I Gotta Go My Own Way
8 Capítulo 8 Tentando apaziguar
Notas iniciais
Tentando apaziguar
Annalice não tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa, mais queria muito que Camus fosse feliz. Desde que nasceu o ruivo sempre teve sua vida voltada a favor de Kardia, e Annalice não sabia o que fazer pra alivia o peso que ela colocara nos ombros do filho.
Diferente do marido, ela não era preconceituosa. Claro, queria ter netos, mais o que importava era a felicidade de seus filhos. Nunca desistiu da cura de Kardia e sabia que o marido também não, embora não apoiasse a escolha do filho.
Annalice ate que gostava do homem que seu filho havia escolhido para partilhar a vida. Ainda lembrava o que seu marido havia dito e ela se achava fraca por não consegui fazer o esposo mudar.
Por isso, resolveu ajuda o loiro a conquista novamente a amizade do seu filho. Sabia o quanto Camus se magoava fácil e pra perdoa era difícil, pois tinha puxado o gênio de seu pai, e ela queria muito ver o sorriso de seu anjinho de cabelos vermelhos novamente. Era somente por isso que, iria ajudar o loirinho. Suspirou cansada, pegou suas coisas e casaco levantou-se e foi embora.
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Já era sexta feira, Milo e Saga estavam se saindo bem na semana mais corrida do hospital. Como estava tendo bastantes acidentes na ala infantil, e a parte cirúrgica estava calma, Camus pediu que Saga ajudasse Milo, pois parecia que às portas da irresponsabilidade, por parte dos pais, tinham se aberto.
O loiro tinha três ajudantes e ainda não estava conseguindo dar contar. Tanto que, naquela tarde, o grego foi almoçar somente às três da tarde e na própria lanchonete do hospital. O bom era que quando terminasse poderia ir embora e descansar um pouco.
Estava tão cansado, extasiado pela quantidade de atendimento que havia feito que nem se deu conta de quem se aproximava.
– Posso lhe fazer companhia por alguns minutos? – indagou o visitante. O grego achou o fato inusitado, pois, aquele homem raramente ficava a sós consigo e sempre que precisava preferia a ajuda de Saga.
– Claro! Sinta-se a vontade – Milo sorriu singelo.
Achava estranho o ruivo vir falar consigo, afinal, Camus ainda não havia lhe dado nenhuma brecha para que pudesse se aproxima, a não ser que fosse pra falar de trabalho, e não achava estranho se o mesmo motivo houvesse lhe trazido ate ali.
– Milo eu sei que por hoje você já foi liberado – começou meio sem graça. Não queria pedir ajuda ao grego. No momento, preferia fica o mais longe possível. Ainda estava confuso e precisava de um tempo, só que infelizmente para o ruivo eles eram parceiros de trabalho e tinha que contar com a ajuda de Milo – mais eu queria que você me ajudasse no diagnostico da paciente que chegou.
– Saga não pode lhe ajuda dessa vez? – indagou belicoso.
Estava feliz por Camus esta ali pedindo sua ajuda, no entanto, não queria ser segundo plano. Queria ajudar sempre que pudesse, fora pra isso que aceitara trabalhar no mesmo hospital que ele
– Não é que ele não possa... – o ruivo sabia que não iria ser fácil, pois o escorpiano era orgulhoso de mais. E naquela semana, sempre que precisou, mesmo com Milo pedindo pra lhe ajudar, chamou Saga. Via o escorpiano fica sem graça e sair murcho, entretanto, era difícil pra ele também estar ali, pedindo ajuda ao loiro — é que você é o pediatra, então eu pensei...
– Pensou que agora eu fosse mais útil que o Saga – disse visivelmente magoado, era difícil para o escorpiano saber que, mesmo tendo a mesma parcela de culpa, Camus ainda preferia a ajuda de Saga a sua.
– Milo entenda... – Camus tentou concerta algo que ele mesmo sabia que não tinha concerto.
– Não Camus – ditou firme. O ruivo teria que prender — eu não posso ajudá-lo agora! – não estava mentindo, havia sido dispensado de voltar ao hospital depois do almoço, por isso, voltava se quisesse — mais eu posso fazer isso amanhã durante meu horário de trabalho. Agora tenha uma ótima tarde – disse levando-se da mesa.
– Milo espere, por favor – pediu o ruivo, precisa muito da ajuda do grego – eu preciso da sua ajuda agora, amanhã eu não estarei aqui.
– Por que não? – indagou
– Amanhã é meu aniversario – comentou forçado. Não gostava de comemorar tal data e o loiro sabia disso – lembra? A mamãe te convidou para o jantar que ela teima em fazer.
– Lembro sim – confirmou e voltou a sentar-se. Analisou a feição austera – é importante pra você não é? – tinha que ser pra ele esta ali lhe pedido favor.
O escorpiano estava zangado por seu amigo preferir Saga a ele, mas, não importava qual circunstância, queria estar ao lado dele. Havia decidido isso desde as férias. Reconquistar, nem que fosse somente à amizade do ruivo, era sua maior meta.
E agora tinha a oportunidade tinha que aproveitá-la da melhor maneira que pudesse.
– Muito! – respondeu confiante. Se desse certo, salvaria bem mais que uma vida, no entanto, isso era uma coisa que Milo só saberia depois.
– Certo – concordou — mais ficara me devendo essa – falou o escorpiano – e eu vou cobrar – queria ver a reação do francês. Ate que ponto ele estaria disposto a aceitar.
– E que tipo de cobrança seria? – indagou desconfiado. Sabia que o escorpiano só queria uma oportunidade de se aproximar.
– Da próxima vez que eu te convidar pra sair comigo você aceita – ditou sorrindo. Camus ergueu uma sobrancelha em direção ao outro.
– Isso é antiético Milo – Camus não esperava que o grego fosse tão direto a ponto de deixar bem claro o que queria em troca. Sem truques, sem rodeios ou querendo de algum modo deixar que discutisse o assunto depois.
– Não se preocupe, não o convidarei dentro do hospital – tentou tranquiliza o ruivo.
– Sei... – estava incerto quanto aquilo. Precisava da ajuda do loiro, mais... Poderia dar aquilo a Milo.
– Camus é pegar ou largar. Além do mais, eu disse sair, não transar! Podemos ir a vários lugares e nos divertirmos sem precisar nos tocar.
Verdade fosse dita, aquilo estava ficando fora controle! Mesmo ele demonstrando que queria trégua e paz para ambos, sempre era visto como mal feitor. Será que o ruivo não sabia que errar era humano? E que eles eram humanos.
– Ok! Mais eu escolho o lugar – ditou o Frances ainda desconfiado.
– O caso é grave mesmo, afinal, você aceitou minhas condições – brincou o loiro retornando, junto de Camus, para o hospital.
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Hyoga e Shun andavam muito felizes. Ikki havia “concordado” com o namoro dos dois. Claro, não sem antes implantar “algumas” regras. Como por exemplo: não saírem sozinho por ai sem dizer onde. Nada de beijos muito demorados e que o loiro mantivesse as mãos bobas bem longe de certas partes do corpo do seu irmão menor.
Mesmo com tanta regra e a vigilância constante do irmão mais velho do mais novo, eles sempre davam um jeitinho de burla às regras impostas. No entanto, nem tudo eram flores naquela casa e o casal mais velho daquele lugar, estavam com uma dificuldade enorme naquele momento.
– Por que você não liga logo e acaba com essa angustia amor? – o ruivo já estava impaciente com tanta aflição vinda do companheiro.
– E se não for ele a atender? – novamente mesma pergunta foi lançada.
– Você pede pra falar com ele – resposta obvia
– Você faz tudo parecer tão fácil! – falou o loiro com desdém.
“sarcasmo falando” pensava Degel.
– É bem mais simples do que você passa um bom tempo pensando em disca um numero, e quando o faz, desligar ante que atendam.
– Eu gostaria que meu irmão tivesse deixado o celular ligado, assim eu poderia falar pessoalmente com ele.
Degel cansou da atitude infantil do marido. Tomou o telefone das mãos do mesmo e discou, ele mesmo, o numero. Não iria discutir com o loiro dizendo que “falar pessoalmente com alguém é quando se está de frente pra esse alguém” esperou a chamada ser completada ouvindo logo um refinado e grosso alô do outro lado da linha.
Gelou ao reconhecer a voz do sogro, mesmo assim, manteve-se firme na linha.
– Eu gostaria de falar com Camus, por favor.
– O que esta fazendo? – indagou Kardia. Sabia que, diferente dele, Degel não fazia rodeios para fazer algo tão simples.
– Quem gostaria? – indagou mesmo já tendo reconhecido a voz do outro da linha.
– Um amigo dele – respondeu o ruivo de forma ressentida.
Ainda se lembrava da ultima vez que falara com o sogro e ele deixara bem especifico que preferiria morrer a falar com ele novamente.
– Você mente muito mal Degel – comentou o homem – eu gostaria de falar com meu outro filho, poderia fazer a gentileza de passa pra ele?
– Claro – estendeu o telefone pra Kardia – seu pai quer falar com você – viu a cara de espanto do marido – reconheceu a minha voz, o que muito me admira.
Kardia pegou o telefone um pouco tremulo, não sabia se estava pronto para uma conversa com pai, mesmo assim resolveu tentar.
– A-alo... Pai...
Kardia atendeu com a voz tremula. Fazia um bom tempo que não falava com o progenitor, mesmo assim, ainda podia apalpar e sentir a decepção nos olhos do homem.
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Camus, mais uma vez, se perguntava do “por que” sua mãe sempre lhe obrigar a fazer algo que não queria. Aquele jantar, por exemplo, era uma coisa totalmente desnecessária. No entanto, nada poderia fazer, afinal, a mulher era sua mãe.
Vestiu-se como manda a etiqueta, mesmo sendo só um jantar, iria ter convidados e mais uma vez, convidados da sua mãe, não seus.
Suspirou pesado e desceu para encontrar seus pais na sala. “Seus convidados” ainda não haviam chegado.
Estanhou seu pai ao telefone em pleno sábado e àquela hora. Soube logo que eram problemas pelas expressões de desagrado que o homem fazia.
– Camus já desceu você ainda quer falar com ele? – indagou o senhor – Kardia que falar com você – entregou o aparelho ao filho mais novo.
Claro... Para alterar seu pai daquele jeito, só uma conversa com seu irmão mais velho. Sentiu-se culpado por aquilo, afinal, nem se lembrou de ligar para o irmão. Já estava acostumado com Kardia lhe ligar em seu aniversario.
O mais velho sempre ligava para o seu apartamento, mais como não estava no mesmo e o seu celular estava desligado. Nem lhe passou pela cabeça ligar. Provavelmente seu irmão ligou para casa dos pais na esperança de que fosse ele ou Annalice a atender ao telefone, ou ate mesmo, um dos empregados. A ultima pessoa seria seu pai.
Kardia lhe desejou feliz aniversario e informou sobre a situação de Hyoga e Shun. Tranquilizou-o dizendo que estava bem, falaram mais algumas coisas e desligaram. Sentiu o peito esmagar ao constatar, pela voz do irmão, que ele estava chorando. Não sabia ao certo o porquê, uma vez que não havia escutado a conversa entre seu pai e seu irmão, no entanto, tinha uma parca ideia do que poderia ter acontecido.
Ficou com o telefone nas mãos por um pouco mais de tempo, pensando no que poderia ter acontecido. Foi despertado pelo toque da campainha, deu um longo e pesado suspiro e colocou o telefone no lugar.
– Enfim a noite começou – sussurrou e foi abrir a porta.
– Boa noite – desejou as duas figuras ali presentes.
– Boa noite! Entrem – retribuiu e deu passagem para ambos passarem – vieram juntos? – não era bem aquilo que queria pergunta, mais era tarde, já havia saído e não tinha como voltar atrás.
– Não! só chegamos ao mesmo tempo – Milo respondeu o mais rápido que pode.
– Ah senhor Kyrrillo e senhor Athirson que bom vê-los – disse Annalice adentrando a sala com um sorriso radiante.
– Senhora não precisa ter formalidades – comentou Saga – pode me chamar somente pelo primeiro nome – falou o grego mais velho – isso é pra você – entregou um embrulho discreto a Camus.
– E a mim somente de Milo – o loiro mais novo já foi um pouco mais atirado. Deu um abraço na mulher.
– Creio que esta abraçando a pessoa errada meu bem – disse Annalice vendo seu filho olhar-lhe intrigado – o aniversariante é outro – piscou o olho para o grego mais novo.
– Não necessito de abraços – disse assim que viu Milo soltar sua mãe e vir em sua direção, entretanto, Milo não se abalou e entregou um presente a Camus – obrigado! Vou abri-los mais tarde.
– Camus não seja mal educado – Annalice pegou nos braços de ambos os grego e caminhou com eles em direção à sala de jantar – vamos senhores, porque se o mal educado do meu filho, não quer a companhia dos senhores, pode deixar que eu faço as honras
O ruivo ficou pásmico com aquilo. Desde quando aquele grego maluco tinha convencido sua mãe a ficar do lado dele.
– Que isso? – perguntou Laurence vendo sua esposa desfilar com os dois belos homens – quem são esses senhores Camus?
– Colegas de trabalho pai – respondeu. Tinha certeza, a noite havia começado e prometia ser longa.
O jantar ocorreu sem mais delongas, tendo somente conversas paralelas e sua mãe contando aos dois convidados as traquinagens de seus filhos, em especial o aniversariante — o que ficou totalmente sem noção de onde enfiar a cara – faziam. Não sabia que sua mãe se lembrava de tanto.
Depois do jantar foram ate a sala, tomaram um pouco mais de vinho, e jogaram um pouco mais de conversa fora. Depois de algum tempo, Annalice a Milo foram ate a biblioteca, deixando Saga, Camus e Laurence na sala, fato que deixou pai e filho de orelha em pé, cada qual com seus motivos.
– Bem eu já vou indo – Saga, que estava um pouco alto devido ao vinho, foi o primeiro a se retirar.
– Já – Camus falou em tom casual.
– Sim – respondeu meio sem jeito — embora amanhã eu esteja de folga tenho coisas a resolver, diga sua mãe que adorei o jatar e mais uma vez feliz aniversario.
– Obrigado – abraçou o amigo e o acompanhou ate a porta – boa noite – desejou ao mais velho.
– Boa noite pra vocês – disse vendo o pai de Camus acenar-lhe de longe.
Laurence e Camus estavam esperando Annalice e Milo voltarem da biblioteca. Já fazia algum tempo que estavam por lá e Camus tinha certeza, ele e sua mãe estavam aprontando alguma. Não por parte da mulher, mais o loiro não era nenhum pouco confiável ainda.
– Eles estão demorando não acha? – indagou Laurence ainda com a taça de vinho em mãos.
– Concordo – ditou o ruivo — mais não podemos fazer nada em relação a isso – pelo menos, ele não seria louco de ir atrás da mãe uma vez que ela tinha dito que queria conversa a sós com Milo.
– Não sei por que você só convidou amigos homens para o seu aniversario – Laurence estava visivelmente incomodado com a demora da mulher e o amigo do filho.
– Ciúmes papai? – o ruivo tinha um pequeno sorriso no rosto. Seu pai com ciúmes era algo impagável – e não fui eu quem os convidou, foi à mamãe, na verdade eu nem queria esse jantar, muito menos convidados que não fosse meus.
– Pois eu adorei ter meu filho e três homens lindos como companhia – falou a mulher com um sorriso maroto nos lábios ao lado de um Milo com cara de poucos amigos, talvez pelo que dissera – onde esta Saga? – indagou a mulher dando por falta do outo loiro.
– Já foi mais agradeceu pelo jantar – disse o homem puxando a mulher pra si e a beijando o que deixou o escorpiano totalmente sem graça.
– Acho que já vou indo também – comentou após ver que o casal alongara o beijo.
– Vamos eu te acompanho ate a porta – disse Camus vendo Milo se constranger ainda mais ao percebe que o casal Katelie ainda continuavam a beijar-se mesmo depois dele ter falado que já ia.
– Você sendo solicito – murmurou para o ruivo
– Não quer que eu te acompanhe? – desdenhou. Sabia que era tudo o que Milo mais queria, além do mais, era uma forma de garanti que ele continuaria vivo – mais se quiser posso pedir ao meu pai, pra te acompanhar, ele vai adorar.
– Vamos logo – concordou o escorpiano impaciente com cena ainda feita.
– Desculpe-me por isso – pediu assim que chegaram à porta passando um pouco da mesma
– Eu disse a sua mãe que isso não ia pegar bem eu e ela passarmos tanto tempo naquela biblioteca – comentou com as bochechas um pouco rosadas.
– Bom ate segunda então – despediu-se o ruivo
– Ate – Milo virou-se para ir embora, no entanto, parou antes de descer o ultimo degrau – que se dane – murmurou e voltou correndo abraçando o francês pegando-o de surpresa – feliz aniversario – sussurrou ao ouvido do amigo desejando-o, verdadeiramente, um feliz aniversario, mesmo sabendo que o ruivo não gostava da data – e desculpe-me.
– Pelo o que? – Camus não entendia, pelo menos, dessa vez não viu nada para que o outro de desculpasse.
Amigo... No fim das contas já estava pensando assim novamente.
– Nada em especial apenas me desculpe – pediu o escorpiano com um sorriso meigo nos lábios, indo embora logo em seguida.
Camus nem imaginava o que estava por vir, e ficou a pensar que talvez, aceita amizade do loiro não parecesse uma ideia tão ruim, uma vez que ele se empenhava tanto para conseguir tal façanha.
Voltou para sala e viu que seus estavam um pouco mais leves, pois pareciam dois bobos apaixonado e ao vê-los daquele jeito, desejou também pode ter alguém pra abraça, pra beijar e amar. Era por isso que detestava seu aniversario, sempre ficava emotivo demais.
– Boa noite pra vocês — desejou para os pais foi para o seu quarto.
Entrou e trancou a porta. Retirou aquela roupa pesada e vestiu algo mais leve, pegou um livro pra ler mais logo desistiu, não conseguia se concentrar na leitura. Resolveu dormir, talvez assim, aquela melancolia passasse.
Rolou de um lado para o outro, tentando apaga da memoria o pedido de desculpa. Não entendia por que um simples pedido de desculpa estava deixando-o inquieto.
Talvez fosse pelo motivo de como o interpretou ou por não ter, aparentemente, motivo algum, e aquilo estava incomodava-o profundamente.
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A madrugada na fazenda estava indo embora, e o céu começa a ser pintado pelos raios alaranjados. Kardia, embora tivesse cansado tanto fisicamente quando mentalmente, não conseguiu dormir, e agora estava na varanda da sacada do quarto pensando na conversa que teve com seu pai.
E embora a mesma tivesse sido breve e dolorosa, foi uma ponta de esperança para uma possível reconciliação com seu progenitor.
OooO
– A-alo pai... – falou com a voz trêmula, apos pegar o telefone das mãos do esposo. Fazia algum tempo que não conversava com o mais velho.
– Kardia – chamou Laurence – você esta bem? Camus me contou que esteve hospitalizado – jogou tudo de uma vez. Já fazia algum tempo que queria ligar para o filho, todavia, seu orgulho não deixava.
– Não... Não foi nada... – não conseguia. Por mais que tentasse, não conseguia controlar a emoção de escutar a voz do homem que lhe colocara no mundo e que amava mesmo ele lhe repudiando ainda o amava - Como sempre pai, Camus me salvou.
– Como não foi nada — Laurence tinha preocupação na voz e Kardia estranhou isso, pois o pai havia lhe dito que não lhe interessava mais nada que pudesse vir a acontecer com ele.
– Pensei que não se importasse – sentou-se buscando apoio – achei que não quisesse saber — ainda lhe doía muito às palavras que escutara de seu pai e os olhos que viu. Nunca havia se sentido tão pequeno diante de olhos tão decepcionado, quando no dia em que seu pai descobrira que ele e Degel não eram apenas amigos.
– Como não vou me importar? – foi à vez do progenitor se alterar um pouco. Sabia que havia dito coisas horríveis ao filho e admitia. Embora tanto tempo tivesse passado, ainda achava um absurdo a escolha do filho – mesmo tendo feito a escolha errada você ainda é meu filho – ditou o homem.
– Escolha errada pai? – choramingou as palavras. Não acreditava que o pai ainda o tratava daquele jeito, ou melhor, ainda pensava daquele jeito.
– Pra mim sempre será a escolha erada Kardia – Laurence sussurrou no aparelho telefônico.
– Então por que quis falar comigo? – Kardia soltou um soluço que saiu arranhando sua garganta – por que não me deixa viver com minha escolha errada sem ter que te escuta me dizendo que estou pecando por amar verdadeiramente alguém sem me importa se é homem ou mulher – lagrimas insistiam em cair dos belos olhos azuis
– Por que queria saber como meu filho estar – Laurence não chorava mais se sentia despedaçado por saber que fazia seu primogênito chorar sem poder consola-lo – queria escutar sua voz e ter certeza de que ainda há esperança – dessa vez Laurence não se referia as escolha do filho e Kardia percebeu isso.
– Se fosse mesmo meu pai me aceitaria do jeito que sou – comentou sem forças – me aceitaria com a escolha que eu fiz.
– Eu ainda não estou pronto pra isso – declarou o pai do outro lado da linha – te amo meu filho mais ainda não estou pronto pra aceita sua escolha.
Kardia ficou mudo diante da declaração do pai, tanto que não conseguiu nem falar mais nada só chorar e não sabia dizer se de magoa pelo pai não lhe aceitar ou de felicidade por saber que o homem ainda o amava.
– Camus já desceu você ainda quer falar com ele? – indagou o senhor – Kardia que falar com você – entregou o telefone ao filho mais novo sem esperar pela resposta do mais velho e foi para o escritório.
OooO
– Está tão quieto depois que falou com seu pai – falou Degel um tanto quanto constrangido. Sabia que era difícil para o esposo falar do progenitor, ou melhor, falar com o homem sem se magoa profundamente.
Depois que desligara o telefone teve que dar um calmante para o esposo que se encontrava totalmente altera e sem consegui controlar o choro
– Desculpe – Kardia abraçou o ruivo com força.
– Pelo que? – perguntou retribuindo o abraço.
– Por não ter continuado deitado com você.
Degel sorriu docemente, afastou o loiro um pouco de si e acariciou lhe o rosto. Sabia que mesmo sob efeito de calmante Kardia não conseguira ficar quieto.
– O dia ainda não amanheceu totalmente – disse em tom foi casual
– E o que você sugere – um sorriso ladino se abriu no rosto do escorpiano
– Que voltemos pra cama, eu faço você dormir – sabia que algo tão simples não ia animar o escorpiano por isso deu-lhe um beijo bem instigante.
– Só isso – Kardia fez um bico de desanimo
Degel pegou os braços do escorpiano e circundou em sua cintura, fazendo ambos os corpos colarem, passou os braços no pescoço do loiro puxando-o pela nuca para mais um beijo, dessa vez, mais intenso. Parando somente quando a falta de ar se fez presente.
– Eu iria propor também que você, depois de me jogar na cama, me amasse ate não poder mais – Degel falava entre um beijo e outro.
– Iria? Não vai mais? – indagou o escorpiano franzindo o cenho. Não sabia o que tinha o amante desistir de ideia tão boa
– Não! – respondeu sussurrando no ouvido de Kardia e um sorriso sapeca se formou nos lábios do ruivo
– Porque? O que está aprontando?
– Eu? Nada! – ditou malicioso – apenas, quem vai te amar ate não poder mais, sou eu – Degel labéu o pescoço do amante e mordiscou- lhe a cartilagem da orelha, o loiro sentiu todos os pelos de seu corpo arrepiar-se e soltou um gemido de puro deleite com a ousadia do marido.
– Então... Serei eu a ser jogado na cama? – circundou novamente a cintura do amante e atacou-lhe o pescoço
– Humm... – Degel tremeu diante do contato prazeroso — Não quer?
– Acredite, não há proposta melhor– Kardia deixou-se ser levado pelo marido ate a cama e ser amado por ele ate a exaustão de ambos. Assim, por hora esquecer-se-ia do todos os problemas mal resolvidos.
Continua...
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