I Found My Fallen Angel
12 Capitulo 12° - Quem ele pensa que é?
Notas iniciais
John me encostou contra a mesa, seus lábios deixaram minha pele e ele me virou rapidamente, deixando-me de costas para ele. Pude sentir seu membro rígido em minha bunda, enquanto seus lábios deslizavam por meu pescoço, sua mãe descia até um pouco abaixo de minha saia, ele a subiu para então apertar minha coxa com força.
–Eu vou te comer aqui, bem em cima da minha mesa e você vai gritar de prazer – Sussurrou, me fazendo fechar os olhos e tentar controlar minha respiração e o sentimento de desejo por ele, que se apossava de meu corpo. Isso tudo era excitante demais para mim.
–Não acho que você esteja com toda essa masculinidade. Depois do que aconteceu ontem à noite... – Murmurei, sorrindo de olhos fechados. Senti sua respiração em minha nuca.
Suas mãos deixaram meu corpo por alguns poucos segundos, então ele puxou minhas mãos para trás, me deixando um tanto sem apoio. Esbugalhei os olhos ao me sentir presa por sua gravata. Tentei me debater.
–Nem tente. Você vai acabar se machucando. Sabe Hilary? Sou um cara muito bom com os nós – Sussurrou em meu ouvido, seu corpo estava colado ao meu.
Senti sua mão em minha bunda por cima da saia vermelha, ele a apertou enquanto seus lábios viajam por meu pescoço – John sabia muito bem que ali era meu ponto fraco – Pude sentir um sorriso se formar contra minha pele. Sua mão desceu até minha coxa, subindo novamente para meu traseiro, agora pele a pele. John subiu minha saia.
–Isso vai ser tão prazeroso – Sussurrou parecendo estar em jubilo – É claro que apenas para mim – Murmurou sério – Tentarei fazer com que seja bom para você também. Mesmo sabendo que estar impotente aqui, te deixe irritada – Meu coração disparou, minhas mãos começaram a soar e senti um frio na barriga.
–Nem pense nisso, John! Bata em mim e eu processo você! – Gritei furiosa. Ele riu rouco e extremamente sexy. Senti a primeira palmada e soltei um grito em puro desespero. Isso definitivamente não poderia estar acontecendo.
–Vai é? E vai alegar o que? Vai levar na justiça a putaria que fazemos? Vai falar que me algemou? – Perguntou divertido, fechei os olhos – Tenho certeza de que os promotores irão rir de você. E além de você sair nas revistas como a garota que levou umas palmadas de John Maxwell, vai ter que pagar uma indenização por fazer o juiz perder seu tempo com idiotices.
Eu o queria, muito, mas não desta forma. John tinha que aprender a admitir que eu havia apenas dado o troco pelo que ele me fez. Senti outra palmada forte, a qual eu tinha certeza que deixaria meu traseiro vermelho.
–Isso não é justo! – Gritei, tentando segurar as lagrimas que se acumularam em meus olhos. Senti sua mão acariciar meu traseiro devagar, ele soltou um riso fraco.
–Eu não envolvi sua família no meio do castigo, a única envolvida nisso foi você. Ao contrario, de você que me fez perder duas reuniões. Tststs, as pessoas dependem de mim, Hilary – Falou sério, sua voz esta malditamente sexy e me ficar molhada. Mas eu não iria admitir isso. Eu não era mulher de apanhar de homem e gostar.
–Você mereceu seu filho da puta desgraçado! Quem você pensa que é para me castigar? – Gritei. Eu estava furiosa pela ousadia de John em achar que poderia me bater, e mais furiosa ainda por não conseguir conter minhas lagrimas.
–Que coisa feia, me xingando de filho da puta – Senti outra palmada, desta vez mais forte, me fazendo gritar de dor e raiva – Não é exatamente o tipo de coisa que você diz quando eu estou enterrado em você – E outra palmada.
–Eu te odeio, John Maxwell! Odeio você! – Gritei fechando os olhos com força ao sentir duas palmadas rápidas e fortes, as quais me tiraram completamente o fôlego – Você vai pagar por isso! Eu juro! – Em troca recebi outra palmada no lado esquerdo, encostei a testa na madeira fria de sua mesa.
–Eu sei que irei pagar por isso, sei também que no final eu estarei na cama com você. Porque eu sou o único cata que te interessa agora, Hilary admita! Eu pesquisei – Ele pausou, então deu outra palmada me fazendo gemer alto – Você descartou Sebastian depois que me conheceu, suas vinganças sempre vão fazer com que nós dois estejamos na cama no final. Então porque devo parar, Owen? – Eu me mantive calada, eu não queria ferir meu orgulho. Eu não imploraria para ele parar – Diga, implore Hilary... – Sussurrou em meu ouvido, distribuindo beijos por meu pescoço. Fechei os olhos.
John nunca era carinhoso, e quando era me fazia derreter completamente. Porém suas palmadas me fizeram odiá-lo. Claro que isso não me impediria de ir para cama com ele novamente, me jogar em seus braços, ser sua. Eu realmente gostava de estar com John, na cama, no sofá, no escritório, seus beijos me faziam soltar suspiros de prazer. Mas a dor que eu estava sentindo me fazia esquecer completamente isso.
–Eu imploro – Falei alto em meio ao choro – Eu preciso dizer isso olhando em seus olhos – Pedi. Ele ficou parado, parecendo assustado e surpreso.
Minhas mãos foram desamarradas, e John me virou rapidamente. Seus lábios cobriram os meus com urgência, suas mãos agarraram minha cintura e ele colou seu corpo ao meu, pude sentir sua ereção em meu ventre, enquanto sua língua invadia minha boca de forma bruta.
Por um curto período de tempo, eu aprovei ao beijo, senti as lagrimas em meus olhos enquanto seu corpo colado ao meu demonstrava o quanto ele precisava de mim agora, neste momento. Mordi seu lábio, até sentir seu sangue em minha boca, John se afastou rapidamente, me olhando assustado enquanto levava a mão nos lábios.
–Eu imploro para dizer olhando em seus olhos que eu te odeio – Falei, parando na sua frente, enquanto o olhava furiosa.
–Odeia nada – Sorriu cafajeste, se aproximando e ignorando completamente o corte em seus lábios, dei um tapa em seu rosto com força.
–Nunca mais toque em mim, John! – Abaixei minha saia de qualquer jeito, e corri da sala logo depois. Entrei no elevador que se abrira e dois rapazes que saiam me olharam assustados. Apertei o botão do terraço enquanto limpava minhas lagrimas desesperadamente.
John não deveria ter feito aquilo. Eu não deixaria barato. Ele quem começou com essa historia de castigo. Mas quem não aguentou ser castigado foi ele! Quem esse filho da puta pensa que é, para mandar em mim? Para poder me bater?
Ergui os olhos para os números no painel do equipamento, e assim que as portas estavam quase se fechando, avistei aqueles olhos azuis que tanto me hipnotizavam. Ele entrou, já com a gravata no pescoço e totalmente arrumado. Parou em minha frente com um semblante sério, mas seus olhos me encaravam cheios de segundas intenções, as íris brilhavam.
John apertou o botão do terraço e moveu-se para o meu lado.
–O que está fazendo aqui? – Perguntei rude, ele não me olhou.
–Achei que deveria te acompanhar – Murmurou, me olhando de canto de olho.
–Eu estaria melhor sozinha – Retruquei. Ele se virou parando na minha frente.
–Você mereceu. Admita isso. Eu te avisei que era um jogador melhor, você nunca acreditou. Agora sofra com as consequências, Hilary – Foi o tempo da porta do elevador se abrir, ele ocupou o lugar ao meu lado, colocou a mão na base da minha coluna e me conduziu para fora.
Minha vontade foi de chorar ao ver meu pai ali. John abriu um sorriso de lado e me olhou rapidamente, ele sabia que meu pai estava chegando, por isso foi atrás de mim no elevador. Era mais que obvio que ele sabia também que meu pai não queria eu junto com ele. Esse era o Grand Finale de sua vingança, me fuder literalmente com meu pai.
–Hilary? – Papai parou na nossa frente junto com Luis – O que faz aqui? – Eu não tinha capacidade para arrumar uma desculpa à altura de Isaac Owen. Ele era muito mais esperto, ainda mais agora, que eu estava perdida, depois do que aconteceu no escritório.
–Estávamos conversando sobre nossa negociação Isacc – John tomou a frente, sendo o empresário sério.
–Hilary não trabalha para mim, se quiser conversar sobre isso é comigo ou com alguém da minha companhia – Ele respondeu a John, mantendo os olhos no mesmo. Isso foi como um soco no meu estômago.
–É uma pena, pois ela é ótima com os negócios – John falou sério – Vamos, irei te acompanhar – Sem mais delongas ele me tirou dali, da mesma forma que me levou até ali. Sério, imponente e sensual – Não ligue para o que seu pai diz, nunca tratamos de negócios, mas sei que você não é apenas uma garota mimada – Eu não disse nada, apenas o acompanhei calada.
–Adeus John – Murmurei ao chegar em meu carro, deixando o espaço ao seu lado. Ele não me acompanhou, eu não olhei para trás. Apenas entrei no automóvel e sai dali o mais rápido possível, completamente perdida, novamente.
Meu pai havia me mandado ficar longe de John, eu já não estava conseguindo um lugar na empresa mesmo sendo uma garota comportada com ele, mesmo não aprontando nada. Agora, que eu tinha feito o contrario do que ele havia pedido, eu não entraria na empresa tão fácil.
Em meio às lagrimas que inundavam meus olhos, pude ouvir meu celular tocar dentro da bolsa. Bufei, tentando não dar atenção ao toque irritante. Ele voltou a tocar minutos depois, insistindo para que eu atendesse.
–Alô?
–Hilary Owen? – A voz não me era estranha.
–Sim? Quem é?
–Josh, a gente se encontrou mais cedo lembra? – Parei o carro, meu dia já estava uma merda. Então era obvio que ele iria dizer que não iria vender as ações – Eu pensei bem, aceitou sua proposta – Meus olhos se fecharam involuntariamente, enquanto um sorriso se formava em meus lábios – Podemos nos encontrar quando? – Perguntou ansioso, era obvio que ele estava se sentindo assim.
–Eu irei falar com meus advogados, então irei te ligar Josh. Fico feliz em ter escolhido a opção certa – Falei me recompondo.
–Ótimo, estarei esperando sua ligação.
–Até Josh – Desliguei.
Segurei o volante, prestes a ter um surto de felicidade súbita. Finalmente! Eu iria mostrar como eram as coisas, meu pai não queria me deixar trabalhar na empresa dele, John estava com essas historias de castigo. Pois eu iria matar dois coelhos com uma pancada só, eles iriam ver quem é Hilary Owen.
Como eu era idiota! Era obvio que Josh iria vender suas ações para mim, ele precisava da grana. Estava endividado com um traficante montado na grana, o cara queria o dinheiro e se Josh não arrumasse, adeus vida! O que era realmente uma pena, ele parecia ser um rapaz que podia se dar bem, ter um trabalho legal na empresa Maxwell, ter um bom casamento, filhos. Mas infelizmente, escolheu a opção errada, ao se meter com drogas.
Peguei meu telefone e liguei para Santiago, precisava me acertar com ele. Agora começaria uma guerra e eu não poderia estar sozinha.
–Diga Hilary – Atendeu sério, revirei os olhos.
–Mais educação, por favor? Obrigada. Me encontre no nosso café favorito em meia hora, precisamos conversar – Ele soltou um riso fraco.
–Estarei lá.
Parei no estacionamento do shopping, retoquei minha maquiagem pelo espelho do carro e ajeitei meu cabelo. Meu traseiro doía, havia uma ardência suportável, que me incomodava porem tentei ignorar isso.
Enquanto caminhava tranquilamente pelo shopping olhei as vitrines, sabia que Santiago nunca era pontual, então não me preocupei em estar atrasada.
–Hilary! – Me virei a tempo de ver Rayssa vindo em minha direção com Sebastian. Contive uma careta, ela precisava saber a traição do namorado, mas eu não podia contar a ela. Afinal ela iria pensar que eu queria Sebastian para mim.
–Olá anjo – Sorri para ela, desta vez sem falsidade. Eu devia concordar que nesta historia toda ela era a inocente, estava sendo traída por Sebastian, o irmão não havia contado a ela sobre a traição e ainda por cima eu era a culpada e estava pegando o irmão dela – Bom te ver – Trocamos dois beijinhos.
–Esse é meu namorado, mas você já deve conhecê-lo – Assenti dando um sorriso fraco.
–Oi Sebastian – Ele sorriu em resposta, Rayssa disparou a falar.
–Eu estive pensando, podíamos sair para fazer algumas compras juntas, querida. Seria ótimo conhecer uma garota daqui, eu passei muito tempo fora e minhas amigas todas se mudaram... – Ela fez uma carinha triste, seria bom conhecê-la. Mas isso acabaria mal depois que ela descobrisse sobre meu lance com Sebastian.
–Seria ótimo, podemos marcar qualquer dia – Tentei fugir, ela assentiu feliz com minha resposta.
–Perfeito! Assim eu paro de perturbar Sebastian e meu irmão – Sebastian a puxou um pouco mais para o lado dele e beijou seus cabelos.
–Você não me perturba amor – Falou a fazendo sorrir para ele, o mesmo roçou os lábios nos dela, desviei os olhos, um tanto constrangida. Me odiando por ter saído com Sebastian, eu devia ter procurado saber se ele tinha namorada. Mas eu não me importei, achei que fosse apenas um lance de verão, nunca imaginei que ele faria isso... Havia me esquecido de como os homens são.
–Eu vou indo então... Tenham um bom dia.
–Não se esqueça das nossas comprinhas – Assenti sorrindo para ela, dei um tchau com a mão e segui meu caminho.
Cheguei ao café e me sentei-me à mesa ao lado da janela, a vista dali de cima era linda demais e era a minha favorita e a de Santiago também. Era nosso local de encontro, onde contávamos piadas, fazíamos brincadeiras, riamos e pedíamos desculpas. Nunca tínhamos muito tempo em casa, uma hora ele tinha que ir para a faculdade, outra ora ele tinha que ir para o treino, no final do dia, às vezes ele nem voltava para a fazenda, então não nos víamos muito.
–Olá olhinhos verdes – Pisquei algumas vezes, então sorri fraco ao vê-lo se sentar na minha frente. Cabelos molhados e bagunçados o deixando relaxado mas ainda assim lindo, camiseta gola V vermelha, calça jeans branca. Desta vez ele estava sério, e eu o entendia, era sempre assim quando discutíamos, ele se comportava sério, pois não queria que eu pensasse que ele estivesse brincando.
–Oi – Murmurei, ele ergueu uma sobrancelha – Dá para parar de me olhar desta maneira, por favor? – Ele entortou o lábio de canto, parecendo se segurar para não sorrir.
–Dá para começar a falar? Estamos parecendo duas crianças aqui – Revirei os olhos.
–Está bem – Murmurei colocando umas mechas do meu cabelo atrás da orelha – Eu sei que sou muito irritante às vezes, que é duro ter paciência, mas eu te amo muito e não sei viver sem você ao meu lado, me perturbando, ajudando, me fazendo sorrir, eu quero meu irmão de volta – Fiz um biquinho o olhando com os olhos cheios de lagrimas, depois do que aconteceu hoje a única coisa que eu queria era abraça-lo e chorar.
Ele me analisou pelo que me pareceu uma eternidade, não havia mais vestígios de um sorriso em seus lábios, e ele estava sério, havia uma ruga entre suas sobrancelhas.
–O que aconteceu? Alguém fez alguma coisa para você? – Perguntou ignorando totalmente minhas palavras, ele logo ocupou o lugar ao meu lado no sofá preto, segurou meu queixo gentilmente me fazendo olha-lo.
–Não é nada – Engoli o choro, ele ergueu uma sobrancelha, eu deixei as lagrimas caírem e o abracei rapidamente.
–É o papai não é? Ele não quer te deixar trabalhar na empresa, e agora que saiu aquela notícia sua com o Maxwell, ele está furioso contigo. Não é? – Assenti não conseguindo dizer nada, ele suspirou beijando meus cabelos – Me diz uma coisa – Pediu calmamente – Você e o John, estão tendo alguma coisa? Você gosta dele? – Fiquei surpresa com a pergunta e não sabia como responder.
–Ele é um grande idiota – Murmurei depois de um tempo, Santiago ficou parado por uns segundos então me afastou para olhar em meus olhos.
–Aquele cara te fez alguma coisa Hilary? – Perguntou sério, seu instinto protetor a flor da pele.
–Não importa... Eu não quero falar sobre isso... Ele é um idiota! – Murmurei baixando os olhos para a barra de sua camiseta.
–É claro que importa! – Retrucou elevando um pouco a voz, o olhei assustada, Santiago respirou fundo fechando os olhos – Ele falou alguma coisa? Fez alguma coisa? – Eu devia dizer a ele, mas não queria colocar meu irmão no meio disso, no fundo eu sempre soube que John era um cara perigoso, me meti com ele porque eu quis, ninguém me obrigou. Estava na hora de eu sofrer com as consequências.
–Não... Mas isso não importa. Papai não vai me deixar entrar na empresa agora, pois ele odeia Luis Maxwell e eu sai na capa da revista justamente com o filho dele. Ele irá me castigar, Santiago – O olhei depois de limpar minhas lagrimas com um lenço que ele havia tirado do bolso e me dado.
–Eu vou falar com ele, você sempre deu duro para tentar trabalhar na empresa, ele não pode ser tão ruim assim, princesa – Falou, passando o polegar por minha bochecha, tirando uma lagrima solitária que cairá.
–Não vai não, você sabe que ele nunca acreditou em mim. Sempre quis que você como o filho homem, fosse quem o substituiria, mas agora que ele viu que você não vai. Ele deu um emprego para Matthew, o qual eu queria. Ele vai colocar Matthew na presidência, como substituto dele, isso é obvio. Eu não me importo de nosso primo trabalhar lá, mas eu apenas queria que papai fosse menos cara de pau e não jogasse na minha cara que ele não me quer lá – Disparei a falar, Santiago soltou um suspiro profundo. Eu sabia que se fosse por ele, eu já estaria naquela empresa faz tempo, ele ficava nervoso em não poder fazer nada sobre o assunto.
–Eu falo com ele, papai precisa ouvir poucas e boas. Quem ele pensa que é para te julgar incapaz? Tudo bem que você é mandona e autoritária... Mas eu acredito em você. Ele é um grande filho da mãe... – Falou passando a mão pelo cabelo furioso.
–Não, para. Ele já está furioso com você por causa da história da festa, é melhor não enfrenta-lo agora, por favor – Pedi o olhando com minha melhor cara de gato de botas. Ele respirou fundo, então se levantou me puxando com ele logo depois.
–Vamos pirralha – Passou o braço por meus ombros me deixando junta a ele, caminhamos para fora dali.
–Aonde iremos? – Perguntei o olhando, ele retribuiu meu olhar e sorriu.
–Chupar sorvete – Abri um sorriso alegre com a resposta, ele riu enquanto me conduzia para a sorveteria.
Escolhi de morango e ele de chocolate, nos sentamos ao ar livre enquanto eu comia de colherzinha, Santiago a dispensava.
–Como você é fresca – Murmurou passando a língua pela massa, revirei os olhos levando a colherzinha a boca.
–Meu sorvete está bem melhor que o seu pode apostar, assim eu posso saborear mais lentamente – Murmurei erguendo uma sobrancelha enquanto sorria.
–O meu que está melhor, que ver?
–Eu não... Prefiro o meu...
–Não experimenta para você ver – Ele levou o sorvete perto da minha boca, eu neguei me afastando preferia o de morango, então ele passou o sorvete por minha boca e nariz.
–AHHHHHHHH! Como você ousa!? – Perguntei me afastando e pegando papel para me limpar, enquanto ele gargalhava da minha cara toda suja de chocolate.
–O meu sorvete está bem melhor que o seu, não concorda? – Ergueu a sobrancelha, sorrindo cheio de divertimento. Limpei meu rosto, ele chupava seu sorvete enquanto isso olhava a rua movimentada de carro.
–Hey? – Ele me olhou então eu passei meu sorvete na cara dele, deixando-o todo sujo de massa de morango.
–Sua pirralha! – Pegou papeis para limpar o rosto, enquanto eu ria da cara dele.
Passamos o dia assim, brincando e fazendo gracinhas. Santiago tinha o poder de me deixar feliz, de me fazer sorrir com motivos bestas. Ele me contou que estava chegando às férias da faculdade, que então poderíamos passar mais tempos juntos, propôs uma viagem caso as coisas piorassem e eu hesitante aceitei, mesmo não querendo fugir das coisas dessa maneira.
No fim da tarde nos separamos, ele precisava se encontrar com um colega. Aproveitei que estava na rua e comprei o presente de aniversário do meu pai, no final das contas eu ainda precisava conquista-lo de alguma forma, o aniversário dele seria depois de amanhã e essa seria uma tentativa de fazê-lo me perdoar.
Recebi uma mensagem de meu pai logo depois de sair da loja, no texto ele dizia que precisávamos conversar a sós e que era para eu ir até a empresa. Logo senti um frio na barriga, sabendo que ele iria brigar comigo novamente.
–Oi pai – Falei ao entrar em sua sala, ele estava com a mesma roupa de hoje de manhã, mas pelo jeito que estava seus cabelos, demonstrava que já havia passado a mão neles várias vezes, mas isso não o deixava feio e sim bonito.
–O que estava fazendo na empresa Maxwell hoje? – Perguntou direto, me olhando sentado em sua poltrona.
–John me pediu para ir lá, conversamos sobre os negócios... – Papai se levantou, começando a andar de um lado para o outro.
–Eu não quero você perto dele, não quero que ele respire o mesmo ar que você... Eu não quero que vocês se encontrem, não quero nenhuma ligação sua com ele... Estamos entendidos Hilary? – Perguntou sério e com seu jeito imponente, seus olhos me fitaram cheios de fúria contida.
–E porque eu devo ser sempre a garota comportada? Sempre fazendo o que você pede? Por quê? Se eu nunca ganho o que eu quero, enquanto você tem tudo aos seus pés? – Retruquei o olhando irritada – Eu passei minha vida inteira até agora, dando de tudo para ter um lugar aqui na empresa... Mas você nunca me deixou ter uma chance, e agora contratou Matthew, para jogar na minha cara que só porque sou garota não devo participar dos negócios da empresa! – Enquanto eu falava, minha voz se elevava, ele me encarou parecendo atônito.
–Não me venha com essa merda de novo Hilary!! Eu nunca disse isso!! Não estamos falando sobre empresa ou sobre o que você quer! Estamos falando sobre John Maxwell, eu não irei admitir você e ele juntos! E pronto! Você sempre teve tudo que quis, por isso que é mimada desta maneira! Não vai continuar sendo assim Hilary! Não vai! Estamos entendidos? – Respirei fundo, retomando a postura e contendo as lagrimas.
–Está bem então, me deixe provar que sou capaz de trabalhar aqui e eu não me aproximo nunca mais de John Maxwell... – Ele ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços e me analisando.
–E como você vai conseguir isso?
–Eu preciso de 5 milhões de dólares – Falei séria, papai me olhou por vários segundos então sorriu passando as mãos pelo cabelo.
–Para que você quer cinco milhões de dólares? – Perguntou sem me olhar.
–Não interessa, esse é o acordo – Murmurei séria.
–Não vou te dar cinco milhões de dólares sem você me dar um motivo – Revirei os olhos e me aproximei de sua mesa.
–Não vai me dar cinco milhões de dólares, porque não acredita em mim... Essa é a verdade! Mas tudo bem, eu vou embora. Adeus! – Sai da sala dele correndo, ignorando seus gritos para eu voltar.
Furiosa e triste eu entrei no elevador, me esforçando para não derrubar lagrima alguma. Ele não merecia, ninguém merecia minhas lagrimas! Depois de sonhar minha vida toda em trabalhar na empresa da família, depois de me dedicar toda minha vida para conseguir apenas isso, o que eu ganhava era gritos e xingamentos... Apenas isso.
–Está tudo bem Srta. Owen? – Um dos seguranças perguntaram quando eu sai correndo pelo saguão da empresa, minha cara não devia estar dar melhores. Eu o ignorei, sabia muito bem que se eu me manifestasse não seria nada educada.
Já indo em direção ao meu carro, comecei a procurar as chaves em minha bolsa, mas não as encontrava de maneira alguma. Ouvi o barulho de um carro derrapando, olhei para trás a tempo de ver uma BMW preta parar a poucos centímetros de mim, um cara saiu do carro.
–Que merda é essa? – Perguntei me afastando, enquanto ele caminhava rapidamente em minha direção, tentei correr, mas meus saltos me impediram e ele segurou meu braço com força. Estava encapuzado e com uma arma na mão direita, meus olhos se esbugalharam, eu seria assaltada?
–Quieta, ou você morre – Avisou, sua voz era rouca e grossa. Meu coração palpitou, enquanto ele me arrastava em direção ao carro, tentei escapar. Ele deu um tiro pro meu lado, gritei assustada.
–Srta. Owen!? – Pude ouvir as vozes dos seguranças, o cara me jogou dentro do carro e correu para o banco do motorista, arrancado dali rapidamente. Ouve tiros dos seguranças que atingiram o carro. Coloquei as mãos nos ouvidos, assustada com tudo isso, eu iria morrer? Não, isso não podia acontecer comigo.
–O que vai fazer comigo? – Perguntei tremula, incapaz de ter qualquer reação por causa do medo que estava sentindo.
–Não interessa! Cala a boca e fica ai no seu canto! – Gritou me olhando rapidamente, não era possível identificá-lo por causa do capuz que usava, mas por sua postura demonstrava que ele não estava de brincadeira.
Milhões de pensamentos se passavam por minha mente agora. Se esse cara não me deixasse sair viva daqui eu não poderia realizar meu sonho, eu iria morrer em vão depois de tudo que eu fiz. Santiago não iria ter mais a irmã irritante para tirar a paciência dele...
E no final de tudo eu pensei em John, ele finalmente poderia ter sua vida de volta ao normal depois que eu me fosse, mas eu me pergunto, alguém sentiria minha falta? Ele sentiria minha falta?
O carro parou, ele desceu sem me olhar levando a arma contigo, caminhou até um cara que estava de terno preto, eles conversaram. Eu não iria admitir morrer sem pelo menos lutar, precisava pelo menos tentar alguma coisa. As aulas de Santiago deveriam servir de alguma coisa, me debrucei embaixo do volante e abri com dificuldade a caixinha que havia um monte de fios que Santiago me mostrará um dia.
Havia um monte de fios ali, as cores eram mais claras e apenas o vermelho se parecia com os fios que Santiago havia me mostrado, mas como eu iria saber qual era o outro fio, para ligar com o vermelho que iria dar a partida? Resolvi tentar a sorte, peguei o azul e o vermelho juntos e tirei da caixinha, fechei os olhos pedindo aos céus que fossem aqueles e então passei os dois juntos.
–Isso! – Falei alto, comemorando ao ver que o carro havia ligado, me ajeitei no banco para então dar o fora dali.
–Que porra você acha que está fazendo? – O cara abriu a porta apontando a arma para mim – Desce daí agora! – Gritou, furioso, eu fiquei ali parada tremula, ele bufou e agarrou meu braço me puxando para fora – Acha que eu sou idiota? – Berrou me levando em direção a um jatinho. Não, isso não estava acontecendo – Deixa essa merda ai! – Falou apontando a arma para a minha bolsa que estava entre meu pescoço e ombro.
–Não – Falei firme, eu poderia até ir com ele, mas sem minha bolsa nunca, ele parou parecendo perplexo com minha coragem – Quem você pensa que é para me sequestrar seu idiota! – Gritei furiosa, numa tentativa de atrasa-lo, com certeza meu pai já estava sabendo e mandado alguém rastrear meu celular que estava na bolsa.
–Isso só pode ser brincadeira – Murmurou, rindo – Acha que eu estou de brincadeira madame? – Ele se aproximou mais de mim, a arma em sua mão me intimidava bastante, mas eu precisava bancar a dona da situação um pouco. Podia ser uma saída para ele ver que não estava sequestrando qualquer garota, e sim Hilary Owen, filha do grande Magnata Isaac Owen.
–Eu não irei com você! – Em segundos a arma disparou para o chão a poucos centímetros de mim, soltei um grito assustada, ele se aproximou mais e rudemente tirou a bolsa de mim a jogando longe, o encarei furiosa e assustada.
–Cala a boca e entra na merda do jatinho, porra! – Gritou, então me puxou pelo braço brutamente, me arrastando escada a cima para dentro do equipamento. Ele me jogou no banco de couro branco e deu ordens para um cara que já podíamos ir, quando a porta já estava se fechando ele jogou a arma para fora do jatinho.
–Olha – Falei tentando soar calma, minhas mãos tremiam – Meu pai tem dinheiro, ele pode pagar bem, não precisa me machucar, eu nem vi seu rosto é só você ligar, ele manda o dinheiro onde você pedir e então você pode me soltar – Disparei rapidamente, ele me encarou quieto por um longo período de tempo.
Neste tempo eu raparei em seu porte físico, eu tinha certeza que ele tinha um corpo bonito por baixo da calça jeans preta, camiseta e jaqueta de couro preta. Eu queria poder ver seu rosto, mas não era possível. Me perguntei porque um cara como ele não trabalhava com algo melhor, tenho certeza que poderia arrumar um emprego de segurança ou até mesmo algo melhor.
–Eu não quero seu dinheiro garota! Nem o dinheiro do seu pai! – Ele falou próximo a mim, eu tinha a impressão que conhecia aquele perfume.
–Você sabe com quem você está falando seu idiota? – Gritei me levantando – Sabe com quem está lidando? Eu sou filha de Isaac Owen! E se você não me soltar, ele vai te calçar até o inferno seu babaca, você vai implorar para conhecer o diabo, quando ver o que meu pai vai fazer com você! – Berrei furiosa, ele se afastou, rindo. O que me deixou mais irritada ainda.
–Eu sei exatamente quem você é – Murmurou começando a tirar o capuz negro – Você é Hilary Owen, a garota mimada, mal criada e egoísta da cidade – Foram suas últimas palavras, antes de revelar que ele era John Maxwell, o empresário sério, o cowboy bruto e dominador que não deixa ninguém sem seu devido castigo.
Não se esqueçam das notas finais ;)
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