I Hate You Too!

51 LI - Pessoa sumida


Notas iniciais
Oi amores, eu demorei mais o título do capítulo não é pra mim viu... kkk — Um beijão pros quatro amorecos que comentaram... Obrigado Patty, Rike, Zephtx e Lipe. O próximo vai sair bem mais rápido eu prometo! — COMENTEM E RECOMENDEM.

(POV: JOÃO)

Era incrível a mudança que minha vida tinha passado. Antes eu era um mero funcionário de um dos grandes clubes da cidade e agora eu estava trabalhando como modelo, mudado de agente e namorando… É… Muitas coisas diferentes estavam acontecendo. Eu estava migrando do mercado de fotos para um mercado mais editorial e mais ligado a moda de passarela. O que estava meio me assustando e me deixando muito empolgado.

O meu novo agente se chamava Cairo, como a capital do Egito, no começo achei que era um apelido de indústria, mas realmente era o nome dele. Cairo era um antigo modelo da Itália que fez muito sucesso internacional e quando sua carreira estava começando a decair, ele investiu todo o dinheiro numa agência onde buscava novos talentos. Cairo morava no Brasil há mais de dez anos, onde trabalhava na filial brasileira da agência, porém sempre viajando para os eventos nas capitais da moda, seja Nova York, Londres ou Paris. Ele não costumava agenciar diretamente, porém Yuri sempre conseguia o que queria e acabou fazendo com que ele fosse meu agente direto. Cairo era um homem de quase cinquenta anos, que não parecia um dia a mais do que trinta e cinco, tinha cabelos bem escuros e olhos muito verdes e era uma típica beleza italiana.

Meu relacionamento com Yuri ia ótimo, agora que ele tinha carro e carteira de motorista conseguíamos nos ver sem que ele fosse perseguido pelas reclamações do pai dele. Geralmente na semana era um pouco complicado, mas no fim de semana basicamente ficávamos muito juntos, quando eu não tinha que fotografar ou divulgar algo. A grande questão agora era que Yuri queria que eu saísse daquela parte do bairro e fosse morar em algum condomínio mais próximo do centro ou do bairro que ele morava e por mais que eu estivesse ganhando uma grana que daria pra fazer isso, eu não sei se era hora que eu deveria sair da casa que meus pais deixaram pra mim, afinal de tudo.

O dia havia sido puxado. Foi um dia de gravação de um vídeo e uma sessão de fotos para a mesma marca, ambos eram gravações em estúdio, o que melhorava um pouco, já que não tínhamos que ir pra fora e tal, porém as luzes na sua cara e tudo aquilo eram um pouco complicado de trabalhar com, apesar de que esse era o melhor trabalho do mundo, em comparado com vários outros.

As fotos e os vídeos eram para uma campanha de vinho que retratava um jovem casal, então eu estava acompanhando de uma menina e todos esses comerciais envolviam beijos ou coisas assim. Yuri costumava detestar e sempre gostava de ir para o set de gravação quando tinha comerciais assim, porém naquele dia ele tinha prova e não poderia faltar e acabou apenas sabendo sem fazer grande drama. Durante esse tempo de conhecimento, eu consegui perceber que o monstro loiro era apenas um garoto solitário com sérios problemas de insegurança e falta de amor.

Depois do puxado dia de gravação, eu acabei pegando minha moto e indo para casa. Deveria ser por volta de quatro da tarde, daria tempo de fazer algum jantar legal e talvez ainda ver o Yuri em algum lugar. Às vezes ele dizia que se eu morasse mais perto, nós poderíamos nos ver todos os dias e era fácil pensar que sim. Onde eu morava, dependendo do horário, era quarenta minutos de viagem e isso, apesar de parecer pouco, para o tamanho da cidade em que morávamos era muita coisa.

Cheguei em casa e fui fazer toda a preparação para meu jantar. Talvez, eu devesse chamar o Yuri para vir comer comigo, apesar de achar que ele não iria vir. O único ponto negativo do nosso relacionamento, era achar momentos onde pudessemos transar, afinal Yuri raramente poderia dormir fora de casa, principalmente aqui em casa e nossos horários eram coisas loucas, às vezes, nos finais de semana ele conseguia vir passar o dia comigo, mas apenas quando eu não tinha nada de trabalho pra fazer, o que era de certa forma raro.

Coloquei o macarrão para cozinhar, ainda era cedo, mas eu achava melhor já estar feito e eu apenas esquentar, do que preparar tudo tarde. Acabei por optar em ligar para ele, aquele horário ele já estaria livre, acredito.

—Alô?

—Yuri? João.

—Oi, amor… Como foi o ensaio? Teve que fazer muitos beijos técnicos? —O comentário veio com uma risadinha, mas no fundo eu sabia que tinha uma pontinha de chateação.

—Não, foi tranquilo. Tudo dentro do esperado. Vai fazer o que hoje a noite?

—Não sei… O meu namorado tem alguma ideia?

—Acho que vou ficar aqui em casa mesmo, não quer vir aqui? Você pode só jantar, a gente assiste um episódio de algo enquanto come e depois você volta…

—Não amor… Você sabe que fica ruim eu sair daí à noite. Além do que, eu tô tentando não sair muito tarde dos lugares, meu pai anda reclamando muito de como eu estou saindo.

—Onde você está?

—Saindo da Universidade, indo pra casa… Acho que hoje vamos fazer algum programa eu e a Nicole. Ver alguma animação na TV, talvez.

—Entendo… Manda um beijo pra ela, então.

—Mandarei. Qualquer dia desses a gente pode dar uma saída no parque, num fim de semana, aí ela poderia vir conosco.

—Ótima ideia. -Respondi mexendo na panela do macarrão. Pelo menos eu tinha colocado pouco. O loiro se despediu e eu me despedi e logo desliguei.

Seria uma refeição solitária como eu costumava fazer mesmo. Às vezes minha mente me pregava truques e me lembrava sobre Hassan. Não era como se eu pudesse esquecer, por causa de Hassan eu tive alguns contatos mais próximos com Yuri e querendo ou não, foram as ideias malucas dele que fizeram com que nós dois ficássemos próximos.

Continuei pensando em Has e em tudo que aconteceu após conhecer ele, enquanto eu fazia o molho para o macarrão e o mesmo escorria ali perto. Pensar em Has sempre era uma situação contraditória. Parte de mim queria falar com ele e resolver o empecilho que acabou acontecendo conosco e parte de mim queria deixar aquilo da forma que estava, além de um possível estresse que isso causaria com Yuri, acho que estamos bem separados e isso pode se manter assim.

Hm… Enquanto pensava a campainha ressoava do lado de fora. Fui até lá, só Deus saberia quem poderia ser, saquei o celular e era por volta de cinco e quarenta. Não poderia ser Yuri, ele não viria sem avisar, principalmente a noite. Ao o portão e logo dei de cara com o negro. Bruno me olhou, usava roupas sociais e uma bolsa ao lado, o cabelo bem cortado.

—Posso entrar? -Perguntou me encarando. O negro era um pouco mais alto que eu e bem mais forte.

—Você não tem nada que ver aqui…

—Temos que conversar… -Bruno colocou a mão contra o portão, me impedindo de fechá-lo. -Temos algo em comum entre nós e eu sei que você não vai largar, mas eu também não quero. -O negro empurrou o portão de ferro e foi logo entrando garagem a dentro.

Eu não ia conseguir tirar aquele garoto numa boa e acabei entrando junto e ia resolver aquilo… O mais civilizadamente possível. O segui e ele caminhou até a sala.

—Eu não vim atrás de confusão cara, eu não tô afim de problema. -Se explicou. Como se eu fosse cair naquilo. -Você só tá pegando algo meu e eu quero de volta.

—Como se eu tivesse pegando um saco de batatas seu, né? O Yuri tem seus próprios sentimentos…

—O Yuri é um garotinho que não sabe o que é amor… -O negro sentou-se jogando a bolsa ao lado. -Ele só precisa de uma pica no cuzinho e já fica satisfeito.

Meu sangue subiu, mas eu entendi o jogo dele. Bruno queria me irritar e queria que eu caísse em cima dele… Mas para quê que ele queria aquilo? Com que finalidade ele queria que eu iniciasse a briga? Vamos ver até onde isso vai.

—Porque diz isso? -Sentei-me no sofá a frente e encarei o estudante de direito.

—Porque eu o conheço. Você não tem ideia do que aquele garoto é… Você só acha que está apaixonado pelo menino frágil que ele está tentando passar pra ti. Foi o mesmo comigo…

—E o que você acha que eu devo fazer?

—Hm… Acho que você tem duas opções… Largar ele antes que ele te enlace na teia dele completamente e você se perca naquele mundinho riquinho dele ou você entra nesse jogo logo e faz um casal a três com a gente… -Ele sorriu sacana. -Você tem uma bunda bem gostosa e o Yuri adora me ver fudendo outros…

—É o que? -Levantei puto e puxei Bruno pela camisa. -Tu é um escroto, sabia?

Dei um soco no lado esquerdo do rosto dele que quase caiu no chão, segurando o rosto que já sangrava um pouco. Eu sabia que eu poderia me arrepender daquilo. Mesmo que eu andasse treinando e aprendendo muito de defesa pessoal por causa da modelagem, eu ainda era péssimo quando uma luta era declarada.

O negro virou pra mim com as mãos na lateral onde eu havia batido e um sorriso na boca. Aquele salafrário deveria estar se divertindo horrores com minha cara. Tentei me aproximar sem pensar muito e acabou que ele socou minha barriga e me empurrou pra baixo. Me fazendo ficar com a cara no chão.

Bruno apoiou o joelho no meio das minhas costas, colocando parte do seu peso ali, me fazendo ficar sem ar e baixou seu rosto colando ao lado do meu. A barriga doía, mas as costas doíam mais.

—Acha que é assim que você vai conseguir o amor do loirinho, hum? Tu vai ter que comer muito feijão, moleque.

Ele saiu e logo se encaminhou para fora.

—ESPERA! -Gritei levantando. Bruno já estava na frente da porta e virou me vendo em pé, fazendo cara de incrédulo… Sinceramente, até eu estava. -Nós não acabamos!

E antes que eu pudesse pensar eu só senti o seu punho fechado contra minha bochecha esquerda e rapidamente eu já estava caindo ao chão novamente. Bruno era infinitamente mais forte, eu não poderia negar. Minha boca estava com gosto de sangue e eu deveria estar com um hematoma enorme na bochecha agora.

—Agora acabamos!

Realmente, tínhamos acabado mesmo.

[...]

(POV: HASSAN)

Biologia celular era uma droga, às vezes.

Eu estava no fundo da sala, junto a Felipe e Isabela. O professor estava passando um conteúdo para a prova e eu não estava lá no meu melhor humor para isso. Os problemas de casa estavam roubando boa parte da minha concentração, mamãe não havia depositado nada até então e eu estava com pouquíssimas coisas em casa, desde alimentação até produtos de limpeza do mais geral modo. Isso era o que dava ser “dono de casa” agora.

Isabela, junto com Felipe, era minha amiga, os dois eram os únicos amigos que eu havia feito, embora minha relação com os demais fosse muito amigável e eu conseguisse me dar bem com eles. Isabela e Felipe eram as pessoas mais próximas. Isabela era um pouco mais velha que nós, tinha vinte e um anos. Havia tentado Medicina desde os dezessete, porém sempre batia na trave e dessa vez ela havia conseguido e ficado muito feliz. Ela era loira, mas não natural, só que isso não importava, era um pouquinho mais alta do que eu e era magra e considerada desengonçada por alguns. Ela mesmo dizia que conseguiria ser modelo se não fosse tão desastrada e soubesse andar com um sapato de salto alto.

A loira também não prestava atenção na aula e Felipe era o único que permanecia atento ao que o professor falava e anotando tudo que considerava muito importante. A turma tinha quase setenta pessoas, então ficar atrás eram sempre sinal de que você não conseguiria prestar muita atenção.

—Certo, gente. Vamos dar uma pausa de vinte minutos, né? Voltem às quatro e vinte, por favor. Hoje eu vou acabar a aula uns trinta minutos antes porque tenho que resolver umas coisas na Universidade, tudo bem? -Ele não esperou ninguém responder, afinal a resposta estava implícita. -Bem, até já!

Logo todo mundo começou a levantar e a descer os degraus do auditório para ir até a cantina. Felipe levantou e se espreguiçou e eu também pegando o meu telefone.

—Como tu consegue ser tão focado, Fê? -Isa perguntou sorrindo. -Nem no cursinho eu conseguia ser tão atenta assim.

Às vezes era meio claro que ela dava um pouco em cima de Felipe, afinal ele era um belo pedaço… Olha lá, Hassan, o que você tá pensando… Felipe e Isabela fariam um lindo casal. Ele era um garoto muito bonito, com uma pele tão linda e um cabelo comprido cheio de dreads e ela uma loirinha magrinha com um cabelo na altura do peito. Felipe era super discreto e não parecia confiar na gente o suficiente pra falar sobre sua vida, porém eu acreditava que ele deveria ser hétero, então eu deveria ajudar meus novos amigos a se acharem entre si.

“E te deixarem de vela?”

É… Mas se eles ficassem felizes juntos, como eu e Jonathan somos? Somos?

Chega cabeça!

—Tu parece confuso, Has. -Felipe falou. Quando acordei dos meus devaneios estávamos na fila da cantina, onde as pessoas eram atendidas e pediam seus lanches.

—Nada… Eu tô só pensando como eu vou me foder nessa prova de biologia celular. -Um nerd de ensino médio não era nem perto do que eu estava sendo na Medicina.

—Você vai se dar bem! -Isa falando agarrando nós dois pelos ombros. -Todos nós iremos. Felipe vai passar todas as anotações dele pra nós. -E logo todos nós rimos.

—Oi, garotos. -A senhora da cantina nos saudou simpática. -Vocês vão querer?

—Uma coxinha e um refri. -Isa e aquele corpo inexplicável.

—Um sanduíche natural e um suco de laranja sem açúcar. -Felipe e aquela preocupação com a saúde.

—Hm… -Hassan e a sua usual indecisão. -Eu vou querer um copo de café e… Um sanduíche natural também.

—Nossa que combinação! -Isa reclamou com nojo e eu ri. E logos fomos atendidos e sentamos numa das mesas ali daquela pequena praça.

O campus da Universidade era enorme e completamente arborizado. Era considerado um dos poucos espaços agradáveis da cidade. Aquela praça era conhecida como praça da Medicina, por ser entre os dois blocos didáticos do curso de Medicina e estava próximo a cantina que era tomada por estudantes da Medicina.

Medicina era considerado o curso mais excludente da Universidade. Era um dos poucos que detinham muito espaço apenas para si e aquilo causava comentários sobre os sentimentos de exclusividade para com o curso e com os alunos, mas aquilo era pouco importante.

—Acorda, menino! -Isa estava estalando os dedos na minha frente e eu pisquei incessantemente. -Você é desatento, mas hoje viu… Tá se superando… Pensando em alguém? -Isa me olhou e eu neguei.

Nenhum dos dois sabia sobre o meu envolvimento com o meu meio-irmão. Jonathan… Aquele nome que não saía da minha cabeça. Inclusive desde o aniversário dele, ele havia virado uma pessoa sumida. Não havia marcado nada, demonstrado qualquer sentimento, além de respeito por responder minhas mensagens. Aquilo era horrível.

—Nada… Estava preocupado com a prova, apenas isso.

—Você quer que eu já estudar contigo no sábado? -Felipe perguntou mordendo seu sanduíche.

—Sério? -Aquilo seria ótimo. -Claro! Vamos Isa?

—Não rola… -A loira pareceu triste. -É aniversário da minha mãe, combinei que iria passar o dia com ela, vamos comprar umas coisas pro jantar e vai ser um dia puxado.

—Poxa… Que merda. Pode ser domingo? -Perguntei ao Felipe.

—Domingo eu não posso gente… Desculpe. -O garoto pareceu nervoso.

—Tá. Calma gente, podem estudar sábado, eu estudo no domingo.

—Se você quiser, eu posso estudar contigo domingo. -Me ofereci para Isa. -É bom que eu reviso o que estudei no sábado com o Felipe, pode ser?

—Poxa… Vai ser ótimo, Has!

Assim estávamos todos felizes com o calendário de estudo. Continuamos conversando e rindo das amenidades que estávamos falando.

—Aí nossa… Ela ficou louca, né? Um mico desses numa calourada, quem quer pagar? -Isa falava sobre alguma garota que ficou muito bêbada na calourada que houve sexta e que acabou caindo no chão e pagando calcinha pra festa inteira. Algo completamente banal na minha opinião. -Pelo menos as amigas dela estavam lá pra ajudar.

—Você gostou? -Perguntei.

—Foi legal… Era cada gatão… Nossa, eu queria ter pegado algum.

—Porque não pegou, porra? -Felipe falou. -Desculpa… -Como um bom carioca ele sempre soltava uns palavrões e se desculpava logo em seguida.

—Ahh até parece né? Eu comparada com essas deusas da Medicina…

—Lá vem você se rebaixar assim… Para com isso, Isa. -Dei força.

—E você garoto caseiro, porque não foi pra calourada?

—Não curto esses lugares, eu tava bem feliz em casa vendo meu House of Cards…

—Sozinho na cama, como um bom solteirão. -Isa incitou.

E estava mesmo, menos durante a tarde quando Jonathan ainda estava e nós dois ficamos juntinhos e deitados vendo House of Cards. É… Eu vendo e ele dormindo, né?

—Ahh, Has… -Felipe interrompeu meus pensamentos, terminando seu suco. Já estava na hora de voltar e eu acabei bebendo um gole rápido de café. -Eu estava andando pelos corredores dia desses e acabei esbarrando com a Iasmin. Aquela… Veterana, lembra?

—Uhum… O que tem ela? -Talvez ela tenha dado em cima dele, mas não faria sentido me contar isso, faria?

—Soube que ela estava querendo falar contigo, mas como ela está meio ocupada com as provas ela ainda não conseguiu te achar pela Universidade, ela até pediu pra que eu passasse seu número pra ela, mas eu não acho isso certo aí não passei.

—Nossa… Falar comigo? O que diabos ela ia querer comigo? Ela não te falou nada?

—Não…

—Estranho mesmo. -Comentou Isabela. Logo todos nós ficamos de pé para voltarmos a aula.

—Tá… Se você encontrar com ela, pode passar meu número, ok?

—Certo.

Notas finais
Sim, eu sei que saiu curtinho, mas esse capítulo é mais transicional do que "importante" em si, mas ainda assim espero que vocês tenham curtido e gostado e como falei o próximo saíra mais rápido. [...] COMENTEM E RECOMENDEM