I Hate You Too!
58 LVIII - Carnaval (parte I)
Notas iniciais
(POV: Yuri)
Havia chegado o carnaval. Era sexta e eu estava empolgado com a viagem que eu e João iríamos fazer. Nós iríamos para uma cidade da serra. Um pouco mais alta que a nossa cidade e lá, com sorte, poderíamos sentir um pouco do inverno nesse verão infernal. Era uma cidade pequena, que vivia apenas de turismo e comércio. Não haveriam festas de carnaval naquela cidade, no máximo alguns blocos com os habitantes locais, o que pra mim seria perfeito. Eu poderia aproveitar meu namorado sem grandes problemas.
Desci com duas malas de mão e encontrei minha mãe e meu pai na sala. Os dois pareciam sérios e eu sabia o que aquilo significava. Discussões.
—O que houve?
—Nada, Yuri. Para onde vai? Achei que iria trabalhar na empresa hoje. -Perguntou meu pai.
—Vou viajar para o carnaval, volto na terça.
—Como assim? E a empresa?
—Pai, por Deus. -Soltei as malas no chão e olhei para o loiro que me encarava sério. -É carnaval, são três que eu vou ficar sem ir na empresa e você ainda é o dono de tudo, não? Pode continuar mandando em tudo enquanto eu estou longe…
—E por que essa viagem?
—Porque eu estou de saco cheio de vocês dois! -Peguei as malas novamente e continuei caminhando para a saída. -Cadê a Nick? A minha vontade era levar ela junto, mas eu não posso…
—A minha era que você levasse mesmo… -Minha mãe comentou sentada no sofá, enquanto agarrava o celular.
Era basicamente apenas o que ela fazia. Mexia no celular, gastava dinheiro e fofocava.
—Nicole foi pra uma aula extra de balé e vai chegar mais tarde. -Meu pai falou tomando um gole do café e me encarando com os olhos azuis brilhando de ódio.
Ele com certeza estava pensando sobre toda a responsabilidade e o empreendedorismo e como eu não estava sendo um chefe de verdade e apenas um funcionário que trabalhava em horário comercial e que não pensava grande. Ser filho de um fanático por trabalho e de uma dondoca que não consegue pensar nada além do próprio mega-hair era bem complicado. Embora eu ainda considerasse melhor ser mais parecido com meu pai do que com minha mãe.
—Espero que chegue na terça para irmos trabalhar na quarta.
—Quarta é feriado, você sabia?
—Empresários não têm feriados, já falamos disso…
Com aquilo, eu apenas ia me retirar. Meu pai jamais pensaria em nada além do trabalho. Desci os degraus da entrada e meu carro estava estacionado na entrada de casa. Cumprimentei o jardineiro e logo entrei, colocando as bolsas no banco de trás e me dirigindo até a frente. Liguei o motor e saí.
Pelo menos eu teria alguns dias de paz… Já era cerca de três da tarde, com sorte a gente chegaria perto de sete da noite, o caminho para casa de João era o contrário do caminho da cidade serrana, mas eu teria que buscá-lo mesmo. Era melhor eu dirigindo no meu carro, do que nós dois subindo a serra com a moto dele.
Eu não estava afim de ar condicionado. O dia pedia vento na cara e eu abri os vidros da frente do carro blindado, meu pai detestava que eu andasse com vidros abertos, mas ele não estava ali pra me regular. Sair de casa era sempre o meu maior trunfo. Eu não tinha aqueles dois na minha cabeça.
O difícil era ficar longe de Nick. Como uma criança que não tinha qualquer vínculo sanguíneo comigo conseguia deixar tanto amor aqui? E pensar que ela ainda teria anos dentro daquele lugar vivendo com aqueles dois e as constantes brigas e troca de farpas daquele casamento arruinado.Pelo menos ela parecia bem mais instável e meu pai não pegaria tanto no pé dela. Afinal, eu sou o grande herdeiro e o futuro da empresa, algo que ele gostava tanto de passar na minha cara. Um grande inferno tudo isso.
Segui dirigindo para a casa de João e liguei o som para que tentar não pensar nessas coisas. Era incrível como a cidade ia mudando. Primeiro saia das grandes mansões e casas enormes do condomínio que eu morava para a área cheia de prédios, com portarias e câmeras de segurança, depois seguia para as casas de médio padrão de famílias de classe média onde já era possível perceber que o conforto diminuia terrível e João morava no final de um bairro de classe média, nas proximidades das comunidades carentes que moravam nas beiradas de um rio poluído.
Tudo isso feito em um trajeto de menos de 20 minutos. Como tudo mudava em apenas 20 minutos.Dei um toque para o telefone do moreno para avisar que já estava chegando e ao chegar na rua, já encontrei com ele na frente de casa com uma mochila nas costas e um sorriso no rosto.
João estava lá de óculos escuros, com o cabelo pra cima, a velha camisa branca e a velha jaqueta de couro e a velha calça jeans. Pelo menos eu sabia que não eram as mesmas peças de sempre, apenas o mesmo estilo de sempre. E uma... Barba?
Tirei o óculos de sol, enquanto o moreno entrava e jogava a bolsa no banco de trás.
—Oi.
—Barba? -Perguntei olhando pra ele. -Por que barba?
—Ué, pra mudar um pouco. Não gostou? -Coloquei os óculos de volta e voltei a dirigir. -Pelo visto não…
—Daqui a pouco eu me acostumo com a ideia! -Falei dirigindo o caminho de volta, afinal eu tinha apenas ido pegar ele a cidade que iríamos era para o outro lado.
—Era pra uma campanha, se você quiser eu tiro…
—Não precisa, tá bem legal a barba.
E era verdade. Parecia um cara com mais de 25 anos e bem sucedido, os olhos verdes pulavam ainda mais do seu rosto devido a parte escura da barba vir logo abaixo e sinceramente… Não tinha como João ficar feio, porém eu não falaria isso em voz alta.
—Meu medo é só você me arranhar com ela… -Continuei e ele sorriu, chegando perto do meu rosto e dando um beijo, roçando de leve aqueles pelos na minha bochecha.
—Tomarei cuidado. -Falou no meu ouvido dando uma mordida.
—Tá querendo causar um acidente é? -Reclamei e ele sentou colocando o cinto.
—Já vi que você tá com um ótimo humor! -Comentou emburrado e eu sorri.
—Porque trouxe só uma mochila?
—Eu não preciso de mais do que isso, não. -O moreno mexia no celular e colocou uma música. -Fora que eu tenho certeza que você trouxe roupa pra um batalhão inteiro e no mínimo sete malas.
—Vingança? -Reclamei.
—O que te irritou, pode ir falando temos boas horas de estrada ainda.
Suspirei e segui olhando para a estrada e o moreno me encarou, coçando a parte debaixo da barba e deixando os olhos verdes escaparem por cima dos óculos escuros, sinceramente… João era muito gato!
E sempre conseguia arrancar as coisas de mim, aquela relação… Promissora demais? Talvez.
—Se quiser, eu posso ir dirigindo pra você descansar e contar…
—Não! Dá pra eu falar… -Suspirei e comecei. -Aquela velha história das brigas lá em casa, né? Mamãe sendo a sem opinião de sempre, meu pai infernizando tudo que eu penso, digo ou faço e a coitada da Nicole que ainda vai ter que aguentar isso por bem mais tempo que eu.
—Seu pai encrencou com o quê?
—Nosso feriadão. -Olhei pra ele rapidamente enquanto ainda estava calmo. Já estávamos quase na rodovia principal. Onde era bem mais leve o trânsito e bem mais rápida a velocidade permitida. -Sendo que eu falei que voltava na terça e que quarta-feira eu já estava de pé para trabalhar.
Reclamação em três… Dois…
—Mas amor, a nossa hospedagem é até quarta de manhã? Vamos voltar mais cedo?
—Eu vou.
—Quer saber, não tem problema. -João falou calmamente, colocando a mão sobre a minha enquanto eu ia passar a marcha. -Já estou super feliz de termos esses dias pra nós.
Aquilo era clássico João. Se chateava, mas menos de meio segundo depois entendia e já ia falando coisas ótimas pra eu não me sentir mal, talvez por isso que nossa relação dava tão certo. Enquanto eu era esquentado e briguento, ele era mais complacente e calmo, acabava aceitando tudo… Quase tudo, na verdade.
A viagem para o carnaval havia sido difícil de conseguir, principalmente porque ele tinha umas boas campanhas na época e porque eu tinha a empresa para lidar. Eu fiz um inferno, disse que ele não me dava a devida atenção e que estava sempre tirando fotos e desfilando e sendo importante… O que eu poderia assumir, apenas aqui, que era uma enxurrada de ciúmes devido a enorme atenção que ele andava recebendo.
Na semana seguinte ele cancelou todos os eventos da semana do carnaval, algumas marcas toparam remarcar para a semana seguinte, porque queriam ele como modelo. Outras, as maiores e mais importantes, acabaram por chamarem outras pessoas para teste afinal nesse meio um rosto bonito é válido, mas não único.
A grande briga aconteceu nessa ocasião. Falei na empresa que iria ficar de folga no carnaval e meu pai apenas soltou um redondo não. Dizendo que eu trabalharia todos os dias como se tudo estivesse plenamente normal e não fosse carnaval e eu fiquei verde de ódio. Ao falar para João, ele ficou revoltado e com razão. Como que eu reclamava que ele não me dava atenção se ele desmarcava tudo e eu não conseguia fazer o mesmo? E aquilo foi a grande briga da nossa relação, mas logo ele aceitou e disse que estava tudo bem. Maldito garoto bondoso!
Felizmente consegui converter o feriado em dias fora do escritório e com isso não acabei com o nosso feriadão.
—Posso colocar música, amor? -Perguntou inclinando o banco e ligando o som.
—Coloca, só não pode ser muito alto, nem os teus metal de louco. -Falei e ele me olhou julgando.
—É exatamente o que vou fazer… .
E logo as batidas altas começaram a sair da caixa de som, enquanto João sussurrava um “te amo” pra me acalmar. O moreno pegou um boné e colocou sobre o rosto enquanto se deitava sobre a cadeira. Claramente, aquele bicho preguiça ia dormir.
—Você vai dormir? -Balançou a cabeça negando. -E eu sou a Chapeuzinho… -Comentei irônico e pude ver o seu sorriso branco se formar.
Por mim, eu só batia o carro agora e subia em cima daquele moreno. Continuei focado na estrada, afinal a partir de agora eu poderia ir a cem quilômetros por hora, o que exigia atenção redobrada. O caminho era repleto de grandes árvores e vez ou outra algumas casas de pessoas que não conseguiam morar na cidade, pelo alto preço das casas. Era estranho ver aquilo tão perto e tão de longe ao mesmo tempo, dentro do conforto do carro.
Os vidros continuavam abaixados e o vento se misturava com a barulho alto que aquele garoto havia colocado no aparelho de som do carro. Era engraçado olhar para ele. João estava meio deitado, batendo as duas mãos no colo e balançando a cabeça escondida pelo boné, tudo isso no ritmo da batida da música. Sexy.
—Você batendo assim no colo, parece que tá me chamando pra sentar… -Comentei e ele riu.
—Se você tivesse trazido o motorista, talvez eu tivesse chamando mesmo. -Comentou brincando e rimos.
Baixei um pouco a música e continuei concentrado na estrada. Ainda tínhamos algumas horas de viagem e eu não ia aguentar aqueles gritos por muito tempo. Fora que João iria dormir certeza, então eu tinha o direito de baixar isso.
O sol já entrava muito dentro do carro, ele já estava quase se pondo e a estrada começava a ficar mais inclinada à medida que a gente ia subindo a serra, o que exigia mais atenção, principalmente porque a estrada era pequeno, só cabia um carro indo e outro voltando e aquilo poderia acabar dando merda. Felizmente não tinha quase nenhum fluxo, raramente algum carro passava por nós.
Bati no ombro de João, o acordando no susto.
Acabou que chegamos quase uma hora antes do esperado. As árvores altas faziam sombra no hotel que íamos ficar. Era um hotel grande, com vários chalés e alguns quartos divididos. Ao entrarmos no grande terreno com o letreiro enorme com o nome do hotel, fomos indo até a recepção, onde um motorista pediu para descermos e ele ia esperar mais na frente. Por ser um hotel horizontal, tinha muito terreno e os cháles acabam sendo acessados apenas por carro.
Entramos na grande recepção de janelas de madeira e grandes sofás. O sol entrava por algumas janelas o que deixava o ambiente com uma iluminação linda. Alguns funcionários andavam e tinham alguns clientes numa fila aguardando atendimento com a recepcionista. Ficamos no final da pequena fila e João seguia embasbacado olhando pra decoração do saguão.
—Yuri… Isso deve ser muito caro, achei que a gente tinha combinado de dividir as despesas…
De novo não…
—Amor, eu já falei. -Comecei e ele me encarou sério. -Não estamos usando meu dinheiro, estamos usando dinheiro do meu pai.
—E você acha isso correto?
—É o mais socialista que eu consigo ser… Já que ele tem demais, vamos compartilhar com quem não tem tanto. -João riu. Ele sempre ria quando eu dizia que era o máximo de socialista que eu conseguia.
Logo a fila andou e chegamos na recepção. A atendente magrela e branquinha de cabelo escuro e preso logo nos deu um sorriso e pediu o número da reserva. Ao informar, ela foi logo mexendo no computador e confirmando todo o necessário. Inicialmente tinha que fazer o pagamento de quarenta por cento da estadia e eu assinei o cheque, escondendo o valor de João, para evitar possíveis brigas.
Saímos de lá com a chave do chalé e logo o motorista estava esperando dentro do meu carro, onde entramos e sentamos no banco de trás. O homem começou a falar de toda a área de lazer e atividades do hotel, explicou que os chalés eram afastados para a privacidade dos clientes, mas que todo o perímetro do hotel era murado e tinha câmeras de segurança de longo alcance, falou do sistema delivery do restaurante do hotel, que faziam entregas nos chalés e explicou a programa de carnaval toda.
O caminho era lindo. Passamos pelos edifícios principais do hotel e começamos a andar por uma estradinha que levava pra área de lazer e pros chalés. Na área dos chalés todos eram bem espaçados uns dos outros, com árvores frutíferas próximos de todos os chalés e cada um possuía uma garagem e um jardim próprio.
O motorista parou o carro e logo desceu, entregando a chave para mim.
—Tenham uma ótima estadia e um ótimo carnaval. -Felicitou e começou a fazer o caminho de volta andando.
—Caraca, esse coitado vai voltar tudo isso andando?
—Não é como se ele ganhasse por isso, né? -Abri a porta de acesso do chalé e logo entramos.
Tudo estava organizado, o chalé tinha uma grande varanda na frente e na lateral, com uma sala de estar e jantar unidas a cozinha que ficava ali perto. Um lavabo e uma mini área de serviço. Geralmente os chalés tinham tudo que uma casa poderia ter, para que os hóspedes pudessem ter liberdade total dos serviços do hotel. Na parte de cima tinham duas suítes, uma maior com uma varanda e uma menor sem varanda. Tudo com a maior privacidade.
—Caralho, amor… -O moreno falou soltando a mochila no sofá cama ali da sala e logo sentou-se. -Isso aqui é lindo, deve ter sido caríssimo!
—Tu fala muito de dinheiro… -Falei carregando uma das malas, a outra eu já tinha dito que seria João que traria. -Relaxa, amor! Eu vou ter mesmo que subir essas escadas com essa mala? -Era uma indireta…
—Eu levo, baby. -O moreno se levantou e me abraçou por trás, apoiando a cabeça no meu ombro e cheirou meu cabelo. Me arrepiei com o contato da barba no meu pescoço e ele riu. -Arrepiou? -Confirmei e ele apertou o abraço.
—Vou subir e pedir alguma comida pra jantar, o que você acha? -Continuamos abraçados.
—Sério? Eu achei que a gente ia dar uma volta na cidade, comer em algum restaurante, não? -João falou.
—Não… Eu já dirigi por horas e tô exausto, vamos ficar aqui mesmo…
—Eu dirijo, amor! -Sugeriu e eu segui negando.
João ia se afastar, mas eu o puxei para continuar abraçado comigo. Logo ele ia ceder… O bom garoto de sempre!
—Não me larga! Vamos subir essa escada juntinhos!
Comecei a me encaminhar para a escada e João seguiu abraçado comigo. O caminho foi complexo e por vezes quase caímos da escada. O que não seria nenhum pouco bom pra nenhum de nós. Rimos enquanto chegamos no andar de cima. Onde um pequeno hall separava os dois quartos. O da direita era o maior e o da esquerda o menor, entramos no maior e logo a cama enorme toda coberta por cobertores brancos e oito travesseiros nos foi apresentada. Além da cama tinha um grande móvel com uma SmartTV de quarenta polegadas. Dois criados-mudos de madeira com dois abajures em cada lado da cama. No fundo, uma porta enorme de madeira com persianas que dava para a varanda e na parede da TV era possível ver duas portas, uma era o closet e outra o banheiro.
—Meu Deus, esse negócio é maior que a minha casa. -Brincou o moreno e saiu correndo se jogando na cama. -Puta que pariu, amor!
—Que boca, hein? -Reclamei cruzando os braços. -Ei, você vai pegar as nossas malas!
—O quê?
—Você disse! -O olhei sério e ele sorriu. -“Eu levo, baby”
O imitei e ele riu novamente. O moreno se levantou e fingiu que ia passar pela porta, porém me segurou pela cintura rapidamente e me deitou sobre a cama ficando sobre mim, de quatro enquanto eu estava deitado. João ia me beijar, mas eu virei o rosto e logo senti sua barba roçando no meu pescoço. Comecei a sentir cócegas e ele continuava roçando e descendo e subindo.
—Se não me beijar, eu não paro! -Ameaçou e eu virei o rosto. Trocamos um beijo rápido e apaixonado. O moreno segurava minhas mãos contra o colchão e logo se afastou. -Pede comida, vou pegar as malas! -Falou já saindo.
Fui até a porta e abri parte dela para ver a varanda. Já havia escurecido e corria um vento gostoso de serra, deixei a porta pouco aberta para evitar também que entrassem muitos mosquitos. Tirei a camisa e o sapato e peguei o telefone dali e logo me joguei na cama. Pedi comida caseira e torta doce de sobremesa, o restaurante avisou que demoraria cerca de quarenta minutos.
Logo a porta abriu e João entrou, carregando as duas balas e com a sua bolsa nas costas. Garoto apressado! Levantei e peguei uma das malas pra ajudar no peso.
—Tu é louco?
—Só duas malas! Não esperava que você carregasse a sua casa toda nesses dois troços!
—Você sabe como eu sou.
Coloquei a mala no chão próximo ao móvel da TV e ele fez o mesmo. Amanhã a gente arrumava isso. Deitei na cama e João fez o mesmo, jogando a jaqueta pra um lado e já se encontrava descalço.
—Tem noção de que a gente vai passar quatro dias nesse paraíso? -O moreno sacou o celular e começou a mexer. Ahh não!
Tomei o telefone dele e escondi embaixo dos mil travesseiros daquela cama e logo sentei sobre a barriga dele, ele ia reclamar dizendo que era algo do trabalho, mas eu intervi antes.
—O moço do restaurante disse que ia demorar quarenta minutos… Sabe o que isso quer dizer?
O moreno puxou meu braço pra baixo fazendo nossos peitos baterem e ficarmos com os rostos bem próximos.
—Quer dizer que o loirinho vai ter que gozar em trinta minutos…
E logo em seguida ele atacou a minha boca, roçando aquela barba no meu queixo e pescoço… Eu poderia muito me acostumar com aquilo! João invadiu com as mãos a minha calça pela parte de trás e eu segurei o seu pescoço pra aprofundar o beijo. Eu adorava como aquele garoto era fogos. As mãos dele já estavam mais do que dentro da minha cueca apertando a minha bunda.
Eu tinha certeza que gozaria em trinta minutos…
[...]
—Nossa, isso tá delicioso!
João estava comendo um pratão de galinha caipira, enquanto eu me contentava com o macarrão e queijo que veio junto. Aquele garoto deveria nem tá comendo tanto, quem ficou mais suado nessa transa, fui eu.
Pouco depois que gozamos, João vestiu um short sem cueca e foi pegar a comida que chegou logo em seguida. E estava lá, deitado apenas com o short, enquanto seguia enrolado com os cobertores. O ventinho que entrava pela porta era delicioso… Não era frio, era na temperatura ideal. Já devia tá ter passado de oito horas.
—Como vai conseguir dormir comendo tanto assim?
—E você já vai dormir? -Perguntou me olhando.
—Não fui eu que dormi por horas no carro, né? Eu vim dirigindo. Tô exausto…
—Tem noção de quantas vezes tu já passou isso na minha cara? -Comentou com um meio sorriso. Ele não estava chateado, só estava tirando uma comigo.
Peguei um travesseiro e joguei na cara dele. Por pouco ele não derrubou a comida na cama e aí teríamos uma briga enorme.
—Coloca esse prato no chão! -João avisou ficando de joelhos sobre a cama. Eu sabia o que viria agora…
Coloquei o prato no criado-mudo e João basicamente voou em cima de mim me dando uma chuva de cócegas. Comecei e me contorcer pela cama gritando pra que ele parasse enquanto ele tentava me impedir de se mexer tanto e me imobilizar, nós dois ríamos.
Sinceramente, esse feriadão poderia durar pra sempre.
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