I Found My Fallen Angel

31 Capitulo 31° - Não


Notas iniciais
Boa leitura...

–Gata, tenho o prazer de lhe dizer que não gostei – Baixei os olhos para o chão, essa já era décima quinta ou sétima desaprovação de Matthew e das garotas.

–Esse babado, essas bugigangas vão tirar todo o brilho dos seus olhos – Andrezza falou tocando as pedras do vestido enquanto dava voltinhas em torno de mim.

–Você é Hilary Owen, precisa de algo sofisticado, mas que não pareça que está tentando chamar atenção para você, afinal, a atenção já estará em você – Rayssa completou sentada com Matthew bebendo champanhe.

–Então o que achou, querida? – Encarei os olhos da vendedora e o sorriso esperançoso para que eu levasse a peça – Eu achei que ficou magnifico em você.

–Eu não gostei muito – Murmurei antes de entrar de volta no provador.

No carro os três conversavam sobre possíveis lojas que poderíamos ir. Eu devia admitir que trazer Matthew conosco havia sido uma boa escolha, afinal ele era um homem, era bom ter opiniões masculinas.

–Minha querida – Matthew colocou a mão em minha pena enquanto dirigia pela rodovia – Comprar um vestido é mais que comprar um presente para seu amigo secreto de escola, eu entendo você – Ele deu uma pausa para mudar a marcha e logo voltar com a mão em minha perna – Só Deus sabe o quão confuso fico quando tenho dois relógios perfeitos para a ocasião mas não sei qual escolher...

–Matthew? – Ele me encarou rapidamente – Foco.

–Enfim... Eu irei te ajudar com essa missão, iremos encontrar o vestido perfeito. Vou te levar a uma loja e você conseguir o que tanto quer, lhe prometo – Sorriu determinado.

–E desde quando você conhece lojas de vestidos de noivas, Matthew? – Andrezza questionou no banco de trás, a voz demonstrando todo seu deboche.

–A partir do momento em que eu viajei mais que você, conheci mais pessoas que você. Pois ficou todo esse tempo atrás de notebook escrevendo livros – Ela bufou revirando os olhos.

–Pelo menos eu não peguei herpes várias vezes, porque passei o rodo em mais da metade das garotas de uma boate – Retrucou piscando para ele pelo retrovisor do carro.

–Você já teve herpes? – Perguntei um tanto chocada enquanto me virava para ele.

–Isso era segredo – Matthew murmurou aparentemente chateado – Qual é? Eu não ia parar de beijar garotas por causa de herpes, é algo que se pega até do ar. Crianças tem isso! – Se justificou me encarando rapidamente para logo voltar os olhos para a estrada.

–É nojento – Rayssa murmurou – No entanto eu tive na minha infância, foi uma semana difícil, perdi o apetite e tudo. Mas faz parte da vida – Deu de ombros

–Viu, como a loira disse, esse tipo de coisa faz parte... Você quem é preconceituosa, Andrezza – Matthew falou fazendo com que Andrezza risse.

–Está bem, agora eu sou a preconceituosa...

–Chega vocês dois – Falei antes que ambos começassem uma discussão dentro do carro.

Não era exatamente uma loja e sim um ateliê o qual eu já havia ouvido falar, porém não havia me recordado para a ocasião. Pela fachada cheia de luxo, podíamos ver que era algo sério e cheio de glamour, por conta das grandes letras escritas em vermelho itálico escrito “Michael Beaufort”.

–Agora eu senti o poder – Andrezza murmurou ao sair do carro, encarando os manequins pelas vidraças do estabelecimento.

–Vamos – Matthew andou a frente, pela entrada de vidro.

–Que bom revê-lo Sr. Owen – Um rapaz bonito se aproximou.

Usava calça social, camisa rosa elegantemente puxada até o ombro, os cabelos castanho claros jogados e a gravata borboleta branca. Sorria presunçoso ao ver Matthew e logo o cumprimentou de forma amigável.

–Josef – Matthew murmurou após se cumprimentarem – Como sempre elegante – O rapaz sorriu em agradecimento – Onde está Michael?

–Matthew meu querido! Que bom vê-lo – Encaramos o rapaz loiro, usando terno branco e camisa azul clara. Era lindo de morrer, mas logo pude reparar que era gay. O que não era de se assustar, afinal, ele trabalhava em uma loja de vestidos de noiva.

–Recebeu meu E-mail te convidando para ser meu acompanhante, querido? Não ouse recusar – Eu e as meninas trocaram olhares, um tanto confusas.

–Matthew, acha mesmo que eu recusaria ir a um casamento em um cruzeiro? Nem pensar – Eles riram divertidos, até o olhar de Michael cair sobre mim e Rayssa ao lado de Matthew.

–Hilary Owen e Rayssa Maxwell em meu ateliê? – Sorri – É um prazer recebe-las aqui, queridas – Nos cumprimentamos rapidamente.

–Hilary acho que aqui é o lugar certo – Andrezza voltou com Josef do segundo do local.

–Andrezza Becker? – Michael a encarou com os olhos azuis brilhando – Eu sou seu fã! Eu li todos seus livros, meu Deus! Ai! Bi! – Ele encarou Josef de forma histérica, Andrezza em encarou assustada – Por favor vamos, preciso de um autografo seu.

Após Michael parar de surtar porque Andrezza Becker estava em seu ateliê, Matthew teve a oportunidade de dizer porque estávamos ali.

–Michael esperávamos que posso fazer o vestido da noiva do Cruzeiro – Ele nos encarou.

–E qual das duas lindas são? – Perguntou encarando a mim e Rayssa – Essa beldade aqui – Matthew segurou minha mão me fazendo dar uma voltinha – Hilary Owen.

–Querida, arrumaremos o vestido perfeito para você – Falou segurando minha mão – E você querida? – Perguntou encarando Rayssa – Sem vestidos de noiva? – Ela negou dando de ombros.

–Ela ainda está no namorado – Matthew falou.

–Largue do bofe, se ele ainda não te pediu só pode ser cego.

–Eu não diria isso se soubesse quem é, mas enfim... – Matthew murmurou.

–Quem é?

–Santiago Owen – Rayssa falou parecendo presunçosa.

–Oh! – Ele fez cara de pensativo – Arrume um filho, tenho certeza que o casamento vem em seguida – Michael piscou para ela.

–Acalmem os ânimos por favor? É do meu irmão quem estão falando – Falei entrando no meio o que fez todos irem.

Com toda certeza Michael era o cara certo para fazer meu vestido, eu não tinha dúvidas. Ele tinha talento eu podia ver pelos vários vestidos em seu ateliê e por seus desenhos que eram maravilhosos.

Fiquei feliz quando combinamos de nos encontrar no começo da semana para eu poder ver os desenhos que ele faria para mim. Ou seja, em dois dias eu poderia saber com qual vestido eu me casaria com meu John.

Eu sentia falta dele, muita. De seu sorriso, sua pose séria. Provavelmente deveria ter passado um dia exaustivo na empresa e cheguei a pensar que já estaria dormindo quando eu chegasse.

Mas me enganei, ao passar pela porta de seu escritório pude ouvir sua voz atenta.

–Baby? – Me virei nos saltos e o encarei sentado na poltrona de seu escritório, ainda com o terno, mas sem o paletó, o colete modelava todo seu corpo e eu me causava arrepios ao me lembrar o que havia por baixo de todo o pano.

Ele bateu a mão em sua coxa e eu sorri como uma criança antes de tirar os saltos e correr para seu colo.

–Oi – Murmurei baixinho antes de tocar seus lábios em um beijo singelo.

–Oi – Ele sorriu tocando minhas bochechas com as pontas dos dedos.

–Como foi seu dia? – Perguntei deitando a cabeça em seu ombro e sentindo seu cheiro a poucos centímetros de mim.

–Foi cansativo, senti sua falta – Falou segurando minha mão e beijando a ponta dos meus dedos – Como foi com o vestido, precisa de minha ajuda? – Perguntou sorrindo maroto.

–Não, obrigada mesmo assim – Suspirei e o encarei – Tudo vai bem, Matthew me levou em um estilista fantástico – Ele ergueu uma sobrancelha – Ele é gay e vai desenhar alguns vestidos para mim, poderei ir ver no começo da semana.

–Isso é ótimo meu amor – Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. Encarei sua mesa e pude ver todo o trabalho que eu devia ter feito hoje.

–Deixe-me ajuda-lo – Logo que peguei alguns dos papeis, John os tomou de minhas mãos guardando a todos – John... – Resmunguei – Eu não gosto de me sentir fútil.

–Você não é fútil meu amor – Falou fechando a pasta e me encarando – É o nosso casamento e eu quero que tudo saia perfeito para você, como você gosta. Além do mais é só por hoje, segunda feira você já está de volta a empresa.

–Não quero que pensem que a mimadinha precisa faltar para conseguir escolher seu vestido... Estou cansada de todos acharem que só porque sou filha de quem sou, posso faltar e ser irresponsável. Que sou uma pessoa mimada, por conta dos privilégios que foram-me fornecidos porque nasci em berço de ouro – Ele suspirou e ergueu uma sobrancelha – Tudo bem, eu sou mimada, mas trabalho mais que muita gente – Completei – Eu quero conquistar meus sonhos pelos meus méritos, não pelos méritos do meu pai.

–Viu? – O encarei confusa – Você sabe que é mimada, mas que trabalha mais que muitos. Isso já é importante, você consegue as coisas por seus méritos, o que as pessoas pensam não importa – Ele aproximou seu rosto do meu – O que importa é sua opinião e a da sua família. Tenho certeza que seu pai está orgulhoso de você, mesmo ele não dizendo.

–Queria ouvir isso dele – Baixei meus olhos tocando seu colete, ele segurou meu queixo e me fez encarar seus belos olhos azuis.

–Ele dirá – Deu uma pausa e sorriu – Quando for a hora, ele quer ver o que mais você tem para demonstrar a ele. Mas nós sabemos que ele sabe que você é boa e que é capaz de ser tão grande quanto ele no mundo dos negócios, está bem? – Assenti fazendo biquinho.

–Eu amo você, John – Murmurei baixinho ele sorriu e roçou seus lábios aos meus.

–É bom ouvir isso, Srta. Owen – Em movimentos hábeis ele me pegou no colo me fazendo soltar um gritinho – Porra, eu realmente senti sua falta – Falou me levando para o segundo andar.

–Me beije, John – Pedi segurando seus cabelos entre meus dedos, sua boca se colou a minha e eu senti sua língua tocar a minha causando-me choques elétricos. Eu nunca me cansaria dos efeitos dele sobre mim.

Eu não consegui me esquecer daquela noite pelo resto da semana, a forma como ele me tocou, a forma desesperada em que fez amor comigo no banheiro, em nosso quarto, em nossa cama. A forma como me beijou, lento e apaixonante, como se fosse nossa última noite.

Pelo resto da semana ele não desgrudou de mim, me ajudou nas provas dos doces, trabalhamos até tarde juntos e não brigamos. Foi maravilhoso e por mais que eu estivesse nervosa com todos os preparativos, quando ele me encarava com seus belos olhos e dizia que me amava, eu sentia que todo o estresse valia a pena... Apenas para ouvir isso pelo resto da minha vida.

Papai fez questão de nos presentear com o cruzeiro, disse que sua princesa tinha que casar em alto estilo, afinal era uma Owen. Isso me fez rir e me sentir amada, sabia que me casar sempre havia sido um de seus maiores sonhos e eu estava me casando, com John, um grande empresário. Então Isaac Owen estava gastando todo seu dinheiro em meu casamento, afinal, eu era a Princesinha Owen e pelo que eu havia entendido, ele estava orgulhoso de mim. Mesmo depois de todas as nossas desavenças. Agora éramos definitivamente uma família.

Na véspera do casamento eu estava a ponto de explodir em pura ansiedade e medo. Queria que tudo desse certo, que eu não surtasse, que eu não tivesse vontade de fugir para bem longe. Agora não havia mais formas, estávamos todos abordos de um navio em incrível já em alto mar.

Agora era nosso momento, meu e de John. Seriamos só um.

–Um brinde aos noivos – Papai falou no jantar sorrindo e encarando a mim e a John – Devo ser sincero – Olhou para todos presentes, o que não eram muitos, apenas nossa família e alguns amigos meus e de John – Nunca aprovei o relacionamento de ambos, mas com o passar do tempo eu reconheci o amor de ambos e não consigo desejar outra coisa a não ser que esse casamento seja frutífero, desejo toda felicidade a vocês, minha princesa – Baixei os olhos e John beijou minha bochecha pegando uma lágrima que escapara.

–Viu? Isaac Owen está baixando os escudos para a princesinha dele – O encarei e ele piscou divertido antes de nos levantarmos e brindarmos junto a todos.

Após o jantar eu sai de fininho me isolando um pouco no convés do navio, respirando um pouco de ar puro. Sorri ao sentir a brisa bater em meu rosto levemente. Me permiti perguntar se tudo iria ficar bem agora.

–Querida? – Me virei e sorri ao me deparar com papai – Estou indo para a cama, vou ler um pouco alguns relatórios e ir para a cama. Amanhã preciso levar alguém para o altar – Corei e ele tocou minhas bochechas.

–Você anda trabalhando demais... – Ele riu e ergueu uma sobrancelha.

–Não muito diferente de você – Suspirei e mordi os lábios – Você fazia isso quando era criança, quando era pega no flagra fazendo alguma das suas travessuras – Ri baixinho junto a ele – Hilary? – Encarei seus olhos verdes – Nunca se esqueça você é minha Campeã, mesmo se casando, nunca se esqueça quem você é aqui dentro – Ele apontou para meu coração – Você é uma Owen, nunca perca a essência de quem você é querida.

–Nunca papai – Prometi, ele sorriu e beijou minha testa.

–Boa noite querida, não durma tarde – Mandou batendo o dedo em meu nariz antes de se afastar.

Era tarde quando deixei John no quarto e fui caminhar pelo navio. Todos dormiam aparentemente, haviam algumas luzes acesas e do lado de fora, no convés eu pude ouvir gritos e vozes de pura animação.

Não demorei a perceber que eram de Sebastian, Matthew, Santiago, Rayssa e Andrezza. Pareciam animados, o que me fez aproximar para investigar o que estavam fazendo a essa hora acordados.

Os encontrei na parte de frente do navio, Andrezza estava no meio das pernas de Sebastian que a abraçava sentado na grade do navio. Santiago se encontrava encostado a grade com Rayssa deitada em suas pernas, enquanto Matthew dançava com uma garrafa de champanhe em mãos.

–Olha só a noiva! – Andrezza sorriu ao me ver e ergueu a taça de champanhe.

–Enquanto eu durmo vocês tomam todo o meu champanhe? Que safados – Falei fazendo com que todos gargalhassem menos Rayssa – Na verdade os gritos de Matthew me atraíram – Dei de ombros e me agachei ao lado de Rayssa – O que ela tem? – Perguntei baixinho encarando os olhos preocupados de Santiago.

–Ela está enjoada – Murmurou dando de ombros – Eu disse que é normal, por causa do movimento – Ele fez o movimento do navio com a mão me fazendo rir.

–Hey loira, me diga, vai morrer ou não? Tenho medo de perder sua despedida quando for buscar mais champanhe – Ela choramingou e Santiago encarou Matthew seriamente, fazendo-o erguer as mãos em sinal de paz.

–Ray – Toquei sua testa – Tome um banho e tenta dormir – Murmurei baixinho – Você está fria, vamos Santiago leve ela. Caso ela piore, leve-a na enfermaria – Ele assentiu a pegando em seus braços sem dificuldades.

–Melhoras loira – Andrezza e Sebastian disseram.

–Quero uma dança contigo amanhã gostosa! – Matthew gritou fazendo-a erguer o dedo em afirmativo – Então? – Matthew me encarou – Vai um gole? Ainda está geladinha, não tanto quanto a loira, mas dá para beber – Ri do quão bêbado ele se encontrava.

–Quantas você bebeu para estar tão bêbado assim? – Mordi os lábios, ele negou com o dedo a minha frente.

–Claro que não, eu estou bêbado de amor pelo Michael – Gritou dando rodopios – Ah! Meus Deus, eu amo sentir isso.

Andrezza, Sebastian e eu nos encaramos sucessivamente, encaramos Matthew e depois nós olhamos novamente antes de sem hesitar perguntarmos em uníssono.

–Matthew você é gay? – Ele riu e bebeu outro gole de champanhe.

–Claro que não – Ele passou o braço por meus ombros e apontou o dedo para mim – Isso é segredo – Encarou Andrezza e Sebastian – Não contem a ninguém, mas eu sou bi. E estou apaixonado por aquele loiro – Falou rindo e se afastando de mim.

Ficamos por alguns minutos absorvendo toda a situação, Matthew? Bissexual? Isso realmente era uma novidade e algo a se chocar.

–Acho melhor eu o levar para o quarto, ele precisa dormir – Sebastian afirmou descendo da grade e dando um beijo singelo em Andrezza.

–Lhe vejo no quarto – Ele sorriu e assentiu antes de olhar para mim.

–Boa noite Hilary, não durma tarde... Não queremos a noiva com olheiras – Advertiu divertido antes de ir até Matthew.

–Vai me levar para o Michael? – Sebastian passou o braço pelas costas de Matthew.

–Sim, vou te levar, vamos – Eles sumiram em seguida pelo convés e eu encarei Andrezza.

–Casar... Como é? – Ela suspirou e tomou um gole de champanhe antes de bater no banco ao seu lado.

–Você está com medo? – Perguntou após eu me sentar.

–Assustada, eu o amo. Mas sei o que vem junto com ele, todos os problemas do passado. Eu quero muito estar pronta para ajuda-lo, só tenho medo de não conseguir – Ela ficou calada por longos minutos antes de responder.

–Sebastian tem pesadelos a noite. Ele fala muito, diz estar arrependido, pede perdão. Diz que sente nojo de quem ele foi e que está tentando mudar. Ele implora para que não o toquem – Ela suspirou – Uma vez ele chorou e quando o acordei, a única coisa que ele fez foi me abraçar – Ela deu de ombros – Ele nunca me conta sobre o que são os pesadelos, nunca. Mas eu sei que isso tudo é remorso de algo que ele fez, mas mesmo assim estou aqui para ajuda-lo sempre que ele precisar. Porque eu o amo... Sempre estarei aqui por esse amor.

–Acha que um dia ele vai te contar toda a verdade? – Ela riu e encarou o chão antes de finalmente me olhar com seus olhos castanhos.

–Acho que ele não está pronto para enfrentar tudo que fez antes e que eu apenas devo estar ali sempre. Quando ele estiver pronto, sei que vai me contar – Ela deu uma pausa – Você está me entendendo? – Neguei mordendo o lábio – Estou tentando dizer, que é para você estar com John sempre. É isso que precisa fazer. Todos os sentimentos ruins vão vir, mas o amor que sentem um pelo outro, sempre ajudara vocês a superar tudo. Basta você acreditar.

–Certo – Foi a única palavra que consegui dizer. Estava embriagada demais com as suas.

Quando me deitei ao lado de John na cama, eu o encarei por minutos sem fim. Estava sem camisa, usando apenas uma calça moletom, os cabelos negros despojados no travesseiro enquanto dormia serenamente com um pequeno sorriso nos lábios.

Toquei seus lábios e me recordei de como era senti-los sobre os meus, como era a sensação de sentir toda sua demonstração de amor. Eu não podia negar, estava com medo de entregar meu coração, de me entrar de corpo e alma a ele. Tinha medo de não darmos certo, tinha medo de ele ser arrancado de mim.

Mas eu não podia fugir agora, era isso que eu queria, eu queria ele. Eu precisava dele tanto quanto eu preciso de ar para respirar.

Ele seria meu e ponto.

Não soube dizer que horas era, mas sabia que era de manhã e que John não estava mais ao meu lado na cama. Pude ouvir sua voz na varanda, preocupada, alerta, como se estivesse em uma discussão importante com alguém.

Não me contive em me aproximar e vê-lo no telefone sem fio enquanto encarava o mar encostado na grade. Sem camisa e usando apenas a calça moletom. Ele estava perfeito e isso me fazia me perguntar se o que estávamos vivendo era realmente verdade.

–Não é assim – Ele fez uma pausa – As coisas aconteceram de forma que não nos fizeram ficar juntos, devemos compreender isso e seguir em frente. Não podemos fazer nada, as feridas em nossos corações não vão se curar, se reatarmos – Outra pausa, adentrei a varanda e me aproximei certa que ele não havia percebido minha presença – Clarice não... – Ele se virou e me encarou.

Sem hesitar eu peguei o telefone de sua mão, me privilegiando de escutar todas as palavras medíocres e esmagadoras de Clarice Smith.

–Por favor não faça isso John, pelo nosso filho. Por nós! Lembre-se do quão me amava, do quão me ama, eu sei que esse sentimento ainda está dentro de você. Hilary é uma mimada, não merece uma migalha do seu amor, ela só pensa nela. Ela nunca vai ser a mãe perfeita para seus filhos, nunca vai ser a mulher perfeita para você – Ela soluçou e eu senti meu coração palpitar enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas – Hilary Owen só te quer pela empresa, por suas ações, seu dinheiro, não por quem você é – As lágrimas caíram por minhas bochechas – Seu coração é meu John – Foram as últimas palavras que me deixei ouvir antes de empurrar o telefone para o peito de John.

–Termine sua conversa com a dona de seu coração – Murmurei antes de sair do quarto, podendo ouvir seus gritos em meu nome.

Eu não estava chorando só por ele, estava chorando por saber que todas as minhas ações, me causaram consequências. Por ser uma Owen todos iriam imaginar que meu casamento com ele era por interesse, como eu já havia imaginado antes, por ser quem eu era, todos me achavam uma mimada. E de maneira alguma eu mereceria alguém tão nobre e leal como John.

Eu sabia disso tudo, agora eu só estava sentindo a forma esmagadora que era ter todas essas coisas jogadas em minha cara.

E mesmo além de tudo isso, John não havia cumprido com sua promessa, nunca mais atender os telefonemas dela, nunca mais falar dela. A intenção era termos um novo começo em nossa nova vida juntos, mas eu devia saber, que não há como ter um novo começo, quando nosso passado não teve um ponto final.

Sendo assim, como John não havia cumprido com sua parte, eu não iria cumprir a minha.

Eu não me casaria com ele.

Notas finais
Oláaa! Presentinho de natal para vocês. Sr. John Maxwell não poderia faltar nessa comemoração não? Bem... Aparentemente não vai ter casamento, poxa... :'( Sinto muito, mas vamos esperar pelo próximo capítulo antes de começarem a me caçar com suas facas e armas de fogo, hshshs. Tenham um ótimo natal e assim como eu, deem-me de presente se não for pedir muito, belos comentários. Grande beijo a todos Com amor Bkristene