I Hate You Too!
57 LVII - Bad (parte II)
Notas iniciais
(POV: JONATHAN)
Eu saí daquele apartamento batendo o pé e caminhando depressa, nos meus olhos caíam lágrimas que não deveriam ter saído. Eu tava bem errado, mas a raiva não deixava de existir. Has não era sarcástico e nem agressivo e naquele momento ele fazendo essas duas coisas muito bem.
Desci até o térreo e peguei o carro que estava na vaga de visitas. Nem me despedi do porteiro, apenas acelerei pelo portão e logo saí dali. O caminho até em casa era rápido, mas eu nem sabia se queria ir pra porra daquela casa. Meu pai era um pé no saco. Nos últimos dias ele até tinha diminuído o número de reclamações, mas eu ainda não havia conseguido perdoar ele pelo que ele fez com o Has.
No fundo, eu sempre culpei o meu pai por tudo de ruim que aconteceu na minha vida, principalmente desde a morte da minha mãe, mas nunca nada era realmente culpa dele, porém dessa vez era. A merda que ele fez com o Has e desestruturou toda a nossa casa foi realmente por alguma coisa que ele fez. E acho que talvez isso eu não ia conseguir perdoar.
Ele conseguiu estragar a única vez que eu consegui me sentir enquadrado em algo bom, no sentido familiar. Eu não me sentia tão bem acompanhado desde a morte da minha mãe. Aquilo era a pior porra de todas… Aliás a ladeira a baixo que vinha consistindo a minha vida era uma pior porra de todas na realidade.
Dirigi rápido pelas ruas e queimei dois sinais… Foda-se as multas. É bom que eu meto no rabo daquele desgraçado e ele paga. Eu estava revoltado em ter sido humilhado pelo Hassan, o pior talvez era ter me humilhado pra ele e ter deixado ele me ver chorar. Ao chegar na porta de casa bati forte com as mãos no volante e meus olhos começaram a lacrimejar.
—PORRA!
Gritei alto dentro do carro, felizmente ninguém passava na rua e nem me ouviria. O bairro que eu morava era muito residencial, muitas casas e o tráfego de pedestre era bem raro, geralmente como a violência vinha aumentando não era muito legal ficar muito tempo de bobeira na rua, principalmente a noite, mas eu não estava me importando com isso. Eu só queria bater muito em algo.
Saí rápido do carro. Travando as portas e logo entrando em casa. Era quase quatro horas, não havia ninguém ali. Subi rápido, passando dois em dois degraus. A casa tava um lixo. Gabriela havia diminuído a atividade doméstica por causa das dores e inchaços causados pela gravidez, meu pai era até um bom dono de casa, mas não estava muito se importando para isso e eu também tava cagando pra aquela casa.
Ao chegar no meu quarto, entrei direto pela porta e joguei o telefone sobre a cama. Eu havia comprado uma cama de casal, já que não tinha mais que dividir o espaço com o Has, mas… Eu poderia dormir no chão se ele ainda tivesse naquela casa, naquele quarto e nada dessa merda tivesse acontecido. Me joguei na cama por um momento e limpei os olhos. Da janela corria um ventinho frio. O dia tinha sido um inferno e a noite seria outro, possivelmente um inferno de chuva.
Levantei e fui até a porta do quartinho ao lado. Entrei e estava tudo escuro. A cortina cobria a pequena janela que tinha ali. Os quadros estavam cobertos. Haviam quatro cavaletes. Em dois tinham quadros concluídos e nos outros dois eram apenas as telas em branco que eu usaria para fazer outros quadros. Puxei o pano branco que escondia um dos quadros e logo o pano caiu no chão. Acendi a luz e encontrei aquele quadro… Era um retrato do Has. Ele deitado, com os cabelos espalhados sobre um travesseiro branco, no retrato era possível ver até a altura do peito dele, sendo que ele estava deitado de costas. Era uma foto que eu havia tirado quando ele estava dormindo, muito antes de tudo isso acontecer. Antes até de eu viajar para os Estados Unidos.
Segurei um dos pequenos potes de tinta na mão. E olhei firme para o quadro. Era de longe um dos mais bonitos que eu já pintei. Minha mão apertou com força o pequeno pote e um pouco de tinta azul escorreu. Tirei uma das lágrimas que descia pelos meus olhos e em seguida joguei o pequeno pote bem no rosto do Has pintado no quadro e uma grande mancha azul surgiu ali. Com a outra mão peguei mais um pote e joguei também no quadro e logo outra mancha vermelha se formava. O centro era perceptivo uma mistura das duas cores e uma tonalidade de roxo aparecia ali.
Eu queria jogar aquele quadro no chão e pisotear ele inteiro, mas aquilo era apenas um paliativo. A minha raiva não acabaria com aquilo, mas que seria bom fazer isso, seria. Saí do quartinho e meu telefone vibrava sobre a cama. Meu peito apertou e eu corri até lá. Será que era Has? Será que ele iria me desculpar?
Eu merecia desculpas?
Peguei o aparelho e apareceu o nome de Rafael.
—Eaê, viado! —Comentou rindo. Maldita felicidade.
—Que foi, filho da puta?
—Tua sorte que eu não xingo gente morta!
—Sabe que eu não gosto que metam minha mãe no meio, Rafa.
—Meio apático… Brigou com teu pai? —Agora ele parecia mais sério.
Isso era típico do Rafa. Era sempre gracinhas e gracinhas, até ele perceber que deveria ficar sério e falar.
—Não, só meio estressado… Logo passa!
—Vamos tomar umas na casa do Anderson. A gente vai te pegar aí, topas?
—Não posso…
—Que foi, viadinho… —Rafa riu e logo deu pra ouvir algumas risadas juntas. Ele já parecia bêbado pela ligação. —Vai pra tua escola?
—Cara, tu realmente merece levar uns socos… Não quero falar merda contigo, tá? Amanhã a gente conversa…
—Ei… Jonathan! Bora tomar umas, cara! Sério!
—Amanhã a gente conversa, Rafa!
E desliguei…
Será que eu teria coragem de contar para Rafa e meus amigos que eu era gay? Como eles iriam reagir aquela notícia? Talvez não de forma tão positiva, mas eu não queria pensar nisso.
Olhei para a janela e dava para ver que estava chovendo E eu ali deitado… Chorando. Fui até a janela e abri ela. deitando o vento entrar. Deitei-me novamente, tirando a camisa e ficando de barriga pra cima. Meus olhos estavam ardidos e lacrimejando. Eu odiava a porra desses sentimentos, malditos sentimentos.
Virei de lado e fiquei encarando a chuva caindo. Balançando a árvore que tinha ali ao lado da nossa casa. A árvore que uma vez o Hassan escalou para entrar no meu quarto. O que eu deveria pensar? Em como me desculpar? Em como ajeitar tudo…
Mas será que eu deveria arrumar tudo? Será que Has queria que isso acontece? Ele parecia bem certo do que realmente queria na tarde de hoje e pelo que eu vi, ele me queria longe. Não seria melhor deixar as coisas assim?
Trovão!
A chuva aumentou levemente e já estava completamente escuro lá fora. Um pouco de água entrava pela janela e molhava um pouco o chão do quarto. Has amava chuva e eu também. Era uma das poucas coisas que nós compartilhávamos juntos. Se não tivéssemos nessa situação, eu poderia estar na casa dele e juntos nós estaríamos deitados aproveitando a chuva.
—Jonathan? -Ouvi Gabriela me chamando e logo virei para a porta, limpando os olhos rapidamente e ela abriu a porta. -Querido, tudo bem?
—Uhum… Cadê meu pai?
—Não sei, não falei com ele hoje á tarde.
Gabriela usava o vestido, bem justo pelo aumento de peso pela gravidez, a barriga ainda não era plenamente perceptível, mas já dava pra perceber algum inchaço na área. Ela já estava descalça. havia tirado o salto alto que já começava a incomodar e os cabelos permaneciam presos no topo da cabeça como costumava usar.
—Querido, está tudo bem mesmo? -Eu quis acenar que sim, mas a minha cabeça me traiu e logo balançou negativamente. -O que houve, Jonathan?
Gabriela veio até a cama e sentou-se e eu levei a cabeça até seu colo. Fiquei ali deitado em posição fetal, com a cabeça apoiada nela e ela levou uma das mãos até meus cabelos, espalhando um pouco pela minha cabeça fazendo uma massagem. Gabriela estava sendo um grande conforto para toda a situação que eu estava vivendo com meu pai e agora com o Has.
—A gente acabou, Gabi… -A mulher suspirou e continuou mexendo no meu cabelo. -Eu fiz merda, a gente discutiu, eu disse muita merda pra ele e ele pra mim e basicamente estamos assim.
—Querido… Relacionamentos são assim…
—O problema está exatamente nisso. Não acho que eu e o Has temos um relacionamento!
—O que te faz pensar isso? -Ela continuava mexendo no meu cabelo, enquanto eu fechava os olhos ouvindo o barulho da chuva batendo na janela.
—Nós não namoramos… Como podemos ter um relacionamento?
—Querido, relacionamentos são mais do que namoros. Relacionamentos são acertos que nós fazemos com quem nós gostamos e até com quem não gostamos. Você não acha que o que vocês tem pode não representar um namoro, mas vocês dois já pararam pra pensar e acertar coisas entre si? -Balancei a cabeça em negativo, ainda de olhos fechados. -Olha, eu eduquei o Has, então eu sei que ele é uma pessoa de extrema fidelidade e sentimentos, o que pode estar afetando ele é isso. Você disse que fez muita merda, no que essas merdas consistem?
Como eu poderia contar aquilo para Gabriela? Como eu iria dizer que eu havia traído a confiança de Has? Eu não tinha como esquecer que ela era a mãe dele. O que consiste que ela amaria e protegeria ele de tudo.
—Eu fiquei com uma garota… -Falei aquilo com os olhos fechados. -No dia do meu aniversário, no dia que ele me deu um relógio de presente. E ele descobriu porque ela é da faculdade dele, sendo que nem eu sabia disso.
—E o quanto de relevante ela foi nessa história?
—Nada… Eu nem lembro o nome dela direito. Iara?
—E você falou isso pra ele? -Silêncio. -Eu já sei a resposta… Você não falou! -Ela continuou mexendo no meu cabelo.
—Como sabe…
—Você tem um orgulho similar ao do seu pai… Eu sei que você não quer ser comparado com ele, principalmente pelas coisas que aconteceram, mas o Paulo também não veio se desculpar com você pela dor que ele te fez passar por causa do Hassan, não? Vocês são dois loiros cabeças duras que não gostam de dizer que estão errados e às vezes isso faz toda a diferença sabia? Quando você assume pra alguém que você gosta que você errou e se arrepende por isso, é isso que faz essa pessoa continuar acreditando e tentando algo com você, Jonathan.
—Mas… E se ele não quiser aceitar minhas desculpas?
—Você vai se desculpar pensando nisso… Ou vai se desculpar porque realmente quer se desculpar?
Ela tinha razão… Eu estava sendo ridículo em pensar se ele não aceitasse as desculpas, eu tinha que ter convicção que eu queria pedir desculpas mesmo.
—Mas… É difícil.
—Querido, você gosta do Has… Seu rosto tá vermelho de tanto chorar, seus olhos vermelhos, suas roupas jogadas no chão. Você sempre faz isso quando tá chateado ou irritado. Isso é sinal de que ele é importante pra você, não deixe teu orgulho te cegar e não deixar você ter uma paixão.
—Você não deveria estar com raiva por eu ter ficado com alguém enquanto eu ficava com seu filho? -Virei de barriga pra cima e a encarei. Ela sorriu olhando para meus olhos.
—E eu estou… Eu imagino como o Has está se sentindo triste e traído… Ele sempre se rebaixou. Na escola nunca se sentia suficiente, com os primos sempre se sentia inferior. Sempre foi o menor, sempre foi o menos forte. Ele deve estar se sentindo nem um pouco suficiente pra você, tão pouco suficiente que você teve que ir atrás de outra pessoa pra se satisfazer um pouco.
Era ruim ouvir aquilo… Eu sempre percebi um complexo de inferioridade por parte do Has, mas eu não levava isso a sério, porque eu sempre me senti menos do que ele. Menos inteligente, menos educado, menos interessante.
—Desculpe…
—Não é a mim que você deve desculpas!
—Eu sei… Mas o medo…
—Olha pra você, querido. -Ela soltou meus cabelos e levou uma mãos pro meu rosto. -Você é um garoto lindo, Jonathan. Por fora e por dentro, eu sei disso. Não sinta medo de coisas, se você se arrepender por ter feito elas é mais positivo do que ter deixado de fazê-las. Você é um garoto lindo e o Has também é… Olhares de todo mundo podem entrar na vida de vocês dois e acredite, existem outras pessoas lindas no meio do caminho, não esqueça disso.
—E o meu pai?
—O que tem ele?
—Sabe que você apoia tanto a gente assim?
—Nós colocamos esse assunto na gaveta de não discutir. -Ela sorriu. -Seu pai cansou de tentar mudar minha opinião e ir dormir no sofá, querido. -Sorri junto. -Eu quero que meu filho seja feliz, com um homem, uma mulher, um cachorro, um gato, não me importa o que lhe traz um sorriso ou brilho aos seus olhos e eu acho que você não vai acreditar, mas Paulo está aos poucos cedendo. Acho que os medos dele de não ter netos ou de ter uma família feliz está se indo aos poucos.
—Entendo.
—E mais importante… Se você é que traz felicidade pro Has, eu fico mais feliz ainda, porque eu sei quem você é e eu te conheço e nenhuma mãe fica mais feliz ao saber quem é a pessoa que nossos filhos amam.
Sentei-me ao seu lado e sorri, com as mãos no meu colo. Gabriela continuou sentada e me olhando. Eu estava com vergonha, por ter tido um momento bem legal com a madrasta que eu havia detestado desde o início e que sempre se mostrou acolhedora.
—Eu posso…
Ela me olhou e antes de continuar eu apenas passei os braços pelo seu pescoço e a abracei. Senti um suspiro forte vindo no meu pescoço e seus braços logo circundaram o meu corpo também devolvendo meu abraço.
—Você é uma ótima mãe…
—Existem melhores, querido. -Soltamos um ao outro e ela levantou, meus olhos novamente estavam lacrimejando e os dela também. -Eu vou preparar algum lanche pra janta, vai querer? -Falou levantando e se encaminhando para a porta.
—Acho que sim… Gabriela?
—Oi? -Virou segurando a porta já aberta.
—Vai precisar de mim amanhã?
—Não, querido… Pode tirar o dia de folga, inclusive… É bom você fechar a lâmpada e trancar a porta para eu pai achar que você foi para a escola, o que acha?
—Boa ideia, obrigado.
—Quando o lanche tiver pronto, eu venho trazer pra você escondido, boa noite.
—Boa noite!
Aquilo tinha sido bom… Havia me acalmado e me dado ideia do que fazer. Caminhei até a porta e a tranquei, apagando a luz em seguida. Um banho quente e uma boa noite de sono melhorariam ainda mais!
[...]
No outro dia pela manhã, eu acordei quase dez da manhã. Sem ter que trabalhar e eu havia decidido ir até Has e me desculpar. Acordei empolgado, lavei o rosto e corri até a cozinha pegando uma xícara de café e algum dos pães que estavam por ali.
Eu estava elétrico, até um pouco nervoso. Corri até a garagem e abri o portão saindo com o carro. Seria uma bela surpresa. Se ele não tivesse em casa, eu iria até a Universidade de boa. Falaria com ele de qualquer forma, o que importava era resolver aquela pendência. Não demoraria nem trinta minutos até a casa do Has e logo eu liguei a som para ouvir alguma coisa e me olhei no espelho que tinha ali no carro.
Minha cara estava bem melhor que a noite anterior e ainda melhoraria mais ainda. Lembrei de algo importante e comecei a procurar pelos bolsos. Infelizmente não estava, havia deixado o telefone em casa. O que poderia dificultar um pouco mais a minha busca, mas eu estava inspirado em resolver aquilo.
O caminho era calmo e eu estava pensando em como abordar. Eu poderia dizer que eu estava arrependido de ter mentido pra ele, que na realidade aquilo não significava nada e que foi apenas um erro eu ter ido até a festa da Medicina e ficado com alguém, no dia do meu aniversário.
O foda era pensar como eu dei esperanças ao Has e estraguei toda a programação que ele havia feito e de presente ainda fiquei com alguém, até que ponto isso era perdoável? Não era bom pensar essas coisas. Chacoalhei a cabeça tentando tirar pensamentos ruins e continuei dirigindo.
E se Has não me perdoasse? Eu merecia passar por aquilo de novo. Todo sentimento negativo e a raiva que ele havia me feito passar ontem na nossa discussão. Eu estava realmente pronto para pedir desculpas? E ele pra me desculpar?
Has ainda poderia estar triste e decepcionado, talvez a raiva nem houvesse acabado ainda. E sinceramente, eu estava merecendo isso sim. Ele deveria estar ainda irritado e eu só iria causar mais ira a ele. Eu já estava na rua dele, parado em um dos sinais de trânsito e estava a cerca de 5 quadras da casa dele.
Eu deveria insistir e ir até lá?
Não…
Não era certo, não parecia certo. Dobrei na próxima rua à esquerda para voltar para casa. Aquilo estava errado demais. Por mais que eu quisesse pedir desculpas, não estava certo que eu fizesse isso quando eu bem quisesse. Ele poderia nem querer me ver pintado de ouro e eu bem que merecia isso. Nem eu sabia como eu poderia reagir caso ele dissesse que não perdoaria… E se eu explodisse e acabasse falando o que não quisesse.
Sabe quando sua mente diz que tudo ainda está fresco e que você não pode mexer em algo frágil? Pois isso estava me afetando agora e eu não poderia mexer em algo frágil. Nem a tinta que eu joguei no retrato deveria estar seca como que a nossa relação poderia estar sólida novamente?
Eu não iria ser fraco e chorar de novo.
Durante o caminho de volta pra casa. Parei numa rua e desci do carro. Entrei num salão de cabeleireiro que estava ali perto, numa esquina de uma rua cheia de lojas e outros pontos comerciais. O lugar estava bem limpo e era bem organizado. Logo na entrada, uma mulher estava na recepção. Uma morena com o cabelo preso e um sorriso no rosto.
—Olá. -Falei.
—Oi. O que você deseja?
—Eu quero cortar o cabelo…
—Você tem hora marcada?
—Não… -Mexi no cabelo. -Vocês só aceitam com hora marcada?
—O que está havendo? -Uma outra mulher chegou. Essa era loira e estava com o cabelo solto, usava uma espécie de avental no corpo, com bolsos com tesouras e pentes.
—Ele quer cortar o cabelo, mas sem hora marcada…
—Pode entrar, querido. -Ela falou encostando a mão no meu ombro. -A minha próxima cliente só vai chegar daqui a uma hora e isso é mais do que suficiente.
Eu entrei e ela me acompanhou, indicando onde eu deveria sentar. O lugar era até grande. Algumas cadeiras viradas para uma parede com um espelho enorme. Algumas bancadas com materiais de cabeleireiro e ao fundo outras cadeiras de espera e de lavagem capilar, alguns equipamentos eletrônicos. Tudo seguindo as cores preta, vermelha, azul e amarelo.
—O que você deseja fazer nesse cabelo, querido? -A mulher passou um pequeno pano fino contra meu pescoço.
—Raspa tudo… O mais perto de careca que você conseguir! -Ela se espantou com meu pedido e colocou as duas mãos sobre meus ombros. -Pode fazer… Eu não vou me arrepender!
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