I Hate You Too!

15 XV- Dia do conhecimento (parte II)


Notas iniciais
Bom gente esse capítulo tá um pouquinho tenso, mas é só um pouco!
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Vamos aos agradecimentos? Obrigadão...
Guilherme, Lika, Midichan, Caio, UchihaMarina, Konichiwaclara, Lady Cherry, YumeChaan, Giovana, Kira Fox, Linkbill, PezHummel, sanduichedeatum (uma querida), Thysia e Pandora! Valeu mesmo seus lindos do Sketcher!
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Quer ser um lindo do Sketcher? É muito fácil, basta você mandar um review depois de ler esse capítulo!
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O capítulo de hoje é para a linda da Sheiko que recomendou a fic, com uma recomendação muito fofa que eu fiquei lendo feito bobo... Quer um capítulo? Manda uma recomendação aê! kkk

–Jonathan Maserati é um assassino, Hassan. Jonathan matou um garoto!

As palavras daquele loiro aguado me deixaram perplexo. Eu fiquei apenas ali encarando aqueles olhos verdes expressivos, aquele sorriso vitorioso que ele carregava. Yuri era filho de um arquiteto riquíssimo da nossa cidade, o pai dele tinha tanto dinheiro e tantas influências, que uma guerra era capaz de começar só por causa da grana que ele tinha.

–Você é mesmo um mentiroso! –Foi à única coisa sensata e ética que eu pude dizer. Afinal, eu queria mesmo era voar naqueles fios aloirados e jogar aquela baranga loira no chão.

–Eu já te achei mais inteligente, Hassan... –Riu sem graça. –Se você acha que eu estou mentindo... Porque você não pergunta ao próprio Jonathan, aposto que além de desconcertado ele vai tentar distorcer a verdade... Mas se não fosse por mim, aposto que ele já estaria atrás das grades.

–Eu vou perguntar mesmo!

Saí desconcertado dali, acho que era normal ficar chocado depois de saber que alguém tão querido para você era um assassino... Quer dizer, eu não tenho essa certeza, afinal... Essa informação vem da boca de uma baranga loira...

Porém é inevitável pensar nisso... Jonathan era vítima de um boato, esse boato parecia sério e Yuri me diz que ele é um assassino... Ahh Deus, minha cabeça vai explodir.

–Paulo? Podemos ir embora? –Me aproximei do loiro, que conversava com uns importantes advogados.

–Mas já? Não são nem quatro da tarde, Has!

–É que... Eu não tô me sentindo muito bem, acho que foi algo que eu comi... Pode ficar eu volto de taxi...

–Imagina! Nós vamos. Você acha que sua mãe me perdoaria se eu te deixasse ir embora de taxi?

Não respondi. Minha cabeça parecia uma roda-gigante com as palavras... Jonathan... Assassino... Garoto... Morto... Voltamos para o estacionamento e entramos no carro.

Paulo ligou para minha mãe que na hora já ficou desesperada. Voltamos o mais rápido que o limite de velocidade autorizava. Eu via a paisagem, mas minha cabeça não parava de aplicar peças em mim. Eu via Jonathan com uma arma na mão e uma pessoa desconhecida no chão, ensanguentada. Preciso de um tratamento psicológico!

O trânsito, por puro azar mesmo, estava mais congestionado, o que nos rendeu mais tempo na estrada. Minha mãe ligou duas vezes para perguntar como eu estava e se Paulo não poderia me levar para um hospital... E claro, ela só se acalmou depois que eu falei com ela e disse que era uma dor boba no estômago que logo passaria.

Chegamos ao entardecer em casa. Minha mãe logo me recepcionou com um abraço e um beijo e me deitou no sofá.

–Tudo bem, bebê?

–Tô sim, mãe. –Quis discutir sobre a utilização do termo “bebê”, mas não era o momento. –É só uma dor de estômago.

–Você pegou chuva ou ficou muito tempo no sol, sabe que você é asmático...

–Eu tô bem...

Jonathan estava no pé da escada, me olhava com um meio sorriso e ria, divertido, com todo o “carinho” exacerbado que minha mãe me dava. Paulo subiu e foi tomar um banho e eu também aproveitei a ideia. Meu banho foi lento e muito pensativo. Esse verbo definitivamente é o do dia. Depois daquele terrível encontro eu não parei mais de pensar e teria que resolver isso, hoje!

Ensaboei-me e lavei os cabelos com o maior detalhamento possível... Isso era só uma desculpa para ficar longe de Jonathan e pensar em como eu iria introduzir esse assunto para com ele. Minha mente o imaginava culpado, assumindo o assassinato de algum desconhecido e se tornando o grande vilão que se envolveu comigo, mas meu coração culpava Yuri, ele me dizia que tudo não passou de uma invenção daquela coisa aloirada por pura inveja, por Jonathan ser bem sucedido e ele só um nerd qualquer. Mas em qual acreditar, na mente ou no coração? Depois de minutos de angustia saí do banheiro e fui para o meu quarto no andar de baixo.

Tranquei a porta e passei a me vestir despreocupado. Até ouvir grandes baques na janela. Me assustei, a princípio, mas logo reconheci o cabelo loiro, os olhos extremamente azuis e sorriso sarcástico. Destravei a janela e o loiro entrou no quarto.

–A porta tá trancada? –Perguntou já dentro do recinto, eu estava apenas com um moletom, eu queria mesmo dormir. Iria adiar a conversa para a noite, mas pelo visto, Jonathan queria estar comigo. Assenti que sim e como um raio, ele agarrou meu pescoço e beijou meus lábios com vontade.

Retribui aquele beijo, não tão apaixonadamente como sempre fazia, mas eu tinha de retribuir, pelo menos até saber de tudo. As mãos largas e fortes do loiro, já iam para a barra do meu moletom, mas eu me saí de seu toque e me deitei sobre a cama. Iria vestir a fantasia de doente.

–Qual é, Has? Você é um péssimo ator! Só sua mãe mesmo para cair nesse golpinho! -Falou sentando sobre minha cama e olhando fundo dentro dos meus olhos... Porque aqueles olhos grandes azuis tinham a habilidade de me descobrir?

–Onde eles estão? –Mudança de assunto...

–Sua mãe está terminando o jantar e papai deve estar no quarto... E aliás, quem se importa! –Suas mãos se fecharam em meu pulso e ele me puxou para seu colo, mais um beijo pouco retribuído aconteceu. Era verdade, atuar não era meu forte. –Que droga que aconteceu? Porque você está assim?

–Assim?

–Seco! Você é mais alegrinho quando estamos aos beijos, o que houve dessa vez?

–Precisamos conversar! –Saí do seu colo e sentei-me na cama, olhando nos seus grandes olhos azuis que estavam ficando cada vez mais escuro. Digamos que paciência, não é uma virtude dele.

–Eu sabia que estava demorando para começar com as inseguranças de garota!

–Inseguranças de garota?

–Você vai dizer que está me achando distante, ou que eu estou te evitando e vai começar a achar motivos desconhecidos de que eu estou te traindo, porra, Has!

–Eu não sou uma garota! E não é sobre isso que eu quero falar...

–Então sobre o que é?

–É...

–Fala!

–Você matou um garoto? –E a pergunta saiu de maneira rápida e única. Todas as quatro palavras ditas rapidamente e olhos azuis se arregalaram ficando maiores ainda. Silêncio, o tão insuportável silêncio...

–Hã? –Ele riu descaradamente. –De onde tirou isso, Has?

–Me contaram... –De verdade, eu estava nervoso. Jonathan saiu muito mal daquela pergunta o que aumenta mais ainda as hipóteses da sua culpa. –Porque não me contou?

–Mas... Eu não matei ninguém! –Ele me olhou e eu me mantive impassível, estava certo de que ele estava mentido. Jonathan virou o olhar e mirou o colchão. –Quem te contou?

–O quê? Então é verdade? –Surpresa?

–Quem te contou, porra! –Ele me olhou, os olhos grandes azuis encaravam meus verdes. –Camila? Luck? –Neguei. –Então... Foi o desgraçado do Yuri!

Jonathan levantou revoltado. Acho que ele saber que tinha sido o Yuri foi realmente terrível e claro, essa era a hora de saber de tudo. Levantei logo depois e segurei seu antebraço. Ele me olhou e eu agarrei seus braços largos. Me aconcheguei em seu corpo e apoiei a cabeça sobre seu ombro largo.

–Você não tem nojo de mim? –Me perguntou como se fosse o óbvio.

–Não até entender e saber tudo o que aconteceu, afinal eu não posso ser irracional e te mandar sair daqui... Afinal, não vivemos numa novela! –Beijei o ombro branco e largo dele e ele sorriu.

Nos beijamos, mais uma vez, dessa vez com mais paixão, mesmo comigo ainda um pouco de fora do clima. Arrastei Jonathan até a cama e sentei ao seu lado, ambos frente a frente.

–Então vai me contar? –Um suspiro pesado.

–Vou... Mas tem que escutar tudo! Eu estava numa festa, fazia umas duas semanas que eu descobri que você estava namorando o Luck. Eu fiquei realmente chateado, eu estava ainda participando dos treinos do time de futebol e teve um dia em que eu estava sozinho terminando de tomar banho no vestiário e acabei falando alto que estava mega irritado por você estar namorando o Luck e que eu gostava de você. Acabou que eu não vi que o Bruno, um bolsista do terceiro ano, estava perto e ouviu...

Não conhecia nenhum Bruno na escola, mas era melhor não interromper e fazer as perguntas no final.

–Bruno morava na favela era um oportunista de merda e ao saber disso, disse que eu tinha que dar uma mesadinha para ele ficar calado. Eu até pensei em dar, mas a grana que eu ganho na lanchonete mal da pra mim, então eu disse que não daria... Ele disse que iriamos nos ver na festa de Eliza, uma amiga da Camila, e eu tinha esse tempo para pensar... Até então, Yuri não tinha nada haver com isso, mas o Bruno contou para ele e ele viu a oportunidade...

Então é ai que a vadia loira entra?

–Bruno conhecia a casa da Eliza e então depois de algumas horas de festa, ele me levou para um tipo de porão, um lugar sujo e cheio de caixas e ferramentas... Lá nos discutimos feio, naquela noite chovia muito forte e no porão faltou luz. Quando faltou a luz ele correu pra cima de mim e nós começamos a brigar. Ele exigia mil reais por mês para ficar calado e eu ria da estupidez dele, ele me empurrou e eu bati com força numa parede e pegou a primeira coisa que eu encostei que era um bastão de madeira, ataquei forte contra a cabeça dele e ele caiu ensanguentado e desacordado.

Depois disso, eu quase não consegui ouvir nada. Jonathan havia mesmo atentado contra a vida de outra pessoa e eu estava mesmo me relacionando com um assassino? Desviei o olhar dos olhos azuis grandes e fitei a cama, minha cabeça já estava explodindo depois de tanta informação e de tanta loucura em tão pouco tempo.

–Depois que ele caiu, eu soltei o bastão e a luz voltou, quando eu olhei para a porta Yuri estava lá olhando para o corpo do garoto no chão e para o bastão sujo de sangue que havia acabado de cair da minha mão. Ele se aproximou do garoto e disse que ele estava morto... Eu só pude me desesperar!

–Mas foi legitima defesa, você não iria preso, talvez só serviço comunitário...

–Você acha que eu consegui pensar na hora? Eu só imaginei meu pai, ele seria o primeiro a exigir que eu ficasse vinte anos encarcerado. Yuri perguntou o que eu iria fazer, eu não consegui dizer nada... Ele me deu duas luvas e calçou outras duas limpou o bastão e tirou minhas digitais e pediu para eu carregar o corpo de Bruno. Nós cobrimos o corpo dele com uns sacos grandes pretos de lixo que tinham naquele porão e saímos por uma saída especial que tinha na casa da Eliza e fomos para o lado de fora da casa dela. Eu não tinha ideia do que fazer e então eu lembrei que existia um terreno baldio por ali por perto, levamos o corpo dele na chuva até o terreno, era tão tarde que não tinha ninguém pelas ruas, Yuri disse que estava perto de amanhecer então fizemos o maior buraco que conseguimos e não foi muito grande, afinal chovia muito e eu estava cansado, assustado e me sentindo péssimo por ter matado uma pessoa, jogamos ele lá dentro e Yuri começou a enterrar. Eu não consegui fazer mais nada, só sentar por ali e chorar o máximo que consegui.

–E a família desse garoto?

–Bruno é um garoto da favela, Has... Se fosse um filhinho de papai a polícia até hoje estava procurando, mas como ele era maior e filho de pobre eles simplesmente disseram que ele fugiu e fazem péssimas buscas... Yuri também me ajudou nisso.

–O que aquela... Coisa fez?

–O pai do Yuri tem muita grana, muita grana mesmo e Yuri conseguiu fazer algumas “pistas” de que ele foi embora para outro estado...

–Que vadia! Agora me diz, já que ele fez tudo isso por ti, o que ele pediu em troca? -Jonathan ficou desconcertado, ou seja, havia coisas por ali e claro, como eu não sou idiota e pouco racional, eu saí de perto dele e tentei me acalmar. –Fala logo o que ele quis?

–Ele só queria que eu andasse com ele, como o meu emprego me deixou lá embaixo no time de futebol e a Camila me deu um pé na bunda, eu disse que aceitava de boa, desde que ele não contasse pra ninguém?

–E como o Luck e a Camila souberam?

–Yuri sabe podres de todos os populares da escola. Já soube que ele mandou detetives atrás de alunos populares que pegaram no pé dele só para ter uma carta na manga. E como ele é um tremendo ordinário, ele contou para Luck e Camila, ele sabia que os dois eram meus inimigos naquela época e como também tem podres da Camila e do Luck ele contou na maior. E exigiu silencio, afinal se um deles contasse iria se dar mal por Yuri ter seus trunfos.

–Que vadia! Só isso que ele quis? –Ele ainda estava desconcertado. Ainda tinha agulha nesse palheiro e essa parecia ser uma grande e incomoda agulha. –Continua!

Eu estava de pé, Jonathan agora já nem olhava nos meus olhos, só conseguia fitar a cama. E eu... Não tinha como não estar chocado e com tanta dor de cabeça. Era muita coisa só para um dia, talvez essa noite mesmo eu nem consiga dormir.

–Ele pediu também para eu fazer uns trabalhinhos para ele...

–Trabalhinhos? Que tipo de trabalhinhos? Não adianta dizer que eram escolares, afinal você não é nenhum aluno nota dez...

–Ele pediu para eu transar com eles algumas vezes... –Era irreal demais pra ser verdade. Jonathan ainda não me olhava nos olhos e eu claro, quis voar nele e matar por ter me traído, bem não era bem me traído porque eles deveriam estar transando enquanto eu namorava o Luck.

–Transar com ele? Algumas vezes?

–Você estava namorando o Luck, o que tinha demais!

–Tem muita coisa demais! Eu nunca transei com o Luck... E você disse para mim e aquela foi sua primeira vez!

–E foi... Minha primeira vez com sentimentos envolvidos, porra, você é o único que eu gostei até agora, até com algumas garotas foi apenas por diversão...

–Isso não justifica, você disse que tinha sido a primeira vez e não a primeira vez com sentimentos envolvidos, que droga Jonathan!

–Ué, você disse que não iria ser irracional!

–E como você quer que eu seja? Você acaba de me dizer que matou uma pessoa, que ocultou o cadáver dela e ainda transou com o ser mais repugnante que eu conheço... Quer que eu sorria e te parabéns por isso?

–Claro que não, merda, mas se você for pelo menos compreensivo dá pra...

–Saí daqui!

–Hã?

–Eu quero pensar e se você continuar aqui eu só vou conseguir ter mais raiva de você...

Jonathan levantou e tentou me agarrar, mas eu hesitei, ele insistiu e eu segurei seus ombros. Ele tinha que saber que eu estava completamente cheio de informações e que eu queria pensar e tinha que pensar!

Ele saiu pelo lugar que sempre entrava, pela janela e eu só consegui me jogar sobre a cama e pensar e pensar e pensar, mas no que afinal eu estava pensando?

Na real, eu estava mais chateado por Jonathan ter matado outro garoto ou por ele ter tido alguns momentos de prazer ao lado de Yuri? Será que o meu coração estava tão machucado mesmo por saber que Jonathan já deitou na mesma cama que Yuri?

Deitei na minha cama e encarei o teto branco do meu quarto. Aquela cama onde eu e Jonathan já transamos juntos? Onde ele deitou sobre mim e jogou toda sua paixão no meu corpo... E eu senti aquele corpo... Aquele corpo que já havia sido tocado pelas mãos imundas e ridículas da criatura loira mais insuportável. Jonathan um mentiroso... Jonathan um assassino... Jonathan um traidor... Qual dos três eu realmente odiava?

Notas finais
Tenso? Um pouco né?
Gente, eu sei que esse lance do assassinato é pesado e que ainda está meio confuso, mas é assim mesmo, vocês entenderam tudo se continuarem a ler a fic, vai ser posto aos poucos todas as explicações!
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Qual o pior Jonathan? O Mentiroso, O Assassino ou O Traidor? Que dúvida...
Yuri é realmente perigoso, né?
Respondam, qual dos três o Has realmente odeia?
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