I Hate You Too!
52 LII - Amadurecendo
Notas iniciais
E o sábado veio e com ele uma tempestade típica de verão. Devia ser por volta de dez da manhã e o céu estava basicamente caindo. Eu estava parado vendo a chuva da sala, na porta da varanda. Tudo estava bem acinzentado e a chuva batia forte na varanda e até respingava nos vidros da varanda. O vento também era um pouco audível. A previsão do tempo dizia que o dia ainda faria sol, talvez no período da tarde e como era verão, era muito provável que isso acontecesse mesmo.
O almoço já estava pronto, eu havia acordado cedo e feito tudo, aproveitando o clima mais agradável causado pela chuva e aqui estava eu, parado em frente a porta, usando apenas uma camiseta e uma cueca, tomando um pouco de café e pensando na vida. Felipe estava nos meus pensamentos, será que ele iria mesmo vir até aqui com essa chuva toda? Era melhor que eu avissasse que ele não deveria vir se fosse muito complicado. Meu pensamento era tomado por isso e logo a campainha tocou. Seria possível ser Felipe?
Ele sabia meu endereço e tudo, mas ele não subiria sem ser anunciado e também não viria sem perguntar alguma coisa pelo whatsapp e ainda mais naquela chuvarada? Saquei meu telefone e não havia nenhuma mensagem recebida. Para subir assim, sem que eu fosse informado, só poderia ser minha mãe. Fui até a porta e vi pelo olho mágico quem era… E a imagem era mais surpreendente do que eu esperava. Abri a porta e lá estava Jonathan, encharcado. Os cabelos grudados na testa completamente molhados, a roupa toda molhada e aparência de cansado.
—Jonathan… O que houve?
—Não vai me deixar entrar? -Só então percebi que eu estava atrás da porta, fechando completamente a passagem pra ele. O deixei passar e ele entrou sem saber bem o que fazer.
—Ei… Vai no banheiro, toma um banho… Tem roupa sua na segunda gaveta do meu armário. -O loiro parecia perdido no meio da sala e eu fui até ele, segurando seu rosto e fazendo ele olhar para mim. -Jonathan… Vai tomar um banho! Tem toalha no banheiro e tem roupas suas na segunda gaveta do meu armário, tá bem? -Ele confirmou que sim, sem falar uma palavra e eu o soltei.
Enquanto Jonathan caminhou para o banheiro, fui até a cozinha e comecei a preparar um chocolate quente para ele, eu sabia que ele gostava de chocolate quente e o dia poderia aceitar isso. Fui rapidamente até o liquidificador e comecei a fazer a mistura para esquentar logo em seguida. Depois que eu havia feito o chocolate quente e coloquei na xícara, procurei algum acompanhamento e encontrei algumas bolachas que Jonathan gostava. Coloquei duas xícaras sobre uma bandeja e um prato com as bolachas e levei até a sala e o loiro já estava lá.
Usava um moletom que não era dele, era meu, mas como era largo coube perfeitamente nele. Uma camiseta dele que ele havia deixado ali numa das poucas vezes que veio dormir aqui. Os cabelos estavam espalhados e mais secos, talvez porque ele tenha os secado com a toalha. A cara não estava das melhores e os olhos meio avermelhados poderia significar que ele iria ficar resfriado ou que chorou, embora ele não assumisse. Jonathan parecia frágil, igual no dia em que me pediu desculpas no carro, na minha matrícula na faculdade.
Ao pensar em faculdade, olhei para o lado de fora para ver como o tempo estava. Nada da chuva diminuir e talvez Felipe não viesse… Eu agradeci. É… Pensar que os dois poderiam se encontrar iria ser mais um estresse… Jonathan iria presumir que Felipe é o mais novo Luck ou João da história… Dois membros completamente distintos daquela história que pouco influem na minha vida atual. Como João e Luck estariam agora? Felizes? Bem? Será que aquela dúvida crescente em relação aos sentimentos só me acontecia quando Jonathan estava envolvido?
—Jonathan? -Falei e ele me olhou. Ele estava semi deitado no sofá. Coloquei a bandeja no meu colo e sentei ao seu lado. -Chocolate, quer?
Antes que eu pudesse pensar o loiro segurou meu rosto e me beijou. Eu ainda estava de olhos abertos quando ele começou a introduzir a língua na minha boca e eu retribui o beijo. O beijo desesperado. Aquilo não era comum de Jonathan, aquela interação desesperada, mas eu não poderia negar, afinal eu também estava com saudades. Aquilo deveria ser saudade, né?
Antes que Jonathan se empolgasse e derrubasse tudo, eu me separei dele, dando um selinho nos seus lábios e mostrando o café.
—Aqui… Chocolate. -Entreguei para ele uma das xícaras e mostrei as bolachas. -Tome. Melhor você comer.
—Ok.
Ele não rebateu, apenas tomou um gole do chocolate e foi comendo algumas bolachas. Comendo aquela hora, talvez só iríamos almoçar perto das duas horas, afinal já era quase onze da manhã.
—Me fala o que houve. -Perguntei ao terminar o chocolate, eu não estava lá com muita fome e percebi que ele também não. Afinal tomou só o chocolate e comeu duas ou três bolachas. -Porque você chegou aqui todo molhado.
—Não quero falar sobre isso, Has. -Ele quis evitar virando o rosto e tentando levantar.
Eu o segurei e não deixei ele sair, joguei meu corpo sobre o dele o que fez ele cair no sofá e eu fiquei deitado em cima dele, rindo e ele também estava rindo. Apoiei meu peito no corpo dele e suspirei.
—Eu só vou sair daqui quando você me falar o que houve.
O loiro suspirou e eu senti minha cabeça levantar sobre seu peito com o suspiro.
—Eu briguei com o meu pai… -Quis olhar pra ele, mas aquilo estava tão gostoso, que eu preferi apertar o corpo dele e deixá-lo continuar. -Discutimos e eu acabei me estressando e saindo de casa, só que obviamente ele disse que eu não poderia sair de carro, então eu vim pra cá de ônibus, acabei descendo na parada e vindo correndo, por isso estava completamente molhado.
—E por que vocês discutiram?
—Ahh, Has… Eu tô sem saco de morar naquela casa. Tipo… Tem noção de que agora tudo vai ficar uma merda. Sua mãe vai ficar de licença e vai ter um filho, meu pai vai continuar estressado comigo e eu vou morar numa casa com um casal e um recém-nascido, completamente fora do lugar. Tudo na minha vida tá uma merda?
—Tudo?
—Tá… -Ele me apertou com os dois braços. -Quase tudo.
—E qual a solução que você tá pondo em sua vida? -Sentei-me sobre a barriga do loiro e o olhei.
Ele parecia mais livre, os cabelos estavam mais secos e o sorriso sarcástico conhecido estava ali naqueles lábios. Jonathan levou a mão até minha cintura e levantou minha camiseta um pouco, mostrando o elástico da minha cueca e meu umbigo.
—Que tal se a gente morasse junto? -Sugeriu e aquilo me pegou desprevenido.
Morar junto com o loiro.
Aquilo parecia cedo e até problemático demais. Jonathan e eu tínhamos personalidades muito distintas para aquele fato, além dos nossos pais não serem lá muitos favoráveis ao nosso relacionamento, imagina morar juntos. Aquilo não parecia certo, pelo menos não ainda.
—Has…
—Você não acha algo precipitado?
—Has…
—Espera! Não é como se eu não quisesse, mas a gente não tem maturidade ainda, não pra morar sozinho juntos. Isso seria no mínimo catastrófico.
—Tá bem… Você tem razão! -O olhei espantado. Aquele não era o Jonathan. Uma garoto que concorda sem se exaltar. Ele sentou-se no sofá o que fez com que eu escorregasse e sentasse no colo dele e não na barriga. Suas mãos foram até meu rosto, uma em cada lado. -Foi uma brincadeira, eu sei que isso é uma merda, calma tá! Não fica mexendo esses olhos sem parar que eu sei que você tá entrando em colapso quando faz isso. -Sorri sem graça e ele beijou meu queixo e deu uma mordiscada. -Depois a gente pensa nisso…
Abracei o corpo do loiro e nós começamos a nos beijar ali mesmo. Era surpreendente como ele estava… Frágil? Compreensivo? Amoroso? Aquelas não eram qualidades usuais de Jonathan. Não que ele fosse uma pessoa ruim, ele nem era. O fato era, Jonathan não era sentimental, talvez fosse apenas a fragilidade da briga atual com o pai. Eu apenas conseguia imaginar como a situação naquela casa deveria estar e não deveria estar nada fácil, eu me preocupava principalmente com minha mãe gerando uma nova vida naquelas condições.
Jonathan novamente deitou-se, só que dessa vez, me carregou junto a ele e deitamos juntos, o loiro levou uma das mãos até minha nuca e fez um carinho ali, enquanto beijava meu pescoço e eu me contorcia com os arrepios que aquilo fazia.
—Jonathan… -Chamei colocando minhas mãos nos ombros dele, mas ele não parou. -Ei, loiro!
—Fala… -Perguntou fingindo raiva, porém ele não estava.
—Vamos com calma…
—Porquê? Virou virgem de novo?
—Aff, seu babaca! -Bati com a mão no peito dele e ele riu.
Deitei com a cabeça no peito dele e aspirei forte, sentindo o cheiro do corpo da camiseta que parecia infestada com o cheiro dele. E aquilo era delicioso, eu era viciado naquele cheiro do Jonathan. Era uma mistura do perfume favorito dele com o cheiro próprio do corpo.
—Eu poderia ficar deitado assim contigo para sempre…
—Ficamos então. -Ele cheirou meu cabelo e deu um beijinho ali. -Mesmo que o pra sempre seja tipo… Quinze minutos.
E eu não sei quanto tempo eu passei consciente naquela posição, porém logo eu caí no sono e simplesmente dormi ali.
[...]
Eu não sei quanto tempo eu passei dormindo. Só sei, que quando eu acordei eu estava sozinho na minha cama. O que parecia estranho, eu estava na minha cama quando caí no sono? Claro que não. O ar-condicionado estava ligado e minha mãe ainda me mataria pelo valor absurdo que talvez ela tivesse que pagar na conta de energia, mas a gente estava no verão, eu não poderia fazer muito em relação a isso.
Olhei vendo a porta abrir e Jonathan estava ali entrando, com a mesma roupa e sorriu ao me ver sentado, com o cabelo completamente bagunçado e com o cobertor cobrindo a metade de baixo do meu corpo.
—Então acordou?
—Você que me trouxe pra cá? Porque?
—O sofá tava bem ruim, eu estava com dor nas costas. Sua cama é bem mais gostosa. -Ele sentou-se mordendo uma maçã e eu lembrei do almoço. -Você tem um sono bem pesado. Eu te trouxe no colo até aqui e você nem deu sinal de vida.
—Você tá comendo! -Ele fez uma cara de “não é meio óbvio?” -Mas e o almoço?
—Eu almocei. Fui lá e vi que você tinha feito comida e comi, pensei em te acordar, mas você parecia bem quieto, então preferi te deixar dormindo mesmo.
—Nossa, que horas são! -Peguei meu telefone que estava ali em cima do criado-mudo e vi que já eram quase duas horas. Eu dormi até que bastante, porém logo pulei da cama.
Junto com a hora, vi que tinham duas ligações de Felipe, isso significava que ele deveria estar próximo de vir e que Jonathan encontraria com ele. Ok… Nada de enlouquecer agora, Hassan!
Levantei e corri para o banheiro, lavei o rosto e logo segui para cozinha, a fim de comer logo.
—Has… -O loiro chamou, enquanto eu colocava um pouco de comida no prato. -Ei… Você vai sair pra algum lugar?
—Não… Não vou a lugar nenhum.
Jonathan parou a minha frente e continuou me olhando sem entender nada, enquanto eu comia com pressa. Tá, nem eu sabia porque eu estava tão apressado, mas eu deveria comer logo e ligar para Felipe. Confirmando a sua vinda? Eu estava mais nervoso com o possível encontro dos dois e as possíveis cenas do que mesmo com a prova que aconteceria naquela semana.
—Jonathan… Um amigo meu vai vir aqui…
—E?
—Só te falando, nós vamos estudar temos prova essa semana.
Ele parecia indiferente. Ok, eu deveria tomar aquilo como um sinal positivo? Talvez sim, né? Afinal, Jonathan era sempre tão explosivo e se ele estava levando tudo de boa era um sinal de que tudo estava bem, certo?
Talvez fosse um sinal de amadurecimento.
Jonathan esperou eu concluir o meu almoço, o que não demorou muito. E logo fomos ao sofá. Sentamos e o loiro começou a mexer no celular, meio deitado no sofá. Fui até o quarto e escovei os dentes depois do almoço e logo me vesti. Peguei no telefone e Felipe não ligou novamente. Será que ele havia desistido? Já havia passado das duas… Seria bom horário para ele chegar. Olhei para fora e não mais chovia, apenas estava um nublado, mas logo o sol apareceria. Saí do devaneio solar ao ouvir o interfone tocar, antes que chegasse até lá. Jonathan já estava lá e o atendei.
—Sim? -Perguntou ao telefone. Será que seria naquele momento que ele falaria alguma cena? Eu esperava que não, não com o porteiro. -Felipe? -Ele perguntou, mas estava olhando pra mim, como se confirmasse algo. Acenei que sim. -Sim, pode deixar ele subir, obrigado.
Olhei para meu corpo, estava com uma camiseta simples e uma bermuda jeans, descalço. O loiro seguia com o moletom e uma camiseta também. Logo a campainha tocou e eu segui daquele jeito até a porta e a abri. Felipe me sorriu. Usava os dreads amarrados na cabeça e uns dois ou três soltos, indo até o meio da coluna dele. Uma camisa com botões e estampa floridas e uma bermuda também jeans.
—Oi. -Cumprimentou.
—Oi, Fê. -Falei e deixei ele entrar. O negro passou por mim e logo deu de cara com o loiro que estava apenas encostado no sofá.
—Com licença. -Falou se dirigindo a Jonathan que apenas acenou com uma cabeça, em algo que eu indicaria como um cumprimento cordialmente hétero. -Não sabia que você tinha visitas, eu deveria ter esperado você atender…
—Relaxa, cara. Visita aqui é você. -Apesar da frase parecer cordial, eu sabia que aquilo não era cordialidade partida de Jonathan.
—Felipe, esse é o Jonathan. Ele é enteado da minha mãe. Filho do meu padrasto.
—Ahh, sim! O Hassan já falou sobre você. -Felipe se aproximou e colocou a mão Jonathan.
O loiro olhou para a mão dele e eu o olhei, como se questionasse onde estava a educação dele. Jonathan simplesmente pegou na mão do meu amigo e apertou firme.
—Espero que ele tenha falado coisas boas sobre mim…
—Apenas o pior… -Comentei irritado e ele sorriu.
Até eu agora eu não sabia se ele estava só me chateando ou realmente estava renegando a presença de Felipe, na verdade ele poderia estar fazendo tudo aquilo. Contanto que ele não avançasse em cima do garoto e começasse a bater na cara dele, algo que seria típico de Jonathan.
—Então eu vou ter que ser seu amiguinho também, Felipe. Assim eu te falo apenas o pior do Hassan também. -O olhei revirando os olhos e ambos riram. Claro que ele iria fazer uma brincadeirinha. -Bem, eu vou ficar aqui na sala de estar e enquanto vocês estudam aí na sala de jantar, ok?
—Sim. -Confirmei, enquanto eu e Felipe fomos para a mesa de jantar, onde colocamos os cadernos e livros sobre a mesa.
Abri toda a porta da varanda, porque o calor começava a aparecer e talvez algum vento fizesse bem, embora eu achasse que não fosse ventar. Jonathan deitou-se no sofá e ficou mexendo no celular. Eu seguia olhando para trás, para ele, enquanto Felipe mexia nas folhas do livro e abria o seu caderno com suas anotações. Sabe quando as coisas não parecem que vão dar certo? Pois é, eu estava sentindo isso agora.
—Has… Por onde quer começar? Has?? -Olhei para a mesa e Felipe já estava pronto. Seu caderno com anotações e o livro aberto em um dos capítulos indicados.
Como eu podia ser tão bom em biologia no ensino médio e quando cheguei na Universidade, biologia celular simplesmente virou um dos meus piores pesadelos? Poderia culpar o professor, mas seria um pouco mentira se eu fizesse isso também.
—Pode ser por esse capítulo mesmo. -Confirmei olhando para o negro e sorrindo e logo ele começou a falar sobre as estruturas básicas de célula, o que eu obviamente já sabia, porém era um pouco mais complexo do que isso.
Os primeiros minutos foram calmos, nós estávamos atentos estudando. Felipe me explicava as coisas que havia anotado de resumos de capítulos e de visões de autores, até Jonathan começar a… Chamar atenção, por assim dizer. Enquanto Felipe falava ouvimos uma batida forte e eu logo olhei para trás.
—Desculpa! -Justificou o loiro se abaixando e pegando o controle da TV. -Derrubei sem querer!
Novamente voltamos aos livros e com poucos minutos Jonathan levantou-se e foi caminhando até a cozinha, arrastando os pés e passou por nós. Até Felipe que era muito focado, estava percebendo as atitudes do loiro. Logo Jonathan voltou e ficou parado próximo a mesa, tomando um copo com água e mexendo no celular.
—Aí tipo… Ele meio que quer que tu…
—Vocês estão estudando células? -Ele perguntou parando ao lado de Felipe e interrompendo a sua explicação. -Caraca que merda, isso já é uma merda no ensino médio, imagina na porra da faculdade ficar estudando sobre célula.
—Jonathan… -Falei e ele me olhou, terminando de beber água. -Lá no quarto tem a TV e o Netflix, porque você não assiste algo?
—É uma boa ideia… Mas antes eu vou fazer pipoca…
—Jonathan…
—Eu prometo que eu limpo tudo! -Falou já da cozinha e eu sabia que eu só iria me irritar com isso. -VOCÊS VÃO QUERER? -Gritou da cozinha, novamente atrapalhando.
—NÃO! -Respondi gritando de volta.
—TÁ!
Bufei.
Jonathan não estava ajudando e eu realmente queria me concentrar e aprender algo útil para a prova.
—Tá… -Falei para Felipe que parecia mais envergonhado de estar naquela situação do que qualquer coisa. -Então a gente faz assim…
Continuamos estudando o conteúdo. Saímos das partes mais básicas e começamos a chegar em agrupamentos celulares e indo para uma escala mais próxima dos órgãos. Aquilo era que ficava mais difícil, porque tudo envolvia muita teoria de autores, algo que no ensino médio nem sempre era importante e já na Universidade nada poderia ser feito sem base científica.
Felizmente depois que eu o despachei para o quarto, Jonathan não atrapalhou mais, apenas seguiu com sua pipoca para o quarto e se trancou lá. As seguintes três horas, eu e Felipe estudamos sem parar, passando e repassando o conteúdo e anotando tudo que poderia cair na prova. Só tivemos uma pequena pausa de vinte minutos para comer algumas bolachas com suco e logo voltamos para os conteúdos.
Foi muito bom estudar com ele. Felipe era paciente, além de ser muito inteligente e lembrar de cada detalhe que o professor comentou nas aulas, além de claro, anotar tudo e isso me ajudou muito a perceber como eu estava disperso em muitos momentos e perdi parte importante do conteúdo.
—Bem, você tem que ir mesmo? -Perguntei em pé, próximo a porta.
—Sim, Has. Eu tenho que voltar de ônibus e hoje é sábado, eu não gosto de voltar quando está escuro né?
Eram por volta de seis da tarde já. Felizmente como estávamos no verão e com o horário de verão ainda era possível ver o sol, que já estava bem próximo de se pôr. Nossa cidade não era muito perigosa, mas ultimamente uma onda de assaltos estavam acontecendo, talvez pela proximidade do Carnaval. Inclusive que feriado maravilhoso, seriam 5 dias longe da Universidade, em compensação com mil conteúdos para se estudar.
—Obrigado, Felipe. -Abracei o negro e ele apertou meu corpo junto ao dele. -Tu é mais do que dez!
—Relaxa, sempre que precisar, eu te ajudo. -Falou já se separando do abraço. -Até segunda, então.
—Até, Fê! Avise quando chegar em casa… Você tem certeza que não quer pedir um Uber? Eu pago sem problemas.
—Relaxa, Has. Tá tranquilo voltar de ônibus essa hora.
Fechei a porta e fui até o quarto. Abrindo a porta e encontrando o loiro deitado sobre a cama, passando pelos canais de TV. Tinha pipoca sobre a cama e vasilha que ele tinha usado pra trazer a pipoca estava sobre a cama. Aquilo estava um chiqueiro.
—Olha isso, Jonathan! -Falei bufando e ele apenas me olhou.
—O quê?
—Essa baderna na minha cama! Você vai limpar tudo isso! Lá na pia tá uma panela enorme, completamente suja de óleo, manteiga, sal e queimada no fundo! Você falou que ia arrumar a bagunça e vai mesmo!
—Ok… Acho que você tá estressado! -Falou e virou pra TV.
—Você tá zoando comigo, não tá? -Bati a porta e fui para a frente da TV. -Eu vou tomar banho e você vai arrumar a zorra que você fez! E vai deixar tudo bem limpinho! -Desliguei a TV no próprio aparelho receptor e fui para o banheiro batendo a porta.
Imaginar que Jonathan estava fazendo tudo aquilo na minha casa em um dia que ele veio aqui, era fora do comum, imaginar que se a gente morasse juntos ele faria isso todas as vezes, me deixava completamente puto, mas eu tinha que relaxar! Nada de pensar nisso agora!
Tirei minha roupa e coloquei no cesto ali. Estava completamente cheio, mas eu lavaria tudo amanhã. Eu não, a máquina. Me olhei no espelho e eu realmente estava cansado. Lavei o rosto ali na pia mesmo e peguei um pouco de creme e passei no rosto. Embora eu não fosse dormir, seria bom descansar um pouco a pele. Sentei sobre o vaso e respirei. Esperando os minutos que o creme pedia ali e logo em seguida tirei o mesmo para ir até o box.
Um banho era a melhor coisa que eu poderia tomar nesse momento. Nada de pensar em prova ou em problemas ainda. Vamos aproveitar a noite de sábado da melhor forma possível… Em casa! Sozinho.
Não sozinho, mas Jonathan não ia ser meu problema de sábado a noite. Liguei o chuveiro e me olhei. Deixando a água levemente fria tocar minha pele. Como o dia estava quente, um banho frio seria uma ótima pedida. Logo ouvi a porta abrindo e Jonathan entrando.
—O que você tá fazendo aqui? -Me escondi atrás da porta do box, que era fumê. -Saí, Jonathan!
—Você realmente já se acostumou a morar sozinho, deixou até a porta aberta…
—VAI ARRUMAR A BAGUNÇA QUE VOCÊ FEZ! -Esbravejei e ele riu.
—Calma! -Ele chegou perto da porta e eu a fechei, segurando firme para que ele não abrisse. -Eu já arrumei tudo, pode conferir.
Olhei para o vidro, apenas dava pra ver a silhueta dele, assim como dava para ele ver a minha. O loiro puxou a camiseta e colocou ela sobre o cesto, logo eu vi ele colocando as mãos sobre o elástico do moletom e o puxando para baixo. Não dava pra saber se ele puxou apenas o moletom ou puxou a cueca junto… Aquela cena estava me deixando louco. Eu já estava vendo Jonathan ali, pelado com os fios loiros espalhados pelo peito, descendo até o umbigo e fazendo o caminho até…
—Fazemos assim… -Ele falou e eu apertei mais o puxador da porta do box. -Nós tomamos banho, depois pedimos pizza, podemos comer vendo algo no netflix… Depois eu posso te fazer uma massagem nas costas, pra você relaxar… Eu juro que eu limpei toda a bagunça e…
—Você vai dormir aqui? -Perguntei suspirando.
—Sim…
Abri a porta.
O loiro sorriu e passou por ela, entrando no box e ficando cada vez mais apertado naquele pequeno espaço. Meu corpo encostava na parede e Jonathan se aproximou ainda mais. Ficando bem à minha frente.
—Aprendeu muita coisa com o… Fê?
—Jonathan… -Ele se aproximou e levou o dedo até meu queixo, o levantando. Fazendo com que eu ficasse com a cabeça levemente inclinada pra cima e ele abaixou a própria cabeça, me olhando nos olhos.
—Relaxa… Eu tô brincando…
—Você não tá com ciúmes?
—Não… -Ele colocou a mão direita contra a parede e aproximou do meu corpo. Eu senti o seu pênis encostar no meu umbigo e eu queria muito olhar, mas eu não conseguia tirar meus olhos daquela imensidão azul que eram os olhos dele. -Sabe por quê? -Acenei que não e ele colocou a mão esquerda contra a parede e encostou o peito no meu. -Porque tu é meu!
E me beijou… E me beijou muito, quase me atravessando pela parede do banheiro. É… Jonathan estava amadurecendo!
Fale com o autor