I Hate You Too!

59 LIX - Carnaval (parte II)


Notas iniciais
Voltei amores! — Eu amei muito escrever esse capítulo, ele fluiu maravilhosamente e eu fiquei muito feliz com o resultado. — Agradecimentos aos meus insistentes leitores, vocês são foda. Obrigado pelos comentários a Klarisse, Amanda, Sr. Freiitas, Dark Paradise e Mey. Até mais, queridos. Prometo responder hoje a noite os comentários. — COMENTEM E RECOMENDEM!!

(POV: Hassan)

A manhã de sábado de carnaval começou bem gostosa, tinha sol mas não estava terrivelmente quente como os dias de verão costumavam ser, talvez fosse pela chuva da noite toda. Fui até a varanda e vi a pequena movimentação de pessoas na rua. Era sábado, tudo parecia calmo. Algumas senhoras caminhavam juntas vindo do mercado ou fazendo caminhada. Quase não tinha nenhum carro passando por ali naquele horário, o sol invadia minha varanda ainda timidamente.

O meu final de semana e feriadão estava louco. A maioria dos professores do curso haviam passado trabalhos enormes ou marcado prova para logo depois do feriado e aquilo me ajudaria muito. A evitar que os demônios psicológicos estragassem tudo e me fizessem ficar horas no looping de pensamentos intermináveis sobre as situações mais recentes. Eu, Isa e Felipe havíamos marcado alguns turnos para estudar o que me ajudaria, afinal aqueles dois eram ótimas companhias, principalmente quando começavam a implicar um com o outro.

Aos poucos já dava pra ver que Isa e Felipe estavam cada vez mais afim um do outro, porém talvez algo impedisse os dois de avançarem. O medo do fim da amizade? Talvez a não certeza da Isa da heterossexualidade de Felipe, principalmente pelo fato do único amigo dele ser gay, eu no caso. Talvez os dois tivessem precisando de uma forcinha de alguém ou de um pouco de álcool no sangue.

Resolvi descer até uma cafeteria que tinha aqui perto e tomar meu café. Depois teria que fazer um almoço e comer, afinal parte de uma da tarde Isa e Felipe iriam chegar. Era difícil pensar como nós três éramos diferentes e nos dávamos tão bem. Isabela era rica e morava numa casa enorme num bairro rico da cidade. Filha de dois médicos parecia seguir a tradição da família em fazer Medicina. Felipe era um jovem que tinha saído do Rio e que veio morar junto com a família aqui, pelo que eu entendi, ele morava num dos bairros periféricos mais próximos da Universidade, o que facilitava um pouco a vida dele, no aspecto transporte, já eu era o meio termo, não morava nem tão bem e nem tão mal. Minha família não era das mais ricas, mas conseguimos viver bem.

Comprei um café com pão de queijo e peguei algumas folhas de jornal. Não havia nada de muito importante na cidade, mas o jornal cobria mais assuntos e conseguia ter um panorama geral do que acontecia. Sentei no lado de fora da pequena cafeteria, aproveitando o ventinho forte do verão e a sombra maravilhosa que aquela varanda dava. A rua estava calma, parecia um sábado normal, mas talvez durante a tarde e noite, aquilo fosse mudar. Afinal era carnaval. Segui lá confabulando comigo mesmo enquanto comia e ao subir, depois de comer resolvi fazer uma macarronada com o resto de molho de tomate e carne que existia na geladeira. Logo mais ia ter que reabastecer, mas dessa vez com menos quantidades de comida.

Egoísta.

Tudo o que havia sido dito ainda rondava a minha cabeça e eu só queria não depender dessa situação catastrófica em que minha mãe estava metida, com a gravidez e manter duas casas. Porque as coisas que ele me disse não saiam da minha cabeça.

Resolvi deixar aquilo pra depois e começar a temperar a carne e preparar o macarrão. Resolvi fazer para mais, talvez algum dos meninos quisessem comer um pouco, apesar de eu ter pedido pra eles trazerem algo para o possível lanche.

O almoço saiu rápido e antes que eu resolvesse ir comer, eu decidi tomar um banho e mexer um pouco pelas redes sociais. Nada de muito interessante…

Acabei caindo no sono e acordando com o barulho da campainha. Me mexi rápido na cama, buscando o celular, já era uma e meia da tarde. Corri de short e camiseta mesmo para a porta e abri. Felipe me olhou sorrindo.

—Má hora? -Perguntou ao olhar minha cara inchada e meu cabelo bagunçado. -É… Definitivamente má hora! -Olhei pra baixo acompanhando para onde ele estava olhando. E bem… Eu estava excitado.

—OPA! -Disse alto puxando a camiseta pra baixo para esconder. -Estava dormindo!

—Parece que teve um sonho bom… -Comentou rindo.

Ele estava de camiseta preta e com os dreads presos no topo da cabeça, eu não sabia como ele aguentava o peso daquilo e uma bermuda de algodão, bem leve. Claramente por causa do verão.

—Eu vou me recompor, você já almoçou?

—Sim. Tô esperando o convite pra entrar, se não for te atrapalhar, claro. -Infernizou mais. Eu sabia que esse iria ser o assunto do feriado, com toda a certeza.

—Para de ser chato.

Saí da entrada deixando a porta aberta e ele entrou entendendo que aquilo era uma permissão e logo fechou a porta atrás dele. Fui até o quarto e troquei rápido de bermuda. Colocando um jeans mais pesado, apesar da ereção já ter sumido, eu não queria que ele continuasse brincando com a minha cara. Passei no banheiro para lavar o rosto e ajeitar o meu cabelo.

Ao voltar, Felipe estava na sala de jantar mexendo no celular, enquanto eu passei direto pra cozinha para pegar um prato.

—Já comeu?

—Uhum… -Confirmou sem tirar os olhos do celular. -Caraca tem muita menina bonita por aqui!

—O quê? -Perguntou me aproximando com um prato de macarrão e olhei para o seu celular. Felipe mexia num aplicativo de encontros conhecido e usado pela maioria dos jovens solteiros

Eu nunca tinha entrado nessa vibe, apesar de ter ficado boa parte do meu tempo solteiro, porém eu nunca tinha sentido necessitado de fazer parte disso. Felipe seguia vendo as fotos de algumas moças e em algumas ele passava para a direita e outras para a esquerda. Era bem similar a um jogo na realidade.

Felipe continuou naquele aplicativo, enquanto eu comia e quando já estava perto do fim, Isa chegou tocando a campainha e o negro foi abrir para ela.

—Cheguei! -A morena sorriu e colocou um saco sobre a mesa, permanecendo com a mochila nas costas. -Eu trouxe torta de frango que a mamãe fez para o meu casal gay favorito.

Eu e Felipe nos olhando e balançamos a cabeça em negação. Isa não ia desistir disso.

—É mais fácil o Felipe ficar contigo do que comigo. -Falei baixinho enquanto me encaminhava para a cozinha para deixar o prato e ao voltar os dois seguiam com os olhos arregalados e em silêncio. -O que foi?

—O que você quis dizer? -Ela perguntou assustada. Certo, não imaginei que eles iriam pegar aquilo tão seriamente e sorri nervoso em seguida.

—Ué, sexualmente o Felipe é hétero, então é mais fácil ele ficar com qualquer menina no planeta do que comigo… -Expliquei e eles pareceram relaxar depois disso.

—Vocês vão continuar falando como se eu não tivesse aqui? -Felipe reclamou.

—Chega, né? Vamos começar? -Falei e logo levei todos a sala. Lá era o melhor lugar, onde era mais ventilado, a porta da varanda estava aberta, deixando a brisa entrar tranquilamente. -Esses professores foram foda, ó.

—Demais, quem passa tanto trabalho no feriadão. Eu tive que cancelar meu carnaval no Rio por causa dessa montanha de trabalhos. -Isa reclamou pegando o caderno e um dos livros. Íamos começar por Aparelho Locomotor mesmo.

—E o que você ia fazer no Rio? -Perguntou Felipe. -Tu não é branca demais pra ir pro Rio, não? -Ri, eu sabia que ele iria implicar.

—Idiota, eu ia conhecer a quebrada de onde tu saiu! -Isa comentou jogando uma das almofadas no rosto dele.

—Vamos começar, não? -Interrompi.

Era melhor esses dois se pegarem logo ou acabarem com essa troca de farpas que eles tanto gostam. Começamos a estudar logo. Nem sempre era bom estudar essas coisas em grupo, mas às vezes era melhor, principalmente com uma pessoa gênia como Isa e focado como o Felipe.

A tarde passou rápida. Nós estudamos Aparelho Locomotor e Atenção Básica de Saúde, que eram as disciplinas que haveriam provas na quinta e sexta pós-carnaval. Comemos a torta que a mãe da Isa fez e voltamos a estudar. Isa e Felipe ficaram até perto de sete da noite e logo foram embora.

Felizmente ainda tinha alguma macarronada do almoço e eu não teria que me preocupar com o jantar. Deitei-me no sofá e fiquei mexendo pelo celular. Já havia perguntado a minha mãe como ela estava, já que havia tido uma consulta de rotina sobre o bebê. Mamãe já estava perto de quarenta anos, o que deixava a gravidez um pouco mais arriscada que o convencional. Abri a conversa de Jonathan.

Patético.

Aquilo era eu sendo o patético de sempre, principalmente quando o nome desse loiro estava envolvido. Jonathan havia entrado pela última vez às seis da tarde. Geralmente ele não ficava tanto tempo fora do celular, mas como estávamos no carnaval, a possibilidade dele estar se divertindo com os amigos era alta.

E eu aqui… Em casa!

Continuei no celular e uma ideia me bateu. Felipe estava num aplicativo de encontros e porque eu não poderia fazer o mesmo? Seria no mínimo interessante. Mexi no buscador de APP’s e procurei algum aplicativo daquele aspecto para o público gay e achei um.

Ao baixar comecei a responder as perguntas, do tipo nome, altura, idade, peso... Orientação sexual… Preferência sexual... Ok, aquilo parecia bem sexual. Ao terminar de responder as perguntas, vinha a parte da foto, peguei uma das selfies que tinha tirado recentemente na faculdade enquanto aguardava o horário do começo da aula.

E pronto, já estava na interface do aplicativo. E aquilo era no mínimo… Diferente.

Muitos dos contatos dos jovens já eram dizendo tamanho ou disponibilidade de local, além da preferência sexual, a maioria das pessoas possuíam fotos do peitoral, barriga, pernas e algumas fotos com rosto. Eu já sabia que aqueles aplicativos geralmente possuíam esse tipo de conteúdo, mas não que era algo tão generalizado. Logo um barulho de notificação começou a aparecer e eu percebi que deveria ser alguma mandando mensagens. Abri a aba de chat e logo encontrei mensagens de três contatos. Um havia mandado apenas um “oi”, outro havia mandado um emoji qualquer e o terceiro estava pedindo nudes.

Será que basicamente era naquilo que aquele aplicativo consistia? Deixei o telefone sobre o sofá e peguei um pouco da comida. Seria bom jantar logo para que eu não fosse dormir tão tarde por causa da barriga cheia. Voltei com um prato de comida e novamente peguei o celular e vi o aplicativo. Dessa vez tinha mais algumas mensagens e a maioria consistia nos mesmos conteúdos das outras ou um “oi” ou um “manda nudes”.

Sinceramente, aquilo não era nada legal. Ok, talvez a galera do “oi” não fosse tão sem assunto assim, mas aquelas pessoas que só se importavam com nudes no primeiro contato era um pouco chato demais. Resolvi deixar essa experiência pra outro dia e desativei o aplicativo.

[...]

No domingo a tarde estava um inferno.

Eu usava uma samba-canção e uma camiseta enquanto passava pelos canais da TV que só falavam sobre a noite de carnaval e as festas. Que inferno e quem não se interessa por esse tipo de evento? O que faz?

Abri o celular e vi algumas mensagens de Felipe reclamando de algumas questões que ele não estava entendendo, peguei um dos livros que estava ali na mesa de centro e comecei a mandar um áudio tentando explicar o máximo que podia daquele exercício.

—... espera que tem gente batendo aqui? -Soltei o botão de áudio e abri a porta. Encontrando dois olhos azuis entristecidos.

Jonathan estava lá, em pé. De camiseta, com um short bem largado e os braços de fora. Uma das mãos ele segurava a porta, talvez esperando a minha reação de fechá-la, mas eu estava hipnotizado. Aqueles olhos entristecidos… Havia outro detalhe, o cabelo loiro havia ido embora, só estava pouco, bem ralinho quase como se ele tivesse ficado careca.

—Oi…

Aquela voz.

—O que? O que você quer? -Falei firme.

—Aqui… -Senti sua mão pegar rápido no meu pulso e puxar para encontro do seu peito. Quase caí com o puxão, mas segui segurando a porta. -Olha como ele fica depois de te ver…

—Jonathan…

—Não! -Ele falou dando dois passos à frente. -Não começa...

O que eu devia fazer? Xingá-lo até a milésima geração, bater com a porta na cara dele e deixar bem claro que eu quero ele bem longe de mim, mas não foi nem perto do que eu fiz realmente. Eu apenas dei outros dois passos para trás e logo havíamos passado da porta e nos encontrávamos dentro do apartamento. Eu seguia com a mão no peito de Jonathan, ele permanecia ali na minha frente, me olhando, parado e sem falar nada.

Aquilo não era nada bom, não… Eu era frágil demais perto dele. E eu sabia disso, Jonathan sempre tinha aquele poder do presença, quase como um magnetismo que puxa a superfície metálica para perto, esse era o jeito que eu ficava perto dele. Sempre perdido nos olhos. Logo ele fechou a porta atrás dele e pegou meus dois pulsos me puxando pra perto.

Bati com o peito no corpo dele e segui o olhando nos olhos e ele fazia o mesmo, não tirava os olhos do meu olhar. Estávamos ali, meio abraçados, sem ter os braços transpassados pelo corpo do outro, apenas com o corpo grudado. Ele seguia segurando meus dois punhos, talvez por achar que eu iria me afastar. E eu ia? Ia?

Dei novamente dois passos para trás e ele soltou meus punhos. Talvez tivesse desistido da apresentação, mas afinal o que ele queria aqui? Nada fazia sentido.

A gente já tinha dito tudo o que o outro deveria ouvir, ele havia dito coisas suficientes pra mim e eu havia brigado o suficiente com ele sobre o envolvimento dele com Iasmin, para que a gente ia continuar a se insultando e brigando por algo que não vai valer a pena? Mas será que não ia mesmo?

A minha cabeça tava sempre variando entre algo bom e ruim e aquilo às vezes me enchia o saco. Virei e caminhei pela sala passando pela cozinha. Eu nem importei que ele já estava dentro, qual a grande cena que eu poderia fazer? Peguei um copo com água e bebi todo de uma vez. Jonathan estava ali… Como eu reagiria a isso antes?

Jonathan vindo de bom grado para a minha casa, apenas para me vez, em que mundo essa realidade poderia existir? Sempre era eu que precisava chamá-lo, trazê-lo de alguma forma ou por algum motivo. Mas aquilo era Jonathan, demonstrações de afeto e importância não eram do feitio dele.

—Has… — Ouvi seus passos, como se ele tivesse se aproximando.

—NÃO! -Falei e senti que ele parou onde ele estava.

Ele ainda não estava a minha vista. Talvez, ele tenha sentido que eu não queria vê-lo agora. Peguei mais um copo com água e tomei. Sentei-me no chão, atrás da bancada da cozinha para que assim ele não me visse. Minhas pernas tremiam e eu as abracei para passar um calor.

—Você quer que eu vá embora? -Falou entristecido…

—Não… -Respondi rápido antes que eu pudesse pensar.

Eu poderia ter dito um sim e não ter que passar por toda o sofrimento que aquilo talvez fosse me causar, aquilo certeza iria me causar. Ouvi novamente os passos dele. Porque que essas coisas não são mais fáceis para nós? Pobres seres apaixonados.

Apaixonado…

Aquela palavra que por tanto e tanto tempo eu me neguei a assumir ao me referir a ele. Mesmo com todas as fragilidades que eu tinha e não deixava de informar que tinha, mas assumir que estava apaixonado parecia estar no buraco mais fundo que eu poderia estar e ninguém quer estar tão vulnerável.

Vulnerável…

Realmente aquela vulnerabilidade estava mais que presente na nossa relação. Principalmente de mim a ele. Jonathan sempre pareceu me alegrar ou me derrubar mais facilmente que qualquer um. E hoje… Ele ia me alegrar ou me derrubar de novo?

Baixei meus olhos entre meus joelhos… E lá eu ia chorar de novo, me aguentei antes disso e respirei fundo. Uma mão… Levantei a cabeça no justo e Jonathan estava lá. Ajoelhado ao meu lado, com a mão no meu braço e me olhando.

—Você parece uma criança sozinha… -Jonathan sentou-se do meu lado. -Crianças não gostam de ficar sozinhas.

—Porque você tá falando de crianças? -Jonathan estava encostado na bancada como eu, com as pernas esticadas que quase batiam no fogão que estava a sua frente.

—A gente tem que puxar algum assunto, né? -Ele levantou a cabeça e olhou pra cima. No teto não tinha nada de especial, apenas o usual gesso do forro e uma lâmpada que se encontrava apagada. -Vai ver eu só tô cansado de ser uma criança sozinha também…

Duas crianças sozinhas, nas suas próprias cabeças, conseguem se transformar em duas crianças acompanhadas?

Jonathan e eu tínhamos um passado de solidão com pais solteiros muito similar. Ele havia perdido a mãe dele com cinco anos e eu nunca nem havia conhecido meu pai, nós não crescemos acompanhados de irmãos, primos ou amigos. Eu era muito tímido e Jonathan antissocial, nem sempre tivemos amigos e isso só veio mudar na adolescência. No fim, será que havia sido isso que tinha nos carregado um para o outro? A solidão da infância.

—Eu tô um lixo desde a nossa discussão. Eu mal encontrei meus amigos, mal falei com meu pai… -Suspirou. -A única pessoa que me deu alguma atenção foi a sua mãe. -Ele virou o rosto e me olhou. -A gente poderia conversar mais calmamente?

Olhei pra baixo.

Poder a gente até poderia, mas a gente deveria?

Será que essa calmaria não ia ser só um leve começo até a bomba ser instaurada de novo e toda a brigaiada começar de novo e a gente só se magoar de novo.

Quando a gente parou de se magoar? Jonathan já havia me tratado mal, me jogado na chuva, falado barbáries para mim antes de nos envolvermos e até depois que nos envolvemos. A única coisa boa eram os poucos momentos de calmaria e o sexo…

—Acha que conseguimos?

Eu não queria olhar pra ele, era melhor continuar com meu olhar pra baixo, era o mais sensato a se fazer. Senti sua cabeça se aproximar do meu ombro e sua mão ir pro meu joelho. Sentia falta do seu cabelo maior, mas ele ainda sim ficava lindo com o cabelo curtinho.

—Porque cortou o cabelo?

—Era isso ou os pulsos… -Arregalei os olhos e ele deu uma risada leve. -Brincadeira.

—Você não devia brincar com isso?

—Eu sei, desculpe… -Comentou e permaneceu na mesma posição. -Gosto de ficar colado contigo… Parece que sei lá, algo de muito tempo atrás volta pra minha vida.

No fundo, eu sabia que aquilo era relacionado a mãe dele.

—Jonathan…

—Eu te devo desculpas, não?

Eu deveria estar cético em relação a isso…

—Eu fui um ridículo, eu sei disso. Negligenciei os seus sentimentos mesmo que não tivéssemos nada fechado, mas isso não quer dizer que você não gosta de mim…

—Jonathan…

—Nem que eu não gosto de você!

Silêncio.

—Eu queria você de volta… Na nossa casa, perto de mim, eu estou muito perdido lá naquela casa. A única coisa boa é o fato de eu estar trabalhando e estudando e assim eu não tenho que ficar lá.

—Mas…

—Eu até dormi no seu quarto esses dias… Ainda tem o seu cheiro na cama. E sim, eu sei que você não vai voltar pra lá. Meu pai foi um filho da puta contigo. Mas eu quero o seu cheiro...

Ele aproximou-se do meu pescoço e sugou o ar com força naquela área, meu corpo todo se arrepiou. Esse era o tipo de contato de Jonathan, que por mais mínimo que parecia, me deixava todo mexido.

—Porque tu vem e me fala essas coisas, quando na última vez que a gente se vê, tu não consegue nem fingir ser essa mesma pessoa? -Falei de uma vez, ainda sem olhar para ele.

—Has…

—Não, Jonathan! Não é assim que a banda toca! -Me levantei e ele permaneceu lá, me olhando só que sentado.

Eu poderia estar parecendo muito irritado, mas aquilo era o clássico jogo de enxugar gelo que ele adorava brincar comigo. Vir todo arrependido quando precisa, porém ficar frio e cheio de opiniões quando estamos brigando.

—Eu tô arrependido.

—E eu estou magoado ainda… Eu acho seu arrependimento louvável, mas às vezes ele nem sempre vem na hora que eu estou pronto pra receber!

Saí e ele levantou rápido vindo atrás de mim e me abraçando com força. Jonathan por mais devastado que estivesse ainda era maior e mais forte que eu. Seu queixo estava no meu ombro esquerdo, o que fazia sua boca ficar muito perto da minha orelha e eu conseguia ouvir sua respiração.

Eu também tinha minha porcentagem de culpa em tudo isso, mas eu ainda estava muito magoado com tudo que ele fez e disse nos nossos últimos encontros. Desde o aniversário, principalmente.

—Me desculpa…

—Jonathan…

Ele deu um cheiro forte no meu pescoço de novo. Aquilo estava me deixando doido… Ele apertou o abraço e foi caminhando comigo até a parede mais próxima, que era uma das paredes da sala, perto do corredor que levava aos quartos. Ao chegar perto da parede, Jonathan me virou e levou minhas costas até a parede, ficando na minha frente.

Mais uma vez, preso.

Preso naquela loucura de sentimentos e ações que aquele garoto loiro sempre me fazia tomar. Jonathan era a bomba-relógio que parecia que jamais iria explodir, mas que uma hora devastava tudo que estava ao redor. Era como o Vesúvio, o vulcão de Pompeia, que todo mundo estava acreditando que estava inativo, até ele resolver entrar em erupção e devastar todas as coisas que estavam ao seu redor.

—Me beija…

—Não. -Tentei ser firme, mas olhar para seus olhos não ajudava muito. -Jonathan.

—Hassan… Me beija. -Ele juntou mais nossos corpos. O cheiro dele invadiu minhas narinas.

Eu também sentia falta disso… Sentia muita falta disso… Eu já conseguia sentir todo o seu corpo junto do meu. Os olhos… Azuis… Escuros…

Ele investiu contra a minha boca e eu…

O que eu faria a não ser deixar?

Jonathan começou a me beijar devagar, mantendo as mãos na parede e me apertando ali com o seu corpo sobre o meu. Eu deixei minhas mãos passearem pela barriga dele e irem subindo… Passando pelo peito e pescoço até se perderem na nuca. Eu adorava meter minhas mãos nos cabelos dele por baixo, porém dessa eu não encontrei o cabelo, apenas os curtos fios que ele ainda tinha na cabeça.

O beijo não demorou muito, logo eu consegui fazer ele se afastar.

—Jonathan…

—Me desculpa, Has… -Ele falou encostando a testa na minha. -Eu só quero que você me perdoe…

—Eu quero pensar… Isso não é bom de se fazer assim…

—Depois de um beijo?

—Um beijo que pode ser tendencioso… Eu quero muito te perdoar! -O olhei nos olhos. -Mas eu quero que isso seja sincero, totalmente sincero…

—Totalmente sincero… -Ele repetiu. -Acho que sei o que você tá dizendo.

Nem eu sabia o que eu estava falando.

—Melhor você ir… -Falei o olhando. Me aproximei de novo e dei um selinho.

Não sei porque eu fiz isso… Apenas meu corpo mandou fazer.

—Has…

—Jonathan! -Fui firme. -Eu preciso pensar e você aqui não vai me ajudar nisso.

—Hoje é domingo.

—Eu sei, pega um táxi. Mas eu quero ficar aqui e pensar, eu preciso…

—Certo. -Ele concordou a contragosto. Deu um passo para trás se afastando lentamente e eu peguei a sua mão e o puxei para perto de novo.

Eu e ele trocamos mais um beijo, esse foi mais forte e com mais pegada. Jonathan levou a mão até as minhas costas e apertou com força a minha cintura, eu não queria ficar excitado com isso e estragar toda a ideia de pensar.

Jonathan se afastou e sorriu. O primeiro sorriso sincero que eu estava vendo, desde… Talvez do seu aniversário, quando eu lhe dei o relógio. Meu olho foi direto para seu pulso e vi…

Ele estava usando o relógio. Ele percebeu e sorriu de novo.

—Eu amei. Só tiro para tomar banho e dormir.

Com certeza, ele estava exagerando.

—Vou te deixar pensar.

Ele me deu um selinho rápido e foi saindo com o celular na mão. Talvez já pedindo no aplicativo o carro para lhe levar para casa.

Eu realmente precisava muito pensar.

Muito.

Notas finais
Eaí amores... O que acharam? Será que tem jeito? — Eu amei real esse capítulo, espero que vocês também tenham amado! Me falem! — Gente, eu estou melhorando gradativamente (do psicológico) e eu espero postar próximos capítulos logos eu tive uma ideia de presentear vocês com o final da fic no aniversário dela de 06 anos... Afinal, 06 anos, tá na hora de acabar essa bagaça! kkk Vou tentar fazer o meu máximo e acabar real com essa fic. Pensei em postar outra fic que está na minha mente, porém eu acho que vou fazer um bocado de gente sofrer com isso... Afinal, vou demorar mil anos pra ficar atualizando como é de praxe! kkk — ENFIM! COMENTEM E RECOMENDEM!