I Forgive You
2 New Life
Notas iniciais
Avancei uns passos na direção do portão. Dei um suspiro alto e olhei para trás. Meu peito se apertou... eu deixaria mesmo tudo aquilo para trás? A minha vida inteira ali?
Claire e Chaz estavam abraçados de lado, chorando. Aquilo doeu.
– Eu amo vocês. — gritei já com lágrimas por todo o meu rosto.
Eles abriram a boca mas não conseguiram dizer nada.
Sequei meu rosto. Quando eu os veria novamente?
Atravessei o portão.
– Vamos? — perguntou Carlo
– Vamos — assenti num sussurro. Decidi não aumentar mais aquela dor e não olhar para trás.
Entrei no carro, seguida pelos meus pais.
– Sabemos que você não quer ir. Mas, olhe, vai ser legal. — disse Carlo.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu a sequei rapidamente.
– Espero que sim — disse inaudível.
[...]
Bem, o caminho até a casa foi tranquilo. Mary não falou quase nada, ao contrário de Carlo, que a todo tempo repetia que seria legal para mim.
Chegamos em casa e eles logo me levaram até meu quarto. Carlo perguntou-me umas mil vezes se eu havia gostado.
Era pequeno, mas não minúsculo. Era aconchegante! Ele variava entre uns tons de bege e branco, tinha uma cama de casal, um guarda-roupas gigante, poltronas, TV, computador, notebook... eles eram ricos.
Deixaram-me um tempo sozinha em meu quarto para me acostumar e logo voltaram com uma pequena caixinha na mão.
– Quer abrir? — Mary perguntou.
Assenti com a cabeça.
– Não ouvi sua voz — pôs a mão em volta da orelha e se aproximou de mim.
– Quero — sussurrei entre risinhos.
Ela esticou a caixinha para mim. Vinha escrito "iPhone 5" em letras pratas na frente. Abri e vi um... treco... Era retangular e muito leve! Tinha um botãozinho na parte de cima. O pressionei. Acredite, a tela acendeu! Tomei um susto.
– Esse é o seu novo celular — sorriu Carlo, acompanhado por Mary.
– Ahh...! — sussurrei uma pontada de surpresa. Então aquilo era um celular. Não, não me ache careta por causa disso! Eu sei o que é um celular, só nunca tinha visto um. Era completamente proibido no orfanato. — Como é que mexe nisso? — encarei Carlo, que estava sorridente.
– Aqui é o botão inicial — disse ele apertando uma botãozinho em forma de bola. — Aqui, desbloqueia a tela...
[...]
Ao final do dia, percebi que tinha ocupado todo o meu tempo com aquela coisinha leve chamada celular. Nossa, aquilo é completamente incrível! Ah, e também o notebook, que é outra coisa incrível.
– Coral! — gritou Mary — Desci as escadas com certa pressa e a encontrei na cozinha — Você quer ir comprar roupas?
Olhei para a tela do celular: 21:30.
– Não está tarde? — perguntei, como sempre, num sussurro. Eu não me acostumei com esses pais ainda. Não me sinto à vontade para... falar.
– Amanhã, bobinha! — disse com um sorriso de orelha a orelha, que realçava suas covinhas. Amo covinhas.
Assenti e corri para o meu quarto. Meu quarto. É estranho dizer isso. Nunca tive algo completamente meu, sabe. Me joguei na minha cama, peguei e liguei o meu notebook. Como é bom dizer "meu".
Mais ou menos uma hora depois, Carlo apareceu na porta.
– Bem, talvez você não goste dessa notícia, mas... amanhã você começa na escola.
Oi? Colégio? Sempre ouvi falar que é... horrível.
– Preciso mesmo ir? — indaguei
Ele assentiu com a cabeça.
– É melhor você ir dormir, pois te matriculei na turma da manhã! — riu e saiu correndo.
Suspirei, desliguei o notebook e me ajeitei na cama.
Bem, amanhã é o meu primeiro dia de aula.
Como vou me sair?
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