I Hate You Too!
3 III- Briga
Notas iniciais
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Vamos aos agradecimentos?
OBRIGADO.
VanessaTVaz, DarkAngel, LadyRafaela, Midichan e Thysia.
Vocês são os lindos do capítulo.
Quer ser um(a) lindo(a)? Basta mandar um review depois de ler esse capítulo!
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Notícia Chata: Estou solteiro de novo, mesmo triste não vou parar de escrever!
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AVISO IMPORTANTE NAS NOTAS FINAIS!
Voltei para sala. Saber que a garota mais gata da escola namora o cara mais idiota do planeta chega a ser completamente estúpido. A escola era grande, melhor assim, não tinha muitas chances de esbarrar com Jonathan, mas ao mesmo tempo eu me sentia o ser mais esquisito, não conversa com ninguém, não conhecia ninguém e isso me matava e me deixava mais nerd do que eu já aparentava ser.
Sentei na minha cadeira e passei a encarar a capa de um dos livros. Era o livro de Biologia. Tinha uma capa vermelha e uma gravura de algo que remetia ser dentro do corpo humano, naquela escola eu estava me sentindo meio assim, como uma parte do ser humano, só que uma parte que poderia ser excluída. Uma parte que não servia para muita coisa e que a qualquer momento poderia ser tirada, bastava apenas alguém desejar. O que mais me irritava era que eu não gostava de atenção, eu não gostava de ser o cara mais foda e que sempre tem todos aos seus pés, mas mesmo assim eu sentia falta. Eu estava clamando por companhia.
–Oi? –Ouvi uma voz grave atrás de mim, pensei em olhar, mas poderia não ser comigo. –Garoto novo! –Não tem outro novato na minha turma, então eu virei.
–Oi. –Um garoto loiro, que estava sentado atrás de mim sorriu. Os loiros estão me perseguindo. Ele parecia ser inteligente e bem legal. Ele tinha olhos verdes diferente de Jonathan que tinha os olhos azuis. O nariz parecia esculpido e os lábios carnudos. E eu acabei sorrindo também.
–Eu sou o Luiz Gustavo, mas pode me chamar de Luiz ou de Gustavo ou de Luck. –Me deu a mão para um aperto.
–Eu sou o Hassan, mas meu apelido é Has, é mais fácil de falar... –Apertei sua mão. Ele tinha a mão maior do que a minha, mas ambos tínhamos a mão grande. Os pelos loiros da mão e do braço eram bem curtinhos.
–Bem Has... –Falou olhando em meus olhos e isso era incrível, poucas eram as pessoas que faziam isso e aquilo era verdade, mostrava verdade nas palavras. –Eu vi que você não falou com ninguém exceto a Camila, mas se precisar de alguma coisa cara, pode contar comigo, eu não sou o mais inteligente, mas eu posso te dar uma força...
–Ahh cara valeu mesmo... Eu não estou com dificuldades agora, mas ainda não tivemos aula de matemática e tenho certeza que vou me dar mal.
–Deu sorte... Matemática é meu forte! –Rimos e logo os alunos começavam a entrar de novo virei-me para frente e Camila entrou logo em seguida.
–Desculpa Has, mas eu não queria causar problemas entre você e o Jonathan...
–Não tem problema Mila, o meu contato com o seu namorado já é ruim por si só.
–Não entendo porque vocês dois não se dão bem? Mal se conhecem.
–Pergunte a ele. –O professor entrou e por milagre a turma calou-se. Deve ser um dos chatos.
A aula foi um tédio. Marcos era o professor de Biologia, quem diria que o livro mais chamativo seria destinado ao professor mais insuportável. E logo no meu primeiro dia de aula o desgraçado resolveu passar um trabalho chatíssimo sobre Microbiologia. Ele disse que poderia ser em duplas.
–Mila faz comigo? –Uma morena meio metida falou para a ruiva.
–Claro Cinthia. –E ela me olhou. –E você Has? Conseguiu alguém para fazer dupla?
–Ainda não...
–Quer fazer o trabalho comigo Has? –Ouvi a voz rouca e grave do loiro. Virei o fitei, ele olhava para o livro e folheava.
–Pode ser Luck. –Falei e reparei um sorriso se formar em seus lábios, mesmo que sem me olhar percebi que seus olhos brilharam.
A aula transcorreu tão chata quanto ela começou. O professor falou tudo sobre as células e quando a aula já estava para acabar ele começou a dar um sermão sobre os alunos que teimavam em zoar a aula dele. E quase saímos depois do horário.
–Has você não ficou chateado por que eu não vou fazer o trabalho de Biologia com você, não é?
–Não Mila, imagina! -Saímos da sala.
–Oi gatinha! –E ela mais uma vez se jogou nos braços do Jonathan que estava saindo da sala dele.
–Então... Amanhã agente marca de fazer o trabalho?
–Ahh claro Luck. –Luiz era um pouco maior do que eu, sua altura ficava entre mim e Jonathan, mas não era exagerada a diferença. A minha para Jonathan devia ser uns seis centímetros e a minha para Luck uns três.
–Já tá com namoradinho Hassanzinho? –Ouvir aquela voz me irritava tanto. Jonathan estava com o braço transpassado no pescoço de Camila.
–Qual teu problema, Jonathan? –Falou Luck indo pra cima dele. Jonathan encarou e já ia tirar o braço do pescoço da ruiva. Isso não vai dar muito certo. Sorte que ela agarrou o braço dele e eu peguei o braço de Luiz.
–Não vale a pena, cara. Tomar uma suspensão por um fudido feito o Jonathan. –Falei e Luck foi embora irritado. –Vai ficar aí Jonathan? –Falei já saindo. –Acho que o Paulo não vai gostar nada de não te ver em casa cedo.
Continuei indo embora e pouco ligando para o que Jonathan estava fazendo atrás de mim, mas eu sabia que ele me seguia. Dava para ouvir os passos largos dele e o jeito irritado de bufar de vez em quando.
–Me espera.
–Não espero.
–Deixa de ser idiota...
–Ainda bem que seu pai me levou para a escola, então eu teria perdido, mas um dia de aula. Você nem se lembrou de que eu cheguei à droga desse bairro há poucos dias e não sei de nada por aqui. –Continuei caminhando na frente, sabia que vinha atrás. Ouvi-o correndo, pensei em correr também, mas já era tarde demais ele já tinha agarrado meu braço e me virado para olhar para ele. Aquele maldito loiro forte e eu um descendente de árabe fracote.
Bem, eu não magro demais, mas comparar minha força a de Jonathan era um pouco complicado. Ele além de nadador, jogava bola e fazia musculação. Já eu, eu corria para manter o peso e o corpo em ordem e me deliciava com a literatura.
–Desculpa tá... –Falou ainda agarrando meu braço.
–Ahh, não sabia que você sabia pedir desculpa? –Ironizei.
–E eu não sabia que você era um idiota. –Falou largando meu braço e seguindo o caminho para casa. –Aliás, eu sabia.
–Estúpido. –Segui o caminho também.
Depois de mais alguns metros chegamos naquele sobrado que eu chamava de lar. Estava tudo muito quieto e eu imaginei como era ali quando eu e minha mãe não morávamos ali. Devia ser um saco para Jonathan passar o dia todo sozinho, ou não. Do jeito que ele é um pegador sabe-se lá quantas garotas ele já transou em um dia só?
Acho que vocês, meio que andam se perguntando a minha orientação sexual, digamos que às vezes nem eu mesmo sei. Como eu nunca namorei isso fica difícil de saber. A única coisa que eu fiz na vida foi ficar com a minha prima no joguinho da verdade ou desafio.
[...]
Minha antiga casa, sete anos atrás.
Era uma reunião de família qualquer. Meus primos estavam todos ali na minha casa. Estávamos sentados no meu quarto com os móveis afastados. Para termos mais espaço.
Eu, Sara, Dionísio e Sabrina.
Era vez de Dionísio virar a pequena garrafa e ela apontou para Sara. Uma garota loira que tinha quinze anos na época.
–Verdade ou desafio Sara?
–Eu quero desafio.
–Eu te desafio a dar um beijo no Has. –No início ela ficou meio surpresa e bem eu... Eu também, mas eu deixei transparecer, eu acho.
–Eu aceito.
Ela inclinou o corpo e veio até mim e eu fui até os lábios dela. Primeiro compartilhamos um selinho singelo. E pouco tempo depois eu senti a língua dela pedir passagem e eu a concedi. Depois eu levei minha língua até a boca dela e ficamos naquela batalha por espaço por alguns minutos.
[...]
Subimos para o quarto. E mais uma discussão, Jonathan queria ser o primeiro a tomar banho, só que ele não reparou que eu já estava na porta do banheiro e depois de muita gritaria e de tanto ele dizer que quem mandava naquele quarto era ele eu resolvi o deixar tomar banho logo.
–Tá vai logo. –Saí da porta e me sentei na minha cama. –Pode tomar seu banho, Jhonny.
Seus olhos azuis ficaram mais escuros e por um minuto eu achei que ele fosse me matar. Ele correu até minha cama e agarrou meu braço com força. Droga, acho que ele já está se acostumando com a ideia de me agarrar pelo braço.
–Nunca me chame de Jhonny seu viadinho.
–Me larga, seu maluco.
Ele me jogou no chão com força. Chutou minha barriga e meu Deus como aquilo doía. Agarrei meu abdômen com força e dos meus olhos saltitavam pequenas lágrimas pela dor. O loiro pegou meus fios negros e elevou meu corpo puxando pelos cabelos.
–Ahh... Você tá me machucando Jonathan...
–Isso é para você aprender. Nunca, mais nunca na sua vida ouse me chamar de Jhonny.
Desferiu um último soco, dessa vez no meu olho esquerdo e nossa como doeu. Caí no chão, mais uma vez. Vocês devem estar me achando um fracote e é isso mesmo que eu pareço ser. Jonathan me agrediu com toda a sua força e o que eu fiz? Nada. Nem revidei, nem ameacei revidar. E o pior é sentir o chão frio do quarto tocando minha face e todas as dores apenas pioravam. Ouvi o barulho do chuveiro. Levantei-me com dificuldade e fui até o banheiro social, que ficava no corredor.
No espelho eu vi todo o estrago que Jonathan fez em mim. Minha barriga estava com uma mancha arroxeada e avermelhada um pouco acima do umbigo. No meu olho inchaço e uma marca roxa. E na minha boca um leve corte que eu mesmo fiz, mordendo o lábio inferior devido à dor, saía um pouco de sangue e estava inchado. Lavei o rosto devagar e tentei amenizar as marcas com gelo. E nosso tudo doía. Voltei para o quarto e Jonathan já estava vestido. Estava sentado na cama mexendo no notebook. Estava de bermuda e sem camisa devido ao forte calor de verão. Os fios loiros colados na testa e os olhos azuis naquela tonalidade escura que chegava a ser perturbadora.
Fui direto para o banheiro. Tomei o banho mais relaxante da minha vida. As dores começavam a amenizar devido à temperatura morna da água. Aquilo era maravilhoso, relaxante e mágico. Saí do banho e ele já não estava mais ali. Vesti-me calmamente e desci até o andar de baixo, talvez ela tenha saído, ou talvez o Paulo já tenha chegado e os dois tinham ido conversar. Fui até a porta do escritório, que ficava um pouco depois da sala da TV. Era grande o escritório, embora eu nunca tenha entrado lá. Paulo estava sentado na cadeira maior e Jonathan andava de um lado para o outro.
–Eu já disse e vou repetir. Você tem que tratar a Gabriela e o Hassan bem. Chega de infantilidades Jonathan, você já é um homem. Já tem dezoito anos. Já está mais do que na hora de ter responsabilidades.
–Eu nunca vou tratar aquela mulher bem. Ela nunca vai ocupar o lugar da minha mãe.
–Filho... –O mais velho passou a mão pelos cabelos, se relacionar com Jonathan é difícil. –Gabriela nunca vai ocupar o lugar da sua mãe. Ela sempre será especial e sempre será a sua mãe, meu filho. Mas você tem que entender que a vida segue e que eu precisei amar outra pessoa e conviver com outra mulher. Sua mãe sempre vai ser especial, mas Gabriela também é especial, dê uma chance a ela. Você vai ver a grande mulher que ela é.
–Pai... Porque você nunca me entende.
–Você que nunca faz por onde ser compreendido. Eu sempre fiz tudo por você, moleque e agora, na hora que eu quero e preciso do teu apoio. Você vira as costas pra mim. Pro seu pai.
–Eu nunca vou aturar a sua mulher nem esse idiota do filho dela. E eu ordeno que ele saia do meu quarto.
–Você não está em posição de dar ordens. –Replicou Paulo. –Você quer viver em uma democracia ou em uma ditadura? –Ele permaneceu em silêncio. –Ótimo, a partir de agora quem manda aqui sou eu. E você vai ter que respeitar a Gabriela e o Has. E se por acaso você machucar um dos dois. Jonathan eu juro, que você vai se arrepender. Você é meu filho é a coisa mais importante em toda a minha vida, mas você está precisando de limites e eu como seu pai vou colocar. Se você machucar ou ofender o Has ou a Gabriela. Vai ficar sem mesada e sem o carro que eu te prometi aos dezenove. E a tendência é piorar. Agora sobe e vai chamar o Has para termos um almoço descente. Estamos claros?
Corri antes de ouvir a resposta de Jonathan. Subi depressa e entrei no quarto. Fui até a parte do meu guarda-roupa e comecei a mexer como se procurasse algo.
–Meu pai está te chamando para o almoço...
–Sem insultos?
–Não me provoca. –E saiu irado. Acho que agora sim, vai ser legal.
Desci e fui para a sala de jantar. Sentei e comecei a por meu prato. Jonathan pôs o dele e logo depois Paulo chegou e sentou. Fez o seu prato e começamos a comer. Já devia ser quase duas da tarde.
–Como foi na escola, Has? –Paulo perguntou para mim.
–Foi legal. –Olhei para ele e esqueci que meu rosto estava machucado e claro que ele iria me perguntar por quê. Virei o rosto depressa.
–O que é isso no seu olho filho? –Ele levantou e eu o fitei depressa. Olhei para Jonathan em seguida, os olhos amedrontadores agora pareciam de um gatinho assustado. Eu poderia dizer que Jonathan me espancou e acabar com a vida dele ou inventar outra coisa e livrar ele.
–Ahh, foi uma briga na escola.
–Uma briga na escola?
–Um garoto esbarrou em mim e derrubou minhas coisas, eu pensei em discutir com ele, mas ele já veio com a mão na minha cara. –Foi o melhor que eu consegui pensar, eu não funciono muito bem sobre pressão. Olhei novamente para Jonathan e agora os olhos azuis me encaravam com dúvida.
–Jonathan! –Ele virou o olhar com o grito do pai.
–Oi pai.
–Porque você não ajudou o Has?
–Ahh pai, eu estava com meus amigos na hora do intervalo, nem sabia onde o Has estava.
–Has, amanhã eu e sua mãe vamos a sua escola. Esse marginal não pode estudar numa escola com prestígio como aquela.
–Ah... Pa... Paulo não precisa... Eu não quero ter mais problemas na escola.
–É pai, eu prometo que vou ficar de olho no Has.
Olhamo-nos, meus olhos verdes fitavam os azuis e os azuis me fitavam.
–Acho bom... Vamos comer antes que esfrie?
Nós três começamos a comer, o restante do almoço foi calmo e sem perguntas. De vez em quando eu acabava por olhar Jonathan e ele também me fitava, mas nossos olhares nunca se encontravam.
A tarde foi calma, Jonathan saiu e eu passei a tarde mexendo no notebook ou vendo televisão.
À noite minha mãe me encheu de questões sobre o olho roxo e como era difícil mentir para ela eu acabei inventando que iria dormir. Com certeza ela desconfiou. Minha mãe era advogada conhecia mentiras facilmente e arrancava verdades com a mesma facilidade. Subi e entrei no quarto escuro e silencioso. Liguei meu abajur e peguei o livro que estava lendo. “A Menina que Roubava Livros.”. Era uma história interessante.
–Porque você não falou a verdade? –Ouvi a voz grave dele. Ele estava virado para o outro lado, apenas eu via o seu corpo sobre o edredom e os fios loiros espalhados.
–Que verdade?
–A verdade sobre a briga que tivemos? Poderia ter destruído a minha vida.
–Não quis contar.
–Fala sério... –Desdenhou.
–Estou falando. Se eu quisesse destruir a sua vida eu diria a verdade, mas se eu fizesse isso, eu seria tão ruim e mau caráter feito você. –Ele suspirou alto, como se desaprovasse o que eu acabei de falar dele. Longos minutos de silêncio.
–Has...
–Oi?
–Está dormindo?
–Não...
–Obri... Obrigado!
Notas finais
AVISO IMPORTANTE: EU ADORO CADA UM DE VOCÊS!
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