I Hate Loving You
49 Epilogo: I Hate Loving You
Notas iniciais
Pov Autora (8 anos depois)
–Percy! Aquela marrom! Pelos Deuses preste atenção cabeça de algas. –A loira já estava começando a ficar irritada com a lerdeza do namorado; Percy tentava ao máximo sair de seus devaneios e prestar atenção no que sua loira dizia, porém estar de volta à Nova York mexia com do moreno e ele tinha suas razões, afinal a cidade que nunca dorme é sua terra natal.
Percy suspirou e bagunçou ainda mais os cabelos antes de finalmente tirar a mala da esteira para o alivio de Annabeth. A loira não entendia o porquê de o moreno estar tão aéreo ultimamente; sabia que estar de volta à cidade onde seu namorado viveu a vida toda, trazia lembranças ao homem. Boas e ruins. Mas ainda não conseguia entender.
–Ei. Amor. Tá tudo bem? -A loira indagou tocando de leve o ombro de Percy. O mesmo assustou-se com o ato e lançou-lhe um sorriso nervoso.
–Estou sim, não se preocupe. -Annabeth franziu as sobrancelhas loiras, sabia que ele estava mentindo, assim como ele também sabia que ela desconfiava.
–Olha Percy, — A moça soltou um suspiro. -Sei que tem algo errado, e se não quiser me dizer, tudo bem eu respeito, mas, por favor, não minta para mim.
Percy encarou os olhos acinzentados que tanto amava pedindo desculpas silenciosamente. Sua mão direita segurou a cintura fina da mulher a sua frente, enquanto a esquerda segurava a mala.
–Desculpe. -O moreno acariciou o local no qual sua mão estava depositada e recebeu um selinho em resposta.
–Não precisa se desculpar, eu só quero que você confie em mim, tudo bem? -Annabeth acariciou os cabelos grandes do moreno, lançando-lhe um olhar carinhoso.
O homem assentiu, pegando a mão da loira e a conduzindo para fora do lotado aeroporto de Nova York.
***
–Até que enfim! Já estávamos começando a ficar preocupados. -A morena alta atendeu a porta do grande apartamento no Upper East Side. Sua aparência não tinha mudado muito, assim como sua personalidade. Thalia mantinha aquela pose séria e durona, não é a toa que tornou-se uma das melhores advogadas da cidade.
Os olhos azuis cristalinos e penetrantes continuavam do mesmo jeito, a pele- antes clara- tinha adquirido um leve bronzeado. E os fios longos e lisos haviam sido trocados por um penteado curto e repicado. E mesmo assim, a Grace tinha o mesmo espírito desde a adolescência.
–Nosso vôo atrasou, também senti saudades Lia. -Annabeth foi a primeira a se pronunciar. Fazia um ano que não via sua amiga, a última vez fora no casamento da mesma, onde a loira foi madrinha ao lado de Percy.
–Vamos, entrem!- Thalia disse dando risada. O apartamento que abrigava ela, Nico e Sofia era amplo, moderno e elegante.
–Ora, ora, se não é o casal mais enrolado que eu conheço. -Nico apareceu no cômodo onde estavam com uma pequena garotinha morena dos olhos azuis nos braços. O moreno, ao contrário da esposa, tinha sim mudado através dos anos. As feições eram muito mais adultas, sua aura era muito mais séria, mas o brilho brincalhão no olhar ainda permanecia ali. Os cabelos, antes curtos, agora estavam maiores e batiam na altura do pescoço. A barba fazia com que ele ficasse ainda mais sexy e adulto, segundo Thalia.
–Como está essa coisa linda? -Percy entrou no apartamento, ignorando totalmente sua prima e seu amigo, fazendo uma voz esquisita para sua afilhada.
A criança, com pouco mais de dois anos de idade, abriu um sorriso lindo e banguela para o padrinho, que tomou-a em seus braços.
–Também senti sua falta primo desnaturado. -Percy mandou um beijo para prima e voltou a brincar com Sofia.
–Olá Nico. -Annabeth sorriu abraçando seu amigo. -Como está Bianca?
–Ela casou com um inglês metido que eu ainda não consigo descobrir o que ela viu nele. Pensei que minha irmãzinha fosse mais inteligente. -A loira riu.
–Mas se ela está feliz é o que vale certo? -Nico arqueou uma sobrancelha.
–Certo. Ela conseguiu o que sempre quis. Hoje mora na Suíça, está casada e bem viajada, todo mundo sabe que seu sonho sempre fora conhecer o mundo. Fico feliz que Aaron pode proporcionar isso a ela.
–O Nico não assume, mas ele só está com ciúmes. -Thalia parou ao lado do marido, rindo da cara de tacho que o moreno tinha feito.
–Não sei do que você está falando. -Annabeth e Thalia riram em conjunto.
–E a Rach? Por que ela não veio? -Thalia questionou.
–A ruivinha está com um problema sério no hospital. Sabe não é fácil ser pediatra, nunca vi uma pessoa trabalhar tanto que nem a Dare. -Dessa vez foi Percy- agora sentado no moderno sofá preto- que respondeu, com Sofia deitada sobre suas pernas.
–Verdade. Mal vejo Rachel, e quando nos vemos é durante um dos intervalos que ela tem, onde aproveitamos para tomar um café no Starbucks e jogar conversa fora. -Annabeth tinha preocupação espantada no rosto quando falava da amiga. A moça tinha seus vinte e seis anos e vivia para o trabalho, era certamente preocupante. Mas mesmo com a vida social quase extinta, ela era feliz. Sempre gostara muito de crianças, e cura-las a fazia sentir-se bem.
–Que falação é essa? Tem um cara querendo dormir aqui. -Uma voz grossa e rouca pelo sono despertou-os da conversa que tinham e um Luke com os cabelos bagunçados e com a cara amassada apareceu no segundo andar em frente às escadas.
–Luke! -Annabeth exclamou animada, o que fez Percy franzir as sobrancelhas, enciumado.
–Ei Annie. Ei Percy. Como vão? -O loiro desceu as escadas com uma preguiça transparente.
–Muito bem. E você garanhão, o que faz da vida? -Percy questionou com um sorriso malicioso nos lábios.
–Ah você sabe, trabalhando, saindo, curtindo algumas festas. –Apesar do passar dos anos, Luke ainda matinha aquela carinha de cafajeste, assim como o jeito de garanhão e o sorriso de lado completamente sedutor que fazia qualquer uma cair de amores pelo loiro.
Percy e Luke trocaram olhares maliciosos e de total compreensão. O moreno amava a namorada e não podia negar que ela o fazia muito feliz, mas tinha certeza de que se ela tivesse ido pra Stanford e seguido em frente à quase oito anos atrás, ele seria companheiro do amigo. Com certeza.
–Senti sua falta cara. –Percy sorriu, enquanto abraçava o amigo de longa data, dando-lhe leves tapinhas nas costas.
–Menos viadagem Castellan. –Percy atiçou, fazendo todos os presentes na sala darem risadas e Sofia –que estava sentadinha no sofá- bater as pequenas e gorduchas mãos no rostinho igualmente gorducho.
–Ai meus Deuses. –Annabeth largou a bolsa que segurava no chão, só para pegar a afilhada no colo. –Eu ainda vou sequestrar essa coisinha linda.
–Nem vem. –Thalia caminhou até a melhor amiga, que apertava sua filha nos braços. –Você tem capacidade de fazer um pra você. Não é meu amor? –A morena tomou sua pequena dos braços da loira, murmurando a ultima parte para a pequena criaturinha dos olhos azuis, com uma voz parecida com a que seu primo usou mais cedo.
–Culpem essa cretina por isso não acontecer. Ela se recusa a parar de tomar anticoncepcional. –Percy revirou os olhos enquanto murmurava irritado e parava do lado de sua prima.
–Ah Perseu, não vai ser você que vai sentir dores, ânsia de vomito e ficar gorda que nem uma orca, então, por favor, cale a boca. –Annabeth bufou, enquanto via um sorriso sacana brotar no rosto do namorado.
–Mas eu queria tanto uma menininha loira dos olhos verdes... –Percy reclamou, com um biquinho pidão enquanto se aproximava da namorada. Aquele jeito esquisito que ele estava mais cedo indo embora totalmente.
–E quem te garante que não vai ser um menininho moreno de olhos cinzas? –Annabeth devolveu no mesmo tom.
–Sexto sentido paterno. –O moreno piscou para a loira, que soltou um sorrisinho de lado.
–Mas você não é pai, ou seja, previsão errada. –Percy e Annabeth entraram numa bolha de provocações e se esqueceram dos presentes na sala. Era sempre assim, apesar de se amarem eles ainda adoravam se alfinetar.
–Não sou pai ainda. Eu ainda vou te convencer a parar de tomar pílulas. –O moreno se aproximava um passo a cada provocação, assim como ela.
–Boa sorte com isso. –Foi à vez de Annabeth transparecer um sorriso sacana.
O casal estava prestes a se atacar, como sempre faziam depois de trocas de provocações ou brigas.
–Ok. Ok. Eu conheço esses olhares. Podem parar por ai, há crianças na sala. –Thalia ‘estourou’ a bolha que o casal se encontrava, fazendo os dois voltarem os olhos para a morena.
–Caramba, os anos passaram e vocês não mudaram nada. –Nico observou ainda chocado.
–Eu acho que eles estão ainda pior. –Luke comentou, analisando o casal. –Espero que a cama deles ainda esteja inteira.
Nico e Luke riram do comentário do loiro, enquanto Percy e Annabeth ficavam vermelhos, apenas denunciando o fato de que a cama deles estava em um estado deplorável. Thalia teve que se sentar no sofá para não deixar sua filha cair, enquanto soltava altas e gostosas gargalhadas.
–Engraçado vocês, não é? Por que vocês não vão à merda logo?
Mais risadas. E elas não pararam tão cedo. E ali, os cincos adultos lembraram o quanto sentiam falta daquela maravilhosa fase, chamada adolescência.
***
As luzes coloridas e fortes de Nova York não haviam mudado nada. Continuavam a iluminar toda a cidade de uma forma espetacular, e hoje, especialmente hoje, dia 31 de dezembro, elas tinham um brilho mil vezes mais forte.
Percy observa a Time Square maravilhado, sentia falta dos Anos Novos que passava em Nova York, era incrível.
–Terra para Perseu Jackson. Ei cara, acorda! –Uma voz familiar soou em seus ouvidos, fazendo-o desprender os olhos da imensa, iluminada e movimentada avenida que tinha uma visão ainda mais linda dali. Em cima de um dos prédios mais altos de Nova York.
O moreno virou-se para o lado e deu de cara com Jason. Diferente de Thalia, fazia um certo tempo que não via o primo e foi choque ver que ele não mudara absolutamente nada.
–Jason! Pensei que não viria, cara. –Percy sorriu e deu um abraço amigável no primo.
–Não perderia isso por nada. –O loiro jogou os enormes cabelos para o lado. –Afinal faz muito tempo que não vejo vocês.
–Tem razão. –Percy concordou. –A ultima vez foi quando? No batizado da Sofia?
–Parece que sim. Mas fico feliz em te ver. –O moreno assentiu levando a fina taça até os lábios e bebericando o champanhe. Percy nunca fora muito próximo de Jason, sempre preferia a companhia de Luke e Nico, mas gostava de seu primo.
–Vou cumprimentar o resto do pessoal. Foi bom te ver. –O loiro se afastou com um sorriso de lado.
–Igualmente.
O Jackson virou para frente, voltando a admirar a maravilhosa cidade em que nascera. E ali ele lembrou o que faria essa noite, e logo o nervosismo lhe abateu.
Não tinha voltado definitivamente para NY à toa, e sua namorada parecia desconfiar disso. Falando nela, era a loira que tomava seus pensamentos quando pensava no que iria fazer.
Sentia medo. E nervosismo acima de tudo.
Medo da rejeição. Medo da resposta.
E assim lembrou-se da conversa que tivera com seus amigos mais cedo, enquanto Thalia e Annabeth conversavam animadamente na sala:
–Ei cara, você tá legal? –Luke questionou enquanto sentava no balcão da cozinha.
–Estou. Por que não estaria? –Percy se fez de desentendido, cruzando os braços musculosos sobre o peito.
–Talvez porque você esteja quieto demais. –Nico murmurou dando uma mordida na maça que comia.
Percy suspirou, passando a mão pelos cabelos pretos. Tinha que contar, eram seus melhores amigos ali. Não conseguia esconder nada deles.
–Vou pedir Annabeth em casamento.
Luke engasgou com a própria saliva, enquanto Nico apenas arqueava as sobrancelhas negras.
–Estava demorando. –Nico murmurou dando outra mordida na fruta.
–Tá brincando? –Luke dirigiu-se a Nico. –Tá muito cedo, isso sim.
–Luke, faz oito anos que esses dois namoram. Pelos Deuses.
–Ele está com vinte e cinco anos cara. Vinte e cinco!
–Na verdade vinte e seis. –O loiro fuzilou o morenos dos olhos verdes com os olhos, dizendo-lhe para permanecer quieto. Percy suspirou, encostando o quadril na mesa de vidro da cozinha.
–E dai? Eu me casei com vinte e quatro. –Nico rebateu.
–Não. Vocês não podem fazer isso comigo. Perseu. Eu já perdi o Nico, não me larga também. –Luke choramingou, fazendo os dois morenos se encararem e caírem na gargalhada. –Eu tô falando sério. Parem de rir idiotas!
–Luke, tem certeza que você não trocou de lado? –Nico brincou enquanto sentia suas bochechas e barriga doerem.
–Ah claro Di Ângelo. Claro. –O loiro se irritou, enquanto via seus melhores –ou piores- amigos rirem da sua cara.
–Eu apoio. –Nico disse, depois de bons minutos dando boas gargalhadas. –É um saco no começo, mas você se acostuma.
Percy sorriu só de pensar em ver Annabeth entrar na igreja com um vestido branco e com os olhos cinzas brilhando pra ele.
–Eu também. Estava só brincando. –Luke desceu da bancada. –Fico feliz por vocês, sério.
Eles riram e voltaram a conversar animadamente.
Naquele momento, o nervosismo do moreno passara. Mas quando ele colocou os pés no terraço daquele prédio, tudo voltou como um balde de agua fria.
Queria muito dar esse passo com Annabeth, mas temia por ela não querer o mesmo. E pior, temia que ela terminasse tudo que tinham.
–No que está pensando? –O moreno tomou um susto quando sua loira aparecer ao seu lado com um lindo sorriso no rosto.
–Caramba Annie, você me assustou. –Percy remexeu os cabelos sentindo o estomago dar cambalhotas de nervosismo.
A loira riu, passando o braço no dele e compartilhando a mesma visão da Time Square, deitou a cabeça no ombro largo do namorado.
Ficaram ali em silencio, apenas curtindo a companhia um do outro. O frio da cidade que nunca dorme era agradável e por um grande milagre, não nevava.
–Na verdade, tem algo que eu preciso te dizer. –Percy respirou fundo.
Annabeth levantou a cabeça do ombro do namorado e fitou seus olhos. Quando os olhos de Percy se encontraram com os dela tudo que eles viveram voltou em um rápido flashback. Desde a época que ainda a odiava, passando pela fase que se tornaram melhores amigos, e aquela tarde que ele trasaram pela primeira vez, e quando Percy achou que a tinha perdido para um loiro aguado. E o acidente, ah o acidente. E ai vieram os anos mais felizes de sua vida, e tudo graças a ela. À Annabeth. À sua Annabeth.
Analisou a linda mulher que ela tinha se tornado e se sentiu lisonjeado de ter ela ao seu lado. Sentiu o coração palpitar em seu peito.
Odiava o jeito de como estava entregue, odiava aquele sentimento que só ela o fazia sentir. Odiava o quanto ele adorava os cafunés dela antes de dormir. Odiava o jeito que ela conseguia faze-lo se sentir excitado com apenas um beijo. Odiava o jeito orgulhoso e mandão dela. Odiava quando uma corrente elétrica passava por todo seu corpo quando ela entrelaçava seus dedos aos dele. Odiava amar os defeitos e as manias. Odiava amar ela.
–Eu te amo, Annabeth. E faz um tempo que estou querendo te dizer isso... –Percy tropeçou nas palavras.
–Eu também te amo, meu amor...
–Não, me deixa continuar. Eu preciso continuar. –Percy bagunçou ainda mais seus cabelos a mão livre. Annabeth a pegou, e aquele maldita corrente atravessou todo o corpo de Percy, dando-lhe a coragem que lhe restava. –Casa comigo, Annie?
Assim. Curto e rápido.
Annabeth ficou chocada por um instante. Tentava digerir as palavras do namorado, enquanto os olhos verdes de Percy a analisavam com receio.
Assim que a loira saiu de seu estado de choque, ela avançou no namorado –agora noivo- e lhe beijou apaixonadamente. Percy ficou surpreso com o ato, mas logo tratou de corresponder com a mesma intensidade, passando os braços musculosos pela fina cintura da loira.
E naquele momento, a contagem regressiva acabou dando inicio a um novo ano. Mas o casal não se importava, estavam em sua própria bolha particular.
Quando se separaram ofegantes, Percy olhou bem nos olhos cinzas de Annabeth e viu seu futuro neles.
E, simplesmente, sorriu.
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