I Hate You Too!
14 XIV- Dia do conhecimento (parte I)
Notas iniciais
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Esse capítulo é calminho, vamos lá né? Ahh tem POV do Jonathan. Pequenininho, mas tem!
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Vamos aos agradecimentos? Obrigado!
Giovana, UchihaMarina, Guilherme (primeiro comentário bem vindo!), YumeChaan, Midichan, penanegra, Duque de Orion, Lady Cherry, Thysia, Adi Gallia, Gale (primeiro comentário bem vindo) e konichiwaclara (primeiro comentário bem vinda).
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Quer ser um lindo do Sketcher? É muito fácil, basta você mandar um review depois de ler esse capítulo!
Acordei por volta das onze da manhã. Estava tudo no mais perfeito silêncio. Depois da notícia da noite anterior, todos nós fomos dormir. Talvez com um clima meio tenso, Jonathan subiu logo que soube sem esboçar nenhuma reação e logo depois fomos nós todos dormir. Eu dormi extremamente bem, talvez eu só estivesse preocupado com o dia de conhecimento de minha mãe e Jonathan, mas entre eu e Paulo teria um dia normal, afinal tínhamos uma relação muito positiva.
Levantei da cama e fui tomar banho no banheiro de cima, para minha surpresa, Jonathan estava na porta do banheiro social, encarando a porta negra a sua frente e logo sorriu ao me ver.
-Bom dia.
-Bom dia, Jonathan... O que você faz ai?
-Estava te esperando, quero falar sobre... Esse tal dia de conhecimento, o que você achou disso?
-Nada demais, você não gostou da ideia, né? –Encostei-me à porta negra do quarto dele e fiquei face a face com o loiro. –Passar um dia com o Paulo vai ser normal, eu não tenho nada contra ele...
-Sabe que eu não tenho problema com a tua mãe, mas eu sou fechado. Você bem sabe...
-Claro que eu sei, loiro. –Sua mão se fechou no meu antebraço e logo senti meu corpo ser puxado para ir de encontro ao loiro.
-Garoto árabe sexy... –Ele sussurrou ao meu ouvido, estávamos ali abraçados e meio que namorando na porta do banheiro social da casa. O quarto dos nossos pais estava ali, logo ao lado. A porta branca fechada, mas quem se importava... Aquilo era maravilhoso, embora perigoso. –Você é tão sexy, me chamando de loiro.
-Garoto loiro... –Nos beijamos ali, na porta do banheiro. Um beijo sexy e apaixonado. Eu adorava aqueles beijos perigosos, eram sexys, cheios de paixão e perigo e mesmo eu sendo um medroso e tudo mais eu adorava aqueles beijos. –É melhor eu entrar no banheiro...
-Papai não está. Ele foi comprar o café e sua mãe está no quarto...
-Mesmo assim ainda é perigoso, prefiro que minha mãe não me veja te agarrando.
-Ok. Vai lá... Eu também tenho que me arrumar, afinal eu vou fazer o jantar dos donos da casa, não é?
Ironizou sorrindo o loiro. Aquele belo sorriso sarcástico e cheio de belos dentes brancos. Demos um último selinho e eu entrei no banheiro. Tomei um banho demorado e quente. Era uma manhã quente de verão normal, o verão era a melhor estação. Talvez, pelo fato de eu ser asmático e o frio me trazer diversos problemas, como gripes e resfriados. Depois de um incrível banho quente eu desci e encontrei toda a família tomando café. Jonathan já estava lá, Paulo e minha mãe também. Minha mãe vestia um vestido azul florido, daqueles que ela adorava para usar em casa. Paulo usava um short curto de um tecido fino, aqueles típicos de tenistas e uma camisa polo branca. Como sempre ele lia o seu jornal. Jonathan estava com as típicas camisetas que ele adorava usar e a bermuda xadrez que ele usou no dia em que tivemos nossa primeira vez, aquela bermuda me trazia uma bela lembrança e também um belo susto.
-Preparado para o clube, Has?
-É... Não sei bem Paulo... É um daqueles clubinhos de garotinhos mimados que vão jogar tênis?
Estávamos todos sentados à mesa agora. Minha mãe sorria boba para Paulo e eu achando que com o tempo todo o encantamento que os dois tinham ia acabar e eles iriam brigar e se separar de vez, mas não, eles brigavam pouco e ficavam se olhando feito bobos um para o outro, quase sempre. Paulo também era um boboca apaixonado.
-Imagina, filho. Você vai amar o clube. É lindo, tem piscinas, quadras de tênis, mesas de ping-pong, sinucas e bilhar. Você vai amar, meu amor!
-Lá não tem uma biblioteca, não?
-O que você acha? –Ironizou o loiro. –Você acha mesmo que vão colocar uma biblioteca num clube? Por favor né, Has?
-Deveriam...
-Ok, lindos não discutam, por favor. –Pediu minha mãe. –E você, Jonathan? Preparado pro nosso dia aqui em casa?
-É né?
-Jonathan... –Cantou o nome do filho, o loiro mais velho.
-Não se preocupe, querido. Vamos ter um dia muito legal, querido... Tenho certeza que o Jonathan vai ser um ótimo garoto, não é Jonathan?
-Claro, ou você acha que eu vou tratar mal a sua esposa, papai?
-E eu vou tratar mal o seu loirinho, querido?
Tirando as brincadeiras, nosso café da manhã em pleno horário do almoço foi rápido e normal, talvez com mais diálogos que nos dias comuns. No fundo, éramos uma boa família, mesmo com alguns segredos meus e de Jonathan. Tive que trocar de roupas. Jonathan acabou por me conseguir um dos shorts de tenistas... Que claro, ficou horrível nas minhas pernas finas e sem pelos. Eu não tinha as pernas tão finas, mas não tinha a massa muscular que Jonathan tinha. Vesti uma camisa branca também e levei uma mochila com uma muda de roupa.
Entramos no carro do loiro mais velho e fomos em direção ao tal clube. O caminho foi até que rápido, afinal domingo o trânsito era bem escasso e conseguíamos ser rápidos pelas estradas.
-Então, Has... Como vai à escola? –Perguntou Paulo enquanto ainda estávamos pela estrada. Era o dia do conhecimento, ele com certeza iria me encher de perguntas e eu teria que responder a maior parte delas.
-Bem... No começo, eu quase não peguei o ritmo, mas está tudo bem agora.
-Aposto que você vai gostar do clube, mas me conta... Como são as meninas da escola? –Perguntou tirando os olhos um pouco da estrada e me mirando nos olhos. Como eram parecidos... Se Paulo fosse mais jovens talvez fossem gêmeos. Os mesmo olhos, os mesmo fios desgrenhados e estupidamente loiros, a boca fina e o sorriso fácil e levemente sarcástico.
Parei de encarar meu padrasto como bobo, afinal ele poderia pensar que eu estava na dele. E isso, obviamente não é verdade...
-Um bando de vadias... –Virei os olhos para a janela ao meu lado, a última coisa que eu gostaria era de Paulo me descobrindo com seus dois oceanos intensos. –Camila é a rainha delas...
-Camila? A ruivinha que o Jonathan finge namorar?
-Fingia...
-Terminaram? –Quis desconversar.
-Eu acho que sim... Mas ela quis voltar.
-Com certeza, o meu garotão deve estar com outras na mira. Jonathan sempre foi muito pegador, sabe Has...
-Hm... –Dei um simples múrmuro em resposta. Era para transparecer que não ligava para Jonathan, mesmo eu ligando e muito. Na verdade, eu estava me corroendo em ciúmes, Jonathan devia ter feito tantas festas sobre os lençóis que hoje eu me deito com ele. “Me deito com ele.” Uma frase que vadias dizem com tanta propriedade, mas que jamais um adolescente poderá dizer abertamente, afinal quem aceitaria um adolescente se deitando com outro. O verbo deitar, talvez não seja o mais apropriado.
-Sabe, hoje você vai conhecer garotas novas, Has... Diferente das meninas da escola. Elas são bem menos vadias como você disse...
-Não estou com vontade de conhecer garotas... –Aquilo saiu por puro impulso, me puni mil vezes por ter dito aquilo. Afinal, como Paulo contaria para minha mãe que eu quase me assumi para ele?
-Ué, porque não? –“Porque, eu sou gay! E seu garotão é meu namorado!”. Pensei em falar, mas seria um choque muito grande.
-Não estou focado em relacionamentos. Meu foco é passar em Medicina em uma federal, garotas não me ajudaram com isso...
Tentei parecer o maior desinteresse sobre o assunto garotas e manter a heterossexualidade, meio impossível isso. Eu sei, mas quem sabe Paulo fizesse o cego e deixasse esse assunto no fundo do nosso baú de convivência.
-Futuro... Muito interessante pensar assim, Has. Hormônios adolescentes mandam os estudos pro inferno.
-Tenho controle dos meus hormônios.
-Decidiu fazer Medicina mesmo?
-Creio que sim, mas acho melhor não contar para minha mãe. Quero dizer isso apenas quando conseguir e também ainda não é uma decisão, mas eu acho que me daria melhor do que em Direito...
-Direito é uma área nobre, querido. Além do mais... Sua mãe é uma grande advogada... Pode te ajudar demais e você pode trabalhar com ela, na empresa que ela trabalha.
-Esse é exatamente um dos motivos que eu também não quero seguir direito. Quero correr meu próprio caminho, andar com próprias pernas... Não quero depender da minha mãe.
-Tão diferente do Jonathan... Ás vezes, eu me imaginava um velhote solitário. Principalmente antes de conhecer sua mãe, eu me imaginava um velhote e com Jonathan em casa, bêbado e nem ligando para mim. Sabe, sentado sobre o sofá bebendo e eu lá ao lado. Doente, velho, imprestável e ele tão imprestável quanto eu. Acho que eu prefiro morrer do que ver o meu filho assim...
-E você acha que ele será assim?
-Agora não mais... Jonathan cresceu nesses quase três meses que vocês foram morar conosco. Ele tinha repetido o terceiro ano, já era para estar numa universidade, mas agora ele trabalha, ganha pouco, mas está mais responsável e isso me enche de orgulho.
-Você o ama demais, não é?
-Como a minha vida... Jonathan é a única coisa que me sobrou da Mariana. Amo sua mãe, mas Mariana me deu o maior presente que eu poderia receber nesses quase cinquenta anos de vida. Mesmo nós brigando tanto e cheios de problemas, ele é meu garotinho de oito anos que chorava todas as noites depois de ter visto a mãe morta.
-Não quer mais ser pai?
-Eu e sua mãe não conversamos sobre isso ainda, mas eu acho que não... Eu já sou velho. Logo vou ter cinquenta e já estou quase com idade de avô e não de pai...
Paulo não parecia nem de longe ter quarenta e sete anos, talvez pela bela genética que ele deve ter herdado dos pais, mas também dava para ver que ele não era um jovenzinho. A barriga pouco saliente, as poucas marcas no rosto, os poucos fios brancos que se confundiam com os fios loiros, a expressão cansada, mas ele se cuidava.
-Pensa em ter filhos, Has?
-Acho que chegamos... –E ali terminamos o assunto.
[...]
Jonathan:
Estava sentado sobre o sofá assistindo alguma idiotice de domingo que sempre passava na TV durante as tardes. Era o tal dia do conhecimento... Uma tremenda merda. Quem liga por conhecer a madrasta, porra. Essa mulher... Digo, Gabriela já mora aqui há mais de dois meses, beirando os três e eu ainda tenho que passar uma tarde completa com ela... Problemas e mais problemas... Óbvio, eu reconheço que faço isso pelo meu pai e pelo Has também. Ela é mãe dele e eu no mínimo tenho que ter uma relação respeitosa.
-Jonathan...
-Já vou! –Gritei levantando do sofá e indo até a cozinha. Gabriela estava terminando de guardar algo no armário e limpava as mãos naquele típico gesto de mulher dona de casa, embora eu nunca tenha visto uma mulher tão forte quanto ela.
Não fisicamente, ela era magrinha e nem era muito alta, mas ela trabalhava várias horas por dia e trabalhava também em casa e pelo pouco que o Has me contou, ela segurou uma barra forte, gravidez na adolescência, um ano na escola perdido, sofrimento para passar no vestibular, conseguir conciliar família com a barra que é cursar Direito. Era uma mulher admirável, mas eu nunca diria isso em voz alta, afinal ela nunca se igualaria a mulher que trouxe ao mundo.
-Fala...
-Hoje é o dia do conhecimento, eu não vou te conhecer com você vendo TV...
-Então?
-Toma esses legumes e verduras. –Ela colocou uma porção de coisas verdes e em cores nessa tonalidade sobre a mesa, com uma faca ao lado e um recipiente limpo e vazio. –Corta isso bem cortadinho para eu poder colocar na salada e eu vou preparar o frango para nossa lasanha e enquanto isso vamos conversando, o que acha?
-Parece que pensou bastante para poder-me convencer...
-Digamos que você, não é alguém fácil de lidar.
-Concordo. –Sentei-me a mesa e comecei a tentar cortar essas coisas verdes. –Isso é mais difícil do que eu imaginava...
-Nunca subestime o trabalho duro de uma mulher, mas me conta... Eu nunca vi uma namorada sua, você não apresenta a família, não trás em casa para um jantar bonitinho?
Ela começou pelo ponto que eu não queria mesmo falar agora.
-Digamos que você teria que fazer um jantar por semana, não costumo segurar namoradas... –“Embora agora, eu esteja apenas com o seu filho, quer fazer um jantar comemorando isso?”. Ficaria muito rude dizer isso, não é? Penso que sim.
-Hum... Um pegador do ensino médio... Você se cuida?
-Claro...
-Muito melhor, é bem melhor assim, do que você iludir uma garota e engravidá-la e depois simplesmente sumir no mundo...
-Foi o que aconteceu com você?
-Mais ou menos...
-Como é o pai do Has? Vocês tinham um compromisso sério?
-Achei que eu que tinha que te conhecer e não o contrário... –Irônica não? Melhor eu não criar caso com a minha sogrinha e madrasta. Seria considerado o meu caso com o Has um incesto?
-Só vou conseguir me abrir com você sabendo algo sobre você...
-Convincente... Já pensou em seguir, Direito?
-E passar o resto da vida sofrendo com processos e papeladas, não obrigado!
-Bem, voltando ao traste que me engravidou. Mário... Esse é o nome dele, um loiro cafajeste que me prometeu várias coisas e eu, boba, caí na lábia dele e acabei engravidando...
-Que barra... E então?
-Fui chorando contar para ele, ele disse que ia me ajudar e no outro dia simplesmente sumiu... Ele morava próximo a minha casa, com a tia dele. E a mulher disse que ele quis voltar para cidade dele e simplesmente voltou, e claro, pediu para que ela não passasse o endereço para ninguém.
-Ele não foi um homem, foi um moleque.
-Bem isso, aí depois, eu tive que contar aos meus pais. Eles ficaram loucos da vida, mas em nenhum momento pediram para eu abortar e nem eu pensei nisso... Eu terminei o segundo ano e passei o ano seguinte sozinha em casa cuidando da gravidez e depois do Has. Depois de um ano perdido, de todos os meus colegas se formando, eu voltei para escola. Apertei o cinto, fiz vestibular e passei em Direito. Minha mãe praticamente criou o Has e isso me deixava muito mal.
-E por quê? Porque se sentia mal?
-Hassan não tinha pai e quase não tinha mãe. Eu tinha que dedicar quase minha vida toda a faculdade e graças ao dinheiro que meu pai ganhou de indenizações do antigo trabalho dele, conseguimos segurar bem a barra. Depois teve a OAB e eu tive que me colocar no mercado e aí depois disso tudo, Hassan já era um pré-adolescente. Onze anos, eu era uma mãe meio presente, mas depois que consegui um bom emprego. Eu resolvi sair da casa dos meus pais e ir morar sozinha, foi um sofrimento, mas eu queria criar o Has. Não era bem criar, mas eu queria que ele só tivesse contato comigo. Apenas comigo, era uma visão egoísta, mas todas as mãos são um pouco egoístas.
-Que história... Mas você foi bem guerreira...
-Agora sua vez, Porque repetiu um ano na escola?
-Quis ficar de bobeira... Passei um ano apenas faltando aula e quando ia só ficava com meus amigos do futebol e assim perdi o ano, quase fui expulso do time e meu pai tirou meu couro, mas consegui sobreviver.
-Vocês jovens são tão exagerados... Meu pai tirou meu couro, vocês nem sabem o que é apanhar? No meu tempo sim, apanhar era outro verbo.
-Acho que você que não conhece o senhor Maserati... Acho que por ele não ter me batido na infância, ele achou que conseguia me domar na adolescência.
-Planos para faculdade?
-Por enquanto a que tiver me aceitando eu entro, acho que papai vai pagar uma particular para mim, afinal eu não sou um nerd como o seu filho.
-Respeita meu filho, seu moleque. –A mulher jogou um pano sobre mim e rimos juntos. Gabriela era uma leoa, todas as mães são, mas ela era completamente louca pelo bebezinho.
[...]
-Você joga bem, Has! –Constatou Paulo depois de eu ganhar dele no ping-pong. –Não sabia que jogava isso?
-Meu avô tinha uma mesa em casa e quase sempre eu ia lá jogar com ele. Ele era o cara.
-Era? Seu avô morreu?
-Sim, no ano passado. Já está com mais de um ano.
O clube era enorme e tinha bastante gente, talvez fosse o maior espaço de lazer da cidade, lazer privado. Tinha quilômetros de quadras de tênis e futebol, além de piscinas olímpicas, vestiários incríveis, e uma sala com intermináveis mesas de diversos jogos. Um restaurante grandioso e outras milhares de coisas que eu ainda não tive tempo de conhecer.
Eu e Paulo viemos direto para o ping-pong afinal era o único jogo que eu sabia jogar e ele disse que iria me ensinar a jogar tênis, mas os campos estavam cheios, afinal parecia paixão de rico. Tênis era mesmo paixão dos ricaços.
-Vou fazer uma social ali, com uns empresários. Qualquer coisa que precisar pode pedir para um dos empregados do Clube e mande colocar na conta do senhor Maserati e se quiser falar comigo ou algo do tipo me liga, tudo certo?
-Beleza.
Paulo foi para uma mesa cheia de almofadinhas rindo e conversando qualquer lorota e eu fui até um balcão do bar. Tinha um bar também, um belo bar.
-Vai querer alguma coisa? –Ouvi uma voz meio rude atrás de mim e quis ignorar, mas o moleque insistiu. –Vai?
-Tem que beber para poder sentar aqui? –Vociferei chateado, isso não é algo muito educado, mas ele estava me enchendo.
Virei irritadiço para o lado de aonde vinha a voz e vi que era apenas um atendente do bar, um moreno. De olhos azuis e um cabelo com corte atual. Ele vestia o uniforme dos bartenders do clube e tinha uma expressão de desapontamento.
-Desculpe, não quis parecer grosseiro... –Me desculpe.
-Tudo bem. –A mesma voz meio rude, percebi que era o tom de voz dele mesmo e que ele não estava sendo grosso. –Você não vai causar encrenca com a direção do clube, não é? Por favor, eu preciso desse emprego. –Quase implorou o garoto moreno de olhos castanhos.
-Não, claro que não. Só estou meio irritadiço. Pode me trazer um refrigerante de uva?
-Claro. –Sorriu. Um belo sorriso com belos dentes brancos. –Aqui, senhor... –Entregou-me a latinha de refrigerante.
-Por favor, nada de senhor. Me chame de Has...
-Normas do clube, só posso lhe chamar de senhor, senhor!
-Eu nunca vou entender o que os ricos têm contra as pessoas tratarem eles pelo primeiro nome.
-Também não. Ricos são bichos confusos, tomara que nenhum dos dirigentes do clube, tenha me ouvido.
-Trabalha aqui há muito tempo?
-No bar há mais ou menos uns sete meses, mas quero mesmo ser instrutor de golfe ou de tênis, mas tem que ter o curso e eu ainda não consegui grana para pagar.
-O clube não distribui bolsas para os funcionários?
-Funcionários acima de dois anos de experiência.
-Vai demorar um pouco para você conseguir, não é?
-Acho que sim... Foi um prazer, Has... Mas não posso ficar de papo com os associados do clube.
-Entendo...
-É... Sa-sabe você não é rude, nem grosso como os outros garotos do clube... Po-pode me passar o seu número de telefone? –Sorri com a timidez do garoto, claro eu não sou idiota. Eu percebi que ele ficou interessado em mim e óbvio que isso massageou o meu ego.
-Me dá seu telefone... –Ele sorriu e me passou o aparelho. Um modelo não muito atual, um garoto tão jovem trabalhando e com um celular um pouco antigo, talvez ele não tenha um nível social tão alto quanto nós. –Quantos anos você tem?
-Vinte, senhor.
-Has... Já disse que pode me chamar de Has.
-Foi um prazer... Ha-Has...
-Prazer é todo meu... –Quis perguntar o nome dele, mas ele entendeu que ainda não havia dito o próprio nome.
-Ahh, me chamo João.
-Me chamo Hassan!
Passei o braço por cima do balcão e demos um aperto de mão singelo. Um dos clientes grosseiros do bar chamou o garoto e ele saiu em disparada, talvez para não ter motivos para levar bronca do chefe. Continuei no balcão tomando o meu refrigerante de uva, mas meu pouco tempo de paz, infelizmente acabou.
-Já estava flertando com o bartender, Hassan? –Aquela voz insuportável adentrou meus ouvidos. Não acredito que aquela coisa loira e insuportável estava no clube exatamente no dia de hoje.
-Sério isso? Você está seguindo é, garoto? –Me pus de pé. Tinha que impor respeito. Ficamos os dois nos encarando. Éramos talvez da mesma altura, eu devia ser mais alto por causa do topete.
-Eu tenho bem mais o que fazer do que seguir você... Onde está Jonathan?
-O quê? Por acaso eu vou ter ideia de onde ele está? Talvez ele deva estar na floresta do clube. Você devia ir lá, sabia? Quem sabe uma onça ou algum animal te ache antes que ele e te mate...
Eu sei, isso é tremendamente infantil, mas eu não suporto essa gazela loira!
-Ou talvez ele deva estar no terceiro andar do clube, brigando com alguém... –Fiz uma expressão de dúvida, afinal eu não tinha ideia do que ele estava falando e ele continuou. –Ahh, quer dizer que ele não te disse?
-Disse? Disse o quê?
-Então o arabezinho, não sabe da verdade?
-Verdade? Garoto que droga você está falando?
-Jonathan Maserati é um assassino, Hassan. Jonathan matou um garoto!
Notas finais
Novo personagem na fic... Recebam o João, gostaram da foto? Ele merece mais espaço? Gabriela sofreu hein? O que você estão achando dessa mulher? Expectativas para a parte II? Gostaram do POV do Jonathan?
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Comentem e Recomendem!
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