I Hate You Too!
27 XXVII - Dois Yuris
Notas iniciais
–O que você tá fazendo por aqui? –Perguntei olhando para a expressão meio alterada de Vinícius, mas surpreendentemente, ele riu alto.
–HAHAHAHAHA... Eu que te pergunto, o que tá fazendo por aqui, cara... –Vini agarrou meu ombro e me puxou. –Vamo sentar!
Aquele ambiente também tinha sofás e era bem parecida com a outra pista, mas a decoração estava diferente assim como a música. Tocava alguns reggaes e raps, a pista estava mais vazia do que a outra e as pessoas pareciam mais interessadas no bar, em se pegar nas paredes ou nos sofás. Vinícius expulsou um casal de um dos sofás e sentamos.
–Quem te trouxe pra cá, maninho? –Perguntou passando um dos braços pelo meu ombro. –Você sabe que aqui é do tio do Luís?
–Sim, vim com ele e com o Mid pra cá...
–Eles estão aqui? –Perguntei levemente alterado e aquilo me pareceu estranho. Realmente era estranho que Vini, um cara hétero estivesse numa boate gay mesmo, mas... Os amigos dele, gays e namorados, não iriam julgar se ele fosse também...
A situação só piorou. Um cara meio alterado, seja de bebida ou de coisas mais fortes, se aproximou do Vinicius e começou a cutucá-lo no ombro. Ele parecia apreensivo, meio alterado e aquilo não deveria ser bom.
–Fala aê... –Perguntou.
–Ei cara... Tem mais balas ai? Por favor, eu te pago...
–Dinheiro primeiro!
–Então... Meu namorado tá com dinheiro na pista... A gente pode conversar? Sabe... Você já aceitou aquilo antes...
–Cara, pega a grana com o teu namorado lá e volta aqui... Assim você consegue a bala...
–Vini... –O moreno levantou e encarou o outro com uma cara de poucos amigos e logo o jovem deu meia volta e continuou na pista.
–E então... Mid e Luck estão aqui?
–Sim, na outra pista... –Falei e ele sentou-se novamente. –Balas? Você tá com droga é, Vini? –O moreno segurou meu rosto com força e eu abri os olhos... Será que ele ia me beijar, mas... Vini era hétero, senti a sua aproximação e ele de repente sussurrou.
–Vamos conversar num lugar melhor... –E antes que eu pudesse pensar em me mexer, Vinícius segurou minha mão e me puxou pra uma escadaria grande, que pelo que Luck falou, na outra pista levava para o camarote, nessa pista, talvez acontecesse o mesmo.
Lá em cima a música ainda era alta, mas tinha umas mesas um pouco afastadas, aonde pessoas conversavam e bebiam. Parecia um ambiente descontraído e mais leve, sem tanta pegação a decoração era mais avermelhada e tinha um bar exclusivo para aquele lugar. O isolamento acústico deixava a música bem mais baixa e parecia música ambiente.
–Porque Luck te trouxe pra cá?
–Não muda o foco... Seus amigos sabem que você tá numa boate gay e que tá vendendo droga? Você é um traficante, Vini?
–Eita, segura a língua! –Reclamou levantando. Foi até o bar e trouxe dois copos com caipirinha. –Olha, não vamos usar essa palavra forte aqui... Se você não se ligou aqui no camarote tem uns seguranças, lá embaixo não... Has... Eu não sou isso o que você disse!
–Aquele cara...
–Olha... Eu só repasso, mas eu não trato diretamente com o tráfico... Eu pego com um cara que é ligado a isso, ele me passa apenas pouca quantidade, porque sabe que os viadinhos aqui curtem um pouco de ecstasy ou de heroína. Eu só repasso e a galera paga. Eu dou a grana e ele me paga uma parte, somente negócios, eu nem consumo.
–Você é maluco! –Como o Vinícius era um traficante e ninguém sabia de nada disso? –O Luck sabe?
–Não.
–Midas?
–Não. E nem quero que eles saibam... Olha, o Luck me trouxe aqui, logo quando começou a namorar o Midas, eu nem queria vir porque sabia que eu poderia ter um cara no meu pé e bem... Eu não curto, você sabe... O segurança me conhece e me deixa entrar sem problemas... Passar com drogas pra dentro assim é bem mais fácil. Aí, os caras consomem, geralmente junto com o álcool e ficam loucos, só que a maioria pensa que eles estão apenas bêbados mesmo. E poxa, é uma grana fácil. Eu entro quase sempre sem pagar nada, não tomo bebida e nem uso o material e ainda faturo alguns... Isso é divertido!
–Divertido? Vinícius, você é doido... –Tentei levantar, mas ele segurou meu pulso. –Que foi?
–Você vai me ajudar!
–Eu não vou passar nada pra você, seu doente!
–Não... Não assim! Luck não sabe que eu continuo vindo para essa boate, ele imagina que eu vim só aquela vez com eles e pronto, até porque eu demonstrei odiar o lugar e você vai me assegurar que vai mantê-lo naquela outra pista, porque eu vou continuar vendendo o meu material nessa... Tudo bem, Hassan?
–A última coisa que eu quero é te ver hoje de novo e ainda por cima ver você decepcionar seus amigos! –Puxei meu braço com força e ele gargalhou. Lembrei-me do que o cara falou lá embaixo e aquilo ainda estava na minha cabeça. –O que aquele cara quis dizer com “a outra coisa”. –Vinícius deu um sorriso vitorioso.
–Bem... Eu não sou gay, mas esses viadinhos sabem mesmo chupar, sabia? Eu só faço isso quando estou bem necessitado e quando os vejo doidos atrás da heroína... Sabe a maioria já me conhece aqui como o repassador, então... Quando eles vêm sem grana e loucos pra usar, eu os deixo brincarem um pouco aqui, às vezes eles até engolem toda a porra, sabe? –E riu de novo, garoto nojento e mais uma vez segurou meu braço. –Quer tentar?
–Você é nojento, Vinícius! –Comentei me desvinculando novamente do moreno e comecei a caminhar para fora daquele espaço reservado do camarote.
–NÃO SE ESQUECE DO NOSSO COMBINADO! –Gritou ao me ver voltando ao camarote.
Desci do camarote até a pista de reggae e resolvi conferir se Midas e Luck ainda estavam na outra pista. Ao atravessar a passagem que ligava as duas pistas, percebi que os dois estavam brigando... E a droga só piorava ao saber que era por minha causa.
–QUE MERDA DE BAR O QUE, VOCÊ FICOU FOI RASTEJANDO ATRÁS DO ÁRABE, LUÍS GUSTAVO! COMO EU SOU IDIOTA!
–Mid... Amor! –Luck estava sentado e Midas também, o moreno parecia ter chorado de raiva... Claro que de raiva, aquela cara não era de alguém que estava triste. Os dois estavam sentados num dos sofás e a música alta atrapalhava um pouco, mas eu estava perto o suficiente ou eles estavam falando alto o suficiente, para que eu pudesse ouvir. –Eu fui realmente ao bar, mas eu vi o cara importunando o Hassan e eu não queria deixar o meu amigo tendo que lidar com algo que ele não queria...
–Luck o seu amigo tem idade suficiente pra saber mandar um cara pastar, você não acha?
–Midas... Não é tão simples assim... Eu trouxe o Has aqui pra que ele pudesse desopilar um pouco, ele anda meio pra baixo, você sabe... Não é tão simples assim mandar alguém pastar, quando você veio pela primeira vez numa boate!
–Não foi simples quando ele te mandou pastar, afinal? –E logo o moreno se calou. Luck que parecia complacente logo fechou mais a cara e Midas percebeu que o loiro não queria ouvir isso. –Lu...
–Lu? Agora eu sou Lu...
–Amor, você não tá vendo... Esse garoto só faz a gente brigar!
–Tô sim, senhor Midas... Você está sendo um idiota... Sim, o Has me mandou pastar e isso não me incomoda mais, sabe por quê? Porque eu gosto de você e o que realmente me incomoda é esse seu ciúme infundado, sendo que eu já provei por diversas vezes que é você que eu amo.
–Luck...
–É sempre assim! Você fala mais do que deveria, o Has antes de ser meu namorado foi meu amigo e antes de você ser meu namorado você foi o meu melhor amigo... O Has depois que deixou de ser meu namorado virou meu amigo e agora... O que você acha que vamos ser depois que você virar o meu ex-namorado?
–Luck... Assim não, Lu! –O moreno falou se aproximou e juntando as mãos no rosto do loiro. –Eu sei que eu falei merda tá... Foi mal!
–Eu não devia ter te dado vodca, seu pai vai me matar...
–Meu pai não vai fazer nada... –Midas se aproximou e sentou-se no colo do namorado. –Desculpa pelo acesso... Você sabe que o Has... Meio que me deixa ainda meio inseguro...
–Você sabe que eu te amo...
–Eu sei... Eu sei... Eu sou uma anta, mas eu sou uma grande anta apaixonada por você, Lu.
Eu já não aguentava mais ver o meu nome ser tratado na terceira pessoa ali, sendo que eu estava bem perto... Era horrível ouvir discutirem envolvendo seu nome e você não poder se manifestar... Me aproximei dos dois e eles perceberam, mas nem se tocaram de que eu estava ali há algum tempo.
–Luck... Vamos embora?
–Qual é, Has? –Surpreendentemente quem falou foi Midas. Levantou-se do colo do namorado e ficou ao meu lado. –Vamos dançar mais um pouco. Desculpa pela minha cena... Foi culpa da vodca! –E riu, seguido de uma risada de Luck.
–Pois é, Has... Vamos dançar e onde você estava?
–Na outra pista, mas lá tá uma porcaria, vamos continuar nessa pista, eu adoro essa música! –Para falar a verdade eu nem conhecia a música, mas era melhor dizer isso, do que eles quererem ir até a outra pista e se decepcionarem com o grande amigo deles...
[...]
(POV: YURI)
Domingo era o dia mais detestável de todos!
Simplesmente pelo fato de que eu não saía de casa nesse dia. Acordei cedo como era de costume. O meu quarto estava brilhantemente organizado, afinal a empregada sempre o limpava no sábado, pelo menos aonde eu a deixava limpar. Meu quarto era enorme, com uma grande cama, uma porta grande de vidro que ligava a uma varanda grande, além do meu próprio banheiro e o closet.
Domingo geralmente era um dia parado pra mim. Levantei para fazer a minha higiene pessoal e logo descer para tomar café da manhã. Meus pais estavam lá embaixo. Meu pai se chamava Ricardo, na verdade, meu avô havia lhe batizado como Richard, mas meu pai resolveu modificar o nome para Ricardo, afinal sempre morou no Brasil, ele era loiro como eu, meu avô era britânico e meu pai era dono de uma construtora de renome mundial, criada pelo meu avô. Isso fazia com que fossemos muito ricos, em compensação, fazia com que a minha relação com meus pais fosse uma porcaria.
Meu pai tinha quase cinquenta anos e a minha mãe, tinha trinta e oito, ela havia engravidado aos vinte e aquilo foi um susto. Meu pai não queria filhos, não naquele momento e eu vim para atormentar a vida do velho Ricardo. Minha mãe era uma perua de marca maior, vivia arrumada e bem maquiada. Tinha silicone nos seios, postos depois do período de amamentação e sempre reclama que eu a fiz gastar muita grana com os tratamentos de beleza que ela teve que fazer para continuar bonita. Ela se chama Flávia. Eu ainda tinha uma irmã menor que havia sido adotava, chamava-se Nicole. Ela era branca com fios bem negros, diferente de nós três e tinha doze anos. Meu avô sempre quis ter dois netos e meu pai teve que fazer o esforço de adotar uma filha e bem... Nicole sempre viveu na minha infelicidade que eu.
–Oi, pai e mãe... –Falei sentando com a mesa do café já posta e uma das empregadas colocou o meu café na minha frente.
–Oi, Yuri... –Minha mãe falou. Ela estava com um vestido curto e com o cabelo bem feito e fala no telefone. Meu pai nem teve a decência de tirar o jornal da cara. Domingo era o único dia que o empresário Ricardo ficava em casa e geralmente, ele permanecia no seu mundo, seja lendo o jornal e vendo notícias na internet, ou mexendo no celular.
Meus pais discutiam muito e pelo pouco que eu conhecia, os dois viviam um casamento de conveniência há muito tempo. Minha mãe era linda e era uma esposa fiel e meu pai gostava de estar sempre com ela nos eventos, mas ele não era fiel. Minha mãe, assim como os empregados e todos sabem que ele tem amantes, uma foi até uma das minhas babás. Depois da descoberta do caso, minha mãe proibiu qualquer empregada com idade menor do que quarenta anos naquela casa.
–Onde está a Nick? –Perguntei e nenhum dos dois respondeu. Percebi que seria mais uma manhã de silêncio e comecei a comer, até ver a Nick chegando e me dando um leve abraço.
Mesmo que adotada, eu considerava Nicole minha irmã de verdade e ela também gostava muito de mim, ela sempre me abraçava e me dava beijos, me contava seus segredos de menina de doze anos.
–Bom dia, Yuri... –Falou com a voz de menina e me deu um beijo estalado na bochecha.
–Bom dia, Nick... –Continuei comendo e ela sentou-se e logo a mesma empregada que me serviu, serviu a ela também.
Minha mãe continuava falando ao telefone com alguma amiga ou cabeleireira e meu pai seguia lendo o jornal e pouco ligando para o pequeno dialogo que os filhos tinham. A indiferença era o principal ingrediente daquela família. No fundo, era perceptível que meu pai era infeliz. Ele era bem sucedido, mas infeliz e minha mãe também, mesmo que ela tivesse toda a grana para fazer seus tratamentos e se manter linda. Aquilo me deixava irado... Como aqueles dois conseguiam ser infelizes? Eles poderiam ter tudo o que queriam...
Mas meu pai era um filho da puta e minha mãe uma perua idiota... No fundo, eu nunca saberia se eu amava ou odiava aqueles dois... As únicas pessoas que eu tinha certeza dos meus sentimentos era Nicole e Bruno... Aliás, eu tinha que falar com ele hoje!
–Você vai sair hoje, garoto?
–Sim, senhor...
–Como vão as notas?
–Estão bem... Estou perto de concluir o ano e logo terremos os vestibulares e aquelas coisas...
Pronto... Silêncio, o nosso diálogo se resumiu a isso. Minha mãe já havia saído, dizendo que iria comprar algumas roupas. No final do dia, ela viria com uma conta enorme de roupas caras e meu pai pagaria como sempre. Era a forma dele demostrar que se importava com ela... Pagando... Era a forma que eu sempre vi o amor... Meu pai comprando as coisas pra mim e pra minha mãe e depois para Nicole.
–Yuri...
–Fala, pequena...
–Sabe, eu aprendi uma coreografia nova no balé... É divertido ficar rodando! –Ela riu e eu sorri.
–Depois você pode me mostrar, ok? –Ela acenou positivamente. –Agora, eu vou ter que sair e encontrar um amigo para fazer um trabalho da escola, tudo bem? –Ela acenou novamente e eu saí da mesa sem me despedir do meu pai.
Caminhei até o carro com chofer que era destinado a mim e minha irmã. Como minha irmã saía apenas para as aulas da escola e do balé. O fim de semana o carro era completamente meu. José era o motorista e ele sempre guardava meus segredos.
–Bom dia, senhor Yuri! –Falou empolgado e eu me mantive calado.
Meu pai havia me ensinado que nós... Pessoas que temos condições melhores, nascemos para comandar o mundo e bem... Fazer boas ações... Como empregar pobres e ajudar instituições caridosas, mas o preço a se pagar ela evitar diálogos desnecessários com pobres, porque se eles vieram ao mundo pobres, por maior que fosse a nossa ajuda, eles não poderiam enriquecer e nós, como viemos ricos, tínhamos que nos manter ricos, porque ricos podem empobrecer, mas pobres não podem enriquecer...
–Pode me levar até a casa do Bruno? –Ele apenas confirmou sorrindo e entrou no lugar do motorista. Eu usava os óculos escuros, outra coisa que meu pai havia ensinado... Que olhos deveriam ser demonstrados apenas para pessoas que realmente valiam algo. Porque, os nossos olhos demonstravam a nossa alma e apenas os nossos semelhantes, ricos, poderiam vê-los.
Ao chegar ao apartamento de Bruno, entrei no prédio e subi sem ser anunciado. O apartamento era meu, então eu entrava no edifício sem qualquer problema. Subi até o décimo andar e entrei sem bater na porta. Bruno era um garoto que estudava na escola e foi a primeira pessoa que olhou pra mim não como Yuri Grambell, filho de Ricardo Grambell e herdeiro de um império. Ele me olhou como Yuri, um garoto loiro e insuportável. Ele era pobre e negro, mas era muito inteligente e ganhou uma bolsa na melhor escola da cidade. Namoramos escondido, afinal eu tinha medo do que as pessoas achariam de mim, namorando alguém pobre e negro... O importante era que... Bruno foi a primeira pessoa a conseguir olhar nos meus olhos e enxergar minha alma... E bem, se a primeira pessoa que consegue fazer isso comigo é alguém pobre, acho que os preceitos que meu pai me falou na infância são meio falhos, não? Depois de alguns dias escondido, terminei o namoro, mas Bruno e eu vivemos uma relação louca até hoje, afinal... Eu gostava dele e creio que ele de mim... Bruno, havia conseguido uma bolsa para cursar direito numa universidade da cidade vizinha... Eu dei um apartamento e um carro para ele e para isso, ele me ajudaria em algo sujo...
Bruno e eu forjamos a sua própria morte, para que assim eu conseguisse o Jonathan na minha mão... Bruno trocou de nome e como era pobre e favelado, ninguém quis procurar muito pelo paradeiro dele... Agora ele cursa direito.
Fui caminhando até o quarto de Bruno, a porta estava entreaberta e os gemidos já eram audíveis. Ao entrar no quarto, vi Bruno sentado sobre a cama, com um garoto branquelo e careca no colo. O garoto parecia um pouco mais velho do que eu, talvez fosse alguém que ele conheceu na faculdade. O meu amante segurava a cintura dele com força e afundava o seu membro negro no meio da bunda branca do garoto, que gemia alto, enquanto Bruno seguia chupando o seu pescoço.
Bati a porta com força e os dois olharam pra mim. Bruno continuou com a expressão impassível e o garoto careca parecia assustado...
–Ahh... Mas... Vo-você disse que mora-rava sozinho... –Arfou, afinal apesar do susto, Bruno continuava o fazendo cavalgar sobre seu membro...
–Mas esse... É meu namorado. –Continuou Bruno para o espanto do garoto.
–Tira esse pedaço de lixo daqui. –Falei ainda com os óculos escuros e mexi nos meus cabelos loiros, demonstrando a falta de interesse que tinha nos peguetes de Bruno.
Rapidamente, Bruno tirou o garoto do seu colo, com grande facilidade e jogou o corpo do garoto, que ainda permanecia atônito com a minha presença, sobre a cama. Bruno tirou a camisinha e deu um nó e jogou por ali. O garoto se cobriu com o que pode, uma cueca e uma bermuda jeans e tentou se vestir.
–SAÍ DAQUI, PORRA! VOCÊ NÃO O OUVIU? –Gritou e o garoto tomou um susto. Bruno era alto e tinha uma voz grave naturalmente. Quando ele gritava, qualquer pessoa se assustaria pela potência daquilo. O garoto careca apenas pegou a roupa e seguiu caminhando até a saída do quarto e saiu sem qualquer dinheiro ou camisa. O negro se aproximou e tocou no meu braço. –Estava com saudades, loirinho...
–Não encosta! –Tirei os óculos e olhei para os olhos negros dele. –Vai tomar um banho e tira esse cheiro de sexo de cima de você... Espero-te no sofá, espero que não tenha comido esse daí lá também...
–Relaxa, o sofá é só seu!
–Filho da puta! –Saí do quarto antes que metesse a mão nele e caminhei para o sofá.
O apartamento era grande, tinha um quarto e duas suítes, uma sala com cozinha e uma varanda e um banheiro social. Bruno morava sozinho e eu basicamente pagava todas as contas dele, exceto a comida e a internet. E ele seguia cursando direito. No começo ele não quis aceitar minha ajuda, mas depois de perceber que não se manteria no direito se não tivesse apoio financeiro, ele aceitou prometendo que ia me fazer feliz.
E ele me fazia muito feliz comendo um cara diferente por semana. Logo depois ele apareceu, com uma camiseta branca e uma cueca preta boxer. Sentou-se ao meu lado e tentou me dar um beijo na boca, mas eu desviei.
–Ué. Não vai me beijar? Eu escovei os dentes, tá? Ou isso é por causa do motoqueiro?
–Você me enoja, ás vezes... –Reclamei e dei um selinho nele, nada muito íntimo. –Fez o que eu pedi?
–Tentei. –Falou e se sentou mais despojado agora. –Difícil saber qualquer coisa da vida daquele garoto, mas o básico é verdade... Ele é órfão, desde os quinze anos, morou um orfanato e aos dezoito, o antigo advogado da família lhe deu a posse da casa e a moto.
–E a relação com o Hassan?
–Mentira, aqueles dois nunca tiveram nada de muito íntimo. O motoqueiro até que ia algumas vezes à casa desse aí, mas nada que demorasse muito e na maior parte das vezes que ele foi lá, o Jonathan ainda morava aqui e como você sabe...
–O Hassan estava dando pro Jonathan!
–Yuri... Isso não quer dizer que não seja um plano... Não é porque o Hassan não se envolveu com o João que o motoqueiro é de confiança...
–Eu sei, eu ainda estou alerta...
–Não parece!
–Cala a boca, Bruno... –Levantei irritado e ele se levantou, em seguida, me empurrou para a parede e me cobriu com o seu corpo enorme. –Saí...
–Não é porque eu estava com aquele ali que eu não pense em você, loiro... Você sabe...
–Você é um mentiroso! –Antes que eu continuasse a fala, Bruno me beijou e foi bom. Os lábios grossos dele sempre eram bons. –Continua a pesquisar sobre o motoqueiro, ok? –Falei me desvinculando e segui para a saída. –Talvez eu ainda volte aqui hoje, vê se consegue segurar esse pinto na calça!
–Se você vier, eu seguro, Yuri! –Dei o dedo do meio e segui para a saída.
[...]
Agora estava em frente ao edifício comercial onde ficava a revista de Marco. Marco era um grande fotógrafo e dono de uma revista de renome nacional, ele era um antigo amigo do meu pai e seria importante falar com ele.
–Ora, se não é Yuri Grambell, herdeiro da empresa dos Grambell!
–Olá, Marco... –Comentei sem saber o sobrenome dele. Durante a nossa conversa inteira eu não tiraria os óculos escuros. Afinal, para com ele eu seria Yuri Grambell, o herdeiro e não apenas o Yuri. –Tenho algo para você...
–Sou todo ouvidos. –Marco sentou-se e eu caminhei até a mesa dele e deixei uma foto e um papel com um endereço.
–Serei breve, você deve estar ocupado e eu estou sempre muito ocupado. –Marco analisou a foto e em seguida me olhou. –Esse é João e bem, ele precisa de trabalhos como modelo e quero que você o auxilie no começo, claro com trabalhos pequenos no início pra não parecer que tem envolvimento de pessoas maiores, o ajude a confeccionar um book e alguns outros trabalhos pequenos e depois, ele vai saber se resolver sozinho...
–Senhor Yuri... –Olhei para o fotógrafo. –Eu não trabalho com casting nem essas coisas...
–Marco, você sabe que esse favor é mínimo perto do que eu posso fazer por você, não?
–Sei... Mas...
–Sem mais! E aí, não fale o meu nome quando for falar com ele e você não vai se arrepender, acredite! –Comentei e logo me retirei.
Eu sabia que Marco iria fazer aquilo, afinal eles sempre fazem o que um Grambell pede, era o que meu pai sempre falava... Mas no fundo, eu não sabia se eu estava fazendo aquilo por que nós tínhamos que ajudar aos pobres ou porque eu nutria algo por João...
E quer saber, pouco importa! Essa noite não tem nada de João, hoje eu sou do Bruno!
(Não estou conseguindo colocar as notas finais no lugar das notas finais, então eu vou por aqui mesmo, ok?)
Eai? Gostaram?
Uhum, então o nosso Vinícius é um traficante? E ainda curte sexo oral? Surpresos?
Briguinha do Mid e do Luck? O que acharam? Lindos ♥
E eu acho que esse capítulo é um dos mais reveladores, porque mostra o pensamento do nosso grande vilão... E realmente mostrou que o Bruno (que era o cara que o johnny "matou") está vivo e mantém um caso com Yuri... Então, vocês acham que o Yuri vai cair no papo do João? E será que o João vai conseguir ser modelo? E a relação do Yuri com os pais? Frios né? Comentem, please!
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