I Gotta Go My Own Way

3 Capítulo 3 Tristeza e convivência– parte 2


Notas iniciais
Para aqueles que estão acompanhando, ai esta mais um capitulo! Deu um pouco trabalho para escrever, mas, finalmente ficou pronto... divirtam-se!

Convivência!

Milo pisava pesado no chão e praguejava palavras desconexas, estava muito zangado, nem mesmo voltara pra casa naquele dia. Simplesmente pegara o cavalo e fora para cidade, pensava que um pouco de bebida pudesse acalma seu humor.

– Como ele teve a audácia de me acusar de Pedofilia! – resmungou o grego antes de subir no animal novamente para retorna pra casa – aquele francês metido ainda me paga. E o pior é não posso revidar, já que de certo modo, ele tem razão por me odiar! – os pensamentos do loiro não o deixavam quieto.

Já eram quase oito da noite e, não dera noticias o dia todo. Seu irmão com certeza lhe passaria um sermão daqueles. Ao chegar a fazendo desceu do cavalo e o deixou no estabulo, respirou fundo ao chegar à frente de casa e notar as luzes da sala todas acessa.

Depois que abriu a porta, não precisou andar muito para presenciar uma cena no mínimo intimidadora.

Milo resolveu avaliar a situação ante de dar um veredicto final. Camus estava sentado na poltrona, Kardia e Degel no sofá grande, tinha xicaras na mesinha de centro, o que mostrava que eles estavam conversando e... Tomando chá?

Aparentemente não a muito de intimidador nisso! – pensou Milo. No entanto, seu pensamento retumbou mais uma vez.

Claro que, vamos levar em conta que você foi pego “tentando abusar” do filho do homem que um dia foi seu amigo e agora te odeia. Seu cunhado sofre do coração e estar sujeito a ter um ataque de preocupação, por não receber noticias suas o dia inteiro. E, com certeza, conhecendo Kardia como ele conhecia, tinha certeza de que, se escorpiano estava tomando chá àquela hora da noite, era por que estava tentando acalmar o ruivo sentado na poltrona! Seu irmão também já havia pedido incontáveis vezes que avisasse se fosse chegar depois das sete. — e veja bem, para Degel, um minuto depois da sete, já é depois das sete! — e também tem o fato de que Degel ama o ser que, poderia ter um ataque cardíaco. Ainda acha que não há nada de intimidador nisso? — Perguntou-se mentalmente – então junte tudo e adicione o simples fato deles estarem ali reunidos, somente te esperando. Como você sabe? – tornou-se a indagar-se – bem, os olhares deles não negam.

– Boa noite! – desejou Milo aos três homens ali presentes. Sua voz saiu cambaleante e um pouco fora de foco devido ao nervosismo. Foi andando em direção aos três — eu sei que eu deveria ter avisado mais... – o coração de Milo falhou uma batida quando, Camus se levantou e foi em sua direção, felinamente olhando de um jeito que parecia querer mata-lo, todavia, contendo-se a cada passo. parou bem próximo a si.

– Desculpe – me! – pediu o ruivo olhando dentro dos olhos do loiro. O pedido soou grosso e mordido, como se o francês tivesse fazendo uma força enorme para que ele saísse.

Milo piscou algumas vezes, aturdido.

– O que? – perguntou sem jeito.

“eu maneirei na bebida para poder escutar o sermão do Degel ate o fim, mas, acho que não adiantou já que estou alucinando” — pensou o grego — “acho que escutei uma espécie de pedido de desculpa vindo do ruivo que me odeia” — tornou a pensar – acho que não entendi! – volveu incerto sobre se escutara direito. Camus tinha mesmo pedido desculpa? Mais pelo o que? E se estava se desculpando por alguma coisa, por que estava parecendo que queria mata-lo?

– Você ouviu! – retorquiu o aquariano. camus virou-se ficando de costas para o loiro — não vou pedir novo – disse seco — agora se me permitem, boa noite há todos! – o aquariano passou por Milo e começou a subir as escadas quando ouviu a voz do irmão.

– Você não esta se esquecendo de nada Camus? – indagou Kardia calmamente e Milo viu Camus voltar um pouco à contra gosto. (mentira, foi totalmente à contra gosto)

– Claro, como pude me esquecer? – indagou o ruivo com visível ironia na voz. Era claro que ele não queria estar fazendo aquilo, mais não tinha muita opção. Já que seu irmão e o de milo estavam dando as “regras” naquele momento. Voltou-se com os olhos cheios de raiva em direção ao loiro – obrigado por ter tirado o bichinho nojento do pescoço do Hyoga – disse ficando bem próximo a milo. Podiam senti suas respirações chocarem-se, e causar leves arrepios nos corpos de ambos – mais ainda não quero que fale com ele quando eu não puder ver – sussurrou. Milo havia ficado meio bobo por ter o aquariano tão perto de si. Milo viu o aquariano subir as escadas como se tivesse fugindo de algo. Ficou admirando-o ate que subisse todos os degraus e sumir no corredor.

– Para de baba Milo – Degel falou docemente – você comeu alguma coisa hoje? – o indagou.

– Mais ou menos – desviou a atenção para o irmão — pode me dizer o que foi isso? – quis saber sobre o estranho comportamento de todos, Camus lhe pedira desculpas, Degel ainda não lhe passara um sermão e Kardia... Bem Kardia fez Camus descer do pedestal em que ele subira.

– Vamos dizer que, tivemos um mal entendido hoje de manhã e quase não conseguimos controlar o senhor racionalidade – respondeu Degel levantando-se e indo parar perto do irmão – mais quando conseguimos tal feito, sob algumas ameaças de Kardia claro, descobrimos o porquê de Camus ter ficado tão nervoso – explicava o aquariano mais velho – foi ai que, Camus me mostrou a marca no pescoço do menino. Então eu expliquei a ele o que você estava provavelmente tentando fazer. Que era... – Degel incentivou Milo de uma maneira que ninguém mais conseguia.

– Tirando a sanguessuga do pescoço dele, já que o anfíbio ainda não tinha se instalado completamente na veia do loirinho – respondeu Milo um pouco constrangido pelo seu irmão estar tão próximo.

– Foi o que eu disse a ele – falou se afastando – era o que eu tinha pensado e não custava nada confirmar – Degel virou-se e foi em direção à cozinha — agora venha jantar

“Algo me diz que isso não foi um pedido” — pensou o grego.

Milo seguiu o irmão com receio, conhecia muito bem o humor do ruivo e sua mania de cumprir regras. E ele, Milo quebrara bastante elas hoje. suspirou resignado e fechou a porta da cozinha para o que o cunhado não escutasse, sabia que não adiantava muito, pois, Kardia iria saber de tudo mesmo.

Camus tinha entrado no quarto muito alterado. Há muito tempo não ficava assim tão perto de Milo e naquela semana que se passara, sempre que podia, evitava o loiro! Construíra uma barreira no seu coração, passara os últimos vinte anos matando um sentimento que nunca deveria ter existido. Pensava que já estava forte para um encontro como aquele.

Ele sabia que Milo estava na fazenda. Seu irmão fizera a gentileza de conta-lo quando escrevera, e ainda lhe dera a opção de viaja para França ao invés de Camus vir para a fazenda. No entanto, o aquariano preferiu enfrentar logo o mal que o atormentava. Kardia precisava fazer a transfusão pontualmente a cada seis meses e, esse prazo estava chegando ao fim. Então, ao invés de fazer o irmão ter uma longa e desgastante viagem ate a França, resolvera vir ate a Grécia.

No entanto, agora, estava pensando se fizera realmente a escolha certa ao optar vir para fazenda. Embora não tenha demonstrado, ao olhar Milo novamente sentiu o coração bater mais rápido, a garganta ficar seca e as pernas tremerem, algo que o confundiu demais, além de toda essa demonstração de fragilidade que seu corpo exercera, também sentiu raiva... Mesmos assim, manteve-se firme e por respeito ao seu irmão, a única coisa que fez foi pedir ao loiro que não lhe dirigisse a palavra.

Sentiu o sangue gelar ao vê-lo de maneira tão comprometedora perto de Hyoga, queria-o bem longe de seu filho, o que Milo provavelmente faria se Hyoga não quisesse conversa com ele, mas, como fazer o loirinho desinteressa-se da companhia do loiro mais velho, já que Milo tinha muito a mostrar. E agora, Kardia e Degel ainda o fizeram agradecer e desculpar-se com o loiro, sua cabeça agora doía de tantos pensamentos.

Na manhã seguinte quando Camus entrou na cozinha pra tomar café, encontrou somente Degel e Milo. No entanto, não deu muita importância já que Kardia não tinha costume de acorda cedo mesmo.

– Bom dia Degel! – desejou Camus e Degel respondeu-lhe com um aceno. Sentou-se e se serviu de café e pão.

– Bom dia! – arriscou Milo

– Onde esta meu irmão Degel? – Camus fez o que Milo mais detestava que fizessem com ele, ignorou-o.

– Ainda esta deitado – informou tentando não ri da cara que Milo fizera ao se ignorado – ele não esta se sentindo bem hoje.

– O que ele esta sentindo? – preocupou-se

– Nada muito grave, só disse que não esta muito disposto! – respondeu tentando acalmar o cunhado.

– Ah...

– A educação mandou lembranças para você – jogou Milo. Todos ali presentes sabiam o quanto o loiro detestava ser ignorado e o ruivo estava fazendo de proposito. Prometeram se aturar, então, ao menos um cumprimento formal ele deveria responder.

– Processa o correio! – falou seco – e você já chamou o medico? – perguntou ao ruivo.

– Já! Ele deve esta chegando – respondeu Degel e levantou-se queria ver ate onde aquela discursão daria.

– Ao invés da minha pessoa processar o correio, você deveria usar a educação que sua mãe te deu ou ela já acabou? – atacou o loiro. Não gostava desse novo Camus, não se parecia em nada com seu amigo ou ex.

– Eu não tenho por que ser educado com você quando meu irmão não estiver presente – respondeu sem se abala com o que o escorpiano falava. Tinha coisas importantes para se preocupar, como por exemplo, o estado de saúde de seu irmão.

– Ah... Então é assim? vai me tratar às mil maravilhas quando Kardia estiver presente e aos trancos e barrancos quando ele estiver ausente?

– Não! – respondeu levantando-se, levou a pia as coisa que usou, lavou-as, depois enxugou e as guardou. Ficou de frente pra Milo que ainda estava sentado, aproximou-se perigosamente do rosto dele. Viu quando o grego engoliu o que quer que estivesse comendo com dificuldade — vou fingir que você existe quando meu irmão estiver presente e descartar sua existência quando ele estiver ausente, pois, não me interessa ter qualquer tipo de laço com você! – Camus saiu de perto de Milo. Estava se retirando quando escutou o escorpiano rebater.

– Como é que você consegue ser tão idiota!

– Não Milo, eu era idiota quando confiava em você.

– Idiota e mesquinho – disse o loiro entre os dentes – já disse e vou dizer de novo, não pode se fazer de vitima pra sempre – Milo levantou-se e colocou ambas as mãos na mesa, Camus fez o mesmo e ficaram se encarando ate Degel resolver aparta.

– Já chega! As farpas já estão começando a arranharem – ambos o olharam – além do mais eu preciso que façam um favor pra mim. Quero que... – a campainha tocou – não saiam ainda, vou precisar que façam algo pra mim.

– Quem será que é? – indagou Milo agora um pouco mais calmo

– Deve ser o medico – respondeu o aquariano mais velho indo atender a porta – não disse para vocês, que eu o tinha chamado – Camus e Milo foram pra sala, Degel abriu a porta dando passagem para o home entrar.

– Shaka? – Camus se surpreendeu ao ver quem era o medico.

– Camus, que bom te ver novamente! – disse e foi abraçar o amigo — que mundinho pequeno esse não?

– Sim, muito pequeno! – Shaka era um homem alto, de longos cabelos loiros e olho azul, era branco assim como Camus e Degel, porem, mais altivo. Nasceu na índia e foi estuda medicina na França onde conheceu Camus – por favor, examine meu irmão. Eu já sei mais ou menos qual é o problema dele, só preciso de sua confirmação.

– Certo e onde esta o paciente? – indagou o recém-chegado.

– No quarto, não deixei que ele levantasse – respondeu Degel – vamos... O quarto fica por aqui – disse mostrando as escadas para o medico – e vocês nem pensem em sair, vou levar Shaka ate o quarto e volto pra dizer o que preciso que façam.

– Nada disso! vou com você, estou preocupado com meu irmão – volveu Camus já tomando a dianteira na subida das escadas.

– Eu também vou, não vou ficar aqui na sala sozinho sem fazer nada – retrucou Milo seguindo o ruivo.

– Só não façam barulho ou briguem dentro do quarto — recomendou Degel.

Shaka examinou Kardia por completo e não achou nada que já não estivesse na ficha dele, Kardia era acompanhado pelos médicos do hospital central de Atenas e quando sentia algo ou tinha alguma vertigem, o medico chefe era quem ia visita-lo, Shaka havia chegado há seis meses no hospital, viera para chefia à equipe e por ser um grande medico logo ficou encarregado da saúde Kardia.

– E então o que ele tem? – indagou Degel.

– Bom... Os sintomas são febre, ânsia e insuficiência...

– O sangue dele já começou a coagular de novo, né Shaka? – perguntou Camus ao ouvir os sintomas

– Sim, ele precisa da transfusão – deu o veredicto – posso marca a retirada do seu sangue pra manhã as dez? – perguntou virando-se para o aquariano mais novo.

– Pode – disse triste – vim aqui pra isso mesmo – falou olhando o irmão, que também tinha um olha pesaroso. Camus chegou perto do irmão e segurou sua mão.

– Bom... Eu já vou indo, preciso prepara a internação de Kardia, pois, ele precisara passa dois dias no hospital – disse e pegou a maleta que trazia junto consigo. Caminhando-se pra fora do quarto.

– Eu o acompanho ate a porta – falou Degel – venha Milo, deixe os dois conversarem um pouco – disse o aquariano encaminhado o irmão para fora do quarto.

– Shaka! – chamou Camus antes que o medico saísse do recinto.

– Sim...?

– Você não gostaria de jantar hoje conosco? – perguntou segurando as lagrimas — gostaria de falar algumas coisas com você, pode ser?

– Claro! – respondeu o medico. Sabia que o amigo estava passando por uma fase delicada, e parecia que a mesma não queria acabar. Durante todo aquele tempo Camus sempre esteve presenciando a queda do irmão sem reclamar — agora já vou indo, ate mais tarde! – Shaka se retirou junto com Degel e Milo que o acompanharam ate a saída.

– Desculpe-me por fazer você sofre tanto! – pediu Kardia assim que se viu sozinho com o irmão.

– Não se preocupe você não faz! – respondeu ainda apegado ao irmão.

– Faço sim! – Kardia puxou Camus e abraçou-o forte — não é pela doença... Mas, tenho medo de perde você Camus – o ruivo sabia exatamente o porquê do irmão esta dizendo aquilo.

– Kardia, você ainda lembra-se do que eu te disse quando era pequeno? – Kardia o afastou um pouco, ainda doía lembra daquilo. Passou um bom tempo se culpando pelo o que acontecera depois.

– Claro que lembro! – voltou a abraçar o irmão, só que mais forte, o loiro deitou a cabeça no ombro do irmão e Camus pode sentir algo quente molhar lhe o local — principalmente do que aconteceu depois.

– Era mentira – o ruivo escutou o esparmo que saiu abafado da garganta de Kardia — eu nunca te odiei! – o francês abraçou o loiro com igual intensidade para que este não visse que também estava chorando.

– Eu sei! – falou soluçando – você me disse naquela mesma noite.

OooO

Era domingo e os pais de Kardia e Camus haviam viajado, deixando os irmãos estritamente submetidos aos cuidados dos empregados. Camus queria sair, fazer uma visita ao shopping, mais a senhora Katelie havia dito à governanta, que era quem cuidava dos meninos quando a mãe não estava presente, que os mesmo não podiam sair, pois, no dia seguinte Camus iria ao hospital para retirar o sangue que iria ser doado ao irmão.

Mesmo a mãe não deixando, Kardia deu um jeito de sair com Camus ao shopping e ainda convidou Degel e Milo para irem junto, visitaram todas as lojas e foi um dia bem divertido. O problema foi quando chegaram em casa.

O loiro não previra que os pais voltariam no mesmo dia e por isso não chegara cedo, ambos se assustaram quando entraram na sala e viram os pais com cara de poucos amigos.

– Eu disse que não era pra vocês saírem! – disse Annalice zangada pela desobediência dos filhos – estão de castigo os dois.

– Mais mãe, aqui em casa estava um tedio – falou Camus – além do mais, na próxima semana tem o piquenique da escola, se a senhora me colocar de castigo agora não vou poder ir.

– Deveria ter pensado nisso ante de desobedecer mocinho – disse Laurence com sua voz fria, o que assustava tanto Kardia quanto Camus – agora subam os dois e não saiam de lá ate mandarmos.

– Mais pai – Kardia tenteou interpelar, mais não teve jeito. Quando o pai dizia algo era melhor simplesmente obedecer e os irmãos subiram para o quarto.

– Isso não é justo! não fizemos nada de mais – disse Camus quando chegou à porta do seu quarto.

– Não se preocupe, vou tenta conversar com eles, tenho certeza que vão me ouvir – Kardia deu um beijo no irmão e foi para seu quarto.

No dia seguinte a mãe mandou que ambos descessem para tomarem café, pois, já estavam atrasados para irem ao hospital.

– Mãe sobre ontem... – começou Kardia, todavia, sua mãe não deixou que ele prosseguisse.

– Ah sim, sobre ontem, eu mudei de ideia! – disse a mulher e ambos sorriram – Kardia eu sei você esta tentando agrada seu irmão, pois, ele é quem salva a sua vida, mas, você não pode simplesmente fazer tudo o que ele quer – disse a mulher firme, mais aquelas palavras doeram no coração do pequeno e o seu sorriso desapareceu assim como o do irmão — então somente por isso, você esta livre do castigo – continuou a mulher – agora você Camus pare de chantagear seu irmão e seja um menino responsável.

– Prometo que vou ser – disse olhando o prato. era visível que perdera a fome – estou livre do castigo também? – indagou ainda esperançoso.

– Você quer muito ir a esse piquenique certo? – indagou a mulher avaliando o filho

– Sim mamãe, eu quero muito ir – respondeu o pequeno.

– Pois não vai! – Annalice falava friamente – você esta de castigo durante os próximos quinze dias, regime fechado, somente casa e escola.

– Mais mãe! – Camus praticamente pulara da cadeira.

– Esse também será o ultimo semestre que você vai à escola – Annalice não se deixou intimida pelas lagrimas que já começara a cair do rosto alvo.

– O que? – perguntou sussurrando

– É! terá um professor particular igual ao Kardia – confirmou a mãe

– Não pode fazer isso – disse o menino soluçando.

– Posso sim, sou sua mãe e já que na escola você esta aprendendo a me desobedecer, talvez, você reaprenda em casa – disse a mulher terminando de comer – vai se arrumar que temos que ir ao hospital – Camus saíra correndo aos prantos em direção ao quarto.

– Mãe, por favor, reconsidere esse castigo – pediu Kardia, não queria ver o irmão sofrendo ou chorando, sabia que Camus tinha amigos. Coisa que ele sempre desejava ter e nunca pudera.

– Não vou reconsidera nada! Ele precisa aprender a me obedecer — Annalice estava receosa. Kardia era seu primogênito e o amava, também amava Camus mais o primeiro requeria de mais cuidados e ela estava perdendo o fio da meada. viajara com o marido a procura de uma cura para o filho mais velho e assim libertarem o filho mais novo de tanto sofrimento e responsabilidade, mas, como sempre o caminho deu em lugar nenhum e eles voltaram pra casa mais triste. Era sempre assim quando surgia uma oportunidade, eles, ela e o marido sempre tentavam pegar e sempre isso escapulia de suas mãos como se fosse vento – Kardia entenda, por favor, mesmo tendo Camus eu ainda não estou pronta pra perder você. Eu te amo muito meu filho – Annalice tinha os olhos cheios de lagrimas.

– Mais mãe, não vê que desse jeito a senhora perde o Camus? – Kardia abraçou a mulher – não vê que ele sofre tanto ou mais que eu? Eu não gosto disso, impedir que ele tenha o quer, faça o quer, ele não é minha propriedade mãe e ainda sim faz tudo sem reclamar.

– Kardia... – a mulher não tinha forças para argumentar. já lutara tanto e estava ficando cansada, por obvio, Camus também.

– Por favor, mãe – pediu e Annalice ponderou um pouco.

– Esta bem, vou falar com ele! – disse a mulher se levantando e indo de encontro ao filho mais novo.

– Camus meu filho! – chamou a mulher abrindo a porta do quarto do ruivinho – Camus – chamou de novo – Camus meu bem, cadê você? – Annalice procurou por todo o quarto e banheiro mais não encontrou Camus, foi no quarto de Kardia e no próprio mais nada.

– Kardia – chamou a mulher – Kardia, você viu o Camus?

– Não – respondeu o loiro – ele não tinha ido se arrumar?

– Tinha, mas, fui falar com ele agora ah pouco, mais ele não estava lá – falou a mulher aflita

– Calma mãe, chama o chefe da segurança, ninguém passa pelo portão sem passar por ele – disse Kardia se preocupando – ele pode acha o Camus pelas câmeras de vigilância.

Annalice chamou o chefe da segurança e relatou à situação. O mesmo olhou nas câmeras de vigilâncias e viu que Camus passara pelo portão principal, quando o homem disse para patroa que o menino havia saído à mulher se desesperou, Camus tinha apenas onze anos não tinha experiência nenhuma do mundo, estava só e sem dinheiro, a mulher não aguentou e desmaiou.

Kardia ligou para o pai e explicou a situação, ligou pra Degel e pediu ajuda, quando Laurence chegou em casa, Annalice que já estava acordada explicou a situação e disse como castigara o filho e quando foi dizer a ele que não cumpria o castigo o menino havia sumido.

Passaram o dia todo procurando por Camus mais nada de achar o ruivinho. Camus por sua vez andava sem rumo e chorando muito, estava muito triste. Sabia que seu irmão precisava de mais atenção e tratamento e saber que sua mãe tinha preferencia por ele não ajudava muito.

Camus pensava muito no que havia escutado, não escutou por querer, apenas, ficou na escada pra ver se seu irmão o defendia e ficou feliz por sabe que o mesmo tentara mudar o pensamento da mãe, mais a pancada veio a seguir, com a mãe dizendo aquelas palavras “Kardia entenda, por favor, mesmo tendo Camus eu ainda não estou pronta pra perder você, eu te amor muito meu filho”.

Parou de correr e tentava controlar o choro que sacudia seu corpo, passara o dia todo no meio da rua, não comeu ou bebeu nada, estava cansado, com fome e com sono. Parou em uma praça e não sabia o que fazer já que não tinha pra onde ir, resolveu então voltar a andar mais ao se levantar sentiu-se puxado por alguém.

– O que você esta fazendo? – Camus se sentiu um pouco desnorteado ao escutar a voz trigueira do amigo, pensara por um momento que seus pais ou seu irmão o tinha achado.

– Milo... – sussurrou o nome do amigo aliviado

– É sou eu – disse o garoto feliz por ver o amigo bem — esta todo mundo procurando você, Camus você deixou todos preocupado.

– Não é verdade Milo – Camus já não chorava mais, no entanto, seus olhos não negava que ele estivera fazendo isso por horas – minha mãe só me atura por que sou a sustentação do meu irmão. Acho que se se depende dela eu nem teria nascido.

– Não fale assim Camus, sua mãe também esta muito preocupada! – disse o garoto loiro.

– É claro que esta, sem mim, o filho dela pode morrer – era irônico mais no fundo ele sabia que Kardia sempre foi o preferido

– Você também é filho dela – Milo tentava a todo custo levantar o astral do amigo

– Minha mãe não pensa assim! – o garoto estava terrivelmente triste.

– Camus... – o coração do ruivinho acelerou ao sentir-se abraçando e escutar a voz de Kardia – que bom que esta bem! Camus, por que você fugiu?

– Por que eu queria fazer a mamãe feliz ficando somente com você!– disse Camus olhando para o chão

– O que esta dizendo Camus? Mamãe também te ama, ela tá desesperada e se sentindo culpada pelo seu sumiço

– Não Kardia, não é pelo meu sumiço que ela esta desesperada

– Como não moleque. Você sumiu e ela passou mal, como pode dizer que ela não esta desesperada por você? Como pode ser tão egoísta Camus?

– Egoísta? Eu? Kardia eu não posso ter um cachorro ou qualquer outo animal, não posso convidar meus amigos pro meu próprio aniversario, não posso sair pra onde quero ou fazer o que eu quero, odeio essa vida Kardia, odeio mais ainda você que foi quem me enclausurou nela – falou Camus mais se arrependeu logo em seguida, pois, viu o irmão arregalar os olhos e retesar o corpo. Saiu correndo novamente e atravessou a rua em disparada.

– Kardia – chamou Degel do outro lado da rua apontando para o “amigo” o que vinha na direção do ruivinho.

– Camy cuidado! – gritou Kardia mais era tarde de mais, Camus ouviu só o cantar do pneu depois do aviso de Kardia.

Kardia, Milo e Degel correram em direção a Camus que se encontrava caído no chão. O motorista descera do carro para presta socorros, a ambulância não demorara muito pra chegar e levar Camus para o hospital.

Degel tentava acalmar Kardia que poderia ter um ataque cardíaco a qualquer momento, Milo por outro lado só chorava. vira o amigo se machuca e não pode fazer nada.

– Calma gente ele vai ficar bem! – dizia Degel mesmo sem ter certeza do que falava.

Quando o medico apareceu foi bombardeado de pergunta “como ele esta?” “Ele vai ficar bem” “quando ele vai ter alta?”.

– Calma, calma! – pedia o medico – sim ele vai ficar bem e no presente momento ele esta dormindo e quanto à alta isso vamos ver quando ele acordar. Já que teve uma leve escoriação na cabeça.

– Posso fica com ele? – indagou Kardia

– Pode – afirmou o medico — ele ficara no quarto duzentos e onze. Assim que sair da sala de gesso

– Sala de gesso? – perguntaram os três ao mesmo tempo

– Sim, ele quebrou a perna e o braço esquerdo devido à força da pancada, mas, vai ficar bem.

Quando Camus foi levado para o quarto Kardia ficou ao lado dele o tempo todo. Viu o irmão respirar pesadamente como se estivesse sentindo dor, também, estava um pouco quente e vermelho, claro sinal que indicava febre.

– Desculpe-me por fazer você sofrer tanto? – pediu ao pé do ouvido do irmão e beijou-lhe a testa.

– Kar... dia... – Camus chamou o irmão e abriu os olhos com dificuldade.

– Estou aqui Camy – disse vendo a condição atual com o qual o irmão fazia força pra falar.

– Eu... eu... n-não... te odeio... – disse e fechou os olhos novamente.

Kardia chorou, sentia-se muito mal pelo que acontecera com o irmão. Sentiu o peito doer ao escutar Camus dizer que o odiava, mas, agora, ao ver a força que o irmão fazia pra falar o contrario sentia-se incrivelmente feliz.

Annalice e Laurence chegaram um pouco depois que Camus foi levado para o quarto, à mãe comprovou que ambos os filhos estavam bem e junto com o marido passaram a noite no hospital. Antes, o juiz levara os irmãos Kyrrillo pra casa, Annalice aconchegou-se junto a Camus e adormeceu.

Camus foi o primeiro a acorda mais não abriu os olhos, sentiu-se dolorido e um pouco impossibilitado, com peso no braço e na perna esquerda, também se sentira afagado e protegido igual a quando ficava doente e sua mãe vinha e colocava-lhe no colo para mimar lhe um pouco. Sentiu também sua mão ser segurada por uma mão grande e quente que reconheceu como sendo a de seu pai.

Abriu os olhos devagar e viu sua mãe abraçada a si e seu pai sentado ao lado da cama, Kardia também estava lá.

– Mamãe – chamou baixinho e os três se acordaram

– Meu querido, que bom que você esta bem — disse a mulher se levantando e beijando o filho – desculpe-me por ter magoado você, não quero que fuja de novo – Annalice abraçava seu caçula com força.

– Querida solte-o, você vai machuca-lo mais – disse Laurence – você nos deu um susto e tanto, não faça mais isso Camus, por favor – pediu o pai.

– Desculpe-me por tê-los preocupado – disse o garoto.

– Ah querido, antes que eu me esqueça, o castigo... Eu fui um pouco severa com você – disse Annalice um pouco constrangida – e quando eu fui falar com você, você já tinha sumido.

– Quer dizer que eu não estou mais de castigo? – indagou o pequeno

– É querido! Não esta mais.

– Mais agora também não tem mais importância. Eu já não posso mais ir ao piquenique, estou com o braço e a perna quebrada — Camus tinha os olhar triste.

– Eu tenho uma ótima ideia – disse o juiz – quando seu braço e sua perna sararem vão fazer uma festa na piscina com todos os seus amigos – Laurence e Annalice vira Camus sorrir.

– Será em casa? – indagou o menino

– Será onde você quiser – disse a mãe adorando ver o sorriso do filho se alargar.

OooO

Depois de algum tempo Camus desceu, encontrou Degel e Milo na sala.

– E então o que você queria que fizéssemos? — indagou descendo as escadas.

– Queria fossem ate a cidade comprarem algumas coisas pra mim. Não quero deixar Kardia sozinho e somente um de vocês não conseguiria trazer tudo – disse Degel vendo a cara de desconforto de ambos – ah meninos, por favor.

– Certo – concordou Camus – vou chamar Hyoga pra ir também.

– Isso tudo é medo de ficar sozinho comigo?- brincou Milo.

– O fato deu querer ficar longe de você, não quer dizer que eu tenha medo de você, então não fique se achando – Camus subiu as escadas pra ir chamar Hyoga, mais não o encontrou voltou pra sala – Hyoga não esta no quarto.

– Ele deve esta passeando por ai com Shun – comentou Milo que notara o interesse do loiro no menino de cabelos castanhos.

–Shun é o irmão do cavalariço não é? – indagou lembrando-se do nome do menino.

– Sim, se você quiser nos podemos ir atrás deles e depois ir pra cidade – sugeriu o loiro.

– Não precisa, vamos somente dois mesmo – falou Camus.

– Isso é tudo que eu quero que você tragam pra mim – informou Degel entregando uma lista razoavelmente grande aos dois que saíram apressados

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Hyoga e Shun haviam saído cedo. Hyoga disse que queria conhecer melhor as terras e Shun se prontificou a mostra-lo, andaram por trilhas, passaram pela cachoeira ate chegar a um local bem diferenciado e bonito, nesse lugar se encontrava a nascente do rio, e tinha um campo florido que adornava a nascente.

– Que lugar é esse Shun? – indagou Hyoga — é muito bonito.

– Também não sei! esse é o mais longe que já vim sem os cavalos – falou o garoto.

– Serio? Mas, esse lugar é bem bonito! – Hyoga estava admirado com a beleza do lugar.

– Hyoga, tudo o que a natureza vem nos oferecer é bonito – falou o garoto também admirando o lugar, andaram um pouco mais, ficando entre as flores, deitaram-se no campo e ficaram conversando.

– Você gostou daqui Hyoga? – indagou Shun ficando de lado

– Claro eu não disse que era bonito – respondeu o loiro

– Não estou me referindo ao local onde estamos agora e sim na fazenda em si

– Ah... Você não explicou – o loiro se virou ficando de lado e de frente para Shun apoiando a cabeça no braço – antes eu não gostava de vir pra cá, não tinha ninguém pra conversa. mais esse semestre foi diferente.

– E o que mais você gostou nesse semestre? – tornou a pergunta, Shun achava Hyoga bonito, interessante e muito esperto.

– As pessoas – respondeu o loiro olhando diretamente nos olhos do garoto ao seu lado.

Logo que seu pai dissera que viriam à fazenda, Hyoga reclamou, todavia, não teve jeito. Vieram assim mesmo, gostara de ver o tio de novo e tudo, mais naquele lugar não tinha ninguém com quem ele pudesse conversa. e quando pensou que aquilo poderia ser um tedio, o loiro que conseguira irritar seu pai lhe apresentara o ser mais belo que ele já vira.

Shun era um menino lindo era um ano mais novo que ele, e um pouco mais baixo também, tinha cabelo castanho que iam ate o meio das costas e exalavam um perfume fora do comum.

– Você já beijou alguém Shun? – quis saber Hyoga totalmente vermelho.

– N-não – gaguejou o menor com o mesmo tom rubi nas faces – e você?

– Também não – disse constrangido – mais você sabe como é?

– Mais ou menos – disse o menor – meu irmão me explicou alguma coisa na teoria.

– Seu irmão é meio rabugento né? – tentou mudar de assunto.

– Não! ele só não gosta de me dividir com ninguém – o menor tinha um pequeno sorriso nos lábios e os olhos fechados ao lembrar-se de como Ikki era protetor.

– Shun? – chamou o loiro.

– Humm – murmurou sem abrir os olhos

– Eu posso te beijar? – perguntou sentando-se com o coração aos pulos

– Mais você disse que não sabia – Shun abiu os olhos depressa.

– Posso tentar então? – o comentário deixara Hyoga sem jeito.

– Pode! – respondeu o mais novo sentando-se também.

Hyoga inclinou o corpo pra frente, fazendo seu rosto e o de Shun ficarem bem próximos, Shun também ajudou inclinando-se também, encostaram os lábios somente.

– Acho que estamos fazendo algo de errado – disse Shun.

– E o que acha que devemos fazer? – perguntou o loiro mais constrangido ainda.

– Já sei coloque sua língua dentro da minha boca Hyoga – pediu Shun abrindo a boca.

– Isso é nojento – disse o loiro fazendo careta

– Faça logo – ordenou e o loiro atendeu.

Shun abriu a boca minimamente e Hyoga colocou a língua dentro da boca de sua boca. Shun passou a chupar a língua de Hyoga incentivando-o a movimenta-la dentro de sua boca, as mãos do loiro foram parar na nuca do menor, puxando-o para mais perto, assim que as bocas se conectaram, dando aos dois as sensações do primeiro beijo.

– É melhor irmos, esta ficando tarde – disse Shun assim que pararam com o beijo. Ambos tinham o coração aos pulos e o rosto corado.

– Concordo – disse o loiro se levantando e puxando Shun consigo.

– Hyoga – Shun estava olhando para os lados.

– O que foi? – indagou limpando a roupa.

– De que lado foi que vinhemos? – perguntou olhando pro mais velho

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Camus e Milo voltaram por volta das cinco da tarde com muitas sacolas, compraram tudo que Degel pedira.

– Camus que bom que chegou – comentou o ruivo mais velho, o aquariano não gostou quando avistou o jovem cavalariço na sala do cunhado, seu coração logo deu sinal de que tinha alguma coisa errada.

– O que aconteceu? – perguntou vendo a cara de aflição do cunhado.

– Hyoga e Shun ainda não apareceram – Degel falou temendo a reação de Camus – eu ainda não contei ao Kardia, ele não se sentiu bem o dia todo e não quero preocupa-lo.

– Meu irmão e seu filho saíram de manhã cedo senhor – Ikki foi para o lado do patrão – recomendei para que eles não fossem muito longe, acho que devem ter se perdido.

– Então vamos procura-los – Milo prontificou-se a ajudar. Fazia pouco tempo, mas, já gostava muito de Hyoga e ficou preocupado também.

– Tem duas trilhas uma que dá pra nascente do rio que forma a cachoeira e a outra dá entrada pra floresta – Degel passava as informações dos caminhos enquanto três cavalos eram preparados.

– Ok, estamos indo – disse Camus já montando no cavalo que fora selado pra si gesto que Milo e Ikki imitaram prontamente.

– Cuidem-se – disse Degel com o coração apertado, vendo os três partirem.

– Onde eles vão numa hora dessas – o ruivo gelou ao escutar a voz rouca do marido atrás de si.

– Kardia... – a voz do ruivo saiu estrangulada.

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Ao chegarem perto das trilhas, Camus, Milo e Ikki avistaram os dois cavalos usados por Hyoga e Shun, amarrados a um arvore.

– Ikki você vai pra trilha que dá pra nascente, Camus e eu vamos pra que dá pra floresta – disse Milo vendo o desespero do amigo – concorda Camus?

– Sim concordo – Camus tinha a voz tremida – vamos logo – desceu do cavalo e o amarou junto dos outros.

– Esperem – disse Milo pegando uma bolsa que vinha trazendo e nem Camus ou Ikki perceberam ate aquele momento – isso é pra ajuda – disse entregando uma lanterna e um canivete a Ikki – boa sorte — desejou o loiro seguindo com Camus para o lado oposto ao do moreno.

– Desejo o mesmo a vocês também – disse e se embrenhou por dentro do mato lembrando, logo em seguida, de avisar ao os outros dois, que tomassem cuidado com o barranco que tinha no final da trilha, mais era tarde. ambos já tinham sumido e estava muito escuro.

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– Como pode me esconder algo assim Degel? – Kardia estava agitado. Seu sobrinho sumira e agora seu irmão se embrenhava em matos do qual nunca entrara antes.

– Não queria te preocupar – dizia Degel vendo Kardia começando a ficar com falta de ar – por favor, acalme-se.

– Como quer que eu me acalme – Kardia estava desesperado – preciso ir ajuda-los.

– Não Kardia, esta escuro – o ruivo tentava segura o marido a todo e qualquer custo – se eles não voltarem ate amanhã de manhã prometo que vamos procura-los – Kardia ponderou um pouco e concordou com o amante.

Passaram a noite toda em claro, se preocuparam mais ainda quando começou a chover, Kardia não parava quieto, andava incessantemente de um lado para o outro com Degel em seu encalço. Kardia saltou de felicidade quando escutou galopes de cavalos.

O casal correu pra fora na esperança de que estivessem todos bem, mas, infelizmente só vinha Hyoga, o cavalariço e o irmão menor do mesmo.

– Hyoga você esta bem? – Kardia abraçou o sobrinho — onde estão Camus e Milo? – indagou Kardia visivelmente preocupado olhando de um lado para o outro procurando pelo cunhado e o irmão.

– Nos separamos nas trilhas – começou Ikki – eles foram pela trilha da floresta – informou o leonino, Kardia desesperou-se ainda mais.

– Calma amor – pediu Degel segurando no braço de Kardia quase chorando – vamos seguir o plano inicial, se eles não voltarem ate o amanhecer vamos procura-los – Degel viu Kardia assentir com a cabeça. Não custava nada espera, se Hyoga estava bem. Talvez eles também tivessem é talvez.

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Milo e Camus andavam sem rumo certo. Ainda estavam na trilha mais já podiam avistar a floresta, com as lanternas em mãos, tentavam prestar atenção no caminho que, por conta da chuva que caia se tornara escorregadio e perigoso.

– HYOGA, SHUN – gritavam os dois, no entanto, nenhum sinal era recebido dos meninos – segure na minha mão Camus — pediu o loiro vendo o ruivo escorregar pela terceira vez, e foi muito a contra gosto que aceitou. Não estava em condições de reclamar, estava preocupado, molhado, sujo de terra e com folhas nos cabelos, desejava desesperadamente encontrar seu filho e sair logo dali – HYOGA, SHUN – voltaram a chamar.

Milo iluminava o caminho como podia mais como estava chovendo forte não conseguia enxergar muita coisa. Movimentou a lanterna de um lado para outro na tentativa de reconhecia o local onde estavam. Na tarefa de reconhecer, não prestou atenção onde pisava e acabou escorregando no barranco levando Camus consigo.

O escorpiano acordou com os raios de sol batendo sua testa. Seu corpo tremia devido ao frio matutino. Os espasmos fazia-o bater em alguma coisa quentinha. Abriu os olhos e imediatamente ficou corado ao ver o que era a coisa quentinha que estava sentindo.

Camus estava abraçado a Milo de forma que pudesse aquecê-lo, ambos estavam cobertos pelo coberto que Milo trazia na mochila que para a sorte de ambos era impermeável.

O grego notou que Camus dormia docemente e tentou se mexer sem acorda-lo. Sentiu o corpo inteiro doer e desistiu, olhou novamente para o ruivo e sentiu o corpo esquentar, fazia muito tempo que não o sentia assim, tão perto! Conseguiu mexer a mão e passou a acariciar de leve o rosto do outro parando assim que viu ele se mexer.

– CAMUS, MILO – o loiro escutou chamarem. O ruivo sentou-se de uma vez assustado e Milo assustou-se também.

– O que foi? – perguntou vendo a cara de espanto do outro.

– Estão nos chamando! – disse o ruivo ficando totalmente de pé dando ao loiro uma visão privilegiada do seu corpo que, naquele momento estava coberto somente pela cueca – ESTAMOS AQUI EM BAIXO – gritou o ruivo procurando suas roupas e foi então que Milo se deus conta de que também estava só de cueca.

– O que aconteceu? Por que eu estou sem roupa? – perguntou tentando se levantar e sentiu o corpo reclamar, parou ao sentir o braço doer.

– Caímos do barranco, você quebrou o braço no qual eu estabilizei com minha camisa e teve inicio de hipotermia – disse o ruivo já vestido e ajudando Milo a se vesti – estamos dentro de uma caverna que tem embaixo do barranco – terminou de explicar vestindo a regata que usava por debaixo da camisa antes da queda.

– Desculpe-me – pediu Milo cabisbaixo.

– Por que? – perguntou o aquariano ajudando-o a sentar-se

– Queria ajudar e acabei te atrapalhando – murmurou o loiro

– Não Milo, você me ajudou muito, mesmo eu te tratando friamente você veio comigo atrás do meu filho e isso eu vou ficar te devendo pelo resto da vida – disse o ruivo vendo Ikki vir em direção a si — Achou eles?

– Sim! já estão em casa – informou o jovem e ajudou Camus a carregar Milo ate os cavalos.

– Milo – chamou assim que subiu no seu cavalo e viu o outro olhar pra si – eu já não tenho tanta raiva de você.

– Fico feliz – o loiro mesmo sentindo dor demonstrou um enorme sorriso ao escutar aquilo.

– Não fique – Camus tomou novamente a postura fria – disse que já não sentia mais raiva, não disse que tinha te perdoado.

– Camus eu tive muito de você e não soube zela! – disse o grego olhando o ruivo – agora o pouco que você quiser me dar, eu vou ficar muito feliz.

– Vamos embora – disse Camus com um discreto sorriso no rosto. Puxando o cavalo de Milo para que pudessem chegar em casa. Logo atrás vinha ikki que não estava entendo muito daquela mudança de comportamento entre os dois.

Ao chegarem à fazenda Camus avistou Hyoga, o loirinho os estava esperando na porta de casa, Camus desceu do cavalo e foi em direção filho o abraçando fortemente.

– Você esta bem? – perguntou ao ver Hyoga chorando e abraçou novamente.

Pai... – chamou o menor aos soluços.

– Não se preocupe meu bem, eu não estou bravo! já sei que se perdeu! – Camus tentava acalmar o filho que chorava incontrolavelmente.

– N-não pa...i – Hyoga tomou um pouco ar pra poder falar – o... O tio Kardia... – o garoto tinha dificuldades pra falar — ele passou mal e teve que ser levado ao hospital.

Camus sentiu o chão sumir debaixo dos seus pés ao entender o que o filho falava.

– Kar...dia...

Continua...