falei dando um beijo na bochecha dele.

—Lugar inusitado…

—Foi o mais inusitado que consegui pensar. -Falei sorridente e ele retribuiu.

—Não sei se vai te alegrar, mas consegui uma foto dele com um cara negro, que bate bastante com a descrição do garoto lá que você disse.

—Sério?

—Sim, ele estava na boate. -João sacou seu celular e começou a mexer no mesmo, até me mostrar a foto.

O ambiente estava escuro, quase não dava pra ver, como João não estava tão próximo, apenas dava para ver uma pessoa loira de costas, que eu associei ao Yuri e um garoto negro atrás, mas não dava para ver nada muito bem.

—Tá bem, bem ruim… -Comentei e João sorriu. -O que?

—Tem algo melhor do que isso…

Franzi a testa. Numa noite só, João havia conseguido mais do que apenas aquela foto? Realmente a ideia de ir para a boate, foi muito boa, deveria até ter sido pensada antes.

—Você acha que tinha alguém da escola lá?

—Na boate?

—Sim.

—Não que eu seja alguém que eu conheça, e se tivesse Yuri teria percebido, ele tem um ótimo olho.

—Mas o que pode ser melhor do que essa foto…

João levou as mãos para o bolso de trás e… Minha cabeça apenas pensava no que poderia ser melhor do que aquela foto. Será que ele havia conseguido alguma confissão por parte de Yuri? O moreno me mostrou um telefone celular.

—O telefone de Yuri.

—O quê? -Perguntei animado. O telefone de Yuri poderia dizer tudo o que eu queria apenas com algumas mensagens. -Como…

—Ele bebeu bastante, acabou ficando bem bêbado e eu consegui pegá-lo.

—Você é incrível!

Acabei me jogando nos braços do moreno e antes que eu conseguisse pensar, apenas o beijei. João segurou minha cintura forte com seus braços, enquanto eu o beijava na boca. A língua do moreno invadia a minha boca, enquanto eu apertava seus cabelos, aquilo poderia parecer impensado e até era. Foi a empolgação do momento que me fez fazer aquilo e não era de todo meu. Eu mesmo havia prometido pensar sobre ficar com João e dizem por aí, que você consegue gostar de alguém de verdade, depois que começa a se relacionar com essa pessoa.

Acabei me afastando e o moreno também, embora ele estivesse bem feliz com aquilo.

—Toma… Cuidado! Esses telefones todos tem rastreador, não coloque nas mãos de uma pessoa que possa ser associada a nós.

—Aham, eu sei exatamente em quem posso contar com esse serviço.

—Agora eu tenho que ir. -O moreno foi rápido.

Antes que eu pudesse pensar, João me pegou pela cintura e me encostou em um dos pilares que tinham ali perto e me beijou. No início foi difícil retribuir o beijo, ao pensar em Jonathan, mas não era nele que eu deveria estar pensando, não é? Jonathan deve ter seguido em frente.

—Ei…

—Lugar público, eu sei… -Falou o moreno respondendo. -Agora eu tenho que ir, preciso ir fotografar.

—Boa sorte…

—Cuidado com esse telefone!

—Eu sei, moreno…

Moreno… Aquilo me lembrava quando eu chamava Jonathan de loiro, será que aquilo era um sinal? João se aproximou novamente, dessa vez dando apenas um selinho e logo se encaminhando pelas prateleiras para a saída. Respirei fundo.

Não podia deixar a minha cabeça se confundir com tudo aquilo. Peguei o telefone nas minhas mãos. Aquele era o foco! Derrubar aquele garoto, nada mais era tão importante agora.

Caminhei para fora da loja e saquei o meu próprio celular. A ligação demorou um pouco mais logo fui atendido.

—Fala…

—Já tenho algo para você…

Notas finais
E lá se foi mais um capítulo de IHYT! Me deem seu feedback seus lindos, preciso saber o que vocês tão achando de tudo isso! Obrigadão aos insistentes! Juro que dessa vez, tentarei sem hiatos e sem grandes demoras, atualizar tudo direitinho! Não vou prometer atualizar toda semana, porque pra mim não é sempre possível, mas tentarei atualizar com certa frequência! — COMENTEM E RECOMENDEM!