I Gotta Go My Own Way

6 Capítulo 6 sentimentos incertos


Notas iniciais
ai esta mais um capitulo embora eu não tenha gostado muito dele postei assim mesmo espero que gostem. boa leitura

Sentimentos incertos

Camus — que tinha seguido Milo — avistou quando o mesmo encontrou com Hyoga e sentou-se ao seu lado. O ruivo foi se esgueirando devagar ate conseguir escuta a conversa, e para não ser notado, subiu na arvore vizinha a arvore que suas “vitimas” estavam encostados.

Quando Hyoga praticamente intimou Milo a contar a historia mais dolorosa de sua vida, sentiu o coração palpitar mais rápido. Não sabia se estava pronto pra escutar a historia na versão de Milo? Nunca quisera escutar o amigo e ainda lhe disse coisas horríveis, e se no fim, estivesse errado?

Sentia o coração doer toda vez que olhava o loiro, aqueles dias que passara na fazenda tinha sido insuportável. Tornou-se ainda pior depois da noite chuvosa que passara com o escorpiano na caverna, embaixo do barranco. Mesmo assim, resolveu ficar calado e escutar, quem sabe se Milo confessasse que realmente era culpado, talvez...

Talvez a dor que tanto o afligia passasse.

A cada palavra dita pelo o amigo, seu corpo tremia. Lembrava-se com perfeição daquele fatídico dia. Pôs a mão na boca, tentando conter todos os sons que quis sair por ela. Quando Milo terminou e levou Hyoga pra casa, Camus desceu da arvore e correu na direção oposta.

O ruivo correu ate ficar cansado. Ate sua respiração ficar descontrolada, as lagrimas não paravam de sair de seus olhos. Camus sentia o peito doer e sua garganta apertar, tentou a todo custo conter o grito de dor que queria sair.

Não sabia se era pelas lembranças ou pela culpa que estava sentindo, só sabia que queria sumir, desaparecer, queria que a dor passasse. Depois de escuta toda historia vivida na pele, ponderou um pouco. Sua mente passou a acusar-lhe constantemente e seu peito doía mais a cada lembrança, a cada palavra falada.

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Hyoga e Milo haviam voltado pra casa. O mais novo estava esperando o pai chegar, seu tio havia dito que ele saíra de encontro dele e Milo, mas, nenhum dos dois havia visto o aquariano.

Já passava das três da tarde e estava ficando preocupado. Voltara a chove e a agua caia com força, deixando o caminho traiçoeiro para quem quer que ande por ele.

– Será que ele ainda está procurando agente Milo? – indagou o aquariano preocupado.

– Acho que sim – respondeu o grego soltando um muxoxo.

– O que você tem Milo? – perguntou Hyoga vendo a expressão de tristeza e cansaço no olhar do outro – você está tão desanimado.

– Não é nada Hyoga – respondeu, o menor levantou uma sobrancelha em claro sinal de que não acreditava. Não queria contar ao menor que, embora quisesse se desculpar com Camus, o fato de se lembra do que havia acontecido lhe doía muito. Mostrava o quanto fora ingênuo e idiota, amava Camus, no entanto, mostrara totalmente o contrario – acho que só estou um pouco cansado, não dormi direito ontem a noite.

– Sei – fingiu acreditar – você acha que vamos fazê-lo mudar de ideia?

– Não sei – volveu ele desanimado.

– Milo, seu animo é contagiante – ironizou o loiro. Degel – que vinha adentrando ao cômodo com algo em mãos – sorriu com o jeito de falar do mais novo.

– Milo isso chegou pra você – falou o ruivo entregando um envelope ao escorpiano – chegou depois que você saiu e eu me esqueci de te entregar quando você chegou – o ruivo também não estava gostando do desanimo do irmão, na tentativa de anima-lo, lembrou-se da carta que havia chegado.

Talvez fosse uma boa noticia. Talvez animasse seu irmão. O loiro leu a carta e soltou um suspiro, sua expressão lívida, no fim, alguma coisa de boa lhe acontecendo naquele momento.

– Do que se trata? – inqueriu Degel. a noticia ao menos tinha arrancado um precário sorriso do irmão – é algo bom?

– Sim – respondeu fechando o envelope – é uma proposta de emprego

– Isso é ótimo Milo – ficou feliz pelo irmão – e onde vai ser?

– França! – Degel arregalou os olhos, sabia que aquilo significava problemas — mais precisamente em Paris – os dois presentes ficaram estáticos.

– Onde? – indagou Degel olhando fixamente o irmão.

– Você ouviu – disse seco.

– Recuse! – a ordem também veio seca

– Por quê? – Hyoga não entedia qual era da situação ali, mas, via naquela oportunidade uma forma de atuar de longe.

– Você não sabe do que Milo trabalha sabe Hyoga? – indagou o ruivo presente.

– Não – respondeu olhando o escorpiano – do que você trabalha Milo?

– Pediatra – respondeu ao mais jovem – qual a probabilidade de trabalharmos no mesmo hospital Degel? – indagou mesmo sabendo que o irmão estava certo.

– O problema não é só a probabilidade. Milo eu sei o quanto você é atrevido, vai atrás dele e isso não vai dar certo.

– Já sei de onde você tira seu pessimismo – comentou Hyoga. Alternava o olhar entre os irmãos.

– Não é isso Hyoga – Degel voltou-se ao garoto – se você soubesse o que aconteceu...

– Eu sei! – informou, o mais velho arregalou os olhos.

– Como? – Degel olhava de Milo para Hyoga

– Eu contei pra ele – informou o grego ao irmão, este balançou a cabeça negativamente — e decidi algo importante Degel, vou reconquista-lo!

– Ficou louco? — perguntou, Milo sorri-lhe sapeca, Degel suspirou, sabia que o irmão não estava brincando — ele só ficou aqui, no mesmo ambiente que você, por que se preocupa com Kardia. Fora daqui você não terá nossa proteção e ele vai falar tudo que pensa de você

– Ele não poder me evitar pra sempre – retrucou Milo – e é melhor que ele fale mesmo, assim vou saber como retrucar.

– É assim que se fala Milo – apoiou Hyoga

– Não apoie isso – advertiu o mais velho. Ambos – Milo, Hyoga e Degel – ouviram a porta abrir.

– Pai... – gritou Hyoga ao ver seu pai entra. Camus encostou-se a porta e fechou os olhos, estava todo molhado e sujo – o que aconteceu? – indagou.

– Nada! – respondeu com os olhos fechado – só estava pensando um pouco, ai começou a chover e... – o ruivo suspirou, estava falando tudo rápido, os demais estranharam. Camus era uma pessoa controlada. No entanto, naquele momento, tudo parecia desorganizado. Estava eufórico e respirando rápido, os demais perceberam que ele estava tentando se controla, por isso, estava com os olhos fechados.

– Calma Camus – pediu Degel. O ruivo suspirou profundamente, como se precisasse com urgência fazer aquilo, como se tudo ao redor lhe roubasse o ar.

– Hyoga, se seu tio concorda você... Pode ficar aqui na fazenda – abriu os olhos, e Hyoga soube o porquê dele esta com os olhos fechado – agora eu preciso tomar um banho.

Não era primeira vez que seu pai daquele jeito, com os olhos terrivelmente vermelhos. Tinha certeza, ele estivera chorando. Notou marcas, mesmo difícil de identificar, mesmo o corpo de seu pai estando todo molhado.

– O que será que aconteceu com ele? – indagou o aquariano mais novo, agora, realmente preocupado – espere ele disse que eu podia ficar? – indagou aos mais velhos.

– Parece que sim – respondeu Milo, não sabia o que fazer. Já tinha algum tempo, desde a ultima vez que o vira daquele jeito, cheio de algo que ambos compartilhavam... Dor!

– Você ainda quer ir pra França Milo? – Degel perguntou, no entanto, não teve resposta.

Na hora do jantar Camus não se fez presente e Degel explicou o porquê, e Hyoga aproveitou e pediu ao tio pra ficar ali e o mesmo não objetivou.

– É impressão minha, ou, todos nessa casa estão agindo estranho hoje? – Degel achou que Kardia fosse falar algo, incentivar o sobrinho a não deixar o pai sozinho.

– Por que amor? – indagou Kardia. Degel lhe lançou um olhar zangado.

– Esqueça... – olhou para o irmão e viu que esse quase não tocara na comida – e você, ainda não me disse em que hospital vai trabalhar – tentou puxar assunto.

– Você vai ser transferido? – Kardia passara a tarde inteira descansando a pedido de Degel – tá vendo, é por isso que não gosto de passa o dia inteiro trancafiado em um quarto, não fico sabendo das coisas – disse pondo mais comida na boca.

– Respondo pra você amanhã as duas perguntas que me fez hoje – Milo levantou-se pegou uma bandeja e encheu com frutas, suco, pão, presunto, queijo e outras coisas na qual pudesse fazer sanduiches.

– Aonde vai com isso? – a resposta era obvia, conhecia o irmão teimoso que tinha, no entanto, precisa ter certeza.

– Vou levar pro Camus comer? – respondeu e o irmão levantou-se assim como Kardia.

– Milo... – Degel tentou deter o irmão, mas, foi detido por Kardia.

– Eu só vou levar ate o quarto – disse vendo os olhares sobre si – prometo que não o perturbo, Degel, ele não comeu nada o dia todo.

– Diga a ele que fui eu quem mandou você levar – pediu Kardia e Milo saiu com a bandeja nas mãos.

– Kardia... – agora tinha certeza, o mundo tinha virado de cabeça pra baixo.

– Prometemos não nos meter mais – disse sentando-se novamente – e é o que você esta fazendo, ele já são bem grandinhos.

– Só não quero que se machuquem mais – voltou a sentar-se também.

– Adultos são tão complicados – comentou Hyoga, e os dois mais velhos sorriram-lhe amarelo.

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Camus estava em sua cama. Tinha tomado banho e trocado de roupa, e agora, se encontrava pensando no dia que teve. Lembranças dolorosas se faziam presente na sua mente, seu corpo dava leves espasmos e seu estomago estava um pouco embrulhado, não entedia por que.

– Acho que vou ficar doente – sussurrou. Á muito custo, conseguiu acalmar seu coração que batia acelerado – o que esta acontecendo comigo? – perguntou-se baixo, não teve tempo de processar uma resposta cabível, pois, batidas se fez ouvir em seu quarto – quem é? – perguntou audível.

– Sou eu Camus – seu coração saltou ao escutar a voz de Milo. Lembrou-se novamente da conversa entre ele e Hyoga e sentiu o estomago revira mais forte – Kardia me mandou trazer-lhe uma bandeja.

– Estou sem fome – disse áspero.

– Por favor, coma pelo menos um pouco – pediu o grego – você passou o dia de fome que eu sei – não obteve resposta – vou deixar a bandeja aqui caso mude de ideia – Milo abaixou-se pra colocar a bandeja ao pé da porta, arrumou as coisas que saíram do lugar.

Camus levantou-se e abriu a porta, viu o “amigo” olhar para si ainda abaixado e, varias lembranças de quando eram pequenos veio-lhe a mente. Desejou — naquele momento — voltar àquela época. Época em que, não importava o tamanho da briga, eles sempre acabavam sorrindo um para o outro novamente.

Milo levantou-se de súbito ficando rente ao ruivo, ficaram se olhando por algum tempo, tentando reconhece um ao outro, tentando se entenderem mentalmente, como faziam quando eram pequenos.

Sempre que brigavam, Camus virava o rosto para um lado e ele pro outro, entretanto, quando se encaravam de novo, os sorrisos retornavam.

– Desculpe-me por incomoda-lo, Kardia me pediu pra trazer comida pra você! – disse sem desviar o olhar, Camus olhou para baixo e deu um leve sorriso.

– Quem preparou a bandeja? – indagou mirando na bandeja algumas coisas que ele achava indispensável em uma refeição e outras que ele simplesmente amava comer, e sabia que o irmão não se atentaria a essas coisas.

– Kardia – informou desviando o olhar.

– Por que você gosta de mentir pra mim? – indagou. Milo não ousou levantar o olhar, mesmo assim, o escorpiano notou quando o amigo deu-lhe as costas.

– Achei... – começou o escorpiano e Camus olhou-lhe por cima do ombro – achei que se disse que fui eu quem preparou a bandeja, você não comeria! – o aquariano voltou a ficar de frente pra si – Kardia também não me mandou aqui – revelou – bon appétit Mon cher ( bom apetite meu querido) – o loiro já indo embora quando ouviu.

– Merci (obrigado) – o ruivo sabia que o loiro não sabia muito de francês e o que sabia, fora ele que o ensinara. Coisas simples, mais que ele estava fazendo o possível pra lhe agradar — pourraient me manger? (poderia comer comigo?) – a reviravolta do estômago ainda não tinha dado trégua.

Milo arregalou os olhos com a súbita pergunta, olhou para outro tentando ver se tinha entendido errado, mas, parecia que o outro aguardava uma resposta. Concluído que não havia entendido errado, seu coração passou a dar frenéticos pulos alegria– c-cla...ro... – a palavra quase não saiu.

Milo abaixou-se novamente para pegar a bandeja e Camus abriu mais a porta para que o outro pudesse entrar. Não fechou a porta, não era confiável fecha-la, sentaram-se no chão e passaram a comer, já que o loiro também não havia jantado.

Comiam calmante, um analisando os movimentos do outro, não falaram nada o lanche inteiro, fato que Camus estranhou, pois Milo não conseguia passa um minuto sequer sem falar.

– É incrível – foi o francês a falar a primeira palavra.

– O quê que é incrível? – o ruivo colocou o copo vazio em cima da bandeja.

– Você ainda se lembrar do que eu gosto de comer – falou sem jeito, e um sorriso bobo se desenhou nos lábios do loiro.

– Eu ainda me lembro de tudo o que você gosta! come, beber, assistir – Milo viu Camus olhar-lhe com um olhar reluzente e entendeu o porquê dele esta tão receptivo – você escutou não foi?

– Eu não gostaria de falar sobre isso agora – abaixou o olha e sentiu novamente o estomago revira-se dentro de si.

– E como ficamos? – apressou-se em saber

– Uma coisa de cada vez Milo – pediu o aquariano – o fato de você ser inocente de uma coisa não te absorve totalmente da culpa.

– Eu sei...! Eu só... Eu só... – suspirou, o que ele queria ainda não estava na hora de ter, na verdade, nem sabia se podiria – me desculpe, eu queria pelo menos sua amizade de volta.

Camus recolheu as coisas e levantou-se com a bandeja em mão levando ate mesinha do quarto, Milo recriminou-se mentalmente, claro que ele ainda não estava pronto pra aceitar que também errou, que fora injusto com ele. Tinha que ir devagar se quisesse ter de volta pelo menos à amizade.

– Eu...- ouviu-se um suspiro — eu... – Camus não entendia o porquê de esta se sentindo daquele jeito, nem ele mesmo sabia como explica o que se passava consigo – eu já tinha te dito antes não? Que eu já não sentia mais raiva de você – virou-se e encostando-se à mesa mirou o outro que, ainda se encontrava sentado.

– Mais ainda está magoado – o loiro levantou-se e foi pra perto do amigo.

– Não é isso – o ruivo olhou o amigo – é que ainda dói aqui – e apontou na altura do coração.

– Eu tenho o remédio... – falou pondo a mão no peito do amigo, sentindo — por cima da fina camisa que ele usava – o retumbar descompassado – entretanto, só você tem a cura.

– Sabe Milo, eu gostaria que voltássemos a ser criança – disse pondo a mão por cima da Milo – assim, tudo já estaria bem e não doeria tanto.

Milo sorriu fraco.

– Eu também queria... – murmurou encostando a testa na do homem a sua frente. Ambos tentavam em vão, conter as lagrimas que queriam esconder – assim poderíamos sair correndo, brincando e aprontando com nossos clones mais velhos – ambos soltaram um sorriso soluçoso. Os olhos — de Milo e Camus – ambos banhados de lagrimas, se encontraram. O ruivo pegou sua mão livre e tentou enxugar, com o polegar, os olhos do amigo. Fazendo uma leve caricia no rosto molhado.

Milo — que estava com a mão sobre o coração do francês – sentiu a mudança do pulsa do órgão interno. E com sua mão livre, segurou a que enxugava suas lagrimas, puxando-a para o seu rosto e com os olhos fixos em Camus, não ousaram se mover, temendo que o tempo acabasse. O ruivo fechou os olhos na esperança que, a aquela sensação boa se prolongasse.

Milo afastou a testa pra contempla-lo melhor o rosto do amigo. Passeou o polegar pelo o rosto alvo, Camus abrir os olhos e fechou-os novamente, como se estivesse com sono. Milo sorriu, passou de leve o polegar nos lábios do outro e os viu entreabrir-se.

Milo sentiu uma vontade avassaladora de saber se, o gosto ainda era o mesmo — “Será que ele deixaria?” – perguntou em pensamento. Resolveu tentar, não tinha nada a perder mesmo, com cuidado, pousou os lábios nos do “amigo”. Não houve recusa, também não houve consentimento, afastou os lábios e ouviu um soluço escapa da boca do outro.

– Desculpe-me – soltou o amigo. Estava sentindo-se um idiota por tentar. Por que não esperou mais um pouco? Sabia que Camus estava fragilizado, fechou os olhos com força recriminando-se. Assustou-se quando, braços quentes envolveram seu pescoço e lábios frios e macios apossaram-se dos seus.

Não pensou, ou melhor, não queria pensar, simplesmente enlaçou a cintura do outro e correspondeu com afino ao que tanto queria. Um beijo suave e terno com gosto de lagrimas foi trocado. Camus abriu a boca pra poder sentir a língua quente e atrevida penetra sua boca e brinca com sua.

O ruivo sentiu-se ser pressionado na mesa e pôs as mãos nela pra busca apoio. Sentia suas pernas moles e sem forças, o beijo que antes era calmo, se tornou urgente e quente, e antes que o ar pudesse falta, à interrupção surgiu de outro lugar.

– Pai – Hyoga pela porta aberta — p-pai? – chamou o loiro totalmente sem jeito. Não sabia se saia ou se continuava. Optou pela segunda opção, afinal, tinha que dá um recado – a vovó quer falar com você, ela esta ao telefone – falou e viu seu pai olhar pra Milo como se ele não tivesse ali, fato que deixou o garoto mais constrangido.

– Estou indo – falou, ainda olhava pra Milo, procurava algo que não sabia identificar. Deu um sorriso sem graça e retirou as mãos do outro de sua cintura – acho que o destino não gosta de nós Milo – baixou o olhar e saiu do quarto.

– Desculpa Milo eu... eu... – tentou Hyoga, no entanto, o loiro não olhava pra si e sim pra porta por onde seu pai acabara de passar – não quis interromper.

– Não se preocupe, vou ter outra oportunidade – falou olhando para Hyoga – você sabe o que sua avó queria?

– Não! Ela não disse – informou Hyoga – estou feliz que você e meu pai se acertaram – o aquariano sorriu.

– Desculpa Hyoga, mais isso ainda não aconteceu – informou ao loiro menor e saiu deixando-o completamente confuso.

Na manhã seguinte Milo chegou bem humorado na cozinha. Encontrou seu irmão e Kardia conversando banalidades.

– Ora, bom dia – desejou Degel, fazia tempo o irmão sorrir daquela maneira – aconteceu algo de bom ontem? É raro você está de bom humor.

– Hyoga não te contou? – indagou ao ruivo.

– O motivo do seu bom humor...? Não!

– Ótimo, assim ele continua – Milo mostrou a língua ao irmão, Degel balançou a cabeça.

– Acho que não – informou Kardia – Degel pode não saber, mas, eu sei! Camus falou comigo – disse e viu o cunhado olhá-lo travado — e antes de sair, me pediu pra te entregar isso – estendeu um envelope ao outro loiro.

– Que é isso? – pergunto mirando um envelope todo branco – e ele saiu pra onde?

– Não sei o que é, eu não abri e ele não me disse – respondeu se levantando – e há essa hora, deve esta chegando à paris — saiu deixando os irmãos a sós.

– O que? – Milo levantou-se da mesa assustado e pensou que aquilo só poderia ser pesadelo.

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Annalice esperava de um de seus filhos no aeroporto. Já era quase noite o voo com certeza fora longo, sabia que o filho iria querer descansa, por isso, ao invés de espera-lo chegar em casa em um taxi, fora pessoalmente busca-lo. Não pudera ir visitar o primogênito, no entanto, tinha certeza de que nada de ruim havia acontecido, pois se houvesse Camus teria lhe avisado.

Um sorriso caloroso estampou-se no seu rosto quando viu o rosto tão conhecido passar pelo portão de desembarque.

– Seja bem vindo de volta meu bem – disse a mulher ao homem a quem chamava de filho, recebeu um abraço do mesmo.

A mulher ajudou-o com bagagem, foram ate o carro e seguiram pra casa o caminho todo em silencio. Annalice sabia que o filho não era de falar muito, e ela muito menos.

Chegaram à mansão, entraram e deixaram que os criados cuidassem da bagagem do filho. em outra ocasião, Camus voltaria ao seu próprio apartamento, mais como voltara sozinho e sua mãe queria falar algo consigo, concordou em ir para a mansão dos pais.

– Descanse um pouco meu bem, lhe chamo na hora do jantar – ordenou a mulher docemente – vou avisar ao seu pai que você já chegou – disse e saiu em direção ao escritório.

Camus subiu ao quarto que sempre fora seu. Tomou banho, vestiu algo confortável e descansou um pouco. Desceu assim que sua mãe foi chama-lo. Conhecia o gênio de seu pai, o mesmo não gostava de atrasos nas refeições. Assim que chegou à sala de jantar avistou seu pai na ponta da mesa e sua mãe logo ao lado dele.

Seu pai perecia cansado e pouco mais velho. Fazia algum tempo que não o via! Seu pai tinha certos conceitos, e o simples fato dele, Camus, ter ficado do lado do irmão já fazia de si um vândalo.

– Como foi a viagem? – perguntou Laurence assim que seu filho sentou.

– Desgastante – respondeu – mais tranquila.

– E onde está Hyoga? – tornou a indagar

– Ficou fazendo companhia a Kardia – limitou-se respondeu.

– Achei que seu irmão já tivesse alguém pra fazê-lo companhia! – retrucou seco. Nunca se conformou por ter um filho gay, ao menos, Camus o salvava... em tudo.

– Papai, por favor – pediu vendo para que rumo à conversa estava indo.

– E se aquilo for contagioso? – perguntou frio.

– Kardia é o tio dele pai – falou como se o homem não se lembrasse do parentesco existente — e se eu não peguei a “doença” dele ate hoje creio que Hyoga também não pegara.

– Não é bem da doença do coração que estamos falando – o mais velho queria se fazer entender

– Não sei do o que o senhor esta falando, mas, eu estou falando do coração de Kardia – tentou dar um fim na conversa, no entanto, sabia que o pai não encerraria logo aquele dialogo.

– Do coração dele? – indignou-se o homem

– Sim – respondeu ainda calmo — pai pode não parecer, mais o Kardia ama o Degel e é correspondido por ele – pronto falara o que não devia.

– Amor? Aquilo não é amor é uma doença – esbravejou o mais velho.

– Chame como quiser papai – disse Camus olhando pra mãe num pedido mudo para que a mesma acabasse logo com aquela discussão inútil.

– Ainda bem que ainda tenho você e Hyoga pra me salvar – comentou e Camus suspirou desgostoso, algo que não passou despercebido por sua mãe, que resolveu intervir.

– Muito bem senhores o jantar esta servido – falou a mulher calma – agora comam e deixem essa conversa pra depois – ordenou a mulher e nenhum dos dois eram loucos de desobedecer – e querido, Kardia ainda é seu filho, por tanto não perca as esperanças – Annalice tinha um sorriso doce nos lábios, o que deixava o seu marido extremamente assustado.

– A senhora disse que tinha um assunto importante pra conversar mamãe, o que era? – estava curioso. Sua mãe havia lhe tirado das feria alegando ter um assunto importante.

– Depois do janta meu bem – disse comento um pouco do que havia no prato – ai vamos nós três ate ao escritório e conversaremos.

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– Tem certeza que isso que você quer – indagou Degel se despedindo do irmão.

– Tenho – respondeu Milo – vou fazê-lo entender que ele não pode simplesmente sair sem me dá explicação nenhuma.

– Achei que você fosse trabalhar Milo – comentou o ruivo

– Também – afirmou — mais para poder curar os outros, eu preciso me curar primeiro e ele é o meu remédio.

– Vê se não vai fazer besteira Milo – Degel abraçou o caçula com força.

– Pode deixar – desfez o abraço do irmão e entrou no portão de embarque – vou correr atrás da minha felicidade.

Milo não entendia o porquê do outro não ter esperado ou tê-lo chamado para se despedir. Só sabia que gostara do progresso que havia feito e agora mais que nunca, iria pra paris, faria sua jogada e esperaria pela resposta, dependendo de qual fosse ele aceitaria, mesmo que doesse.

Continua...