I Can Be The One Tonight

13 I'm Losing Myself Again


Notas iniciais
Boa noite! Espero que gostem ♥

— Kurt, espera. – Blaine gritou, vendo Kurt parar no meio do caminho e o encarar com lágrimas em seus olhos.

— Quando todas as drogas saírem de seu sangue nós conversamos. Agora só me deixa em paz! – Kurt praticamente gritou, o que machucou até o último pedacinho de Blaine.

— Me escuta, eu juro que não queria fazer isso, mas eu...

— Eu pensei que te dar amor fosse o suficiente. Pensei que pudesse te fazer feliz, que pudesse te tirar desses seus vícios, mas você insiste em voltar. Vai dormir um pouco enquanto eu faço o mesmo, por favor. Eu não quero brigar. – Kurt terminou sua frase com mais calma, indo em direção ao seu quarto e batendo com força a porta.

Kurt entrou em seu quarto e permitiu que todas as lágrimas acumuladas agora caíssem por seu rosto e molhassem sua roupa. Queria voltar atrás, ir até Blaine e abraçá-lo, ouvindo ele dizer que tudo ficaria bem.

Mas realmente ficaria tudo bem? Era pouco provável.

Kurt permanecia em seu quarto mesmo duas horas após a quase briga que tivera com Blaine. Estava encolhido em sua cama, chorando e soluçando enquanto abraçava um dos travesseiros de sua cama, aquele travesseiro onde Blaine sempre deitava ao dormir ali. Era bom ficar sentindo o perfume do moreno, mas nem se comparava à sensação de poder abraçar ele, deitar a cabeça no ombro dele e sentir seu perfume bem de pertinho. Aquela sensação nunca poderia ser substituída por apenas a lembrança de sua existência.

Kurt se sentiu mal por Blaine. Ele sabia que, se para ele não era fácil ver Blaine usando drogas, deveria ser mais difícil ainda para o próprio Anderson. Ele provavelmente tinha todos os dias aquela briga interna sobre o certo e errado, ainda mais porque ele sempre pendia para o lado errado achando ser o certo.

O que mais doeu no castanho, foi o fato de que ele e o moreno passaram uma tarde tranquila, se amando sobre a cama de Kurt e, quando o mesmo acordou e foi à procura do seu amor, o encontrou fora de si. Ele não iria conversar com Blaine naquele momento, porque por mais que quisesse abraçá-lo para tentar o ajudar, sentiu uma ponta de raiva e preferiu esperar um tempo.

— Kurt... E-eu... – Kurt ouviu a voz de Blaine e levantou metade de seu corpo para o encarar. – Eu só...

— Deita aqui comigo. – Pediu Kurt, vendo o moreno lentamente se aproximar.

Blaine tirou seu calçado e deitou-se com Kurt, aproximando-se dele e o puxando mais para perto, acariciando seu braço e sua cabeça ao mesmo tempo.

— Eu estou me perdendo de novo, Kurt. Eu não queria que você me visse daquele jeito, mas eu não consegui evitar. É muito mais forte do que eu. – Blaine disse triste e Kurt sentou sobre ele, o encarando. – Era a isso que eu me referia ao dizer que não era bom o suficiente para você. Eu falei que era impossível mudar.

— B... Não estou bravo com você. – Kurt disse e sentiu Blaine sentar ainda com o castanho em seu colo. – Eu fiquei irritado? Fiquei, mas a dor que eu senti por você foi maior. Eu sei que você acha impossível mudar, mas eu ainda quero te ajudar, meu amor. Você precisa apenas aceitar a minha ajuda, aceitar quando digo que você pode mudar e ser feliz.

— Você me faz feliz. – Confessou o moreno. – Mas as drogas... Eu não consigo largar.

— E o que eu posso fazer para te ajudar?

— Você precisa permitir que eu vá embora. – O tom de voz de Blaine diminuiu. – Para não voltar mais. Isso será melhor para nós dois, principalmente para você.

— Não... Você não pode ir embora. – Kurt voltou a chorar. – Você vai ir para onde? Você não pode voltar para a rua...

— Kurt, meu caminho só me leva até a morte. Esse é o meu destino. Eu estou fadado a me matar. Você sabe disso. – O choro de Kurt só se intensificou ao ouvir aquilo. – Não chora, meu amor. Por isso desde o início eu não queria me envolver.

— Mas se envolveu. E se o que você diz é verdade, você se apaixonou por mim da mesma maneira que eu me apaixonei por você. Blaine, eu te amo, por que você não pode simplesmente aceitar a minha ajuda? Me deixa te ajudar. Foi horrível ver você com os pulsos cortados e os olhos vermelhos daquele jeito. Mesmo triste comigo você estava rindo, eu me odiei por ter dormido e ter permitido que você fizesse aquilo consigo mesmo. – Desabafou o castanho, sentindo Blaine o abraçar com força.

— Esse sou eu... Não posso mudar.

— Você está mesmo desistindo? Mesmo depois do que passamos juntos? – Kurt saiu do colo dele, levantando da cama e o observando fazer o mesmo.

— Foi bom enquanto durou. Eu nunca quis te fazer sofrer, mas desde o início avisei que isso aconteceria. – Blaine também chorava nesse momento. – Você me amar deveria ser o suficiente, mas eu não me acho bom o suficiente para retribuir o seu sentimento. Eu não sou a pessoa que você merece, Kurt. Entenda isso. Desista de algo que nem deveria ter começado.

— Seria melhor que você tivesse permitido que eles abusassem de mim e que tivesse feito o mesmo, assim eu teria desistido e nunca teria me envolvido com você. – Kurt estava desesperado. – Essa sua frase de que foi bom enquanto durou só prova que você me queria apenas como uma diversão.

— E você não pode me culpar. – Blaine se alterou. – Porque eu avisei que quando eu conseguisse o que eu queria, eu iria embora.

— Então você está admitindo que só me queria para sexo? – Kurt o encarou incrédulo.

— Eu não disse isso. Se fosse por isso, eu teria ido embora no momento em que tirei sua virgindade. Mas eu não fui. Eu permaneci aqui, porque eu gosto de você. – O moreno diminuiu seu tom, percebendo que não deveria ter o levantado. – Eu vou embora.

— Não... Você não pode... – Kurt só faltou se grudar nele e implorar.

— Eu não quis te fazer sofrer. Me perdoa.

Essas foram as últimas palavras de Blaine, que deu um beijo na testa de Kurt e foi embora, fechando a porta atrás de si e deixando um Kurt aos prantos para trás.

Kurt definitivamente nunca mais queria se apaixonar.

[...]

Blaine andava pelas ruas com seu casaco na cintura e sua mochila nas costas. Lágrimas estavam em seus olhos, escorrendo por seu rosto sem parar, e sua cabeça estava cheia de incertezas. Não foi fácil sair da casa de Kurt após o castanho praticamente implorar para que ele não partisse e tudo piorava por ele saber que não tinha para onde ir.

Foi até um dos becos onde normalmente se escondia com Sebastian, Nick e Jeff e, como já era de se esperar, os três estavam no lugar, rindo alto e falando besteiras.

— Blaine?! – Sebastian levantou depressa do chão, vendo que seu amigo estava chorando e o abraçou, tentando protegê-lo do mal. – Shhh, vai ficar tudo bem!

— Não vai... – Blaine disse cabisbaixo. – Eu quero morrer.

— Não, você não quer verdadeiramente morrer. – Nick se aproximou já falando.

— E para que nós usamos drogas se sabemos que elas vão nos levar à morte? – Blaine perguntou enquanto secava seus olhos.

— Para esquecer dos nossos problemas... para fingir que vivemos em um mundo onde nos damos bem ao invés de viver nesse mundo onde apenas nos ferramos. E morrer até é melhor do que viver da maneira que vivemos. – Jeff se intrometeu.

— Nós escolhemos isso. Vocês não percebem? Todos poderíamos ter permanecido tendo a vida que tínhamos, era bem melhor do que estar na rua, mas cá estamos nós. – Blaine tinha voltado a chorar. – Sebastian, seus pais sempre te amaram e por conta de uma pequena briga você saiu de casa, dizendo que os odiava. Não é fácil para os pais aceitarem que os filhos são gays, mas você viu apenas o seu lado. Eles não te abandonariam se você tivesse permanecido lá.

— E-eu... eu sei. – Sebastian disse cabisbaixo.

— Nick, você saiu de casa porque seus pais se divorciaram. Honestamente, milhares de pessoas passam por isso e não desistem mesmo assim. – Continuou Blaine. – E Jeff, você saiu de casa porque não queria estudar e ainda culpou seus pais.

— Tudo bem, esses foram os nossos motivos. Mas e o seu, Blaine? Por que você veio para as ruas?

— Porque eu sou um idiota e acreditem, eu não me arrependo dessa parte. Meus pais morreram e meu irmão é um idiota, ok, mas essa não é a pior parte para mim. Eu estava bem vivendo mais na rua do que em casa, mas quando eu conheci Kurt, tudo mudou. – Blaine praticamente gritava. – O que eu me arrependo nessa vida é de ter feito com que ele se apaixonasse por mim, porque eu tenho a certeza de que eu o amo e eu só faço mal a ele. Por isso eu quero morrer.

— Você ouviu o que você disse, Blaine? – Sebastian perguntou sem nem acreditar.

— Sim, Sebastian. Eu amo o Kurt!

Notas finais
Amanhã sai o próximo capítulo :) Me digam o que acharam ♥