I Hate Loving You
48 O melhor do ultimo ano
Notas iniciais
'O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.'
–Eleanor Roosevelt
Pov Percy
Encarei meu reflexo na minha frente. Analisei cada detalhe com cautela: cabelos pretos bagunçados, olhos verdes intensos, lábio inferior marcado pelo nervosismo, o corpo coberto por uma calça jeans, uma camisa social preta e uma beca também preta. Parecia que eu estava indo a um enterro, mas era apenas a minha colação.
Acho que eu nunca estive tão nervoso em toda minha vida. Vários amigos mais velhos já tinham comentado comigo sobre o quão tenso era aquela momento, mas eu nunca dei muita bola, não até agora. Até sentir esse sentimento na pele.
É um marco. É onde começamos a assumir verdadeiras responsabilidades, como por exemplo, morar sozinho. Perdemos totalmente nossa comodidade e assumimos o compromisso de nos sustentar.
Mas acho que a pior parte de tudo isso. De ter terminado a escola e o High School é ter que se despedir de tudo. Vivemos 14 ou 15 anos de nossas vidas sentados em cadeiras ouvindo ou não, pessoas que, na maioria das vezes são desconhecidas, falarem o tempo inteiro sobre coisas que às vezes são tão complexas, que não queremos saber de mais nada, além de contar os minutos para o maldito sinal tocar.
Quando isso tudo é tirado de você e mil e uma responsabilidades caem em suas mãos de uma hora pra outra, entrar em desespero parece ser uma missão impossível.
E lá estava eu, um adolescente no meio de tantos outros, que hoje assumiria todas essas responsabilidades. E que, ainda por cima, teria que se aventurar em um mundo novo, cheio de duvidas e incertezas.
Alias as incertezas eram o que mais me afetavam naquele momento, no qual eu ainda encarava meu reflexo. A pergunta que mais martelava na minha cabeça era ‘E agora? O que acontece?’.
Antes que eu pudesse pensar mais sobre o assunto, o rangido da porta tirou-me de meus pensamentos e observei através do espelho a cabeça de minha mãe aparecer ali. Dona Sally tinha os cabelos ruivos acastanhados presos em um rabo elegante, ela vestia um vestido florido que ia até os joelhos e um par sandálias douradas.
Quem não a conhecesse, nunca imaginaria que aquela mulher tinha mais de 40 anos. Apesar das poucas marcas de expressão, ela ainda tinha carinha de 20.
–Ei querido, como você está? – Suspirei virando-me de costas para encarar dona Sally.
–Nervoso. Talvez quase tendo um ataque de pânico. Mas fora isso eu tô ótimo.
–Tudo dentro dos padrões. –Ela riu enquanto caminhava na minha direção.
–Sério? Eu estou com uma ânsia de vomito enorme. –Dona Sally ajeitou minha beca olhando-me de uma maneira doce. Um sorriso lindo brilhou em seu rosto e seus olhos marejaram. –Não mãe, por favor, não chora. Eu já estou nervoso o suficiente.
–Espere até pedir Annabeth em casamento. –Levei um baita susto quando a figura de meu pai apareceu logo atrás de minha mãe.
Ri nervosamente. Não que eu não pensasse em me casar com Annabeth, mas tínhamos tanto pra viver, tanto pra aprender. Era meio assustador pensar em um passo com esse.
–Poseidon, não assuste o menino. –Minha mãe o reprendeu, fazendo com que meu pai soltasse uma risada divertida.
–Está pronto? –Perguntou meu pai, oferecendo o braço pra minha mãe e me questionando com os olhos.
–Estou.
***
–Apresento a vocês a turma de formandos de 2015. –O senhor D anunciou, antes das palmas começarem. Estávamos no ginásio, aquele lugar me fazia sentir nostálgico, muito nostálgico.
Quíron seria o professor que entregaria nossos diplomas, já que o elegemos nosso padrinho. Ouvi meu professor preferido chamar o nome de minha namorada, começando uma não tão longa lista de estudante do Sênior Year.
–Percy Jackson. –Levantei-me e caminhei até o homem da cadeira de rodas, ouvindo mais aplausos. Ele entregou-me o ‘cano’ azul e puxou-me para uma foto. Sorri descontraidamente, enquanto o flash atingia meus olhos.
Após voltar ao meu lugar, ouvi mais alguns nomes e o discurso de Quíron. Nele o cadeirante falava sobre como foi nos aturar durante todo o High School, e em como sentiria falta de nós. Confesso que meus olhos chegaram a marejar.
Ao fim de discurso mais palmas vieram, e muitos estudantes já se esbaldavam de chorar.
–E agora, ouviremos o discurso da representante de turma do Senior Year. Annabeth Chase.
Você deve estar se perguntando, por que Annabeth? Simples, ela é a pessoa mais inteligente e carismática da sala. Todos tem um bom convívio com ela, até Calipso e Drew.
Minha loira se levantou, equilibrando-se naqueles enormes saltos que a faziam ficar do meu tamanho, e se dirigiu até o centro do palco improvisado que estava a nossa frente.
Annie estava nervosa, com certeza estava. Seu olhar encontrou o meu em certo momento, e eu sorri para encoraja-la, recebendo um sorriso nervoso em resposta.
–Boa tarde a todos. –Conseguiu dizer, suspirando no microfone. –Desculpem se alguma coisa sair errado, é que eu estou um pouquinho nervosa. Só um pouco, prometo. –Rimos um pouco para deixa-la mais a vontade.
–Quando me nomearam para ser representante de turma e para fazer esse tal discurso, eu pensei comigo mesmo: uau agora fudeu. Não sou muito boa em falar em publico, mas fiquei honrada por ser escolhida para tal feito.
“A maioria de nós pensa: o que nós iremos fazer agora? Pra onde vamos? Ficaremos na casa dos nossos pais ou teremos que morar sozinhos? O futuro é algo muito incerto; hoje estamos aqui, porem amanha podemos não estar. E às vezes me pego pesando: Qual o proposito de se esforçar tanto, de trabalhar duro, se no final de tudo nós não levaremos nada daqui?”
“A questão é a seguinte. Somos jovens, espertos e capacitados. E agora que uma parte de nossas vidas acabou, temos que nos preparar para outra. Não estou dizendo para esquecerem dessa fase, não nunca, pelo contrário, adolescentes fazem coisas estupidas, mas é exatamente nesse momento que aprendemos a viver. A diferenciar o certo do errado. A ver quem são as pessoas que sempre estarão lá pra você, e as que só irão te procurando quando precisam. “
“Eu só quero fazer um pedido à vocês: vivam. Vivam como não houvesse amanhã. Sonhem, amem, brinquem, se esforcem, conversem, quebrem a cara, chorem, deem risadas, ajudem e peçam ajuda. Tenho certeza que cada um de nós, tem um dom especial dentro de si, usem-no a favor de vocês e assim terão sucesso.”
“E para finalizar, eu gostaria de agradecer. Agradecer aos professores, pais e orientadores. Mas, principalmente, agradecer a vocês, meus colegas de sala. Agradecer por fazerem desse ano, o melhor ano da minha vida. Sei que às vezes, acontecem algumas briguinhas, mas, por favor, esqueçam isso. Hoje é o nosso dia, é o ultimo em que estamos reunidos como uma turma, então só por hoje, deixem as diferenças de lado. E nunca se esqueçam de suas origens, elas definem que nós somos.”
“Muito obrigada, um ótimo futuro à todos.”
Como eu odeio a minha loira. Acho que ela é uma das únicas pessoas que conseguem abalar com meu emocional. Lágrimas caiam dos meus olhos, mas um sorriso brincava em meus lábios.
Annabeth conseguiu tocar todos os alunos presentes, todos. E assim que ela desceu do palco, todos nós corremos em sua direção fazendo um enorme abraço em grupo.
Sentirei falta desses idiotas de plantão.
***
–Vocês estão prontos? –Thalia gritou para nossa pequena panelinha.
Gritamos em resposta. Meu braço direito descansava na cintura de Annabeth, que sorria com lágrimas nos olhos.
O lugar que estávamos, era um ponto um pouco mais afastado na escola, onde o sol batia se dó nem piedade. O calor dentro na beca era quase insuportável, mas eu não ligava e acho que meus amigos também não.
Lançamos nossos chapéus para o alto, uma cena bem clichê para falar a verdade. Mas eu também não ligava, precisamos de alguns clichês em nossas vidas de vez em quando.
–Eu vou sentir falta de vocês, gente. –Nico falou passando o braço ao redor de Thalia e Luke.
–Ah fantasminha, não seja tão gay. –Jason debochou, arrancando risadas do grupo.
–Mas é sério, vocês são minha família. A família que eu escolhi. –Nico justificou. Um coro de ‘awns’ preencheu o ar, e todos nós pulamos em cima dele, fazendo-nos cair no chão enquanto rolávamos de rir.
Nós passamos o resto da tarde juntos, rindo e relembrando todo o ano. A verdade é que, eu não fazia a menor ideia de quando iriamos nos encontrar de novo, mas eu ansiaria por tal momento e me contentaria com as lembranças.
As lembranças do melhor ano da minha vida.
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