I Hate Loving You
43 O tempo, definitivamente, não resolve tudo
Notas iniciais
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
–Maria Julia Paes
Pov Percy
Duas semanas pareceram uma eternidade. Ter que frequentar a Goode era um dos meus maiores problemas, pois eu a via. A via andar pelos corredores com os cachos loiros balançando livremente e aquele antigo ar de orgulho que parecia ainda pior.
Mas o pior de todas as coisas, é que eu não podia fazer nada. Thalia e Rachel, principalmente, nunca deixavam eu estar a menos de 10 metros de distancia dela e Nico estava me evitando, não que eu o culpasse. Se ele fizesse alguma coisa parecida com a minha prima, eu ia arrebentar a cara dele.
A única que sabia da completa e verdadeira história era Luke. Sempre tive uma amizade muito forte, além de antiga com ele. Nico era igualmente meu amigo, mas ele podia muito bem abrir o bico para a Thalia e ai esse sofrimento de nada adiantaria. Quanto menos pessoas souberem, melhor para Annabeth.
Nas poucas vezes que cruzei com ela no corredor, nas poucas oportunidades que tive de olhar em seus olhos, eu soube que mesmo com aquela postura orgulhosa e com aquele sorriso extremamente falso, ela não estava bem.
Quiquei a bola mais uma vez e arremessei antes de deixar meu corpo cair no chão de madeira do ginásio. Eu não sabia que horas eram, nem quanto tempo eu estava ali. Só sabia que eu sentiria muita falta de jogar basquete.
Dizem que o basquete de Princeton não é tão valorizado quanto o de Albuquerque ou da Duke, mas tem um ótimo curso de Biologia Marinha.
Passei a mão pelos meus cabelos frustrando, pensei no quanto a minha vida estava uma merda. Quer dizer, eu deveria estar feliz, não?! Em menos de três meses eu estaria em uma boa universidade cursando algo que eu realmente gosto. Mas eu não via razão pra sorrir.
Forcei meu corpo a deixar o chão, tirando meu celular do bolso logo em seguida, percebendo o quão tarde estava. Dei leves tapas nos meus jeans e ajeitei minha camiseta polo vermelha; estava pronto para sair do ginásio quando senti meu celular tremer na minha mão. Encarei o visor e me surpreendi quando vi quem era:
–Que surpresa, priminha.
–Cala a boca! Ainda estou estressada com você.
–Eu sei. –Suspirei. –O que precisa?
–Um lugar pra dormir.
–Nico e suas amigas servem pra isso...
–Estou indo. –E desligou.
Revirei os olhos, voltando a colocar meu celular no bolso da frente da minha calça jeans surrada.
Quando passei pelo portão imenso do ginásio, dei uma boa olhada para trás e relembrei cada bons e maus momentos que passei. Desde Reyna até Annabeth. E por mais que fosse difícil admitir, uma parte de mim- uma muito boa- permaneceu ali e, infelizmente, eu sabia que nunca iria voltar.
Apesar de tudo, fechei os portões com um sorriso de lado no rosto.
A lua brilhava intensamente em um céu sem estrelas, o vento frio de Nova York logo me alcançou, fazendo meus pelos dos braços ficarem eriçados. Caminhei o mais rápido que pude até chegar ao agradável calor que ficou meu carro quando liguei o aquecedor.
O transito caótico da cidade que nunca dorme estava estranhamente tranquilo, fazendo-me chegar rapidamente em casa.
O Audi prata de Thalia refletia a luz da lua de uma maneira majestosa. Acabei por descer rapidamente de meu carro e parar em frente a minha querida primal, que se encontrava encostada no capô do carro enquanto esfregava uma na mão da outra para tentar esquentar as mãos geladas.
Quando parei em sua frente e encarei suas órbitas azuis gélidas, tive a certeza que ela tinha segundas intenções. Franzi as sobrancelhas e apertei os olhos tentando desvendar o misterioso motivo de ela estar parada na porta da minha casa ás nove horas da noite de uma quarta feira.
–Tá legal. Desembucha, o que você quer? -Cruzei os braços sobre o peito encarando-a profundamente.
–Já disse Cabeça de Alga, um lugar para dormir... -Thalia me encarou do mesmo modo que a encarei.
–Esse é o motivo secundário. Eu quero o principal. -Teimei.
–Será que a nós podemos entrar? Se eu morrer de hipotermia a culpa será toda sua Perseu. –Suspirei, passando a mão pelos meus cabelos bagunçados e bagunçando-os ainda mais.
–Pare de mudar de assunto Grace. Eu te conheço a tempo suficiente pra saber que você não está aqui só para abusar da minha casa. Você tem namorado e amigas pra isso, e convenhamos que nessa altura do campeonato, eu sou a ultima pessoa que você que ver.
–Tá bom. –Ela rugiu e bateu uma das mãos no capô. –Eu odeio quando você faz isso. Você nasceu pra ser lerdo, não pra ser esperto.
–Tenho meus momentos. –Sorri sacana, enquanto minha prima bufava e revirava os olhos. –Anda, vamos entrar, você me conta o que quer que seja lá dentro.
–Finalmente você caiu na real. –Thalia se desencostou do carro e estava pronta para me seguir, só que seu celular a interrompeu.
–Pode atender, eu espero. –Disse passando as mãos pelos meus braços.
Ela tirou o Iphone preto do bolso e atendeu. Olhei para o céu distraído, tentando não prestar muita atenção na conversa de Thalia com quem quer fosse. No fundo eu só torcia que não fosse Annabeth.
Virei-me de costas admirando a rua vazia quando escutei um barulho esganiçado logo atrás de mim. Voltei a encarar Thalia rapidamente, e a visão me assustou.
Ela tinha lágrimas nos olhos e soluçava, seu celular jazia no chão com a tela virada para cima. Corri até ela e peguei-a pelos ombros antes que ela se juntasse ao celular.
–Thalia, Deuses, o que aconteceu? –Encarei-a preocupado. Ela não conseguiu responder, apenas soluçava descontroladamente. –Thalia!
Minha prima apontou para o telefone largado no chão. Soltei Thalia e peguei-o, no visor havia o nome de Annabeth. Encarei Thalia ainda mais preocupado, ela não me olhou, apenas continuou a chorar. Com receio e com as mãos tremendo, coloquei o telefone na minha orelha.
–Alô?! –Esperei escutar a voz de Annabeth me xingando de idiota, babaca, dizendo que me odiava. Mas foi uma coisa pior, muito pior.
–Percy? –Era a voz de Fredderick, uma voz fanha. Uma voz de choro.
–Sr Chase? –Minha voz começou a falhar. –O que aconteceu com ela? Onde ela tá?
–Percy...Annabeth sofreu um acidente.
Meu mundo caiu, todas as lágrimas que eu tentei segurar, finalmente quiseram se soltar. Eu pensei que não tinha pior dor do que ver Annabeth chorando, agora eu sabia que aquela dor, não era nem comparada a que acabou de me abater.
Engoli o choro por mais um segundo, apenas para perguntar:
–Qual hospital? –Segurei um soluço, enquanto as lagrimas finalmente desceram sem nenhuma objeção.
–O mesmo que seu tio trabalha. –Larguei o telefone de Thalia no mesmo lugar que peguei e corri em direção ao meu carro. As lágrimas embaçavam meus olhos, minhas mãos tremiam, minha respiração estava falha e eu sentia que podia desmaiar a qualquer momento.
Escutei Thalia gritando meu nome inúmeras vezes; não parei para olha-la nenhuma vez, apenas entrei em meu carro e acelerei até o hospital. Surpreendi-me por eu não ter me envolvido em nenhum acidente, pelo incrível excesso de velocidade e minha visão embaçada.
Só sei que dez minutos, eu invadia a sala de espera e perguntava desesperadamente por ela. O medo de perde-la era o maior do que qualquer outra coisa, meu coração parecia ter sido arrancado do meu peito, esfaqueado mil vezes e colocado de voltar sem nenhum cuidado.
Avistei os pais delas conversando com o médico; pela cara do médico e o desabamento da senhora Chase eu soube.
Soube que tinha perdido o amor da minha vida, e dessa vez, nem o tempo podia concertar.
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