I Found My Fallen Angel
30 Capitulo 30° - Lágrimas
Notas iniciais
*POV Hilary Owen*
Adentrei a sala de academia da fazenda avistando Santiago sem camisa, apenas de short fazendo flexões no chão. Ele sorriu de forma alegre quando me viu entrar e agarrou o pau em cima começando a subir e descer.
–Temos uma vaga na Empresa Becker, mas é no Texas – Rayssa murmurou para ele, estava deitada em um colchonete olhando para Santiago que suava por conta dos exercícios – Oi Hilary – Ela sorriu para mim e eu pisquei para ela.
–Olá – Sorri para ambos – Vim avisar que depositei seu dinheiro em sua conta bancária – Ele parou seus exercícios e me encarou.
–Mas eu havia lhe dado de presente.
–E eu te dei de presente de novo, mais uma...
–Hilary – Fui interrompida pela voz séria e poderosa de papai que adentrou a sala usando um de seus ternos feitos sobre medida de uma loja francesa – Amanhã Sr. Owen, quero você de terno e gravata na Empresa Owen, você será meu novo Engenheiro – Santiago encarou papai e eu por um longo tempo.
–Está falando sério? – Papai assentiu e ele se aproximou trocando um aperto de mão com ele.
–Obrigada Pai – Os dois trocaram um sorriso.
–Agora tenho que ir, tenho negócios a tratar. Boa tarde para vocês e você querida – Apontou para Rayssa – De olho nele – Rayssa riu e fez sinal de positivo antes de papai sair da sala.
–Bem eu também vou indo – Dei de ombros – Tenho que trabalhar, bom trabalho amanhã grandão – Santiago fez sinal de positivo – Até Ray.
Na empresa rolei a página de notícias de meu iPhone procurando por alguma novidade de Andrezza. Ela e Sebastian estavam a uma semana fora e haviam ligado a dois dias atrás, dizendo que estava tudo bem e que logo estariam de volta.
Eles pareciam felizes, animados com a vida de casados, cheios de planos juntos. Isso me fez me perguntar se eu e John seriamos assim em um futuro distante.
–Estou na sala do Sr. Maxwell – Avisei Annie ao passar.
–Sim senhora...
–Srta. Owen – A secretaria de John acabava de sair de sua sala e parou a minha frente na porta.
–Licença? – Questionei um tanto arrogante.
–Sr. Maxwell está com uma visita esperando-o, ele está na sala de reuniões se...
–Licença – Repeti erguendo uma sobrancelha repentinamente curiosa para saber quem estava na sala do meu namorado. Ela se afastou e eu adentrei.
Parei no meio da sala ao encontrar Clarice Smith próxima aos porta-retratos na estante de John. Encarava cada um com uma paciência meticulosa. Os cabelos loiros caiam graciosamente por seus ombros, ela trajava um vestido azul escuro que descia até abaixo de sua coxa e saltos pretos.
–Boa tarde – Chamei sua atenção e ela se virou.
Os olhos azuis cristalinos me encararam da mesma forma meticulosa que encarava os porta-retratos, o sorriso expandindo no canto de seus lábios cor de rosa de forma cínica.
–Você deve ser Hilary Owen – Falou se aproximando devagar, mantive minha postura calma e controlada, ela não era de forma alguma uma ameaça para mim, John era meu.
–Sim e você...? Quem é? – Perguntei cínica, em uma tentativa bem sucedida de demonstrar que ela não era tão importante para que eu estivesse a par de sua existência.
–Clarice Smith ex do John, espero que isso não interfira em nossa amizade.
–Hilary! – John adentrou a sala com a gravata afrouxada e o cabelo demonstrando as incontáveis vezes que havia passado a mão por ele – Amor – Ele se aproximou e beijou meus lábios, sorri contra sua boca e segurei seu paletó demorando-me mais que o necessário em nosso beijo – Oi Clarice – Ele falou ao se afastar e passar a mão por minha cintura.
–Oii que bom que tenho ambos aqui, queria fazer lhes um convite para um jantar em minha casa – John me encarou por alguns segundos – Não é um convite recusável – Clarice completou, eu sorri e tomei a frente vendo que John não lhe daria uma resposta.
–Seria divino minha querida, vamos adorar passar um tempo com você e sua família.
–Na verdade comigo e minhas irmãs, meus pais estão viajando – Ela me corrigiu sorrindo – Enfim, John peça a sua irmã para ir também. Estou morrendo de saudades dela.
–Irei dar o recado, para quando é o jantar?
–Esta noite.
–Nossa, temos uma reserva no restau...
–Ah amor – Interrompi a John – Podemos cancelar, não podemos perder a oportunidade de passar algum tempo com Clarice, não é mesmo? – O encarei e dei meu melhor sorriso inocente.
–Estaremos lá Clarice – Ela sorriu.
–Vou deixar vocês trabalharem agora, Hilary minha querida foi um prazer te conhecer, sairemos as compras qualquer dia – Ela se aproximou e trocamos dois beijos.
–Até mais tarde querida – Pisquei para ela que sorriu para John antes de sair da sala e fechar a porta.
Caminhei até poltrona de John me sentando e colocando os pés sobre a mesa. Ele me encarou, no meio da sala, trajando seu terno preto, a gravata azul afrouxada e o semblante sério.
Os olhos percorreram minhas pernas e subiram até o decote do meu vestido, passaram por meus lábios até chegarem em meus olhos. Ele colocou as mãos no bolso da calça social e se virou totalmente para mim.
–É só impressão minha ou você quer de alguma forma passear com seu prêmio, vulgo eu, pela casa de Clarice para mostrar o que você tem e ela não? – Ergui uma sobrancelha para ele.
–Meu amor se ela quer ser uma vadia, eu mostrarei a ela que posso ser melhor – Ele se aproximou e parou ao meu lado, sorri encarando seus olhos azuis – Não têm um objetivo esse jantar, vocês dois é passado. Ela quer jogar e como mostro a você variadas vezes, eu posso ser uma jogadora melhor que ela – Pisquei, ele suspirou e tocou minha perna subindo sua mão, enquanto a outra estava espalmada na mesa.
–O que eu faço contigo Hilary? – Sua boca estava a centímetros da minha e sua mão em minha nuca, seus olhos fixos nos meus alternando para meus lábios.
–Case-se comigo – Ele me encarou e lentamente um sorriso foi se espalhando por seus lábios tentadores.
–Marque a data e eu estarei lá Baby – Murmurou e então me puxou pela cintura me prensando contra sua mesa e beijando-me os lábios com fúria.
Agarrei seus cabelos sentindo sua língua se entrelaçar a minha, o desejo se espalhou por meu corpo e a vontade de ser possuída por ele só aumentou. John era tóxico e eu era uma de suas vítimas.
–Eu preciso trabalhar – Murmurei segurando sua gravata e a arrumando, ele beijou meu pescoço, me fazendo morder os lábios para reprimir um gemido.
–Eu preciso estar dentro de você – Sussurrou contra minha pele, sua língua percorreu meu pescoço até minha orelha a qual ele mordeu o lóbulo de forma extremamente excitante, me fazendo arrepiar.
Criei uma vontade descomunal dentro de mim e o derrubei na cadeira, me sentando em suas pernas, para então beijar seus lábios enquanto meus dedos massageavam seus cabelos. Sua boca se moveu contra a minha e sua mão apertou minha coxa.
–Eu amo você, bonequinha de luxo – Ele sussurrou com a testa encostada a minha, sorri e toquei meu polegar em seus lábios, ele mordeu a ponta do meu dedo e sorriu safado – Terminamos isso mais tarde então – Assenti sorrindo para ele.
–Amo você cowboy – Sussurrei e então beijei sua boca rapidamente, me levantando – Pense em mim enquanto trabalha – Pisquei e lhe dei as costas.
–Sempre baby – Falou, joguei um beijinho para ele e sai da sala indo para a minha. Apesar de tudo, eu ainda tinha um trabalho e precisava cuidar dele.
Na escada pude visualizar a figura de terno preto tomando uísque enquanto encarava os prédios abaixo do nosso. Suspirei e desci a escada, ele se virou, pude ver que não usava gravata e os dois primeiros botões de sua camisa estavam abertos.
Um sorriso se espalhou por seus lábios enquanto seus olhos azuis me mediam de baixo para cima. John terminou de tomar o restante do whisky e deixou o copo sobre a mesinha vindo em minha direção.
Parou a poucos centímetros e girou o dedo me pedindo uma rodadinha. Ri baixinho e fiz o ele pediu, deixando-o ver todos os detalhes de meu vestido bege, desta forma recebi um assovio em elogio.
http://www.polyvore.com/cgi/set?id=139283289&.locale=pt-br Hilary Owen
–Parece até mulher dos outros – Falou sorrindo safado – Mas é minha – Me aproximei e enlacei os braços em seu pescoço encarando seus olhos.
–Toda sua – Sorri de lado, ele aproximou sua boca e beijou meus lábios vermelhos – Eu amo você – Murmurei contra sua boca.
–Ótimo baby – Murmurou, seus dedos afastaram meus cabelos e ele desceu a ponta deles por meu braço até segurar minha mão e beijar o anel preto que ele havia me dado – Porque eu também amo você – Piscou – Vamos?
A casa de Clarice e Carolina era em um dos bairros mais chiques da cidade, para mim um tanto exagerado, você podia ser rico e demonstrar isso sem exageros.
–Que bom que chegaram! – Rayssa veio em minha direção me abraçando após eu sair do carro. Seu vestido era belíssimo, rosa escuro com os cabelos soltos loiríssima.
–Nossa querida, você está mais loira – Ela sorriu e mexeu nos cachos.
–Pintei, gostou?
–Está linda, amei seu vestido. Está divino!
http://www.polyvore.com/cgi/set?id=139285057&.locale=pt-br Rayssa Maxwell
–Acabaram? Podemos entrar? – Santiago perguntou apressado, encarei meu irmão que estava vestido com uma calça jeans preta, cinto, relógio e camisa social branca.
John apertou a campainha e após alguns segundos fomos atendidos por uma Carolina sorridente e animada. Seu vestido era vermelho vivo, acima do joelho e a sandália preta.
–Boa noite meus queridos – John apertou sua mão a minha e sorriu.
–Boa noite Carolina – Sorri.
–Hilary querida entre, John que bom que veio – Ela se aproximou e beijou minha bochecha e tocou o braço de John, soltei um suspiro e entrei. Eu e John esperamos por Santiago e Rayssa na porta.
–Oi Carolina, esse é meu namorado – Rayssa apresentou.
–Santiago Owen – Santiago apertou a mão de Carolina.
–AH! Eu conheço você, minha amiga Bianca falou muito bem de você, Santiago o incansável – Santiago me olhou de relance, então voltou os olhos para a Carolina.
–Não me recordo...
–Bianca, vocês passaram um dia inteiro no iate da sua família, sozinhos – Santiago coçou a nuca.
–Sei quem é...
–Ela fala de você até hoje. Ah! Mas nem faz tanto tempo assim né? Três meses, é normal o efeito ainda estar nela.
–Onde está Clarice? – Perguntei tentando mudar o rumo do assunto, podia ver o rosto vermelho de Rayssa e notar o quão furiosa ela estava.
–Estou aqui querida, que bom que vieram – Clarice se aproximou e beijou-me a bochecha.
Usava um vestido laranja, sandália nude e os cabelos presos em um coque.
–John você está lindo, ainda me impressiono a cada vez que te vejo – Toquei meus cabelos.
–Obrigado Clarice – Ele se limitou.
–Bem é só a gente hoje, nossa irmã Beth teve que ajudar um amigo com a prova de amanhã, não vai poder comparecer. Enfim, teremos outras oportunidades – Ela sorriu – Que bom que veio Ray.
Já na sala de visitas falávamos sobre a decoração da casa que supostamente em minha opinião era bonita. Mas para mim, aquilo parecia mais uma casa de bruxas do que uma casa de família.
–John fiz seu preferido – Clarice se aproximou com um copo de Martini – Ainda me lembro exatamente como você gostava – John pegou a taça e eu o encarei.
–Posso? – Perguntei sorrindo, ele assentiu e eu coloquei minha mão sobre a dele, tomando um gole da bebida, um brilho se espalhou por seus olhos azuis e ele sorriu safado, encarando meus olhos – Podia ser mais gelado – Apimentei, John afastou a taça e beijou meus lábios.
–Com seu sabor está divino – Sussurrou contra minha boca, sorri e me afastei mordendo os lábios.
–Que lugar bonito – Rayssa comentou olhando a fotografia que havia na mesinha.
–Ah! É Paris, lembra John quando passamos quatro dias lá, foi inesquecível não é mesmo? – Clarice encarou John sorrindo – Você gosta de Paris Hilary?
–Não muito, prefiro o Caribe. Eu e John passamos uma semana lá, velejando e desfrutando de nosso amor – Falei apaixonada, então sorri para John.
–Santiago querido, poderia pegar o vinho para mim na cozinha, por favor? – Santiago assentiu para Clarice – É no final do corredor – Ela indicou sorrindo, Santiago sorriu e beijou Rayssa antes de ir buscar o vinho.
Santiago já estava a algum tempo atrás do vinho, quando Carolina foi atrás dele e demorou ainda mais. Rayssa sem hesitar foi atrás, deixando eu, John e Clarice na sala.
–Poxa, eu estava pensando. Nosso filho poderia ter dois anos hoje, poderíamos ter sido uma família feliz, John – Falou encarando a John com uma cara triste – Você sabe sobre nosso filho não é mesmo Hilary? – Clarice perguntou, engoli em seco e assenti, mesmo furiosa por só saber disso por ela e pelo dossiê que meu pai havia me entregado sobre John.
Porque ele mesmo, nunca havia parado para me contar isso. Nunca havia confiado em mim para isso.
Rayssa passou por nos furiosa e pegou sua bolsa no sofá sem dirigir o olhar a alguém.
–Ray? Tudo bem? – John deu um passo em sua direção o parei e ela não disse nada.
–Rayssa – Fui atrás dela, mas ela já havia pego o primeiro taxi que havia passado. Santiago veio correndo e parou a minha frente coçando a nuca desesperado – O que você fez? – Ele me encarou.
–Hilary eu juro que não fiz nada – Falou afobado – Eu fui pegar o vinho só isso, então a ruiva foi atrás de mim dizendo que queria saber se eu era tudo que a Bianca havia dito e eu fui prensado contra o balcão a tempo de Rayssa ver – Toquei meus cabelos furiosa com ele, John e as duas vagabundas lá de dentro.
–Santiago ela está furiosa com você desde quando entrou e teve que ouvir essa história de Bianca, você e o Iate. Então é melhor você ter boas desculpas para ela – Falei brava – Agora vai – Ele destravou o carro e entrou arrancando dali.
Suspirando voltei para dentro, encontrando Clarice nos braços de John, ela o abraçava pela cintura enquanto chorava baixinho. O encarei e pude ver o desespero em seus olhos.
–Vamos embora John, por favor – Pedi fazendo com que ela se afastasse e limpasse as lagrimas que caiam por seus olhos – Foi ótimo o tempo que passamos Clarice – Murmurei cínica – Obrigada – John veio e sem mais delongas fomos embora.
*POV Rayssa Maxwell*
Eu não sei quanto tempo demorou, mas quando ele chegou e me viu no sofá do seu apartamento. As lagrimas cessaram e a única vontade que eu tinha neste momento era de gritar alto com ele.
–Eu não te trai – Ele afirmou deixando as chaves do carro sobre a mesinha de centro – Eu juro.
–Eu sei que não me traiu – Rosnei me levantando – Quando diabos ia me contar que sua família tinha um iate? – Perguntei furiosa erguendo uma sobrancelha, ele coçou a nuca.
–É só um iate... – Murmurou baixinho.
–Não importa! – Gritei – Quem você levou lá? A tal de Bianca, deve ter fudido muito com ela não é mesmo?
–Rayssa você me conheceu assim, eu não tenho culpa do meu passado...
–Custava ter me contado sobre isso? – Gritei furiosa.
–Se eu for contar sobre todas as garotas que eu peguei, iremos sair daqui ano que vem! – Ele revidou furioso – É com você que estou não é? – Ele falou bravo, me joguei no sofá e minhas lagrimas caíram por minhas bochechas, coloquei as mãos no rosto me torturando.
Não havia imaginado que namorar com Santiago seria tão difícil, que teria tantas garotas pela cidade dizendo que já havia saído com ele. Sentido suas mãos e beijado seus lábios.
–Hey – Ele se ajoelhou a minha frente.
–Sai Santiago – Mandei sem encará-lo, suas mãos seguraram as minhas e ele me obrigou a afastá-las – Eu não quero ter ver.
–Me desculpe Ray – Sussurrou baixinho – Eu não tive a intenção de te machucar, eu amo você meu amor. Era isso que elas queriam da gente e já conseguiram, agora deixa eu cuidar de você... – Encarei seu rosto, com os olhos lacrimejando – Por favor.
–Porque San?
–Porque é em meus braços que você deve estar – Ele sussurrou e aproximou seus lábios dos meus – Eu amo você, loira – Sua boca roçou a minha e eu suspirei derretida retribuindo ao seu beijo lento e apaixonante.
*POV Hilary Owen*
Sem dizer nada adentrei o apartamento de John sabendo que ele vinha logo atrás. Fui em direção a escada, em uma tentativa nula de deixar toda nossa conversa para amanhã.
–Espera – Ele me segurou pelo braço e me fez encará-lo – Acho que temos que conversar.
–Não temos nada para conversar John – Falei ríspida – Você não se sente à vontade de falar sobre seu filho, com a pessoa que você diz amar. Não é obrigado a contar agora, porque eu soube por terceiros.
–Eu não queria ir ao jantar, você quem quis ir – Soltei um riso sarcástico me afastando dele.
–E ainda bem que fomos não é mesmo? Agora eu posso saber as reais intenções dela e da irmã dela com minha família e você.
–Hilary não importa as intenções dela, eu amo você e é isso que importa. Eu tive sim um filho com Clarice que infelizmente veio a falecer – Joguei minha bolsa no sofá.
–Você não acha muito estranho ela voltar dos mortos assim do nada, John? Acha mesmo que ela foi sequestrada como disse a todos e seu corpo foi trocado no corpo de delito? – Ergui uma sobrancelha – Para mim isso é tudo mentira...
–Se você sabe da história porque espera que eu conte?
–Porque você é meu namorado que diz ser apaixonado por mim! Porque era você quem devia ter me contado não ela, nem ninguém! Você! – Revidei furiosa, John bufou e se sentou na poltrona colocando as mãos no rosto, soltei um suspiro longo e passei a mão por meus cabelos – Não precisa me contar – Murmurei e me virei indo em direção as escadas.
–Ela não queria o filho – Ele murmurou nas minhas costas, parei no meio do caminho – Eu estava nervoso, não queria que ela tirasse, era o fruto do nosso amor – Senti meu coração ser esmagado por suas palavras – Estava chovendo muito e estávamos na estrada, ela gritava comigo e eu tentava achar uma saída mais fácil – Ele se manteve calado por um tempo.
Me virei, ele tinha tirado o paletó e arregaçado as mangas da camisa, John se virou e foi até a vidraça, colocou as mãos no bolso da calça e observou os prédios lá em baixo. Sua cobertura era uma das maiores da cidade e eu sabia que isso o fazia se sentir mais imponente do que já era. Aqui era seu castelo, seu refúgio.
–Eu nunca me senti tão impotente – Murmurou continuando, a voz rouca – Havia uma curva, não dava para reduzir a velocidade do carro, eu tinha tudo sob controle, até que algum animal apareceu na frente do carro. Foi por impulso, o carro desgovernou e então foi para o penhasco – Ele tocou os cabelos e meus pelos se arrepiaram, calafrios se espalharam por meu corpo ao imaginar que poderia não ter o conhecido – Eu estava sem cinto, à porta abriu e eu cai no mar. Não sofri nenhuma lesão, ao contrário dela, o carro explodiu, mas ela não saiu. Ninguém a achou, após algum tempo ela foi dada por morta.
–Não foi sua culpa – Murmurei dando um passo em sua direção.
–Eu quem a levei até lá – Pela primeira vez eu pude sentir que os escudos protetores de John haviam caído.
–Não deve se autodestruir por causa disso, passou, acabou – Ele se virou e eu pude ver lágrimas em seus olhos azuis.
–Era meu filho Hilary – Falou parecendo furioso, engoli em seco e continuei parada. Ele suspirou e seu virou encostando a testa na vidraça.
Isso o destruía e eu podia ver com meus próprios olhos. Seu coração não era completo, faltava um pedacinho que ninguém iria poder devolver, porque este estava morto.
Caminhei até a ele e o abracei pelas costas, beijando e sentindo na palma da minha mão seu coração disparado.
–Eu sinto muito, mesmo – Sussurrei, ele apertou minhas mãos e levou uma delas aos lábios – Eu amo você John. Sou completamente apaixonada por você. Não pelo que você tem, nem pela sua fisionomia, eu me apaixonei pelo que você é aqui dentro – Falei com a mão em seu coração, ele se virou e havia um sorriso no canto de seus lábios, por mais que em seus olhos tivessem lágrimas ameaçando a cair.
–Não minta para mim, baby – Sussurrou rouco – Sei que é completamente tarada por meu corpo – Abaixei meus olhos e tentei esconder meu sorriso, por fim mordi os lábios e o encarei – Eu amo você também Hilary e não posso te perder como perdi meu filho – Uma lágrima escorregou por sua bochecha.
–Eu nunca vou embora John – Sussurrei encarando seus olhos – Eu prometo – Sussurrei beijando sua bochecha e saboreando a lágrima solitária que ali descia.
–Casa comigo Hilary – Ergui uma sobrancelha e inevitavelmente soltei um riso.
–Eu estava brincando quando pedi para casar comigo – Falei sorrindo, ele tocou minha bochecha com seu polegar, acariciando de forma amorosa.
–Mas eu não – Sussurrou, ele tirou uma caixinha preta do bolso e se ajoelhou lentamente a minha frente, colocando a caixinha na palma da minha mão – Casa comigo Hilary Owen e cure meu coração partido. É de você que eu preciso, do seu sorriso, do brilho dos seus olhos, dos seus lábios, do seu amor.
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