I Hate You Too!

63 LXIII - Conversa de cama


Notas iniciais
Não demorei tanto, hein? — Demorei pra postar e os reviews voltaram? Será que eu faço isso mais vezes? Não gente, essa fic tem que acabar, PLIS! Obrigado Pattysouza, The Queen, Klarisse, Mey e Lipe. NÃO SUMAM PLIS! — Até mais, gente! Cheiro!

(POV: JOÃO)

—Ótimo… Isso continua sorrindo.

Os cliques continuavam rolando. Já era quase meia noite e eu ainda estava naquele estúdio. O fotógrafo estava empolgadíssimo e a cliente, a diretora de uma importante marcas de cueca estava apenas analisando as fotos no grande telão que ficava atrás do fotógrafo. Vez ou outra eu tentava decifrar o que ela estava achando e parecia que ela estava gostando.

O ar-condicionado estava na temperatura de dezoito graus e eu não conseguia pensar em nada a não ser no terrível frio que estava fazendo.

—João… De joelhos. Isso… Isso… Agora, levanta o queixo. Muito bom! Pronto, última foto… Terminamos. -O fotógrafo levantou e eu também.

Pietro era um colombiano que cresceu no Brasil e por isso falava português muito bem. Já tinha fotografado pelo menos umas cinco campanhas minhas e nós tínhamos uma boa conexão com o trabalho. Ele era branco com cabelos loiros compridos até a altura do ombro, olhos esverdeados e um queixo bem quadrado, nariz grande e um belo sorriso. Pietro era um ótimo fotógrafo, mas sempre dava em cima de mim, embora eu sempre cortasse ele.

—Você fez mais um maravilhoso trabalho hoje, garoto. -Falou me dando um abraço e passando com a mão na minha cintura nua, próximo da minha bunda.

—Obrigado, Pietro! -Geralmente qualquer forma de chamá-lo de senhor Carozini era cortada na hora. -Sua mão vai ficar cheia de óleo! -Avisei, numa forma de fazer com que ele me soltasse…

—Você vale a pena! -Sorriu piscando.

—Obrigado, João! -Dessa vez foi a vez da diretora que falou se aproximando e também trocando um abraço comigo. Esse era completamente diferente, tirando nossas bochechas nada mais encostou. Diferente dos abraços de Pietro. -As fotos ficaram ótimas! As cuecas são suas você sabe e o pagamento eu já ajeitei com a agência, acho que logo passam pra você!

—Obrigado, Sra. Bittencourt! -Falei indo pegar minhas roupas e tirar todo aquele óleo.

Pietro me seguiu e sentou numa das cadeiras apenas me olhando vestir a calça. A mulher já tinha saído e as maquiadoras já arrumavam suas maletas prontas pra sair também.

—Você é um dos meus favoritos de fotografar. -Levantou e Pietro estava de frente pra mim. -Fica bem melhor assim, sem aquela barba! -Ele passou a mão pelo meu rosto e eu me afastei sorrindo.

Eu não era idiota, eu sabia o que ele queria, mas ao mesmo tempo que eu não podia concordar por um motivo óbvio chamado: Yuri.

Eu não podia discordar e dar uma cortada nele. Aquele meio de modelagem era muito sobre quem você conhece e quem gosta de trabalhar com você… E se eu fosse minimamente rude com Pietro, algumas boas portas seriam fechadas pra mim, porque antes de escolher o modelo, eles escolhem o fotógrafo e se eu tirasse Pietro da minha vida, ele também me tiraria da dele…

—Vou ter que ir… Meu namorado tá me esperando em casa! -Falei pegando a jaqueta e já colocando. Aquela era sempre a minha desculpa para Pietro. Ele deveria achar que eu e Yuri morávamos juntos, porque sempre ele parecia estar me esperando em casa.

—Garoto de sorte! -Pietro se afastou e foi guardar o equipamento. -Quer carona?

—Tô de moto, valeu. -Já estava de saída quando ele me chamou novamente.

—Ei… Jantar, na sexta? Antes da viagem internacional, o que achas? Para acertarmos os detalhes e tal?

Aquela viagem…

—Não posso confirmar, tenho que me despedir do meu namorado também, né? -Sorri e ele também e logo virou para o equipamento o que me fez sair da sala e pegar o elevador.

Pietro havia conseguido com algumas fotos minhas que eu fosse participar de dois desfiles da semana de moda de Paris, algo completamente enorme, que nem o meu agente havia conseguido ainda. Pietro era bem influente, porém… Aquela viagem internacional ainda iria ser debatida com Yuri e eu sabia que poderia ser uma questão.

Já fazia uma semana que Yuri estava diferente. Distante…

Desde o jantar da tal tia, irmã da mãe dele. Ele parecia nervoso e nossos contatos íntimos tinham parado e por mais que ele falasse que estava lotado de coisas da faculdade, eu não achava que era só isso.

Yuri era uma bomba de sexo, mesmo quando estava muito atolado de coisas, ele dizia que transar fazia ele se concentrar e ajudava e agora… Agora parecia que ele não queria mais transar… Pelo menos não comigo!

Subi na moto e comecei o percurso para casa. Pelo horário e o pouco trânsito eu chegaria em cerca de doze minutos. Eu havia pedido a Yuri que fosse para lá porque queria vê-lo e ele aceitou a contragosto, alegando que seu pai iria reclamar por não dormir em casa e no outro dia ele teria que acordar cedo para ir trabalhar, o que pra mim parecia uma grande desculpa.

Com tudo frio desde o dia do jantar da tia dele, ele não ficava mais sem roupa na minha frente, os beijos estavam frios e… Andava com uma maquiagem estranha no pescoço, muito mal feita como se estivesse escondendo algo.

Eu confiava em Yuri, confiava de verdade, mas todos esses sinais tinham que indicar alguma coisa, afinal ele não iria apenas se afastar, ficar frio e escondendo algo com maquiagem por nada.

Embora eu também não achasse que ele fosse me trair, aquilo não indicava outra coisa. E talvez uma conversa séria pudesse resolver isso. O caminho pra casa já estava no final, ao chegar em frente em casa, abri o portão eletrônico e fui entrando. VI o grande carro preto e blindado estacionado ali. E a luz do quarto do primeiro andar acessa. Yuri já estava lá e estava no quarto.

Eu havia feito uma cópia da chave e dado para ele, primeiramente porque ficaria mais fácil dele chegar e se sentir em casa, já que meus horários nunca eram muito rotineiros. Às vezes as sessões de foto começavam às cinco da manhã, para os fotógrafos aquela era a melhor luz do dia, se fosse em estúdio poderia demorar até uma madrugada inteira, além das presenças em lojas e marcas que eram durante o dia. Esse trabalho era bem mais bagunçado do que antes, porém eu ganhava bem mais também.

Abri a porta e fui logo tirando a jaqueta, mesmo com o vento na cara que a moto proporcionava, ainda estava muito muito quente, afinal ainda era verão. Joguei também a mochila e fui logo subindo as escadas, abri a porta do quarto e Yuri estava lá, deitado de calça, camisa e meias, vendo tv com os cabelos esparramados pelo travesseiro. O ar-condicionado estava ligando e ele parecia impaciente.

—Oi… -Falei sentando na cama e tirando sapato. -Estava dormindo?

—Não! -Comentou sentando-se e… Se afastando um pouco. -Esse seu colchão é uma droga, eu já disse…

—Eu vou comprar um novo, você sabe.

—Você disse que ia chegar às dez, estou esperando há horas.

—O ensaio atrasou. Deu uns problemas no set, você sabe que essas coisas sempre ocorrem… Desculpe, te fazer esperar… -Tirei a calça e me deitei na cama, vendo a tv, ele continuava sentado mas não estava próximo de mim.

—Cueca nova…

—Era ensaio de cueca, você sabe que eu ganho as peças que uso pra fotografar.

—Sempre cheio de mimos.

—Você vai ficar pra dormir? -Falei me aproximando e puxando ele pra deitar comigo.

Eu sabia que se eu não fizesse isso, ele iria passar o resto da noite afastado. Agora qualquer contato tinha que partir de mim, encostei meu queixo no seu ombro e dei um leve beijo na bochecha.

—Já tá tarde, não? Acho que vou sim. -Falou apertando meus braços. -Você já quer dormir?

Ok… Será que finalmente a “greve de sexo” sem motivo iria acabar?

—Não… -Desci com minha mão pela cintura dele e segurei seu quadril. -Eu tô bem acordado…

—Eu tô cansado. -Falou bocejando.

É… Ainda não havia acabado.

—Amor…

—Hm…

Fingido… Não era possível que ele já estivesse dormindo, aquilo era pra evitar contato… Evitar conversa.

—Vai dormir?

—Eu tô cansado, João…

—João? -Levantei e fiquei em pé, próximo a cama, olhando pra ele. -O que tá acontecendo hein?

—O que? Porque você tá irritado?

—Desde quando a gente se trata pelo nome? Porque você tá frio e a gente não tem mais intimidade? Porque você tá deitado na minha cama de calça e camisa e porque você tava usando uma maquiagem falsa no pescoço que qualquer um conseguia notar? -Ele me olhou assustado. -Você acha que eu não percebi? Baby… Você...

—Não!

—O quê?

—Eu sei o que você vai perguntar! -Yuri levantou e começou a calçar o sapato. -E não, eu não te traí!

—E porque isso?

—Eu não me sinto bem aqui! -Ele levantou ainda descalço e me abraçou, passando os braços pelo meu pescoço. -Amor, eu já disse que você pode morar num apartamento melhor… Meu pai tem um apartamento desocupado perto da sua agência, você só pagaria o condomínio e as contas e nada disso seria um problema… Tudo ia ser mais…

—Yuri… -Ele me soltou. Yuri era um nome curto, mas forte demais. -Eu não quero ser bancado pelo seu dinheiro, aqui é a casa que eu cresci, a casa dos meus pais então…

—Amor…

—Não! -Segurei ele pelos braços com força e ele me olhou assustado. -O seu dinheiro não vai me comprar…

—Me solta!

—Para de tentar fazer todo mundo…

—Me solta!

—Olha…

—Me solta! -Yuri puxou os braços com força e sentou na cama, ainda me olhava assustado. -Se teu objetivo é começar a me machucar, você tá conseguindo! -O loiro levantou uma das mangas da camisa.

Ali… Marcas dos meus dedos… Quando foi que eu fiquei tão… Possessivo? Talvez, aquilo tenha sido mais uma forma de tentar “punir” ele por ter sido tão frio durante todos esses dias, mas quem sou eu para punir alguém? Ainda mais punir dessa forma? Fisicamente…

Ok, Yuri não tinha me traído, eu tinha que acreditar nele e eu não podia… Virar um louco maníaco agressivo que ia agarrar o namorado caso aquilo acontecesse, não?

—Amor… -Me ajoelhei na frente dele, encostando na suas coxas. -Me desculpa?

—João…

—De verdade, me perdoa?

—Tudo bem! -O loirinho se inclinou e me deu um selinho. -Eu só acho que aceitar minha oferta não doí.

—Amor… -Respirei fundo e permaneci na mesma posição. -Essa casa tem lembranças ótimas pra mim, meus pais moraram aqui a vida inteira, eu não posso me desfazer dela.

Ele segurou as minhas duas mãos e me olhou nos olhos.

—Você tá em perigo aqui e eu não consigo conviver com isso. -Ele parecia assustado. Arrependido? De certa forma, sim.

—O que você tá querendo dizer? -Yuri abaixou o olhar.

—Você sabe… Bruno já veio aqui e já brigou com você… Quem garante que ele não volte? Amor, ele sabe onde você mora isso… É muito arriscado!

—Por que você tá falando do Bruno agora?

—Não sei! -Levantou. -Eu só tô assustado, ok?

—Baby… -Levantei junto dele e o abracei bem forte. -Eu vou pensar, ok? Posso ter uns dias pra pensar se devo ou não? Tudo bem?

—Tudo bem. -Continuamos abraçados. Juntos.

—Eu só quero que tudo fique bem, tá? -Falei e ele se afastou, tirando a camisa e a calça, e deitando na cama.

—Vamos deitar, vem? -Falou me puxando pra deitar junto dele e ficamos ali, abraçados, vendo alguma aleatoriedade que passava na tv, nenhum de nós dois conhecíamos e nem estávamos interessados em ver. -Se você for morar no apartamento do meu pai, a gente pode ficar bem mais de boa, talvez… Depois de alguns meses eu posso pedir pra morar lá “sozinho” e nós podemos morar juntos…

Vamos lá, grande passo. Respirei dando um forte cheiro no pescoço dele para disfarçar a minha surpresa com aquela proposta. Tudo bem, nós nos amávamos e seria interessante viver mais juntos, principalmente pelo nosso tempo não ser muito compatível, porém Yuri vinha de uma realidade de uma mansão, muitos empregados, tudo muito fácil e eu morava sozinho já tinham uns bons meses e sabia que… Não era tão fácil assim! Às coisas tinham que ser resolvidas por você, nem sempre o dinheiro podia fazer tudo com facilidade.

—Eu te amo… -Aquela resposta era a melhor, assim eu iria evitar uma nova discussão e esse assunto ficaria pra ser resolvido em outro momento, muito mais oportuno.

—Eu também te amo…

Continuamos abraçados ali, aquilo tava bom demais e com certeza tava bom demais pra tá sendo real.

—Ei amor… O que você vai fazer no fim de semana? -Ele perguntou.

Pois é… Fim de semana. A tal viagem pra Paris já estava completamente acertada. A agência ficou responsável por tudo, apenas dois modelos masculinos e sete modelos femininas conseguiram a oportunidade de desfilar na semana de moda de Paris e eles fizeram tudo, passagens, vistos, autorizações com os pais de alguns modelos que eram menores, hospedagem, comida, carro. Eu iria basicamente só pegar o avião e desembarcar em Paris. E ainda bem que a agência estava fazendo tudo aquilo, eu tinha nenhum conhecimento de francês e meu inglês era até bom, mas os franceses eram muito chatos com outro idioma que não fosse o deles.

—Baby… Tenho uns desfiles pra fazer…

—Desfiles? Mas geralmente você sempre sabe com tanta antecedência. -Ele continuava deitado, o que significava que ainda estava calmo.

—É… Mas esse foi meio em cima… É em Paris… Semana de moda…

—O quê? -E lá vamos nós… -Paris? -Yuri sentou-se rapidamente e me olhou com os olhos arregalados e muito… Feliz? -Que máximo! A gente vai poder conhecer muita coisa! Vamos poder ir nos monumentos e nos museus, olha que incrível! Meu pai conhece um hotel incrível que é maravilhoso e dá pra ver o Arco do Triunfo de lá!

—Amor...

—Baby! Vai ser nossa primeira viagem internacional juntos, olha que máximo!

—Amor… Mas…

—O quê? -Ele virou de frente pra mim e eu me sentei também.

—Porque você quer ir?

—Porque eu não poderia? -Respondeu ríspido.

Segurei as duas mãos dele. Eu sabia que Yuri era um cabeça dura e que convencer ele a fazer algo que era o contrário do que ele queria ia ser muito complicado, principalmente quando eu já estava sabendo que a gente ia brigar, mas pelo exato motivo contrário.

Eu imaginei que ele ficaria revoltado com a notícia da viagem internacional e não que iria se empolgar e também querer embarcar nessa.

—Eu vou a trabalho, tudo já está esquematizado, eu não vou nem ter muito tempo livre, a agência só reservou o hotel por quatro dias, desses quatro eu trabalho em três e ainda tem toda a história de ir pra festinhas, fazer o sociável e isso tudo toda muito tempo e deixa a gente muito cansado e você tem suas responsabilidades aqui… E a empresa?

—Quando tu vai entender que aquela droga daquela empresa não precisa de mim, que aquele trabalho é apenas um charme que meu pai tem em me botar pra perder meu tempo?

—Amor…

—Quem vai pra essa viagem?

—Baby…

—Me fala, João! -Ok, ele estava puto. -O tal Pietro vai tá lá?

—Yuri… -Falei me aproximando tentando lhe abraçar, mas ele se levantou e estava muito vermelho.

Lidar com Yuri nunca era uma coisa fácil… Às vezes era bom eu lembrar onde eu me meti!

—A PORRA do Pietro vai também, João?

—Vai, amor...

E como era de se imaginar, Yuri virou uma fera! O loiro pegou um dos travesseiros e arremessou contra mim, pelo menos foi um travesseiro. Seu cabelo tava bagunçado e as bochechas dele estavam muito avermelhadas. Aquilo era o clássico Yuri furioso e às vezes, ele ficava lindo demais assim…

—TÁ VENDO COMO ESSE DESGRAÇADO TÁ ACABANDO COM TUDO!

—Yuri! -Falei firme sem gritar e fiquei de pé, me aproximando dele. -Não precisa gritar!

—Olha aqui! -Ele deu dois passos pra perto de mim, com o dedo trêmulo e apontado pra minha cara. -Se você tiver ficando com esse cara…

—Você vai realmente dizer isso, Yuri? -Falei dando também dois passos pra frente e estávamos frente a frente agora. -Vai realmente sugerir que eu tô te traindo quando eu não faço absolutamente nada sem você saber?

“Diferente de você que anda todo estranho e que possivelmente sim me traiu?”

Aquilo era a continuação que eu queria dizer, mas eu sabia que era injusto, principalmente depois de dizer que acreditava nele.

—Então porque eu não posso ir?

—Qual é a grande questão em você ir ou não? Eu vou trabalhar, não vou ter tempo de ir curtir a cidade. Você pra poder me ver ia ter que pagar rios de dinheiro para poder ver eu andar por sei lá… Um minuto? Numa passarela e isso me incomoda!

—Dinheiro não é problema!

—Pra você! — Falei um pouco mais alto e ele me olhou sério. -Dinheiro não é problema pra você! Você é rico, você que pode gastar numa hora mais do que eu vou ganhar no mês inteiro e isso me incomoda, porque eu não pretendo viver às suas custas nunca! Nem que eu tenha que trabalhar fazendo qualquer besteira pra ganhar uma merreca!

—Porque o fato de eu ter dinheiro te incomoda tanto? -Ele falou com os olhos marejados.

Yuri não era de chorar, mesmo quando muito contrariado e eu sabia que para ele chorar… Eu tinha que tá sendo muito ridículo.

—Eu não acho que a nossa vida tem que ser baseada no seu dinheiro. Ou no dinheiro do teu pai! Eu já abro mão de muita coisa em prol disso, Yuri! Todos os jantares em restaurante. Toda a grana que você gasta comprando comida e trazendo pra cá. As nossas saídas, o nosso carnaval, amor… Isso não é correto! Eu quero sim trabalhar igual um desgraçado pra ganhar uma grana e a gente ir comer um dia que seja num restaurante e eu me dar ao luxo e poder pagar a conta integral sem que tu tenha que tirar o cartão ilimitado e pagar tudo…

—Eu não imaginei isso… -Yuri estava entristecido. Dava pra ver pelo seu olhar baixo.

—Eu não tô falando nada disso pra te machucar, amor…

—João… Uma viagem? Te incomoda uma viagem?

—Me incomoda você pensar em planos que não me abarcam financeiramente, seus restaurantes caros, suas viagens caras, seus hóteis… Amor, eu te amo!

—Eu também te amo e eu tô chocado que isso te machuca tanto…

—Amor, não é bem assim…

—É assim, sim! É o que você tá me dizendo! -Yuri se sentou na cama e começou a arrumar os travesseiros. -Eu vi que você reclamou sim, eu não sou idiota, mas eu sempre achei que era uma orgulho bobo. Eu não tô te comprando com meu dinheiro, eu tô pensando em coisas boas que eu posso fazer com o meu namorado, mas…

—Amor...

Ele se deitou na cama, bem na ponta e colocou três travesseiros no meio, enfileirados.

—Eu não vou dormir no sofá e nem seria justo te mandar ir dormir lá, então vamos dormir. -Falou limpando o olho direito e ficando de costas pra mim.

—Amor…

—Não, João! Eu entendi seu ponto, mas eu preciso engolir direito. Depois conversamos, você pode apagar a luz? -Pediu fechando os olhos e fingindo que iria dormir.

—Tudo bem… -Levantei para apagar as luzes e bom…

Era isso não era? Acabei de magoar meu namorado...

Notas finais
Olha só, parece que temos uma intriguinha no paraíso YurixJoão. E o que vocês acharam dessa briguinha? Os dois nenéns vão se acertar? — Bom comentem plis, me deixem feliz... Próximo capítulo teremos outro POV, alguma aposta?