I Found My Fallen Angel
13 Capitulo 13° – Desespero
Notas iniciais
Eu fiquei ali sentada no banco, no canto da janela, chorando por tudo que havia acontecido. Isso era o xeque mate para acabar com meu dia. As lágrimas desciam sem parar, não me dando chance de controla-las.
Pude reparar de canto de olho que ele se sentou ao meu lado, aproximou-se de mim e então me puxou gentilmente em sua direção. Eu estava com sono, carente e assustada com tudo que havia acontecido. John me abraçou sem dizer nada e eu adormeci ali em seus braços, sentindo seu cheiro.
Eu estava me sentindo confortável ali, aquele cheiro era bom e familiar, estava me deixando relaxada. Abri os olhos e reparei da onde vinha tudo aquilo. Me afastei rapidamente de John, o mesmo me olhou intrigado e abriu um sorriso de lado.
–Porque fez isso? – Perguntei mantendo-me o mais distante possível dele e de seus brilhantes olhos azuis.
–Porque eu queria te mostrar que não estava brincando – Murmurou, analisando-me de cima a baixo.
–Você é um grande idiota! – Me levantei do assento a seu lado, mas John me puxou, fazendo-me cair em seu colo. Seus braços viraram uma algema forte ao redor de minha cintura – Me solta! – Segurei seus braços, tentando a todo custo afasta-los de meu corpo. Ele ergueu uma sobrancelha em sinal de desafio.
–Porque devo lhe soltar? – Fitei seus olhos azuis por um curto período de tempo, então aproximei meus lábios dos seus. Ele se manteve parado me observado.
–Porque não vai querer ter as marcas de minhas unhas neste rostinho que você tanto preza – Ele soltou um riso fraco e então me soltou, sorri satisfeita e me levantei. Pude reparar que já era dia – Para onde está me levando? – Perguntei, o olhando intrigada. Voos para as cidades mais próximas não demoravam tanto assim. Quando saímos de Dallas era umas onze horas da noite, e agora já era dia.
–Daqui a mais ou menos duas horas, estaremos pisando na tão famosa Austrália, mais precisamente em Sydney – Olhou para o relógio despreocupadamente. Puta que pariu! Ele só podia estar de brincadeira.
–O que?! Você está louco? Além de bancar o sequestrador, está bancando o criminoso! Eu nem estou com o passaporte! Eu nem aceitei viajar com você! – Disparei a falar, irritada com o fato de seus olhos transmitirem divertimento explicito, seu semblante também estava calmo – Você não tem toda essa autoridade sobre mim! – Gritei, seus olhos desviaram de mim e eu me virei, deparando-me com uma moça de uniforme de aeromoça.
–Desculpe – Pediu envergonhada.
–Tudo bem, Mônica. Pode trazer uma garrafa de champanhe e alguns aperitivos, por favor? – Ela assentiu, murmurando um “Sim senhor”, quase inaudível então se foi. Voltei a olhar para ele.
–Hilary – Ele se levantou, passando a mão pelo cabelo para tirar algumas mechas que caiam sobre seus olhos – Eu tenho autoridade em tudo o que eu quero, então por que com você seria diferente? – Perguntou mantendo os olhos fixos nos meus.
–Porque eu não sou algo que você possa comprar. Não sou sua e isso nos leva a única conclusão obvia: Você não manda em mim! Você não pode me obrigar a fazer o que você quer e nem ir aonde você quer ir! – Retruquei com o dedo em seu peito, ele me olhou com um sorriso divertido, então segurou minha mão, levando meus dedos aos lábios, beijando cada um lentamente.
–Eu não preciso te comprar Hilary – Seu sussurro foi tão baixo, que se não fosse pela proximidade de nossos corpos, eu não escutaria – Eu irei te possuir da forma mais intensa que você possa imaginar, eu irei derrubar todas as suas barreiras e então você verá que não será preciso dinheiro para eu ter o que eu quero – Falou sensualmente, beijando meu mindinho.
Fiquei por alguns segundos hipnotizada por seu olhar azul cintilante. Ao mesmo tempo em que pensava em suas palavras, imaginava cenas, eu e John juntos novamente. Seu corpo colado ao meu, suas mãos em minha cintura e seus beijos deliciosos ao pé de meu ouvido.
Antes que eu pudesse imaginar mais alguma cena obscena, minha mente voltou à realidade.
–Você é doido! – Puxei minha mão da sua e me afastei. Dei a volta e parei ao ver novamente a aeromoça trazendo os pedidos de John, ela me olhou sorrindo.
–Precisa de alguma coisa, Srta?
–Sim. Eu quero um big lanche com coca – Ela assentiu, saindo logo em seguida.
–Imaginei que você comesse apenas salada e aquelas frescuras de mulherzinhas – Ele murmurou levando um queijo a boca. Fiquei um tanto desejosa com aquele simples ato, enquanto ele mordia o queijo parecendo se deliciar com o alimento.
–Eu não sou tudo que você pensa – Murmurei, me sentando ao lado esquerdo do jatinho. John me observou, olhando com desejo para minhas pernas descobertas pela saia que subira um pouco – Você é um pervertido sabia? – Falei irritada, ele soltou um riso fraco.
–Desculpe, mas se não quer que as pessoas olhem, por que não usa uma burca? – Deu de ombros tomando um pouco de champanhe.
–Ridículo! O que é bonito é para ser mostrado – Passei a mão por minha saia vermelha. Meu lanche chegou e eu logo me lembrei de Santiago, geralmente competíamos em quem comeria primeiro, soltei um riso com a lembrança.
–Qual é a piada? – Perguntou, me olhando.
–Eu e meu irmão competíamos. Quem comesse primeiro ganharia um sorvete do outro – Ele me olhou intrigado.
–Aposto que como primeiro que você – Murmurou, fiz uma careta e ele se sentou na minha frente.
–Ah, não! – Choraminguei – Eu estou com fome e se formos competir irei ter que esperar seu lanche chegar – John riu levemente, me fazendo abrir um singelo sorriso em resposta.
–Relaxa, você aguenta alguns minutinhos – Saiu e passou pela mesma porta que a aeromoça entrou. Fiquei analisando o design do jatinho. Era bonito, com detalhes amadeirados e com cores claras – Pronto! – Voltou depois de alguns minutos, com um lanche igual ao meu na mão e com uma coca.
–Pronto para perder? – Perguntei, erguendo uma sobrancelha. Ele riu.
–Vai sonhando – Sento-se novamente em minha frente, já com o hambúrguer em mão – Que vença o melhor!
–Espera, espera! – Pedi, quando ele já ia levar o lanche à boca – Se caso você ganhar o que eu terei que fazer? – John abriu um sorriso pervertido nos lábios.
–Gostei do ultimo strip-tease que ganhei. Quero outro daquele – Revirei os olhos e pensei por alguns segundos.
–Se eu ganhar, você quem fará um strip-tease para mim – Seria interessante ver John tentando me agradar. Ele ergueu uma sobrancelha sorrindo perverso.
–Que safadinha você.
–Cala a boca, vamos lá! – Ataquei meu lanche e ele também.
Ele comia mais que eu, era óbvio, mas demorava a mastigar, o que me dava tempo suficiente para comer dois pedaços que valia a um dele. Tomei um pouco de coca, para ajudar a engolir, ele sorriu com a boca suja de ketchup, então lambeu os lábios sensualmente, me deixando um tanto desconfortável.
Comi dois pedaços do lanche rapidamente, faltava pouco, com mais algumas mordidas eu ganharia, ele estava atrás, pois parou para beber coca. Comi três pedaços grandes mais um pequeno, mastigando rapidamente e usando a coca para ajudar a engolir rapidamente.
–Ganhei! – Falei com dificuldade por ter a metade do lanche na boca, ergui os braços pulando de felicidade, bebi coca e engoli – Ganhei! Você me deve um strip-tease!
–Não foi justo, eu tinha comido queijo.
–Nem vem, você apostou! – Começou um barulho alto, de apito, o jatinho começou a balançar.
–Coloquem os cintos de seguranças, estamos com alguns problemas.
–Calma, deve ser alguma turbulência – John tentou me acalmar, colocando a mão sobre a minha logo depois de colocarmos os cintos.
–O avião vai cair, John – Falei alto, agarrando a mão dele. Estava tudo balançando, apitava alto, parecia que os comandantes não tinham controle algum sobre o equipamento.
–É um jatinho, é programado para não cair – Falou mantendo a calma, a aeromoça apareceu com umas coisas de cordas e mochila nas mãos.
–Senhor, o comandante pediu para colocarem isso – Ele olhou para as mãos dela, então seus olhos demonstraram preocupação, John logo se levantou e pegou as coisas nas mãos da garota.
–Hilary, venha aqui – Sua voz estava um pouco estranha – Anda! – Falou alto, desafivelei os cintos e fui até ele com dificuldade por conta da instabilidade, John começou a colocar aquele negocio em mim. Parecia um tipo de paraquedas – Eu irei pular junto com você. Não precisa ter medo, é só puxar essa corta e o paraquedas vai abrir – Murmurou.
–Iremos pular desta altura? – Perguntei assustada, ele assentiu sem me olhar, começando a colocar outro paraquedas em si mesmo – Está louco? Iremos morrer!
–Iremos morrer se ficarmos aqui – John verificou se estava tudo certo, então ele agarrou minha mão e me levou para onde a aeromoça havia voltado.
–Não haverá outro jeito, teremos que pular – O comandante falava para a moça e para outro cara que estava sentado na direção. Meu coração estava disparado, eu sempre tive vontade de pular de paraquedas, mas nunca tive coragem, agora eu estava encurralada.
–Pulem! Estaremos logo atrás de vocês – O cara saiu da direção, parecendo ter deixado o avião no piloto automático. Mas para que merda isso adiantaria? Estávamos caindo, porra!
–Vem! – John me levou em direção a uma porta, o comandante abriu para nós e um vento forte nos atingiu – Em hipótese alguma solte minha mão! – John falou olhando em meus olhos.
–Contando que você não solte a minha – Murmurei, ele sorriu fraco.
–Eu prometo – Então pulamos.
O vento era malditamente forte. Suas mãos seguravam as minhas com força, para não nos separarmos, era possível ver árvores lá embaixo. John tentou falar alguma coisa, mas era impossível ouvir com o barulho do vento, ele então fez sinal de soltar minha mão e não consegui controlar meu estado de pânico. Meus olhos estavam embaçados e a única coisa que saia da minha boca com sofreguidão era não. Não, John não poderia me soltar agora. Não, eu não posso morrer deste jeito. E não, John, eu preciso de você!
*POV Rayssa Maxwell*
Encontrado jato particular de John Maxwell, está muito difícil achar algo em meio aos destroços.
Olhei para minha mãe enquanto tentava segurar as lágrimas que se acumulavam em meus olhos. Não queria perder meu irmão, o amava muito e só de pensar em perdê-lo uma dor imensa me possuía. Ele tinha que viver, ele iria viver! John tinha sonhos a se realizar, isso não podia acontecer a ele. Ele não podia estar morto.
–Meu amor, tenha um pouco de calma, por favor – Mamãe pediu, enquanto me abraçava no sofá. Suas mãos estavam frias e tremiam, certamente sentia o mesmo medo que eu.
–As senhoras querem alguma coisa? – A empregada da família Owen nos olhou preocupada, parecendo igualmente aflita como todos na sala. Mamãe negou com a cabeça e ela se foi.
Hilary havia sido sequestrada no dia anterior, pelo que os seguranças da nossa família disseram os sequestradores haviam levado ela e John para o mesmo jatinho. Meu pai havia dito que só podia ser alguém que odiasse a família Owen e nossa família, querendo algo em troca. Mas o jato de meu irmão havia caído e não tínhamos mais noticias sobre nada.
–Pai tem alguma noticia? – Santiago irmão de Hilary apareceu aflito. Ele não havia se mantido muito presente desde o momento em que chegamos, parecia nervoso demais para ficar no meio de nós todos.
–Não Santiago – Isaac respondeu sem cerimônias, logo voltando sua atenção para o celular. Santiago moveu-se em direção à sala, então se sentou no tapete felpudo, encostando a cabeça no sofá enquanto passava as mãos pelos cabelos, parecendo que a qualquer segundo ele iria arranca-los com os dedos.
–Isso é um absurdo! Como vocês não conseguem achar nada? – Meu pai falava rude com alguém no telefone – Não quero saber! Se virem! Deem um jeito! Eu quero meu filho porra! – Falou usando toda sua autoridade, ele nunca falava assim com ninguém, sempre era educado e brincalhão, mas quando o tiravam do sério, era melhor ninguém estar por perto.
Mamãe me soltou, caminhando em direção ao meu pai.
–Hey – Desviei os olhos da TV, encontrando os olhos verdes de Santiago, me senti um tanto estranha com seu olhar tão intenso sobre mim e sua proximidade. Ele segurou minha mão e sentou ao meu lado, então sorriu – Eles vão se sair bem dessa, devem ter dado um jeito, certo? – Falou tentando me passar confiança.
–Obrigada – Sorri envergonhada, ele me abraçou gentilmente e eu estranhamente me senti protegida em seus braços.
–Todos precisam de um pouco de apoio em momentos como esse – Sussurrou em meu ouvido.
Seu perfume era muito bom, juntamente com seu abraço, eu não queria soltá-lo, era bom estar ali, me sentindo protegida nos braços dele... Um cara que eu conhecia a menos de um mês, mas que estranhamente estava me deixando intrigada e curiosa sobre ele, sobre seu jeito de agir e seus olhos verdes.
Mas droga! Eu não deveria pensar nisso, eu tinha um namorado, pensávamos em um futuro juntos, eu não podia pensar em algo com Santiago, sendo comprometida. Ah menos... Que eu me separasse de Sebastian.
–Rayssa... – A voz preocupada de Sebastian me fez soltar Santiago, então correr para os braços de meu namorado – Oh meu amor – Ele me abraçou forte, me tirando o fôlego – Eu sinto tanto – Sussurrou contra meus cabelos – Eu fiquei sabendo só agora, mil desculpas – Pediu parecendo se sentir culpado, enquanto sentia seu corpo junto ao meu, me abraçando, eu não consegui evitar mais o que tanto estava evitando. Eu desmoronei em seus braços, em puro desespero.
–Eu não quero perder meu irmão, Sebastian – Sussurrei com a voz embargada, agarrada a sua camisa que estava sendo molhada por minhas lágrimas. Ele passou a mão por meus cabelos, me segurando pela cintura enquanto tentava me acalmar.
–Não vai perder meu amor, ele estará bem... Todos os aviões tem paraquedas, ele deve ter pulado. Fica calma, eu estou aqui com você – Sussurrou beijando minha testa, então descendo seus beijos por meu nariz até minha boca – Não vou te deixar por nenhum minuto, eu prometo – Sussurrou, então me beijou e eu me agarrei a ele.
*POV Hilary Owen*
Eu me sentia cansada, meus pés doíam por conta do salto alto, tudo doía. Minha cabeça parecia que a qualquer momento explodiria. John estava incansável, querendo nos tirar daquela mata escura, já que o sol já havia se escondido há algum tempo.
–AHHH! – Gritei de dor ao torcer o pé, John me olhou preocupado. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não aguentei, desabei em um galho de árvore grande.
–Calma, deixe-me ver – Ele murmurou me alcançando rapidamente, suas mãos seguraram meu pé delicadamente, o que eu jurava impossível para o homem bruto e forte que John era. Mas mesmo com toda essa gentileza eu gemi de dor – Você deve ter torcido... – Murmurou.
–Desculpe – Sussurrei me sentindo malditamente culpada – Agora não podemos andar – Ele me olhou com as sobrancelhas franzidas, parecendo incrédulo em ouvir eu me desculpar.
–Está tudo bem, está escuro devemos parar e esperar até o dia raiar – Sorriu fraco, então tirou a mochila das costas.
Estávamos com duas, mas depois que caiamos no meio da mata, John transferiu tudo para uma só, para não carregarmos tanta coisa. Não havia muita coisa, apenas duas garrafas de água e quite de primeiros socorros.
–O que iremos fazer? – Perguntei tentando ignorar a maldita dor em meu tornozelo, John pegou uma caixa de fósforos na bolsa.
–Eu irei procurar gravetos para ascender uma fogueira, você vai ter que ficar aqui – Fiz uma careta, enquanto meus olhos se enchiam de lagrimas novamente. Eu não queria ficar ali no meio do nada e ainda por cima sozinha – Eu volto em menos de cinco minutos, eu prometo – Falou logo, antes que eu começasse a me pronunciar.
Fiquei ali no escuro, encolhida no canto da arvore, com minha dor, meu medo. Assustada com tudo, pensando que a qualquer momento apareceria uma cobra, uma onça ou qualquer coisa do gênero.
–Pronto – Ele voltou com alguns tipos de galhos em mãos.
Era quase impossível vê-lo e se não fosse pela pequena fresta que tinha entre as árvores, que deixava a luz da lua entrar, eu estaria perdida no escuro. Eu me senti segura com sua presença, sabendo que por mais que eu infernizasse a vida dele, John não deixaria que nada acontecesse a mim.
Rapidamente ele conseguiu fazer uma fogueira, então se sentou ao meu lado, o fogo estava perto, mas ainda assim eu estava com um pouco de frio. Eu queria abraça-lo, mas sabia que ele não reagiria bem a esse ato, pois pensaria que eu estava apaixonada por ele, ou algo do gênero. Mas eu apenas queria um pouco de contato humano, para me sentir segura e quente.
–O que foi esse barulho? – Perguntei assustada, ouvindo barulho de galhos.
–São só os animais – Murmurou, olhei a nossa volta, esperando que a qualquer segundo alguma coisa pularia em nós.
–Eu estou com medo – Choraminguei. John tirou sua jaqueta a colocando sobre meus ombros, seus braços me envolveram gentilmente, me puxando em sua direção. Passei o braço por sua cintura. Era exatamente isso que eu queria, alguém para me mostrar que tudo iria ficar bem.
–Como está seu tornozelo? – Perguntou baixinho, dei de ombros.
–Vai melhorar – Murmurei sonolenta – Obrigada John – Sussurrei, me entregando a um sono profundo.
Pensando, alguém nos acharia? Iríamos sair vivos dali?
Barulho, vozes, movimento. Era isso que eu sentia que estava acontecendo a minha volta, eu podia sentir o corpo quente de John ainda a minha volta, seus braços me abraçavam. Abri os olhos me deparando com uma cidade, era Sydney, eu já havia visto está rua.
–John? – O olhei, então encontrei seus olhos azuis me fitando – Fomos encontrados? – Ele sorriu fraco e assentiu.
–Volte a dormir, está tudo bem agora – Neguei com a cabeça, tentando me acertar no banco, mas seus braços me prendiam contra seu corpo, parecendo não querer me soltar – Estamos chegando a um hotel – Sussurrou.
Foi tudo muito remoto, John me carregou sem se incomodar pelo saguão do hotel, a conversa que ele teve com um cara, foi muito séria, rápida e direta. John não queria saber detalhes de seu jato, apenas queria as chaves do quarto, e quando o cara de terno escuro tentou lhe fazer perguntas, ele o cortou, deixando o moço falando sozinho e pegando o elevador, comigo em seu colo.
Chegamos ao quarto, as cores das paredes eram claras, contando os moveis eram de cores escuras, havia uma antessala onde tinha um piano de calda, pela ampla vidraça dava para ver a vista esplêndida de toda Sydney, os sofás eram negros envolta de um tapete felpudo.
John me levou em direção ao quarto, passando rapidamente e indo para o banheiro. Ele me colocou sentada sobre uma cadeira que havia no canto, então me olhou atentamente.
–Você consegue tomar banho sozinha? – Assenti um tanto remotamente, ainda confusa com a rapidez de tudo – Irei conseguir roupas, ok? – Assenti e ele se foi depois de me olhar por uma ultima vez.
Meu pé ainda doía, mas era apenas uma ardência que incomodava, nada demais. Talvez tenha sido apenas uma leve torção, eu sempre havia tido problemas com o tornozelo esquerdo porque usava muito saltos.
Enquanto tomava banho sem firmar o pé muito no chão, comecei a pensar nas ultimas horas. Havia sido sequestrada, discutido com John novamente, o jato havia estrago e podíamos ter morrido, ficamos perdidos na floresta e agora estou em uma suíte tomando banho. Era muito para poucas horas, muito para eu compreender tudo rapidamente.
Ao sair do banho, encontrei uma camisa branca, com uma Box, junto a uma toalha na cadeira onde ele havia me deixado. Não havia notado a presença de John ao deixar isso aqui, mas não me importei, apenas escovei os cabelos com os dedos, escovei meus dentes e voltei para o quarto com a camisa branca.
Ele estava na cama, com uma roupa diferente, calça caqui e uma camiseta branca, um sorriso se abriu em seus lábios a me ver entrar no quarto.
–Não tinham roupas para você, tentei encontrar o mais apropriado. Podemos arrumar algo melhor de manhã – Me sentei na cama, ao lado dele. Que me olhava atentamente – Podemos pedir alguma coisa, se estiver com fome – Ele estava muito compreensivo, muito preocupado o que era estranho, mas de alguma forma, me fazia sentir bem.
–Não – Sussurrei, meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Tudo havia passado agora eu poderia desmoronar, mesmo não querendo. Estávamos bem, protegidos longe do perigo, vivos.
–Hey – Ele me puxou para seus braços, me abraçando forte. Não me importei de ele ser o cara que havia me dado palmadas, não me importei de ele ter sido grosso comigo varias vezes, eu apenas o abracei.
Ergui o rosto, e encontrei seus olhos azuis cintilantes me fitando intensamente, aproximei minha boca da sua e ele fechou o espaço que havia entre elas, me beijando. Era diferente desta vez, havia algo neste beijo que eu não conseguia reconhecer, mas que era bom.
–Está tudo bem agora, você está protegida – Sussurrou contra minha boca, me fazendo deitar na cama. Ele puxou um lençol me cobrindo e cobrindo a ele – Eu não irei deixar que nada aconteça com você – Isso me pareceu uma promessa. Deitei sobre seu peito, segurando sua camiseta, me entregando ao sono novamente, numa tentativa de escapar de todo esse medo que estava sentindo – Nunca – Não sei se isso foi apenas fruto de minha imaginação, mas para mim foram as ultimas palavras de John.
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