Notas iniciais
Boa leitura.

Chaz segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Ele sorriu. Lindo sorriso, lindo garoto, lindo momento, lindo tudo. Aproximou seu rosto do meu, mantendo o sorriso.

Sua boca se entreabriu, soltou uma pequena quantidade de ar e disse com sua voz sedutora:

– Coral... Coral, acorda.

O quê?

– Coral, acorda! — Clarice me chamava — A chata da Irmã Bete vai vir aqui! Acorda!

Respirei fundo e contei até mil.

– Você me acordou quando o Chaz ia me beijar. Qual o seu problema, Clarice?

– Pelo amor do Percy, tem como você acordar? Pára de reclamar um segundo! — me olhava pedindo piedade — A Bete vai vir aqui! Vai vir aqui! Uma de nós vai ser adotada, Coral, e não vou ser eu!

Espera, eu ouvi isso mesmo?

– Oi? — perguntei — Repita

– Coraline, você vai ser adotada! — gritou dando pulinhos e abanando as mãos.

– Claire, você está falando sério? — perguntei. Eu não estava acreditando naquilo.

– Coral, você acha que eu brincaria com isso? — perguntou fazendo cara de triste.

– Acho! — balancei a cabeça num "sim".

– Mas não estou! Vá, vá, arrume as malas!

Levantei-me da cama num pulo. Corri para o banheiro, tomei um banho rápido e gelado para despertar, escovei os dentes, penteei o cabelo e vesti um casaco cinza que fica meio grande em mim (eu gosto de deixar o pulso do casaco na palma da minha mão) e uma calça jeans justa; tudo em menos de dez minutos. Depois, joguei tudo dentro de uma mala bem grande. É isso que faz a ansiedade! Dei um tchauzinho para Claire e me dirigi à recepção do orfanato.

Ah, cabeçuda. Esqueci-me de me apresentar. Olá, meu nome é Coraline. Sou branca (quase pálida), altura mediana (nem alta e nem baixa), cabelos negros, lisos meio ondulados e compridos, sou magra, mas meu corpo é... definido. Tenho 16 anos, moro num orfanato no Texas. Bem, cheguei aqui com 5 anos de idade. Não me lembro nada dos meus pais, além de que: meu pai era o típico pai babão. Minha mãe... não dava a mínima para mim. Meus pais viviam brigando por minha causa, mas eu não entendia muito bem e...

– Senhorita Judd? — fui interrompida pela Irmã Bete, que entrava na recepção acompanhada de uma moça muito bonita. Parecia ter uns 35 anos, era bem clara e tinha cabelos num tom chocolate que caíam como uma cascata em seus ombros. Usava um lindo vestido rodado florido. Estava acompanhada de um homem alto, forte, moreno, vestindo uma blusa branca de gola "V" e calça jeans. Ele estava com um sorriso cativante no rosto. — Seus novos pais chegaram.

Engoli em seco. Pais? Eu já podia chamá-los assim?

Levantei uma mão e acenei com os dedos, com um pequeno sorriso tímido no rosto. Esqueci de falar; sou bem tímida. Muito, mesmo.

– Olá, Coraline. — disse o homem. — Você está tão linda. — sorriu

– Obrigada, senhor... — deixei a frase solta.

– Me chame de Carlo.

– E a mim, de Mary — pronunciou-se a mulher.

– Ok. Carlo e Mary. — forcei-me a não esquecer. Sim, além de tímida, sou esquecida.

– Vamos? — disse Carlo.

Balancei a cabeça num sim.

– Mas, antes... será que eu poderia me despedir dos meus amigos? — perguntei

Eles assentiram. Corri feito louca até o dormitório e encontrei Claire chorando, sentada na cama.

– Claire... — sussurrei.

Ela me viu e pulou em cima de mim.

– Eu te amo tanto, menina!

– Eu também — afaguei seus cabelos. — Eu também te amo. Muito.

– Vai... — desfez o abraço secando as lágrimas — Vai ser feliz. Vai viver sua vida! — tentou esboçar um sorriso.

A abracei novamente, mais forte. Oh, Deus, o que seria de mim sem ela, agora? Eu ia sentir tanto sua falta...

Soltamos o abraço e prometemos nunca nos esquecer uma da outra.

Bem, agora é hora de me despedir do Chaz... será que eu agüentaria isso?

– Coral? — ouvi sua voz enquanto o procurava pelo corredor — Coral? — sua voz ficou mais animada.

Olhei na sua direção. Era o meu príncipe.

Ele correu até mim, me abraçou e me girou no alto. Aquilo era um sonho? Então, que não me acordassem! Nunca!

– Não... não vai! — ele suplicou enquanto me colocava no chão.

– Chaz, eu...

Fui interrompida. Seus lábios interromperam o movimento dos meus, interromperam minhas palavras. Oi? Aquilo estava acontecendo? Não, eu não queria soltá-lo nunca, mas ar nos era necessário.

– Chaz... — sussurrei.

– Não vai. — sussurrou colando sua testa à minha.

– Eu preciso. — disse com a voz embargada.

– Não vai. — colou nossos corpos.

– Eu...

Ele interrompeu-me mais uma vez. Como eu queria que ele tivesse feito isso antes! Ah, Chaz...

Olhei em seus olhos. Lágrimas? Aquilo eram lágrimas?

Levei minhas mãos ao seu rosto e sequei-o com meu polegar.

– Eu te amo — ele arfou.

– Agora que ele fala — revirei os olhos e selei seus lábios.

Ele me puxou para um abraço. Eu não queria nos separar daquele momento. Nunca, nunca. Nunca!

Mas era preciso.

– Adeus. — eu disse enquanto desfazia nossas mãos entrelaçadas.

Sibilei "eu te amo" enquanto ele caía de joelhos com lágrimas por todo o rosto.

Virei-me na direção do portão de saída. Era aquilo? Aquilo era o fim? Ou era um novo começo? Um começo sem a Claire? Sem o Chaz?

Meus pais estavam parados do outro lado do portão. Caminhei até eles.

"Adeus, vida. Olá, vida", sussurrei.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem!