Notas iniciais
Oii *--* Eu sofri um pouco pra escrever esse capítulo, mas espero que gostem ♥

— Eu estou muito apaixonado por você, Kurt... você não faz ideia do quanto...

Para Blaine, assumir que aquelas palavras haviam saído por sua boca era uma tarefa mais difícil do que de fato tê-las dito, mas agora já era tarde demais. Ele já tinha admitido em alto e bom tom que estava intensamente apaixonado por Kurt. O lado bom, como se bem podia chamar, era saber que o castanho sentia o mesmo por ele.

Kurt o encarou com um brilho cintilante em seus olhos. Não se aguentou e puxou o moreno para um beijo fervoroso, de tirar o fôlego de qualquer um. O beijo era caloroso e os toques de ambos eram quase que impróprios. Pelo que aparentava, a tarde deles seria bem proveitosa.

[...]

*BLAINE ANDERSON*

Encarei o doce menino deitado ao meu lado e senti meu coração palpitar. Sempre tinha essas emoções quando estava ao lado de Kurt. Ele agora estava dormindo tranquilamente e eu estava acariciando seu rosto apenas pensando na vida.

Desde meus quinze anos não foram muitos os momentos onde eu senti uma alegria verdadeira e que aparentava ser duradoura. Eu tive meus momentos, mas não foram o suficiente para eu me sentir realmente completo. A primeira vez que eu experimentei algo diferente, foi na primeira vez que fiquei bêbado. Eu tinha praticamente quinze anos e estava em uma festa de alguém com quem eu costumava estudar, estava lá com Sebastian, Nick e Jeff e nós quatro roubamos algumas das garrafas da festa e tomamos sentados no meio fio.

Era uma noite fria, pelo que bem me lembro, e eu estava um pouco nervoso. Nunca tinha feito algo errado e já comecei roubando bebidas em uma festa, por influência deles, mas ainda assim. Todo mundo pode ser influenciado facilmente, mas temos que resistir e eu, como o bom cabeça fraca que sempre fui, me entreguei às loucuras deles na primeira oportunidade que tive.

O primeiro gole não foi nada demais e por esse motivo eu continuei a beber, junto com eles, é claro. Era quatro e meia da manhã e nós estávamos rindo loucamente na rua, gritando para os estranhos e caminhando por qualquer lugar. Não tínhamos rumo e estávamos tão bêbados que não lembrávamos onde eram nossas casas.

Encontramos Daniel e Hunter no meio do caminho, foi nesse momento que os conheci e acabou que os dois atraíram nós quatro e todos acabamos em um beco, todos bebendo ainda mais. Antes mesmo de amanhecer, cada dois de nós estava em um canto transando. Viram quantas coisas eu fiz em uma noite só? Na mesma noite eu dei meu primeiro beijo, perdi a virgindade, roubei bebidas em uma festa e me embebedei. Fora que eu transei com um estranho, o Daniel.

Sebastian estava com Hunter e Nick estava com Jeff. Por ironia do destino, Nick e Jeff ainda estão juntos e Sebastian nunca mais falou com Hunter. E por sorte, já que Hunter e Daniel conseguem ser mais errados do que Sebastian.

Daniel sempre me via como uma maneira de se divertir, porque depois que eu bebi pela primeira vez, não parei mais e vivia bêbado pelos becos da cidade, era fácil para ele me ganhar.

Menos de dois meses após aquela noite, Sebastian me apresentou maconha e cocaína. Sei que devem ter imaginado que comecei a usar drogas por causa de Hunter e Daniel, mas na verdade quem me apresentou essas substâncias foi Sebastian. Enfim, eu experimentei tudo que tinha direito, e como já era de se esperar, eu me viciei.

Tudo pareceu mudar no instante em que abordaram Kurt, porque eu vi o medo nos olhos dele e, mais que isso, eu vi que ele sentiu medo de mim quando eu me aproximei. Era como se eu conseguisse ler seus olhos. Eu não queria que ele sentisse medo de mim, por isso o mandei correr. Eu nunca teria coragem de machucá-lo, pelo menos não da maneira que Daniel e Hunter iriam. Será que aquilo era uma mensagem do destino me dizendo que eu iria me apaixonar por Kurt?

Toda vez que coloco meus olhos nele eu fico me perguntando o que fiz de bom nessa vida para merecê-lo, mas chego à conclusão de que nunca fiz algo consideravelmente bom. Kurt é simplesmente tudo o que eu sempre sonhei, mas sei que não importa o quanto eu cuide dele, eu nunca o merecerei por completo.

Ele merece alguém melhor que eu. Alguém que possa fazer ele feliz de uma maneira que eu nunca serei capaz. Sei muito bem o que sinto por ele e sei também que ele me ama, como ele mesmo já disse, mas eu sinto que isso não é o suficiente.

O que será que ele faria se descobrisse todas essas coisas que eu já fiz? O que ele faria se soubesse que eu já me vendi para conseguir comprar drogas? O que ele faria se soubesse daquela primeira festa onde eu fui e roubei bebidas? O que ele faria se soubesse que no primeiro momento eu realmente pensei em abusar dele e acabei perdendo a coragem?

Ele me vê como um super-herói, mas eu não sou um herói. Eu sou um monstro e eu não mereço o amor dele. Eu mereço morrer, queimar no inferno. Só isso que eu mereço. Esse deveria ser o meu destino.

Mas como eu pensaria em coisas horríveis quando esse menino doce, incrível, lindo e repleto de amor para me dar está ao meu lado? Quando eu o vejo eu só consigo pensar no quão incrível ele é e no quanto eu ainda vou fazê-lo sofrer. Se ele soubesse de pelo menos um por cento das coisas ruins que envolvem a mim, ele certamente nunca mais olharia para mim.

Me levantei lentamente da cama e peguei minhas roupas pelo chão, as vestindo em seguida. Lágrimas teimavam em cair de meus olhos, eu tinha tanto medo de machucar Kurt. Ele ainda me disse nessa tarde que está feliz por eu ter largado as drogas, mas o que ele faria se soubesse que eu estou sempre sob o efeito de substâncias químicas que só vão me levar à morte?

E se ele soubesse que eu vou me enfiar agora em meu quarto e fazer justamente isso? Será que ele seria capaz de me perdoar? Eu honestamente espero que não. Eu não mereço. Não mereço ele, não mereço que ele me ame, nem mesmo que goste um pouco de mim.

Entrei no quarto e encostei a porta. Andei até a escrivaninha e abri a gaveta, encontrando ali o saquinho que eu tanto procurava e, ao lado, uma lâmina. Era uma briga interna pelo que eu deveria fazer, mesmo sabendo que não deveria fazer nenhuma das opções. Eu deveria voltar para o quarto com Kurt e me deitar lá com ele, mas eu no fundo sabia que talvez não devesse voltar ao quarto.

Mesmo negando com a cabeça e querendo me afogar no primeiro balde cheio de água que encontrasse, peguei ambas as coisas e sentei escorado na cama. Como eu já tinha vestido a camiseta de manga cumprida, levantei a manga e, ainda chorando sem parar, passei a lâmina afiada por minha pele, vendo um filete de sangue começando a escorrer.

Internamente eu sabia o motivo de estar fazendo aquilo. Eu estava me punindo. Me punindo por ser o idiota desprezível que eu sou. Me punindo por estar brincando com o coração de Kurt. Me punindo por não ser forte o suficiente para tomar uma atitude e mudar de vida. Me punindo por todos os erros que já cometi e, ao mesmo tempo, me punindo por saber que nem mesmo a morte poderia consertar meus erros.

Se meus pais me vissem agora, eles iriam desejar a minha morte, porque esse não é o menino que eles criaram. Eles me criaram praticamente como se eu fosse um príncipe e então eu os perdi e tudo desandou. Será que se Cooper tivesse me dado mais atenção as coisas teriam sido diferentes? Será que se ele fosse um irmão mais presente eu não estaria agora a ponto de inalar todo esse pó? Será que eu seria diferente se tivesse tido seu apoio?

Fiz o meu procedimento de sempre... odeio saber que o que faço é errado e odeio mais ainda saber que faço isso sabendo que não é certo. Eu sou doente, sei disso. Ao ver aquele pó simplesmente sumindo, foi como se eu sentisse também meus problemas indo embora. Consegui até mesmo secar minhas lágrimas.

Minha vida é horrível e essa é a única maneira que eu encontro de simplesmente esquecer de todas as coisas erradas que eu já fiz. Como eu já disse, o que eu faço não é um problema. Eu sou um problema.

Vi a porta lentamente se abrir e vi Kurt parado ali com lágrimas nos seus olhos. Aqueles olhos azuis que eu tanto admiro estavam avermelhados e mais do que nunca eu senti que estava sendo partido ao meio. Essa é a sensação de um coração partido? Porque meu coração está doendo de vê-lo triste por algo que eu fiz.

— Kurt... eu... – Tentei falar, mas quando levantei me senti um pouco tonto e isso me interrompeu.

Kurt nada disse e nada fez, ele simplesmente saiu do quarto e fechou a porta. Aquelas lágrimas dele me doeram mais do que se eu novamente perdesse meus pais.

Por que eu fiz isso com ele? Por que eu feri a única pessoa que se importa comigo?

Por que eu sou tão cruel?

Notas finais
Me deu uma dor escrever isso, gente... mas espero que tenham gostado ♥ Me digam ♥ Bjo ♥