Notas iniciais
Cheguei de novo, euheuhe Espero que gostem *---* O link da música está lá nas notas finais e seria interessante se vocês ouvissem enquanto leem a cena em que ela aparece, porque dá todo o clima do que está acontecendo. Boa leitura! ♥

Kurt fitava o teto em plenas três horas da madrugada fria. Ele se virava para um lado e virava para o outro, apenas pensando na última mensagem que recebera de Blaine e na vontade de o responder que tanto o tentava. Ele queria – e muito – responder o moreno, mas uma dúvida crescia em sua mente e o impedia de realizar tal ato.

Ele tinha medo de voltar atrás e acabar se machucando, ainda mais agora que estava percebendo que não queria apenas a amizade de Blaine e, o pior, sabia que seu pai nunca aprovaria aquilo. Quando soubesse sobre a vida de Blaine, Burt surtaria e o obrigaria a se afastar de seu filho.

O único problema, é que antes de qualquer outra coisa, Kurt queria ajudar Blaine. Contudo, precisava entender o que estava sentindo antes de voltar a falar com o moreno.

O que foi uma tarefa extremamente sacrificante quando deixou que três semanas e meia se passassem. Não podia negar que Blaine havia feito falta nesse meio tempo, mas tinha que culpar a si mesmo por tudo, já que mandou o moreno se afastar de todas as formas. E o pior é que Blaine realmente tentou, ele o telefonou, foi até sua escola, mandou mensagens, mas foi ignorado em todas as suas falhas tentativas.

Kurt se sentia mal por ignorá-lo, mas era a única maneira de chegar a uma conclusão sobre o que se passava na sua confusão de pensamentos e sentimentos. Não sabia se seguia seu coração ou se seguia seu cérebro. Óbvio que no final de tudo ele escolheria seguir seu coração, porque o ser humano parece precisar sofrer para ser feliz. O castanho nunca entenderia isso, sem importar o quanto tentasse.

Naquela noite de sexta, Kurt estava na casa de Quinn. Fazia um bom tempo que os amigos não passavam um tempo juntos e a Fabray vinha cobrando Kurt o tempo todo, até porque a loira estava preocupada com seu amigo e queria entender o que estava acontecendo com ele.

— Agora não há ninguém para nos atrapalhar. – Certificou-se, olhando para fora da porta, logo indo até a cama e sentando com Kurt. – Vamos lá, K, me conte o que está acontecendo.

Kurt respirou fundo e soltou um demorado suspiro. Ele realmente precisava desabafar com alguém e ninguém melhor do que sua melhor amiga para isso.

— Eu conheci um garoto há umas boas semanas, ele passa por um monte de coisa, está cheio e problemas e chegou para bagunçar minha vida, bagunçar principalmente meus sentimentos e eu estou confuso, não sei muito bem o que está acontecendo. – Declarou ele, enterrando o rosto em suas mãos. – Eu estou muito afim dele...

— E ele sente o mesmo por você? – Perguntou ela, como se estivesse avaliando a situação.

— Ele me beijou e depois fugiu de mim, fiquei horas me perguntando se meu beijo era tão ruim assim, depois nos falamos e ele disse que não queria um relacionamento sério. – Quinn o interrompeu brevemente.

— Meu melhor amigo deu seu primeiro beijo? Até que enfim! – Comemorou ela, fazendo um rubor preencher as bochechas de Kurt.

— Cala a boca, sua idiota. – Reclamou ele, logo rindo. – O que importa é que eu disse que se fosse assim ele não precisava mais falar comigo e depois ele me mandou uma mensagem dizendo que queria sim a minha amizade, mas eu não o respondi e venho o ignorando nas últimas semanas, sendo que ele tentou de todas as formas se comunicar comigo. Me senti mal por ficar ignorando ele, mas eu precisava me entender primeiro.

— Você está apaixonado, meu amor. Está estampado no seu rosto.

Kurt sorriu novamente, totalmente envergonhado. Tinha certeza que sua amiga estava certa, por mais que seu consciente não quisesse admitir. Os dois amigos permaneceram conversando por mais algumas horas, até que já era tarde da noite e Kurt precisava ir embora.

Ele estava andando tranquilamente para casa quando escutou a voz de duas pessoas bem próximas de si. Um frio percorreu por todo o seu corpo, misturando com um medo poderoso. Ele sentiu todo o seu corpo paralisar, mas permaneceu andando. Seu celular estava sem bateria, não podia nem pedir ajuda para alguém. Quando dobrou na rua seguinte foi empurrado para dentro de um beco.

— Agora você não escapa da gente...

[...]

Blaine mexia no celular enquanto estava sentado no banco de trás do carro. O motorista de seu irmão o levou para dar uma volta naquela noite, já que Cooper estava na casa da namorada em San Francisco. Quando passaram por uma, Blaine ouviu gritos e se desesperou por ouvir uma voz chorosa pedindo para que as pessoas parassem o que estavam fazendo. Na hora ele reconheceu aquela voz.

— Para o carro e me espera aqui, por favor. – Pediu ao motorista, que freou bruscamente o carro.

Sem nem pensar, Blaine adentrou o beco e viu aqueles que um dia chamou de amigos tentando de qualquer maneira arrancar as roupas de Kurt.

— Saiam AGORA de perto dele. – Ordenou, se aproximando mais, dando um soco forte no rosto de um dos garotos.

— Você me bateu, seu idiota. – Reclamou ele. – Agora mesmo é que eu quero comer esse viado e se você não ficar quieto, vai levar também.

— Cara, calma. – Disse o outro, mas não se dirigia a Blaine. – Não sabíamos que você estava com ele.

— Sim, ele está comigo. – Blaine puxou Kurt pela cintura e o abraçou de lado. – E eu não quero ver nenhum de vocês chegando perto dele. Fui bem claro?

— Sim, Blaine, não queríamos briga com você.

Os meninos baixaram os olhos enquanto Blaine se distanciava com Kurt ao seu lado. Ele abriu a porta do carro para o castanho e foi para o lado dele, o abraçando fortemente.

— Alfred, vamos dar uma volta na cidade. Pode ser? – Perguntou Blaine para seu motorista, que respondeu afirmativamente com um aceno de cabeça. – Kurt, fica calmo, você está a salvo e vai ficar tudo bem.

— Obrigado. De verdade. Não sei o que teria acontecido se você não aparecesse. – Kurt estava grudado em Blaine, apertando a camiseta do moreno com certa força, chorando como uma criança.

— Não importa o que teria acontecido, o que importa é que eu estou aqui. Eu já disse, eu não vou deixar nada de ruim te acontecer, ok? – Blaine secou as lágrimas de Kurt, se esticou em direção ao banco da frente e ligou o rádio, deixando uma música invadir o carro. Ele apertou também em um botão que abria o teto solar, deixando Kurt boquiaberto. – Levanta, vem aqui ver as luzes da cidade comigo.

Kurt fez o que lhe foi dito e ficou de frente para Blaine. Era uma vista linda mesmo aquela, ver todas as luzes da cidade acesas, junto com a lua e as estrelas os contemplando. Era maravilhoso. O castanho viu Blaine cantarolando a música que tocava no rádio e sorriu.

— Você canta muito bem. – Elogiou ele, deixando o moreno corado. – Canta uma inteira?

— O que? Não, nem pensar... não vou pagar esse mico... – Blaine disse, mas quase cedeu ao ver aqueles olhos azuis o encarando tão profundamente.

— Por favor, Blaine... – Pediu manhoso, fazendo Blaine rir.

— Ok, espera aí.

Blaine disse e voltou seu corpo todo para dentro do carro, deixando Kurt sozinho com metade de seu corpo para fora. O moreno botou uma música específica em seu celular e o ligou ao rádio do carro, assim o som sairia mais alto e eles poderiam escutar do lado de fora.

I keep a close watch on this heart of mine

(Eu fico atento a esse meu coração)

I keep my eyes wide open all the time

(Eu mantenho meus olhos bem abertos o tempo todo)

I keep the ends out for the tie that binds

(Eu sempre tento não deixar vestígios)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Blaine não podia negar que estava envergonhado por estar cantando na frente de alguém, já que sua única plateia era seu chuveiro, no máximo seus travesseiros. Mas ele se sentia bem de mostrar mais de si para alguém. Ele se sentia confortável com Kurt, se sentia bem ao lado do castanho.

Queria se desculpar pelo que disse naquele dia, mas, pelo olhar do castanho, podia até acreditar que tudo estava certo entre eles. E esperava estar certo, não queria passar mais tempo afastado dele.

I find it very, very easy to be true

(Acho que é muito, muito fácil ser verdade)

I find myself alone when each day is through

(Eu estou sozinho quando cada dia acaba)

Yes, I'll admit that I'm a fool for you

(Sim, eu vou admitir que eu sou um tolo por você)

Kurt se surpreendeu com a escolha da música. Não parecia uma simples música, parecia que Blaine tinha escolhido uma exclusiva para cantar para – e apenas para – ele.

E era verdade. Blaine escolheu aquela música, que era perfeita para criar um clima bom entre os dois, porque era uma letra que condizia com o que ele sentia no momento. Sabia que ainda se apaixonaria pelo castanho, mas sabia que não tinha nada de muito emocionante para oferecer a ele.

Mal sabia ele, que Kurt não precisava de um romance de filme, ele só precisava de alguém que gostasse dele e o quisesse. Um alguém que o fizesse sentir as famosas borboletas no estômago e o fizesse perder o fôlego com poucas palavras. Alguém que fizesse seu coração acelerar quando estivesse por perto, alguém que cuidasse dele. Simplesmente alguém que estivesse ali por ele não importando o que acontecesse.

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Blaine puxou Kurt pela cintura e grudou seus corpos, fazendo um arrepio percorrer pelo corpo dos dois, como se fosse um raio os atravessando. Ambos se encararam ao perceber que os dois tinham sentido o mesmo e ficaram um tanto quanto sem jeito. Kurt escorou sua cabeça no pescoço de Blaine, sentindo o perfume bom que o moreno usava no momento.

O Anderson estava tão confuso consigo mesmo. Kurt era o primeiro garoto que ele desejava e, ao mesmo tempo, não queria avançar em passos muito rápidos. Queria ir devagar, aproveitar cada nova sensação e, o principal, desfrutar daquele novo sentimento que estava o consumindo.

You've got a way to keep me on your side

(Você sabe como me manter do seu lado)

You give me cause for love that I can't hide

(Você me dá motivo para amar, não posso esconder)

For you I know I'd even try to turn the tide

(Por você, eu sei que tentaria até virar a maré)

Kurt levantou a cabeça e encarou Blaine, que sussurrou aquela parte da música em seu ouvido. O moreno voltou a olhar nos olhos de Kurt e parou de cantar a música, puxando o castanho pela nuca e o beijando ardentemente, como se fosse a última coisa que faria em sua vida.

O Hummel correspondeu ao beijo sem nem pensar. Aquela explosão de cores em suas voltas, o ritmo da música que continuava a tocar, as estrelas e a lua os admirando de longe e, o mais importante, seus corpos em sincronia se juntando. Mãos passeando pelo corpo um do outro, suas línguas dançando em sincronia e um sentimento explodindo dentro deles. Um fogo os dominava, uma nova paixão aparecia e seus lábios se juntavam em harmonia.

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Because you're mine, I walk the line

(Porque você é meu, eu ando na linha)

Quando finalmente conseguiram desgrudar suas bocas uma da outra, se encararam ainda com as mãos um no outro e, antes que Kurt pudesse dizer algo ou pensar em qualquer coisa, Blaine já estava o puxando novamente, mas agora para um beijo um pouco mais calmo.

— É horrível ficar tanto tempo longe de você. Me acostumei com sua presença. – Confessou Blaine, ainda de olhos fechados, com sua testa encostada na do castanho.

— Eu também não gostei de ficar afastado. Podemos voltar a nos ver e nos falar, Blaine.

— Eu quero isso, Kurt. Não posso negar que realmente quero muito mais que isso, mas sua amizade já está de bom tamanho, eu acho...

— Só tem uma condição... – Afirmou o castanho, um pouco envergonhado pelo que Blaine tinha dito.

— Que seria? – Blaine finalmente abriu seus olhos e encarou os azuis de Kurt.

— Você precisa me deixar entrar de vez na sua vida... ou seja, você vai deixar que eu te ajude?

Notas finais
Música: https://open.spotify.com/user/onemoreklainer/playlist/6mcIzUVHa9G5MFLGDASWIY Originalmente essa música é do Johnny Cash, mas usei a versão da Halsey que deu um clima melhor. Me digam o que vocês acharam, gosto quando vocês comentam. Gosto de opiniões *-* Bjo ♥