I Hate You Too!
45 XLV - A praia (parte I)
Notas iniciais
(POV: Yuri)
Já era a manhã, estávamos no meio da semana. Especialmente na quinta, meus últimos dias haviam sido apáticos e sem nenhuma novidade. Não havia tentado qualquer contato com o Bruno ou com o João novamente. E, querendo ou não, aquilo estava me matando.
Naquela manhã… Eu precisava fazer aquilo. Eu precisava vê-lo.
Pode parecer maluco, mas a normalidade nunca foi algo corriqueiro na minha vida. Agora eu dirigia, o motorista era apenas de Nick, que precisava do carro muito pouco, papai havia me deixado usar um dos carros que estavam na garagem, principalmente quando argumentei que a faculdade era um pouco mais longe de casa que a escola e que eu teria horários loucos e que com um carro e a habilitação eu conseguiria organizar melhor meus horários. No fim, ele estava tão feliz pela minha aprovação que não foi um problema. Acabei pegando o meu carro e saindo de casa. Nick havia ido para a aula de francês e eu saí sem qualquer aviso.
Eu iria vê-lo e meu estômago estava revirando por isso. Sabe quando você passa por aquele momento triste em que a sua mente, seu coração e seu corpo são três coisas diferentes? Parecia que eu o meu cérebro só estava dizendo que eu estava sendo patético, o meu corpo dizia que eu estava sendo desesperado e meu coração dizia que eu estava sendo… verdadeiro comigo mesmo? Mas no fim, será que aquilo era ser verdadeiro consigo mesmo?
Liguei o foda-se e segui dirigindo.
Infelizmente, a fonte mais próxima de informação sobre João era Marco. O repugnante editor que eu havia me tirado mais dinheiro que qualquer pessoa já havia conseguido. Aquilo era deplorável. Dinheiro sempre foi o ponto principal e mais importante da minha vida e atualmente, João havia feito com que eu “perdesse” dinheiro de tantas vezes que Marco havia me “roubado” com as suas chantagens, em relação ao João.
Eu devia me emendar e deixar João ir pra longe… Cada vez mais, sua carreira subia um pouco, já deu pra perceber que ele saiu de revistas e começou a arriscar passarelas, logo mais ele poderia, talvez, fazer temporadas em outros países. Pensar isso me dava orgulho, tristeza, raiva… Ciúmes.
Não, ciúmes não!
Eu jamais teria ciúmes do bartender favelado. Nunquinha!
Quando estacionei dentro do edifício de escritórios em que Marco trabalhava. Aquela deveria ser uma boa. Ele já havia conseguido quase cem mil reais de mim, minha sorte era que eu sempre economizava muito e tinha um dinheiro bem guardado e seguia recebendo a maravilhosa mesada de meu pai, mesmo assim, eu não era o tipo que saia distribuindo dinheiro para as pessoas, ainda mais para um salafrário como Marco.
Desci do carro e fui me encaminhando para o térreo, onde encontraria a usual recepcionista e ela iria me indicar o andar em que Marco trabalhava. A subida foi normal, eu estava até que calmo para lidar com aquele patético, por mais que meu orgulho dissesse que eu iria me arrepender daquilo e que a minha mente soubesse que ele iria arrancar dinheiro de mim, a minha vontade de ver João não parava de me atazanar.
Entrei na sala dele, depois de ter sido devidamente anunciado e ele estava lá, sentado na sua cadeira, sorridente e me olhando entrar.
—Olá, Yuri! -Ele levantou e estendeu a mão e eu a apertei, logo ele sentou-se novamente e eu permaneci de pé. -Sente-se.
—Tenho pressa!
Respondi rápido e ele continuava sorrindo. Aquele “tenho pressa” não havia me ajudado, havia apenas confirmado para ele que eu queria algo e que ele ganharia algo com isso.
—No que posso ajudá-lo, senhor Grambell?
—Com informações…
—Você sabia... -Marco colocou ambas as pernas cruzadas sobre a mesa, a cadeira inclinou-se e ele continuou. -Que informações são as coisas mais caras que um ser que trabalha com imprensa pode ter?
—Suspeitava disso.
—Então… Que tipo de informação você precisa?
—Seu agenciado… João! Onde ele está?
—Não seria mais fácil ligar para ele?
Eu havia tentado na noite anterior, não era mentira, mas dessa vez eu queria vê-lo de surpresa, sem que ele soubesse anteriormente que eu iria até ele. Eu queria que ele arregalasse os olhos ao me ver e que a sua reação fosse completamente espontânea. Eu poderia esperar anoitecer e ir vê-lo em sua casa, mas eu não iria aguentar! Eu precisava vê-lo o mais rápido possível!
—Ele está fotografando nesse prédio aqui hoje? -Ignorei sua pergunta e ele continuava com o mesmo sorrisinho cínico. Que filho da puta!
—Acho que cinco mil poderia lhe responder.
—Você é louco? -Cruzei meus braços e ele seguiu me olhando sem sequer piscar. -Cinco mil reais! Quando eu posso esperar até mais tarde e ir até a casa dele…
—Ele não vai estar lá!
—E você não está blefando? -Arqueei uma das sobrancelhas e ele arqueou de volta. -Ainda sim posso ir lá mais tarde e descobrir se é mentira ou não.
—Você que sabe… Eu sei exatamente onde ele está, afinal ele trabalha pra mim… E eu só posso dizer que ele não está nessa cidade!
E se ele estivesse dizendo a verdade? Se eu fosse mais tarde lá e ele não tivesse, eu não veria João e nem voltaria aqui para vê-lo. Era no meio da semana, como ele não estaria aqui? Modelos… Pessoas que não tem trabalhos regulares! Suspirei, era isso.
—Ok, então! -Retirei minha carteira do bolso e logo comecei a riscar no papel do cheque. E lá iriam mais cinco mil reais de mão beijada para Marco. Ao assinar o cheque coloquei sobre a mesa e quando Marco foi pegar, eu puxei. -Onde ele está?
—No litoral! Há duas horas daqui. Vai fazer um ensaio de três dias lá para uma marca de sungas e para outra de acessórios.
—Três dias para tirar algumas fotos de cueca, um estúdio não funciona para isso?
—Uma sala verde nem sempre pode ter as maiores belezas naturais, sr. Grambell. -Marco já guardava o cheque no bolso. Realizado, com toda certeza. -Além do que a luz do sol, o vento natural e o mar são ótimos ingredientes para um excelente ensaio. -Marco pegou um bloco de anotações e começou a riscar. -Aqui! Esse é o endereço do hotel. É um hotel enorme, mas você achará ele com facilidade. Obrigado, sr Grambell!
Saí dali depois daquilo.
Marco era um repugnante, salafrário e com um talento incrível para extorsão. Ao sair, saquei meu celular e disquei o número de meu pai. Fazer com que ele me atendesse no meio do expediente de trabalho era um fato milagroso, mas talvez eu tivesse sorte.
—Alô?
—Pai… É rápido prometo! -Expliquei logo.
—Fala, Yuri!
—Eu vou passar três dias no litoral, é um encontro com a galera da turma em comemoração aos últimos dias de férias, logo vai começar as aulas, é só para lhe deixar ciente.
—Certo! Cuidado com o carro! —Óbvio que ele se preocuparia mais com o bem do que com o próprio filho. —Não vai dirigir e beber ao mesmo tempo!
E assim, desligou a ligação. Era comum que meu pai não se despedisse… Eu tinha que estar completamente feliz, afinal ele ainda havia me atendido. Será que aquele dia iria ser repleto de coisas boas?
[...]
Eu estava na estrada já. Dali até a praia era no máximo duas horas, dependendo do engarrafamento e da velocidade eu conseguiria tirar em uma e meia. Antes disso eu resolvi passar em casa e almoçar. Já que iria pegar a estrada era melhor pegar já satisfeito e ainda teria que deixar o recado para minha irmã não sentir minha falta.
Minha mãe pouco se importava e meu pai já estava sabendo e não estava interessado em mim, apenas no carro. Eu também tinha que arrumar toda uma mala para ir até a praia. Como João estaria trabalhando e fazendo ensaio, talvez não fosse tão fácil vê-lo.
O caminho foi calmo, como era meio de semana e eu estava dirigindo por volta de duas da tarde, tudo estava tranquilo, quase não tinha tráfego e eu consegui chegar com uma hora e quarenta minutos.
A cidade era calma, bem menor que a cidade que morávamos. Ela havia crescido principalmente como um paraíso, com praias lindas e comidas maravilhosas e recebia turistas nas épocas de alta estação. A rede hoteleira dela era até pequena, apenas dois grandes hotéis e outros eram pequenos hostels ou pousadas. Como o ensaio era de uma marca nacionalmente conhecida de roupa de banho, óbvio que João ficaria em um dos grandes hotéis.
Parei com o carro em frente ao hotel e o manobrista me indicou o caminho onde pudesse estacionar. Na verdade, ele havia pedido para estacionar, mas eu não havia deixado. Ao sair, peguei a mala no banco de trás e fui me encaminhando para a recepção.
O sol estava baixo, já era por volta de quase quatro da tarde e o vento e a umidade batiam no meu rosto. Inferno… Que cidade úmida, iria destruir todo o meu cabelo com aquela maresia. Entrei no saguão do hotel e ele estava limpíssimo. As duas recepcionistas estavam sozinhas esperando com os sorrisos falsos que esses profissionais são obrigados a carregar durante todo o dia.
—Bom dia, sr. Já tem sua reserva?
—Sim… -Eu havia ligado assim que Marco me passou o endereço e feito a reserva. Disse o número da reserva e ela rapidamente me entregou o cartão que funcionava como a chave do quarto. Se despediu com um típico “boa estadia” e eu subi para o quarto.
Era um lugar lindo, não era apenas um quarto, era bem maior, tinha uma pequena cozinha, anexada a uma sala de estar/jantar. Tudo em cores claras, uma grande varanda que ligava o quarto a sala de estar e dava para ver o mar, muito azul e sem fim.
É… Aqueles três dias poderiam ser maravilhosos, mesmo sem que eu veja João. Talvez a vontade de vê-lo seja até menor. Optei por trocar de roupa e usar algo mais próprio para a localidade.
Troquei minha calça e meu tênis, por um short de malha fina e um chinelo. A camisa de mangas por uma camiseta tipo regata, um boné e o meu velho companheiro, os óculos escuros. Coloquei a chave do quarto junto a minha carteira no bolso, eu não iria entrar no mar mesmo. Fui até a varanda e vi como o sol estava baixo e como tudo parecia paradisíaco. Era melhor eu ir dar uma volta na orla, com sorte eu veria João fotografando e poderia falar com ele. Resolvi sair sem passar protetor solar e logo desci para a orla.
A cidade era calma, a maior parte do calçadão estava vazio e tinha algumas pessoas fazendo caminhada. A maioria dos edifícios ali eram restaurantes, hoteis, pousadas, hostels e afins. Quase não tinham pessoas que realmente moravam naquela orla. Comecei então uma caminhada calma e despreocupada. Olhando sempre para o mar e buscando alguma movimentação que me indicasse que eles estavam trabalhando naquele momento.
O vento seguia jogando meu cabelo para longe e eu sentia toda aquela maresia no meu cabelo… É… Talvez, nada na praia seja tão perfeito assim. Pelo menos o sol não estava forte naquele horário. Meio dia naquela cidade deveria ser um inferno na terra.
Depois de alguns poucos minutos caminhando eu consegui ver uma movimentação próxima ao mar. Tinha algumas cabanas improvisadas e muitos materiais de fotografia como câmera, luzes, fundos, iluminadores, alguns profissionais fazendo testes de luz, eram cerca de dez a doze pessoas.
Alguns curiosos também estava ali perto. Olhando a movimentação daquele trabalho. Só poderia ser o ensaio que João estava fazendo, aquela cidade não deveria ser o grande ponto de fotógrafos naquele período. Fui me aproximando calmamente e cheguei embaixo de uma barraca, onde uma moça estava fazendo testes de base no próprio pulso. A olhei e ela sorriu para mim.
—O que está acontecendo aqui? -Tentei soar o mais habitante curioso possível, mas a minha roupa claramente estava entregando que eu era turista.
—Estamos fotografando para a campanha de verão de uma marca.
—Interessante…
—Pode se aproximar se quiser. -Ela apontou para mais próximo do mar. Lá dava para ver um garoto encostado numa pedra olhando para um cara que estava com uma câmera na mão e com outro homem ao seu lado com um imenso barrador de sol. -Só não pode ultrapassar a linha da câmera!
Ela sorriu e eu dei o sorriso mais falso que eu consegui. Pessoas simpáticas…
Me aproximei daquele pequeno lugar do ensaio e era realmente muito bonito. A pedra parecia polida de tanto que o mar batia nela. A água era límpida e estava na altura do meio da canela do modelo. Olhei melhor e vi… Era ele.
João estava lá. Olhando para o fotógrafo. Ele usava uma camisa de botões, com todos os botões abertos. A camisa era branca com uma estampa e dava para ver todo o abdômen e peitoral do moreno. A sunga era branca e bastante apertada, eram as únicas peças que o moreno usava. Dava para ver que ele estava com bastante óleo na pele, para brilhar mais, o cabelo dele voava bastante com o vento e ele olhava compenetrado para a câmera com a mão ainda encostada na pedra, como se ele estivesse saindo do mar pronto para conquistar a primeira pessoa que visse.
—Isso… -Muito bom! -O fotógrafo falava olhando para o moreno pela lente. -Tira um pouco a camisa da frente… -O moreno se mexeu puxando a camisa e mostrando melhor a frente da sunga. -Isso… É exatamente isso que as pessoas querem ver.
João pareceu desconfortável ao ouvir aquilo e o fotógrafo e o assistente riram. O moreno parecia cansado, talvez ele já estivesse fotografando há horas. Talvez, aquele cara já estivesse falando esse tipo de coisas a bastante tempo.
Acabei começando a sair dali. João deveria estar saindo com ele… Os modelos eram profissionais mais sem escrúpulos que eu já havia conhecido. Todos faziam de tudo para conseguir os contratos e João não deveria estar fora disso, principalmente sendo um pobre fudido como ele era! Voltei me encaminhando para o calçadão e percebi que a movimentação do ensaio também parecia a mesma. O fotógrafo já não olhava mais pela câmera e João começou a voltar para a barraca, onde a garota havia me informado sobre o ensaio.
Permaneci no calçadão e vi o moreno sentar numa cadeira de plástico, parecia que aquilo era um intervalo. Será que aquela era minha chance? Será que eu deveria ir falar com João e resolver tudo? O moreno parecia estar descansando, aquilo poderia ser a solução para nós, não?
Comecei a caminhar de volta para o lugar onde João estava agora, meus pés estavam completamente relutantes, mas eu queria vê-lo e eu queria conversar com ele. Será que eu deveria ir?
Me aproximei dele e a moça que antes estava ali, até saiu. Cheguei o mais tímido que eu conseguia, não era bom fazer alardes e nem ser tão… Yuri. Talvez.
João estava sentando na cadeira e tomava água calmamente e respirando leve.
—Oi… -O moreno estava de óculos escuros, como eu e eu cheguei quase ficando ao seu lado. -João? -Ele me olhou baixando os óculos como se não acreditasse e acabou colocando a garrafa da água sobre a mesa que encontrava-se ao lado.
—Yuri… Você? -João colocou os óculos também sobre a mesma mesa, mas não parecia tão empolgado, talvez só surpreso.
Silêncio.
Aquilo era no mínimo esperado. Fazia uns bons dias que não nos víamos, não trocávamos qualquer contato e era esperado que não estivessemos tão a vontade um com o outro. O moreno parecia cada vez mais bonito, o cabelo dele estava cortado nas laterais e bem comprido até em cima, talvez estivesse bem na moda aquilo. Também parecia mais claro, mas poderia ser apenas por causa do sol. O corpo estava lindo e vê-lo com aquela pouca quantidade de roupa era excitante.
—Você… Tá fazendo o que aqui?
—Eu… Não sei ao certo…
—As fotos ficaram muito boas! -Olhei para frente e o fotógrafo apareceu, passando pelas imagens na câmera.
O loiro havia soltado o cabelo. Tinha um cabelo loiro lindo e comprido, na altura dos ombros. Ele tinha olhos bonitos também e estava com uma roupa fora do sentido. Um jeans surrado e uma camisa preta e coturnos. Deveria ser um fotógrafo de outra cidade e que estava ali apenas para aquele ensaio, se tratando de uma marca nacional era esperado esse tipo situação.
—Tá tudo bem sensual, João… Você tem muita postura, pode até virar um modelo acertado para próximos ensaios.
—Sério? -O moreno virou e olhou para o loiro que parecia que nem tinha me visto ali.
Maldito moreno interesseiro. Agora que ele estava cheio de contratos, deveria estar amando o fato de todo mundo estar querendo chupar o pau dele! Dei alguns passos para trás, eu não estava me sentindo nada bem. Talvez, fosse melhor eu deixar de insistir nisso. João já estava bem com o nosso fim, aquele loiro deveria estar dando mole para ele há bastante tempo e até o fim desses três dias, João já vai ter comido ele até de cabeça para baixo.
Levei minha mão até o meu rosto e saí dali.
Eu merecia um soco! Chorar por aquele menino patético. Era isso agora a vida, Yuri… Tornar-se patético por causa de um garoto. Eu deveria ir embora, pegar minhas coisas e me mandar dali Era isso que eu precisava fazer mesmo.
Fui caminhando o mais rápido que eu podia, eu realmente queria ir embora, se antes os meus olhos apenas lacrimejavam, agora eu não podia mais esconder, eu realmente estava chorando.
Que coisa patética, Yuri… Como você conseguia ser tão patético assim! Comecei a ver o hotel se aproximar. Ia ser aquilo mesmo. Ia pegar tudo e me mandar, era melhor.
Ao chegar no hotel fui logo subindo, minhas lágrimas que antes estavam caindo de raiva, agora pareciam mais… De tristeza? Um soluço vinha junto com elas e eu ainda mantinha minha raiva dentro de mim. Entrei batendo a porta com força.
Maldita cidade praiana, maldito ensaio fotográfico, maldito João! Esse motoqueiro, filho da puta, interesseiro, que está se achando o pau mais gostoso do mundo! Deitei-me na cama com muita raiva e me deixei extravasar aquela raiva chorando sobre a cama.
Meus olhos com certeza estavam bem vermelhos e eu estava molhando o travesseiro inteiro. Porque eu estava fazendo todo aquele alarde? Eu sempre fui frio, nunca me envolvi tanto e porque apenas aquele moleque estar dando todo esse trabalho para a minha mente? Eu chorei tanto, que eu só percebi que me acalmei quando tudo simplesmente escureceu e eu adormeci.
[...]
Acordei atordoado.
Olhei para a varanda lá fora e vi que estava a noite.
Me levantei e logo fui abatido por uma tontura. Saquei meu celular do bolso e vi que já eram quase oito da noite. Bem, eu tinha almoçado umas duas, estava morrendo de fome. Resolvi levantar e ir até algum lugar comer. Depois disso eu poderia dormir no hotel e amanhã ir embora e me livrar dessa raiva.
Fui até o elevador e comecei a descer. Eu estava bem mais calmo, respirava fundo e apenas meus olhos estavam vermelhos e embora estivesse escurecido, eu pus meus óculos escuros.
Ao chegar no térreo, consegui ver como a recepção estava animada. Algumas pessoas estavam voltando do seu dia incrível na cidade e percebi que ali próximo, conversando em algumas sofás, estavam a equipe que fotografava hoje mais cedo. João conversava com o fotógrafo e com o assistente que estavam fotografando hoje mais cedo. A moça com quem eu conversei, falava com outra garota com cabelos claros e postura de modelo, deveria ser a parceira de João nas filmagens. Me aproximei como quem não queria nada. E tentei focar na conversa. O que será que eles estavam conversando?
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