I Hate You Too!

42 XLII - Descobertos


Notas iniciais
Oi... Bora com todo vapor pra esse capítulo?! — Eu amei esse capítulo e ele é um dos mais importantes da fic, muita coisa importante vai acontecer por causa dele! — Um agradecimento aos 5 lindos que comentaram! Obrigadão! Patty, Lipe, Ikedah, Tith e October! Vocês são uns lindões! — COMENTEM E RECOMENDEM!

Os outros dias eu evitei ao máximo qualquer contato com o Jonathan. No dia seguinte ele havia tentado falar comigo, mas eu não o respondi e ele deixou por isso mesmo. Na quarta, eu havia acordado depois que todos saíram de propósito, assim ele não teria como falar comigo, porém na quinta, durante o café da manhã ele pediu para que eu lhe passasse a manteiga e foi apenas o que eu fiz, porém naquele café da manhã, mamãe perguntou que horas eu iria para a Universidade. Eu falei que iria a tarde, que os cursos de saúde eram na sexta a tarde.

—Poxa filho… Eu não vou poder ir te levar… Tenho uma cliente importante, Paulo, você pode? -O loiro olhou pra mulher sem saber o que dizer…

—Eu posso! -Jonathan respondeu rápido o suficiente e eu parei para encará-lo.

—E o trabalho? -Paulo questionou o encarando, ainda bem!

—Ué, minha chefe é a sua mulher e minha madrasta e ela pode me liberar para ajudar a resolver algo relacionado ao filho dela, não?

—Não precisa, mãe… Eu posso ir sozinho até a Universidade.

—Claro que não, filho. É sexta, Jonathan pode trabalhar até onde tranquilo, ele volta e vocês vão juntos para a Universidade, que tal?

Se minha mãe liberasse ele, não tinha muito o que eu poderia fazer, não era? Acabei confirmando embora não quisesse, no outro dia eu falaria com ele, diria que não precisava, mandaria ele fazer qualquer coisa a tarde e quando eu chegasse, nossos pais ainda não teriam voltado e caso perguntassem, eu diria que sim, que foi tudo tranquilo.

O pouco papo do café da manhã foi esse e logo todos saíram para seus respectivos trabalhos. No dia seguinte, eu já havia aprontado tudo. Jonathan havia chegado e almoçado, sem sequer falar comigo. Aquilo poderia ser um sinal. Poderia ser a forma dele dizer: “falei aquilo só para acharem que continuamos amigos, porém eu vou ficar em casa e você se vira na Universidade.”.

E eu não iria achar aquilo ruim, eu poderia pegar um ônibus na ida, seria tranquilo, era por volta de uma hora, o trânsito estava bem de leve e na volta eu poderia pegar um táxi, eu estava com certo dinheiro extra mesmo. Organizei o envelope, conferindo se toda a documentação estava ali e estava correta. Era bem a quadragésima vez que eu conferia, mas era melhor se prevenir. Enquanto conferia olhei meu pulso… O roxo estava bem melhor, alguns poucos pontos ainda mantinham uma coloração mais escura do que a minha pele, minha mãe havia percebido e até perguntado, mas eu falei que tinha fechado a porta, com meu pulso ali e que havia estrangulado. A resposta era fajuta, mas como eu era um destrambelhado, ela até que comprou.

A porta do quarto foi batida e logo aberta. O loiro entrou e ficou encostado na porta.

—Tá pronto? Melhor a gente ir, não? -Jonathan estava lá, com seu jeans usual e uma camisa simples e preta, os cabelos bagunçados e o telefone na mão. Eu sentei na minha cama, lembrando do incidente de segunda.

Eu havia pensado o bastante. Não adianta brigar, fazer cena, exigir que ele pedisse desculpas. Nada disso funcionaria se tratando de Jonathan e eu precisava ser tão ou mais frio que ele. Estava cansado de tratar a apatia e frieza dele com atenção e compreensão. Talvez, fosse melhor devolver na mesma moeda.

—Achei que você não iria me levar…

—Eu combinei com sua mãe, não lembra?

—Você poderia estar mentindo.

—Não estava.

Porque aquele filho da puta era tão gostoso? Estava ali, me olhando como você olha uma vitrine de loja e mesmo assim eu sentia meu coração palpitando como um louco. Levantei, aquilo não iria mudar nada entre a nossa recente briga e como eu estava decepcionado em relação a ele. Peguei meu envelope e comecei a caminhar, embora ele permanecesse parado na porta.

—Vamos! -Alertei para que ele desse passagem, embora não havia se mexido.

—Espera… -Jonathan levou a mão e segurou meu pulso, felizmente ele fez isso no meu pulso não machucado. -A gente tem que resolver isso.

—Não. -Puxei a mão dele no meu pulso com força e ele soltou meu antebraço. -Vamos logo antes que fique muito tarde.

Jonathan acabou acatando sem grandes comentários. Nos encaminhamos até o carro do loiro, que só destravou e logo entramos. Jonathan sabia o caminho até a Universidade. Aquilo era melhor. Ir pelo caminho inteiro sem conversar. Ele dirigia calado apenas ligado na estrada e eu estava com a papelada no meu colo. Olhei para o banco de trás e lembrei o que havia acontecido ali, há quase uma semana atrás.

Tinha sido tão diferente e único, pelo menos pra mim. Jonathan sempre parecia muito experiente. O clima era quente, tudo estava fechado e a respiração até parecia mais difícil, lembro das nossas peles grudadas no couro e como o cheiro era tão forte e entorpecedor. Agora tudo era normal, o ar estava ligado e o cheiro, era aquele típico cheiro de carro.

—Chegamos! -Jonathan falou me fazendo voltar a realidade. Ele permanecia com as mãos no volante.

Tentei abrir a porta, mas estava travada, tentei de novo e ainda permanecia travada, então olhei pro loiro. Ele olhava para frente, poucas vezes que não conversávamos sem ele olhar para mim… Aquilo seria um bom sinal?

—Por onde eu começo… -Optei por permanecer calado. Não iria intervir, iria deixar ver até onde ele iria. -Estar me sentindo um merda? Ver você evoluindo… Saindo da escola, entrando numa Universidade ótima, num curso ótimo, naquilo que você já queria há muito tempo, enquanto eu vou permanecer nesse eixo escolar, numa escola de bairro, estudando à noite… Sei lá como vai ser… Se vai ser complicado ou estranho. Talvez, eu ache um monte de caras mais velhos e nem consiga me enquadrar. Eu tô com medo, Has… -Ele virou os olhos para mim e eu senti o medo dele.

Não era o medo da rejeição ou de agressões, os medos bobos que adolescentes sentem na escola. Poderia soar como uma vaidade, mas era o medo de não ser importante. O medo de não ser relevante, o medo de ser só mais um. Algo que Jonathan nunca havia sido. O loiro sempre era astro, sempre foi um ótimo jogador, sempre foi um bad boy bonito que tinha tudo o que queria, quem queria ao seu lado e um monte de amigos que fumavam maconha escondido e bebiam sempre que podiam.

—Ou eu deveria me martirizar mais ainda pelo que eu fiz contigo? Ver esse teu braço roxo por causa do meu jeito grosso só me faz ver o quão mau eu posso te fazer, sabe? -Eu iria intervir agora, mas ele muito rapidamente colocou o dedo na minha boca. -Espera! Eu tô realmente arrependido do que eu fiz e você precisa saber… Olha pra mim.

Olhei nos olhos dele e ele segurou minha mão, na hora do toque até me assustei, afinal os últimos toques dele haviam sido bem rudes, mas deixei.

—Tudo que eu falei sobre o Kyle foi uma mentira… Nós apenas ficamos e nada daquilo que eu disse, sequer aconteceu! Eu falei num momento de ódio, foi falado único e exclusivamente para te machucar e eu tô muito arrependido disso, de verdade! Eu fui patético, embora eu ache que você errou em mexer no meu celular.

—Concordo… -Estávamos olhando um no olho do outro e acredito que… Uma das poucas vezes na vida, tendo uma conversa honesta. -Eu assumo minha parcela de culpa nisso e também te peço desculpas pelo meu ato impensado.

Jonathan tirou a mão que estava sobre a minha mão e levou até o meu pescoço me puxando para um beijo. Estávamos no estacionamento da Universidade, lá dentro do campus e estávamos nos beijando ali naquele carro, já era quase um ponto de encontro.

—Melhor a gente sair, não? -Perguntou um pouco envergonhado e ele destravou a porta.

Aquele era o grande campus da Universidade. Era dividido em três partes, a entrada onde ficava os cursos de tecnologia como Engenharias, a parte mais central onde ficava a administração principal, os cursos voltados para a área da saúde como Medicina, Enfermagem e afins e a parte mais ao final, onde ficava os cursos de cunho científico como Física, Química e alguns cursos agrários como Agronomia e Zootecnia. Aquele lugar era muito grande, dividido em muitos prédios, alguns apenas como prédios de laboratórios, outros eram unidades didáticas. Aquela Universidade ainda possuía outro campus, onde ficavam as humanas, licenciaturas e Direito. Porém a matrícula deveria ser feito ali, na parte de administrativa.

As matrículas eram divididos por eixo e aquele dia era o dia de matrícula do eixo de saúde. Havia uma grande movimentação, ali nas proximidades, a maioria de pessoas caminhavam, apesar do forte sol que estava fazendo no momento. O prédio principal era grande, com térreo livre e cerca de oito andares, enquanto a maioria dos prédios daquela parte tinha apenas três ou quatro.

Ao chegarmos lá, percebemos uma grande fila e alguns seguranças davam informações. A fila maior funcionava como distribuidora ao fundo, onde havia uma parte coberta com várias filas menores, também tinha uma movimentação ao fundo. Parecia ser onde os veteranos recebiam os calouros e davam as saudações, um banho de tinta. Eu já sabia que aquele tipo de recepção era daquela forma, não vinha vindo com uma roupa muito nova, para evitar perdê-la. Jonathan ria do festival de tinta que ocorria lá no final e eu estava levemente apreensivo.

Eu entrei na fila e ele ficou ao lado, mas sem parecer que estava dentro. A fila não caminhava devagar, o que era ótimo, afinal parecia que sairíamos logo dali. Já era, por volta de duas e quarenta da tarde. estávamos aproveitando a sombra que o prédio fazia e, apesar do calor, como a fila andava rápido, logo sairíamos dali. Dois jovens vinham andando no sentido contrário da fila e falavam com cada pessoa que estava ali. Chegaram em mim e eu parei. A menina era branca e tinha um cabelo bem cacheado e o menino usava um jaleco bem sujo, com aspecto de velho e tudo e um estetoscópio nos ombros, claramente um aluno de Medicina.

—E você, passou pra qual curso? -A menina perguntou, ela carregava uma prancheta com papéis.

—Eu passei pra Medicina… -A garota me abraçou e me desejou parabéns e o menino fez o mesmo.

—Qual seu nome?

—Hassan… -Respondi e logo ela foi onde estava meu nome.

—Ahh, você é o garoto de nome estranho. -Respondeu, a típica resposta. Meu nome sempre era um evento aonde eu ia. -Bem, a gente vai fazer um piquenique aqui no campus mesmo, no jardim do bloco didático dois de Medicina, é aqui perto, logo você se acostuma. A gente vai tirar algumas dúvidas, falar sobre as disciplinas e os professores e você vai poder conhecer os outros calouros e tal, vai ser bem legal… Me dá seu número que eu te coloco no grupo de calouros. -Passei meu número para ela e ela anotou ao lado do meu nome, com um “ok” que indicava que eu tinha ido me matricular. -E você? Também é calouro de Medicina?

O loiro deu um meio sorriso e a respondeu.

—Não, estou apenas acompanhando ele…

—Ahh que droga, ia pedir seu número agora… -É… Ok… Aquilo não era esperado.

A tal garota que nem o nome eu sabia, estava dando em cima de Jonathan e pela cara dele, parecia estar adorando tudo aquilo. Assim como eu, o garoto que acompanhava ela seguia com cara de paisagem. Parecia até que ele estava sendo forçado a acompanhar ela.

—Vocês são amigos? -Perguntou até que sugestiva demais.

—Irmãos! -Jonathan respondeu logo em cima, ela olhou não acreditando… Quem acreditaria. Jonathan era loiro de olhos azuis, muito branco, com quase 1,90 de altura, muito bem puxados do seu lado sueco e eu era mestiço de árabe, com cabelo muito preto e olhos verdes, tendo 1,72 e minha pele não era tão branca quanto a dele. -Meio-irmãos na verdade, não temos nenhum laço sanguíneo, na verdade.

—Ok… Pego seu número com seu meio irmão depois!

E logo os dois saíram, óbvio que antes disso ela esbarrou de propósito no ombro dele, Jonathan ria divertido e eu virei para frente.

—Que foi? -Perguntou pela minha expressão e eu ia só ignorar. -Qual é, a garota deu em cima de mim, queria que eu fizesse o quê? Eu nem olhei pra ela!

—Tudo bem, Jonathan! -Confirmei e tentei parecer o mais verdadeiro possível.

Na verdade, não tinha nada que eu poderia fazer. Era impossível as pessoas não perceberem o loiro. E querendo ou não, eu teria que viver com aquilo, mesmo que eu e Jonathan namorássemos, aquela era a realidade. Ele era lindo e completamente livre de ser visto pelas pessoas. Continuavámos na fila, e logo chegou na minha vez de entrar.

Entrei na parte coberta que era fechada, tinha 8 filas. Duas de Medicina, devido o número alto de vagas, uma para Enfermagem, uma para Odontologia, uma para Fisioterapia e uma para Farmácia. Fiquei na fila de Medicina que parecia menor e ela começou a andar. O lugar era todo fechado, tinha poucas janelas e estavam todas fechadas, por causa do ar condicionado. Já dava para ver alguns calouros de Medicina e a maioria parecia bem calada e talvez pela timidez e pelo medo ao desconhecido.

—Ei… -Ouvi alguém falando atrás de mim e senti um toque no meu ombro.

Era de um garoto um pouco mais alto que eu. Era negro e o que mais chamava atenção era o maxilar quadrado e os olhos negros e arredondados, além dos dreads que ele carregava. Eram compridos na altura do seu peito e tinham alguns soltos e outros presos no topo da cabeça.

—É que eu estava com medo de não falar com ninguém e ser o desajustado… -Ele tinha sotaque forte, parece ser de outro estado. Deveria ser do Rio. -Eu sou o Felipe. -Estendi minha mão e ele fez o mesmo e demos as mãos.

—Eu sou Hassan, você não parece ser daqui…

—Não… Eu sou do Rio! É que eu preferi vir para cá, aqui é menos agitado e eu estava precisando me mudar.

—Ahh Claro.

Felipe e eu conversamos apenas o básico, afinal logo chegou minha vez na fila. Ele apenas me perguntou como era a cidade e eu respondi que era calma e que era bem menor que o Rio, apesar de ainda ser uma cidade de tamanho considerável. Ele havia dito que infelizmente não tinha conseguido nenhum lugar perto da faculdade, porém ele tinha carro e ajudaria no trajeto. Eu informei que não morava tão perto também, mas que o transporte público não era tão ruim e que se precisasse poderia pegar. Porém logo chegou minha vez e eu tive que me atentar na entrega da documentação, conferir com junto com a moça se não estava faltando nada, assinar a confirmação e pronto.

Ao finalizar, eu não poderia ficar ali esperando, teria que sair. E ao sair acabei sendo engolido pelo multidão de veteranos. Nem perguntaram meu nome, nem o curso apenas começaram a jogar todo tipo de tinta, água, farinha e até ovos sobre mim. Tentei defender meu cabelo e meu rosto, mas era inútil, eram muitas mãos e todo tipo de material, quando finalmente eles me libertaram e eu comecei a andar para fora da multidão encontrei Jonathan.

O loiro ria e estava com o celular na mão, com certeza tinha tirado mil fotos minhas naquela situação. Pedi para ele abrir a câmera e segurasse para que eu pudesse me ver, afinal o meu celular estava no carro. Poderia parecer imprudente, mas dentro da Universidade era bastante seguro.

Meu cabelo estava de várias cores e todo grudado na testa, tinha ovo escorrendo na minha camisa e eu agora percebia o terrível cheiro. Minha camisa era azul e agora estava toda suja e minha calça claramente iria para o lixo. Na minha bochecha direita tinha um “MED” escrito em vermelho. Eu havia percebido que tinha um pó preto no meu cabelo, que descobri ser café, aquela galera estava bem inspirada.

—Sua mãe vai adorar todas essas fotos. -Jonathan comentou rindo e eu abri os braços e fui em sua direção. -VOCÊ NÃO É LOUCO!

—Ué?

—Eu te meto porrada… -Falou e embora o tom parecesse brincadeira, era melhor eu me prevenir e evitar certos transtornos.

Ao voltarmos para o carro, Jonathan colocou a toalha que ele havia trazido no banco do passageiro para que não sujasse nada. Havia sido uma ideia ótima, afinal eu não esperava estar tão sujo. Lembrei de Felipe e me questionei se ele saíria dali bem. Seria engraçado aquele garoto com aquele cabelo todo sujo de tinta, com certeza ele sofreria para tirar a sujeira de tudo. Ri sozinho e Jonathan me olhou, questionando o que era. Apenas confirmei que estava lembrando da sujeirada toda e ele sorriu.

Chegamos em casa rápido, eram cerca de quatro horas da tarde e a primeira coisa que eu fiz foi ir tomar meu banho. Jonathan acabou indo tomar banho também, só que no banheiro dos nossos pais, algo que claramente faria Paulo brigar com ele. Depois do banho, resolvemos lanchar alguma bobagem que tinha pela cozinha e acabamos sentando no sofá da sala e ligando o Netflix na TV. O loiro estava com uma bermuda de tecido fino por causa do calor e sem camisa e eu estava de camiseta e com uma bermuda também. Já havia checado meu celular e haviam me colocado no grupo de calouros de Medicina. O piquenique havia sido marcado para uma tarde na próxima quarta e eu estava bastante interessado em ir. As aulas começariam direito dali a três semanas, já na primeira semana de fevereiro. Segundo algumas pessoas cedo até demais, mas tínhamos apenas que aceitar.

Jonathan acabou colocando uma das séries que ele gostava de ver e eu não acompanhava. Breaking Bad o que chegava a ser estranho, a trama era bem envolvente e tinha um roteiro incrível, algo que era bem mais próximo do meu gosto, mas que ele via e eu não. Acabei deitando no colo dele e ele continuou assistindo, levando a mão direita até meus cabelos e passeando com dedos por ali. Nossa! Aquele carinho era muito gostoso.

Acabei fechando os olhos e descansando por poucos segundos enquanto Jonathan seguia concentrado na série. Jonathan e eu estávamos em sintonia e embora aquilo não fosse um relacionamento sério, para mim, funcionaria como tal. Eu poderia me cegar e fingir que Jonathan não faz nada e que nós namoramos numa boa. Se aquilo era bom ou não, eu não estava querendo saber agora, eu só tinha que viver o momento. Eu já havia sofrido demais. Sozinho e tentado resolver tudo sozinho. Consegui manter uma certa independência e ter meu próprio protagonismo.

—Has…

—Hm… -Reclamei de olhos fechados ainda.

—Vai pegar água pra mim, vai? -Pediu na cara lisa, dando uns tapinhas na minha cabeça. Acabei levantando antes que ficasse com dor e fui buscar a água dele. Jonathan parecia vidrado na série e eu deveria ser mais parecido com ele e estragar tudo.

Voltei com o copo de água, mas não entreguei a ele, coloquei sobre a mesa de centro e me sentei no seu colo, com o corpo virado para ele e impedindo a sua visão para a tela da TV. O loiro me olhou com uma expressão de raiva por estar fazendo isso, mas a minha bunda estava sobre as pernas dele e nossos membros encostando, apenas com as roupas impedindo o contato direto.

—Qual é? -Questionou me olhando e eu levei uma das minhas mãos até a boca dele. O tapando com dois dedos.

—São quase cinco da tarde e nossos pais só vão chegar depois das seis. -Ele entendeu tudo e acabou levando a mão até meu pescoço e atacando meus lábios.

A pegada de Jonathan era a melhor coisa. O jeito que as mãos dele passeavam e que a língua dele invadia a minha boca me deixava desnorteado. Estávamos lá, curtindo a boa do momento. Eu sentindo os dedos dele passeando pelas minhas costas, enquanto eu segurava firme nos seus ombros e ele seguia beijando minha boca e por vezes descendo até o pescoço.

—O que é isso aqui na minha sala?

Viramos rápido. Paulo estava em pé, com a porta fechada atrás de si. O barulho da TV nem era possível ser ouvido de tão tenso que o clima ficou. No calor do momento acabei saindo de cima de Jonathan e sentando ao lado dele enquanto ele ficou de pé, talvez pelo nervosismo. Não tinha como saber o que ele tinha visto, quanto tempo ele estava vendo e nem se dava para fingir que não tinha acontecido ou não, além de nossas caras estarem bem “culpadas.”

—Pai!

—Não me venha com pai agora! -Paulo jogou a mochila com força sobre o outro sofá e aquilo não deveria ser um bom sinal. -O que vocês pensam que estão fazendo? Isso é completamente errado! Isso… -Ele tinha raiva na fala e não parecia nada compreensivo sobre isso. -É nojento! Filho… -Paulo segurou Jonathan pelo braço e o olhou. Jonathan era mais alto que ele, por poucos centímetros, mas parecia um cachorrinho assustado, não conseguia falar ou fazer nada, apenas o olhava com os olhos muito abertos de medo. -O que você acha que a sua mãe ia achar dessa imundice toda? Acha que ela iria ficar orgulhosa?

—Pai, você tá exagerando! -Jonathan respondeu no automático.

Aquela resposta vindo dele, claramente seria algo cheio de um tom irônico e um sorriso cafajeste, mas não aquele Jonathan. Aquele Jonathan parecia o mesmo Jonathan que havia sido sincero comigo no carro. O Jonathan sem amarras, o garoto sincero e até sensível que poucas vezes aparecia, embora agora esse Jonathan aparecesse completamente assustado.

—Eu me resolvo com você depois! -Paulo empurrou Jonathan sobre o sofá que apenas sentou-se assustado ao lado da bolsa jogada de Paulo. -E você! Que pouca vergonha é essa? Você não tem vergonha de levar o meu filho pra esse seu caminho sujo! -Paulo caminhava se aproximando de mim e eu permanecia sentado apenas o olhando assustado. -Eu falei pra sua mãe! Que ela deveria olhar isso com atenção, mas ela apenas disse que você era uma criança e aqui está você! -Paulo me pegou pelo braço e me levantou. -Uma criança muito saidinha que estava se agarrando com meu filho no sofá da casa do homem que te colocou aqui dentro!

Paulo estava vermelho, estava na minha frente me olhando com toda a raiva que ele deveria estar sentindo e eu não conseguia fingir nada, eu estava apenas amedrontado e… O que eu poderia fazer? Eu não podia correr, eu não podia argumentar com ele, talvez o silêncio fosse a melhor coisa.

—Você acha isso bonito? Ser o viadinho que você é! -Ele apertava com força meu braço com muita força, se o meu pulso havia ficado machucado com o toque de Jonathan do começo da semana, com certeza, ficaria muito roxo com a força que Paulo colocava. -Acha que tirar o meu filho do bom caminho e levar ele pra esse… Lado sujo seu iria me afetar? Você é apenas um viadinho nojento, garoto! -Ele levou a outra mão até meu braço e segurou com força.

Paulo me puxou com força e me carregou pelo braço até a parede próxima a TV. E jogou meu corpo com força contra a parede o que me fez ficar desestabilizado, eu teria caído se ele não me segurasse com tanta força com as duas mãos nos meus braços.

—EU TE ODEIO! -Eu estava com muito medo. Paulo tirou as duas mãos do meu corpo e eu achei que ele iria me largar, porém ele apenas levou as duas mãos até meu pescoço e o apertou. Logo eu senti meu pescoço fechar.

Aquela sensação era de longe muito pior que tudo que o filho dele já havia feito comigo de agressões, sejam os socos, os apertos e até as agressões verbais. Jonathan deveria ter puxado esse ódio imensurável e atitudes agressivas do pai, mas nem de perto ele havia puxado aquilo 100%. Meu pescoço estava se fechando e eu nem sentia mais o ar entrando. Eu sabia que aquilo era péssimo e por mais que eu tentasse me soltar eu não conseguiria, eu estava me debatendo, mas era inútil… Meu corpo não estava nem próximo de deter a força que Paulo tinha, eu só consegui ver que Jonathan havia levantado e estava se aproximando do pai rápido, mas… Eu apenas apaguei.

Notas finais
Ok... Muita coisa, vamos lá! — Primeiro a cena da matrícula do Has foi muito inspirada na minha matrícula na faculdade, embora eu seja da Arquitetura e não da Medicina. O que vocês acharam do acerto do Has e do Jonathan? Curtiram? Temos o Felipe o novo personagem. Eu vou colocar aqui o link do instagram do modelo que me inspirou, se vocês quiserem dar uma olhada e o Felipe vai dar o ar da graça mais vezes. https://www.instagram.com/saulupena/?hl=pt E então, finalmente Paulo descobriu e teve uma reação bem homofóbica, não é? Principalmente com o Has... O que vocês acham que vai acontecer a partir de agora? Algum palpite? — OBRIGADO E BEIJÃO! COMENTEM E RECOMENDEM!