I Can Be The One Tonight
4 I'm Not A Prince
Notas iniciais
Kurt simplesmente perdeu a voz naquele instante. Ele sabia que andava confuso sobre o que sentia, ou poderia sentir, por Blaine, mas em nenhum momento pensou que o moreno poderia também sentir algo por ele. Isso definitivamente parecia fora de cogitação, pois o moreno parecia estar muito fora de seu alcance. Mas ele não estava.
Pelo menos não tanto quanto ele pensava.
Em um momento em que Kurt baixou sua guarda, Blaine lentamente foi aproximando o seu rosto do dele, chegando bem devagar, beijando ao lado de sua boca. Ao perceber que tinha o castanho em suas mãos e que ele não iria recuar, Blaine se permitiu juntar seus lábios aos de Kurt em um beijo suave.
O moreno não sabia, mas Kurt nunca tinha beijado antes, mas tinha tido um sonho sobre isso algumas noites atrás e adivinha com quem era o sonho?
A única diferença, é que definitivamente aquilo não era um sonho. Blaine estava mesmo o beijando e ele não sabia muito o que fazer. A única coisa que venho em sua mente, foi levar suas mãos até o pescoço de Blaine, praticamente implorando para que o moreno não abandonasse os seus lábios. Ele honestamente poderia ficar ali para sempre.
Em poucos minutos, Blaine o soltou e o encarou, decidindo que ir embora era o melhor a se fazer. Ele não deveria ter beijado Kurt, não deveria ter mostrado que tinha chance de eles terem algo, porque agora, Kurt poderia cobrá-lo, ou pior, eles poderiam parar de se falar por conta de o clima ficar estranho.
Ao ser deixado sozinho em seu quarto, Kurt caiu sobre sua cama, passando delicadamente os dedos por seus lábios, sorrindo feito um idiota por lembrar do que acontecera ali segundos antes. Mas logo uma tristeza o atingiu e inúmeras lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.
Ele tinha cedido muito fácil, tinha permitido que Blaine se aproximasse demais e que ele invadisse a si. Permitiu que o moreno tocasse nele, permitiu que o beijasse. Permitiu uma aproximação que era indevida.
Kurt tinha certeza de sua sexualidade e seu pai aceitava numa boa. O único problema, é que ele permitiu que aquilo acontecesse cedo demais. Ele não confiava o suficiente em Blaine, não o suficiente para permitir que ele o beijasse.
Com essa enorme tristeza o invadindo, Kurt chorou até dormir, o que não demorou tanto quanto o esperado.
Ele acordou certo tempo depois, pensando se tinha sido um sonho e ficando arrasado por perceber que não.
Não podia negar que havia amado o beijo, mas agora, mais do que antes, ele tinha certeza de que seu coração se entregaria para aquele moreno de cabelos cacheados.
Ele não podia permitir.
Se bem que, parece que ele já permitiu...
[...]
Blaine saiu da casa de Kurt com um turbilhão de pensamentos rondando sua mente. Chegava a ser perigoso ele andar pelas ruas com aqueles pensamentos. Ele sentia nojo e raiva de si mesmo, não tinha o direito de tirar a pureza de alguém como queria tirar a de Kurt.
Foi apenas um beijo, mas ele queria muito mais que aquilo. Por isso foi embora, porque se Kurt abrisse mais uma brecha, ele iria tirar toda a pureza que pudesse existir naquele doce menino. E ele não podia fazer aquilo. Kurt não merecia sofrer por uma pessoa desprezível como Blaine.
Os pensamentos eram tantos, que Blaine andou por toda a cidade e já era noite quando chegou em casa. Foi direto para o seu quarto, abriu a janela e sentou na beirada da mesma, já que ela era larga.
Ele pegou um cigarro, o acendeu e o botou na boca. Ele precisava tirar todos aqueles pensamentos de sua mente. Tudo que lhe vinha agora, eram coisas indecentes que ele tanto queria fazer com Kurt.
Por que aquela obsessão toda pelo menino? Ele podia ter o garoto que quisesse e queria justamente alguém que não merecia sofrer em suas mãos? Chegava a ser cruel pensar em todas aquelas coisas.
O moreno sentiu seu celular vibrar e o pegou de seu bolso, soltou um suspiro alto ao ver que era uma mensagem de Kurt, respirou fundo e a abriu.
“Ainda não entendi por qual motivo você saiu correndo daqui. Fiz algo de errado?” – Kurt.
Por que ele precisava ser tão ingênuo? Por que o castanho não podia simplesmente perceber no que estava se metendo e se afastar? Seria tão mais fácil para Blaine. Seria muito melhor se ele simplesmente se afastasse, porque o moreno sabia que ele sim não conseguiria ficar longe de Kurt por muito tempo.
Ele se sentia um pouco louco por querer ficar tão perto assim do Hummel, mas não queria entender a si mesmo. Para ele, a companhia de Kurt era boa e apenas isso. O problema maior era ele querer muito mais do que apenas sua companhia ou sua amizade.
Um pouco frustrado por não ter palavras que descrevessem tudo que ele realmente queria falar, ele soltou outro suspiro e digitou uma mensagem.
“Para ser honesto, você não fez nada errado. Eu que não deveria ter te beijado, me perdoa.” – Blaine.
O moreno guardou o celular no bolso e ficou encarando a rua, as pessoas transitando para lá e para cá, os carros passando e iluminando as ruas, até o céu estava bonito, com as estrelas brilhando mais que o normal e... os seus pensamentos novamente foram interrompidos por uma nova mensagem.
“Blaine, não faz isso. Eu deixei você me beijar. Eu só fiquei um pouco assustado com o que você disse, mas se é isso que você quer, podemos tentar.” – Kurt.
Sem nem pensar mais, Blaine reprimiu a vontade de atirar o celular longe, se atirando para o lado de dentro do quarto, sem se importar com a dor que sentiria. Ele não podia receber uma chance dessas, era tentador demais para ele e, se ele por acaso aceitasse, sabia que faria alguma besteira.
“Eu não sou nenhum príncipe. Você sabe que o que eu quero não é um relacionamento sério.” – Blaine.
Ele não deveria ter dito aquilo, pois suas palavras provavelmente estragaram qualquer chance até de amizade que ele ainda pudesse ter com Kurt. Ele só fazia besteira.
“Oh, entendi. Você só quer uma noite de diversão e depois ir embora. Sei que você não é um príncipe, mas pensei que pudesse mudar. Acho que me enganei.” – Kurt.
“Isso significa que você não quer mais falar comigo?” – Blaine.
“Sim. Não vejo mais motivos para nos falarmos.” – Kurt.
— Eu estraguei tudo. – Blaine disse irritado, socando com raiva a parede.
Ele foi até uma de suas gavetas e procurou pelo saquinho que tanto queria. Ao encontrar, só faltou sorrir com os olhos. Ele precisava tirar aqueles pensamentos de si.
Blaine pegou o saquinho com o pó e derramou o mesmo em cima de sua escrivaninha, pegou um cartão e arrumou o pó em carreirinhas na mesa, logo cheirando tudo que podia. Sua narina ardia, sua cabeça doía, mas a sensação que ele sentia era muito boa.
Ele pegou seu celular, digitou uma mensagem rápida e o guardou novamente no bolso. Tinha chance de ele se arrepender, mas e quem disse que ele se preocupava?
“Kurt, me perdoa, ok? Eu realmente quero sua amizade... caso ainda queira saber da minha existência, você tem o meu número...” – Blaine.
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