I Hate You Too!
30 XXX- O ex e a boate
Notas iniciais
Era noite e a impaciência tomava meu corpo de forma drástica, a primeira semana que a droga do Vini estava guardada aqui, já tinha passado e ainda faltavam duas, ele já tinha vindo aqui uma vez, buscar mais porque o estoque havia acabado, o negócio parecia ir bem. Eu tinha andado sondando Luís e Midas e os dois pareciam realmente não saber nada sobre aquele trabalhinho de Vinícius.
O casal era honesto demais para se envolver naquele tipo de negócio, além do que, o que havia circulado pela escola tinha um tempo, era de que o irmão de Luís estava numa clínica por envolvimentos com drogas. Mamãe e Paulo nem suspeitavam nada sobre o que estava escondido no quarto de Jonathan. Tudo parecia bem calmo, mas porque a impaciência então?
Aquela era a noite em que João e Yuri iriam pela primeira vez para a boate juntos e bem… Aquele talvez fosse o maior passo que o plano estivesse tomando recentemente. João não havia descoberto nada de Bruno, o contato dos dois estava acontecendo, mas a passos lentos e aquilo me deixava aflito.
Eu ainda não havia engolido a história do olheiro, aquilo cheirava como armação, a comunicação com João estava escassa pelo medo de ser descoberto por Yuri. O que Yuri faria se soubesse que estávamos tentando sondar tudo aquilo da sua vida? O loiro costumava ser o mandante de destruição na escola e ninguém nunca afrontou suas posições. Yuri, possivelmente, era o garoto mais rico de toda a escola e não era nenhum segredo que a relação com seus pais era bem ruim, o que deixava claro que todo o dinheiro que ele quisesse ele teria, como se grana pagasse a falta de carinho.
Os contatos de Jonathan se tornaram mais escassos e agora a minha vida escolar estava numa guinada louca. O fim de ano se aproximava e com isso, o início de um período turbulento na vida de qualquer aspirante a universitário. A bateria de provas começava e como eu queria ser médico, precisava de um foco mais importante. Tudo parecia me levar a isso, a falta de contato do loiro, João aumentando o contato com Yuri e a único problema atual era de quem eu menos esperaria um problema… Vinícius. O passador de drogas estava me atormentando naquele período e só me restava dançar a sua música… Ou puxá-lo para a minha? E foi o que eu resolvi fazer. Saquei o telefone celular do bolso e logo disquei o número de Vinícius.
A chamada não demorou muito. Vinícius talvez não me quisesse como aliado, mas seria uma boa tê-lo como ajudante. Fora que Yuri poderia achar que eu estava o espiando com João, mas jamais suspeitaria de Vinícius, que no fundo nunca foi próximo. A ligação logo foi atendida.
—Oi, Hassanzito. -Falou irônico e eu suspirei. Vinícius parecia que para sempre seria um jovem insuportável com mentalidade de criança que não conseguiria evoluir. -Porque tenho essa honra de receber sua ligação?
—Acho que vou te ajudar muito com essa ligação…
—Claro…—Foi irônico.
—Vai a boate?
—Sim…—Falou enquanto ouvi um barulho de algo caindo. -Porra! Inclusive, você está me atrapalhando!
—Tenho algo que pode te fazer nem sair de casa…
—Manda…
—Não é tão simples assim… -O moreno riu.
—Você tá um tremendo jogador, garoto… Quer um pau pra chupar é? Minha namorada tá viajando e eu tô necessitado!
—Como se você dependesse dela para isso! -Falei, mas não deveria mudar o enfoque. -Voltando, para que você saiba o que tenho a dizer, você precisará me ajudar…
—Você deve tá me enrolando…
—Quer pagar pra ver? -A linha permaneceu silenciosa. Vinícius sabia que eu não teria nada para chantageá-lo, talvez o que eu teria para dá-lo fosse importante e isso o deixou pensativo. Ser similar ao Yuri não estava me soando tão ruim.
—Ok, dependendo do que você precisar de ajuda, eu ajudo…
—Então tá… Yuri vai a mesma boate hoje… -Vini riu.
—Hahahaha… E o grande estrago que isso me faz? Yuri pode ser mais um drogadinho…
—Pode, mas no mínimo se ele lhe ver, ele vai arrumar uma forma de saber o que você estava fazendo lá, você sabe que o Yuri é o mais próximo de um inimigo em comum que temos… E se ele não descobrir as drogas, ele pode arrumar uma forma de estragar sua reputação de grande garoto hétero e sendo melhor amigo de um casal gay, a sua reputação não está lá em toda alta não é, Vinícius? -Outro silêncio.
—Hm…—O moreno suspirou e eu o ouvi sentando. -Você tá me soando mais escroto do que quando eu te conheci, Hassan…
—Eu estou mais te ajudando do que ameaçando, Yuri faria o contrário.
—E como vou acreditar nisso? Pode ser um simples blefe…
—Não é… É aí que você entra…
—Fala…
—Por telefone não, amanhã de manhã na minha casa.
—Has…
—As dez, Vini! -O interrompi. -Acredite, ir nessa boate hoje pode ser pior para o seu negócio do que você imagina. -E desliguei.
[...]
(POV: JOÃO)
Eu tinha me aprontado todo. Convencer Yuri a ir para a boate tinha sido, no mínimo, um desafio! Levou dois telefonemas e um encontro pessoal para que o riquinho loiro me desse alguma resposta positiva. Primeiro que, como sempre, ele menosprezou o lugar, depois disse que não iria querer ser visto com um cara como eu e depois que não iria de moto comigo. Um cara, com qualquer bom senso, já teria mandado catar cocos e corrido para o próximo, mas eu estava me tornando um pouco insistente demais. E eu não sei até que ponto, aquilo sairia “normal” o suficiente.
Basicamente acertamos de que, o motorista dele iria nos levar até a boate e nos trazer de volta para a cidade na outra manhã. O próximo dia seria um sábado, o loiro fez algumas exigências, que eu fosse bem vestido para andar próximo a ele e que não houvesse beijos ou pegações se ele não se sentisse à vontade. Claro que ele iria fazer as típicas exigências pra lá de desnecessárias e… Aquele garoto era difícil demais de aturar.
Eu estava com uma camisa bem preta e bem passada, ela tinha sido uma das minhas últimas peças compradas e eu quase nunca a havia usado, tinha uns botões na frente e era bem leve, o meu jeans também era escuro, meio justo, até gostava dele, parecia mais que eu iria para um enterro, mas preto funcionava bem em mim, então achei melhor usar. Rapidamente ouvi uma buzina na rua e saí de casa, um carro preto estava lá parada, vidros bem escuros e apenas o vidro de trás abaixou mostrando Yuri. Logo me encaminhei e entrei na porta de trás, ficando ao lado do loiro.
—Oi. -O loiro me olhou de cima a baixo e nada falou. -Boa noite, Sr. -Cumprimentei o motorista e ele apenas ficou calado. Olhei para Yuri, era como se eu nem estivesse ali. Ninguém me respondia.
—Ele não é pago para conversar, João… É pago para dirigir! -O loiro falou. Ele estava bem bonito, diferente de mim a camisa era branca e a calça escura. O cabelo dele parecia incrivelmente bem cuidado, dava até medo saber o quanto ele gasta com isso. E logo continuou mexendo no celular.
—E você? Pode falar comigo? -Perguntei o olhando.
—Mostre-se mais interessante que o meu celular…
—Sabe que um olheiro veio atrás de mim recentemente? -Yuri abaixou o celular e me olhou nos olhos. -Porque eu fico me perguntando se isso tem dedo seu?
—Porque se pergunta isso? -Perguntou agora realmente guardando o celular no bolso.
—Não sei, talvez pelo fato de você ter dito que achava que tinha potencial e de repente um cara me vem e diz que me viu por aí e que quer ser meu empresário, já até andou agendando um book por aí.
—E isso prova que tem dedo meu onde? -O encarei e ele permanecia com o mesmo rosto inexpressivo… Garoto difícil.
—Você pode achar que não, mas eu tenho certeza que sim.
O restante do caminho foi até silencioso, Yuri pareceu interessado em saber mais sobre o possível book e pela sua expressão ele parecia não saber de nada, apesar de eu achar que ele estava atuando e ele atuava bem… Chegamos na boate e a fila já estava menor do que o imaginável. O clube já havia aberto as portas, apenas os seguranças que conferiam a documentação que faziam a fila andar devagar. Ficamos pouco mais de dez minutos esperando até entrar.
Era até estranho ver Yuri num ambiente como aquele. A luz era pouca, apenas alguns feixes saiam por ali e apareciam. Parecia ser dividido em dois ambientes, naquele tocava uma música alta que eu mal conseguia entender. Alguns garotos dançavam e outros bebiam, nenhum pareciam casal, o que realmente me deixava assustado. Yuri era muito bonito e tinha outros vários garotos bonitos por ali. Tentei jogar os pensamentos negativos para longe e continuar por ali.
—Tá cheio isso aqui… -Reclamou.
—Você não gosta de muita gente?
—Na verdade, não! -Respondeu me olhando e eu continuei o olhando, o loiro virou o rosto, pareceu constrangido.
—Quer ir no bar? Parece mais vazio e melhor de conversar? -Falei pegando na mão do loiro, que não reclamou, apenas caminhamos para o bar.
[...]
—Então basicamente é isso, todo mundo me odeia porque eu tenho muito dinheiro… -Comentou depois de finalizar toda a história sobre como chegou na escola e todo mundo o olhava torto. Será que realmente garotos ricos acham que existem bullying em cima deles? Nós já estávamos bebendo alguns drinks daquele bar. Yuri parecia bem mais alto de bebida, até ria de algumas piadas que eu acabara de contar.
Havíamos descoberto que tinha um lugar ao lado do bar, que era bem calmo. Tinha três a quatro mesas e algumas pessoas conversavam e pareciam ter um momento legal, dentro de uma boate. Era bem diferente das boates convencionais.
—Mas porque você mudou de escola?
—Meu pai resolveu isso… Antes eu estudava numa escola mais cara ainda, só que o meu rendimento estava um pouco a baixo e ele se esquentou muito. Disse que não iria pagar um absurdo pra me ver cagando pela escola e disse que eu ia sofrer numa escola pública pra aprender a valorizar o dinheiro que ele investia em mim, sendo que o dinheiro que ele dava pra escola, minha mãe gasta num fim de semana.
—E você foi para escola pública?
—Não… Minha mãe disse que seria um ultraje que o filho dela estudasse num lugar com pessoas faveladas e que isso poderia me levar para o mundo do crime e ela deu a ideia dessa escola que estudo atualmente.
—Maluca sua mãe… -Falei e por pouco me assustei com a possível reação dele sobre ter dito isso.
—Um pouco, talvez… -Disse num meio sorriso. -Ninguém na minha família é meio normal.
—O que você acha de irmos dançar? -Perguntei e ele logo levantou, quase caindo. Riu de como estava se saindo e eu sorri em seguida. Yuri deveria ficar bêbado vinte e quatro horas por dia, só assim para ele ser agradável. -Cuidado, garoto…
—Eu sei…
Nos encaminhamos para a pista de dança mais próxima, que ficava saindo do bar, estava com música alta e a maioria das pessoas dançava por ali, alguns se agarravam nos cantos das paredes e tudo parecia ótimo.
A música era bem animada e logo Yuri começou a dançar, estávamos bem perto, já que o lugar estava bem lotado, conseguia sentir a respiração dele no meu pescoço e aquilo era muito bom. Yuri passava os braços pelos meus e eu conseguia sentir o contato. O loiro segurava um copo na mão e tomava a bebida.
—Você dança bem bartender… -Riu
—Você não larga de me chamar disso, não é mesmo?
—Óbvio que não… -E logo o loiro parou de dançar e manteve os olhos fixos em um garoto que estava num dos cantos da boate, que parecia estar num momento bem íntimo. -Fica aqui! -Ordenou o loiro cambaleante.
Me virei e percebi que Yuri ia com toda fúria até o casal. O garoto era negro, parecia mais alto que eu e eu só conseguia vê-lo de costas. Meu cérebro deu um estalo, aquela descrição batia com o tal Bruno, aquele poderia ser o momento em que eu acabaria com todo o plano, ajudaria o Has a resolver tudo e finalmente poderíamos ficar juntos de vez, ao ajudá-lo, Yuri seria cortado e Has ficaria livre. Saquei meu telefone e sem dar muita bandeira tentei fotografar os dois.
Yuri parecia exaltado, vez por outra batia no peito do garoto que apenas o olhava e ficava com as mãos para o alto. O outro garoto que ele beijava nem estava mais ali, aquela discussão era apenas dos dois. O garoto negro parecia calmo até demais, o loiro estava exaltado demais e aquilo poderia dar um problema maior do que eu precisava.
Me encaminhei até o loiro que seguia reclamando alto com o garoto negro.
—Você é um filho da puta!
—Mas você tá na mesma boate que eu, Yuri. -O garoto respondia calmo, porém o loiro não queria saber de nada. Seguia o empurrando contra a parede e sendo bem chamativo.
—Yuri… -Falei tentando segurar sua mão, mas era em vão.
—Quem é esse, Yuri? -O cara me olhou e eu o olhei, ele era um pouco mais alto do que eu, o que me deixava um pouco surpreso, já que Yuri o estava enfrentando e de nós todos, ele era um pouco menor. O loiro virou para mim e antes que eu pudesse evitar, ele já estava jogado nos meus braços e me dando um beijo.
Eu não era idiota, sabia que aquilo era pra afetar o outro cara que estava ali, mas também não adiantava fingir que Yuri beijava bem, bêbado então… O loiro era afoito, as mãos dele não paravam em nenhum momento e eu só ficava concentrado em não derrubá-lo já que ele estava basicamente sobre mim. O loiro parou o beijo por um segundo para suspirar contra meus lábios… Filho da puta sexy…
Não me aguentei e acabei sendo eu que iniciei o novo beijo, Yuri continuava afoito e nossa, eu estava ficando viciado naquele beijo maluco que ele costumava dar. Levando em consideração que eu só o havia beijado poucas vezes, eu estava até interessado demais. A maioria das pessoas que estavam ao redor, estavam vendo a cena que Yuri e o cara negro estavam fazendo, agora elas estavam vendo a cena que eu e Yuri estávamos protagonizando.
Ao terminamos o beijo, olhei ao redor e o cara tinha sumido e a maioria das pessoas estavam em suas próprias vidas agora. Yuri também percebeu que o outro tinha sumido e tentou sair.
—Espera… -Falei pegando no braço dele, que simplesmente me largou e continuou caminhando.
Será que eu havia feito algo errado?
—Eu quero mais bebida! -Disse e seguiu indo até o bar. -Ei… Me dá uma caipirinha, por favor! -Pediu ao barman enquanto ficava encostado na bancada.
—Yuri… -O loiro virou e me olhou. -Quem era aquele cara?
—Ninguém! -Respondeu e ele voltou a olhar para o bar, me aproximei do loiro e o abracei por trás, dando um beijo na sua nuca, ele tremeu, deu pra sentir.
—Fala… Quem era?
—Um ex… -Respondeu bem rápido pegando a bebida e tentando fugir, mas antes disso eu o fechei com os meus dois braços entre a bancada e o loiro virou me olhando. -O que é? -Perguntou autoritário, maldita pose de riquinho desse moleque.
—E você costuma fazer toda essa algazarra quando encontra um ex? -Perguntei ainda o fechando e ele me encarou arqueando uma das sobrancelhas.
—Porque? Está com ciúmes?
—Claro que não… -Encostei meus lábios nos dele. -Se ele fosse tão bom seria atual e não ex…
—E se você fosse tão bom seria algum desses e, no entanto, não é nenhum dos dois! -E logo ele saiu. Maldito loiro.
Caminhei atrás de Yuri que se encaminhava para a pista de dança. O loiro começou a dançar pelo meio da festa ao ouvir a batida animada.
Começamos a dançar juntos ali. O loiro balançava o quadril, meio desengonçado pela bebida, mas não menos sexy… Talvez aquele garoto me enlouquecesse. Ele rebolava perto de mim e eu segurava o seu corpo, já que muito possivelmente ele poderia se encontrar com o chão. Virei o corpo do loiro e caminhei com ele para a parede. Ao encostrar no obstáculo o beije por pouco ele não derrubou a bebida e continuamos nos beijando, até uma ideia surgir na minha cabeça.
Levei minhas mãos até a bunda de Yuri que suspirou com o contato. Senti o aparelho celular naquele bolso, porém era melhor eu me aproveitar um pouco do loiro. Continuei apertando a bunda dele e o puxando para perto de mim. Uma das mãos do loiro passou pelo meu pescoço, enquanto a outra seguia segurando a bebida. Enquanto ia subindo as minhas mãos me certifiquei de que o celular dele viria junto. Estava nervoso, Yuri poderia perceber e com certeza a reação dele não seria das melhores, porém a bebida e talvez, o prazer, que aquele contato proporcionou, não o fizeram perceber. Passei as mãos rapidamente para minhas costas e guardei o celular dele no meu bolso. Logo finalizando o beijo.
—Vou ao banheiro… -Avisei dando um selinho no loiro que permaneceu no mesmo lugar e me encaminhei para o corredor que me ligaria ao banheiro.
Na verdade, aquilo era apenas uma tática pra que eu pudesse esconder o telefone do loiro, ao chegar no banheiro desliguei o aparelho e o escondi no cós da calça, na parte de trás, para evitar qualquer contato de Yuri com o aparelho. Ao voltar para lá, o loiro conversava com um outro garoto de boné que parecia estar bastante interessado.
—Atrapalho? -Falei alto o suficiente, o que fez o loiro sorrir.
—Oi, João! Esse é o Heitor…
—Seu namorado, Rafa? -O garoto se referiu a Yuri como Rafa… Acho que era a forma do loiro demonstrar que não estava interessado.
—Não…
—Ainda não… -Falei alto deixando o garoto desconcertado e o loiro me olhando desafiante. Puxei Yuri para meus braços e dei um beijo na sua boca, o que fez o garoto sair dali rapidamente. -Eai, Rafa… -Ironizei.
—E esse ainda não?
—Foi só pra jogar o cara pra longe… -Falei, mas até que ponto aquele ainda não era verdade ou mentira. Yuri riu e logo pegou na minha mão…
O que será que eu estava fazendo?
—Vamos embora!
—Mas… Ainda são duas da manhã?
—Só a ralé fica até o final da festa, João… -Falou me puxando para a saída. Iríamos pagar a consumação e sair dali.
—Parece que você agora gostou do meu nome, não é?
—É o único que você tem, não? -Falou irônico e pagou a bebida. Quando me encaminhei para o caixa. -Pode vir, já paguei a sua!
—Como assim?
—Pagando, ué! -Falou me puxando e saímos da boate.
A noite estava bem nublada, talvez chovesse no caminho de casa. O carro de Yuri ainda estava no estacionamento e o motorista estava lá. Parado próximo ao carro, aquele cara passou todas essas horas do lado do carro sem fazer absolutamente nada? Porque pessoas ricas fazem isso?
—Esse cara ficou a noite toda ali parado sem fazer nada? -Perguntei no ouvido do loiro.
—O adicional noturno dele vale todo o tempo que ele ficou de pé, tá bem? -Respondeu.
Ao entrarmos, sentei e Yuri deitou a cabeça no meu colo, o que fez o motorista arquear uma das sobrancelhas.
—Sr…
—Vamos assim mesmo.
—Mas…
—Eu sei que meu pai é maluco por segurança, mas você vai dirigir com atenção e me deixar dormir aqui mesmo, ou eu vou vomitar todo o carro e vai ser pior pra você!
—Tudo bem, sr. Grambell.
Depois do momento tenso, Yuri permaneceu deitado com os olhos fechados, enquanto o motorista que até agora eu não sabia o nome, permanecia dirigindo e apenas olhando pra frente.
—Yuri, está dormindo? -Falei baixinho e logo os olhos azuis se abriram.
—Hm… -Suspirou confirmando que estava acordado.
—Gostou?
—Aham… Eu adorei sair com você, João… Sua companhia é ótima!
—Ei… Beba mais vezes, você fica simpático. -O loiro sorriu e me deu um tapa no braço, bem fraco já que ele estava mais para lá do que para cá.
—Aham… -Continuou.
Será que eu estava fazendo o certo?
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