I Can Be The One Tonight
8 I Don't Want To Say Goodbye
Notas iniciais
— Não faça isso ser ainda mais difícil, K, por favor. – Blaine apertou Kurt contra si e começou a chorar junto com o castanho. – Eu realmente preciso ir embora, mas eu não quero dizer adeus para você.
— Nesse caso, isso não é um adeus. Apenas um até logo. – Kurt sorriu triste ao se separar de Blaine. – Se precisar de algum lugar, venha para cá sem nem pensar, ok?
— Tudo bem... e se você precisar de mim, sabe o meu número.
— Acho que agora sempre precisarei de você... – Kurt simplesmente soltou, corando em seguida. – Olha só... você não quer ir na minha escola hoje à tarde? Eu tenho aula no coral e vou cantar hoje...
— É melhor não, K...
Kurt assentiu triste. Tinha perguntado para Will há alguns dias se podia levar alguém de fora para assistir aos ensaios do coral e tinha ficado feliz por saber que sim, mas agora de nada adiantava.
Ele tomou seu café da manhã em silêncio após contar para seu pai o que havia acontecido. Estava triste e não negava.
Se arrumou sem vontade para a escola e foi caminhando tranquilamente com seus fones no ouvido. Chegou e logo encontrou Quinn, mas não trocou nenhuma palavra com ela. Não estava com ânimo, tinha medo do que poderia acontecer agora com Blaine. Não se sentia preparado para o que poderia acontecer, nem queria ficar pensando nisso, mas era a única coisa que lhe vinha a cabeça.
No almoço nem se incomodou com os idiotas da escola o caçoando. Seus pensamentos estavam totalmente em outro lugar. Foi andando ainda mais sem ânimo para a sala do coral quando esbarrou em alguém na porta da sala. Olhou para quem era e não acreditou no que estava vendo.
— Você disse que não vinha, idiota. – Kurt deu um leve tapa no braço de Blaine, que abriu um enorme sorriso para ele.
— Eu não disse que não vinha, só disse que era melhor eu não vir... ultimamente não consigo manter minha palavra. Pelo menos não quando o assunto é você... – Blaine corou ao dizer aquilo e foi puxado pela mão para dentro da sala.
Todos ficaram olhando para Kurt e Blaine, mas o castanho não se incomodava. Já Blaine, estava morrendo de vergonha. Logo Will chegou e cumprimentou Blaine, dizendo que o moreno poderia ir ali sempre que sentisse vontade. Kurt não demorou para pedir para cantar e disse para a banda que música cantaria, logo sentando em uma cadeira na frente de Blaine e o olhando fixamente.
Your little brother never tells you but he loves you so
(Seu irmão mais novo nunca te diz, mas ele te ama tanto)
You said your mother only smiled on her TV show
(Você disse que sua mãe apenas sorria em seu programa)
You’re only happy when your sorry head is filled with dope
(Você só está feliz quando sua cabeça está cheia de drogas)
I hope you make it to the day you’re 28 years old
(Eu espero que você chegue ao dia que você tenha 28 anos)
Kurt iniciou a canção tranquilamente, já fazendo um arrepio percorrer todo o corpo de Blaine, que sentiu aquelas palavras o atingirem com força. Com certeza o que mais o atingiu foi a parte de que ele só estava feliz quando estava drogado, por mais que atualmente não fosse essa a sua única fonte de alegria. Kurt tinha conseguido encontrar uma música que fizesse o moreno sentir o que estava de fato acontecendo e agora o mesmo estava a ponto de chorar feito uma criança ali, na frente de todos.
O castanho se preocupava com o bem estar do Anderson e essa era apenas mais uma tentativa – que provavelmente falharia – de fazê-lo entender o que ele mesmo estava fazendo com a própria vida. Kurt realmente esperava que Blaine sobrevivesse até seus vinte e oito anos de idade, porque do jeito que as coisas estavam indo, era bem provável que ele não iria chegar nem aos vinte.
You’re dripping like a saturated sunrise
(Você está pingando como uma luz do sol saturada)
You’re spilling like an overflowing sink
(Você está derramando como uma pia transbordando)
You’re ripped at every edge but you’re a masterpiece
(Está rasgado nas extremidades, mas você é uma obra-prima)
And now I’m tearing through the pages and the ink
(E agora eu estou rasgando as páginas e a tinta)
Kurt colocou a cadeira mais perto de Blaine e segurou sua mão, a acariciando carinhosamente. Foi nesse momento que o moreno desabou e sentiu todas as suas forças se esvaírem junto com suas numerosas e dolorosas lágrimas. Era doloroso ter que se mostrar tão fraco perante tantas pessoas desconhecidas, mas ele estava preocupado com uma única pessoa presente ali.
Ele se perguntava inúmeras vezes o que aconteceu para alguém tão perfeito quando Kurt simplesmente ter aparecido na sua vida, caído em seus braços como o mais puro e mais belo anjo. Chegava a fazer ele se sentir ainda pior, pois sabia que não era merecedor de nem um por cento das coisas boas que Kurt fazia por ele. Ele só conseguia pensar que faria de tudo para proteger o castanho de qualquer coisa ruim que pudesse acontecer, até mesmo daria sua vida por ele se fosse necessário.
Everything is blue
(Tudo é azul)
His pills, his hands, his jeans
(Suas pílulas, suas mãos, seus jeans)
And now I’m covered in the colors
(E agora eu estou coberto com as cores)
Pull apart at the seams
(Separado pelas costuras)
And it's blue, and it's blue
(E é azul, é azul)
Blaine não aguentava mais a tristeza que o dominava, não aguenta mais chorar tanto quanto estava chorando, mas, ao mesmo tempo em que estava triste, estava sentindo uma alegria se aproximar e se alojar em seu peito. Ele estava, pela primeira vez, sendo honesto com alguém, deixando transparecer todas as suas intenções, mesmo que elas não fossem boas.
Ele preferia dizer para Kurt que era do tipo de cara que queria a diversão de uma noite para depois ir embora, do que apenas fazer isso e sumir, porque se preocupava com o Hummel e sabia que ele não se entregaria tão fácil, principalmente para alguém como ele. Alguém com um perfil tão ruim e desastroso quanto o dele certamente não merecia alguém tão incrível e sem igual como Kurt.
Everything is grey
(Tudo está cinza)
His hair, his smoke, his dreams
(Seu cabelo, sua fumaça, seus sonhos)
And now he's so devoid of color
(E agora ele é tão desprovido de cor)
He don’t know what it means
(Que ele não sabe o que isso significa)
And he's blue, and he's blue
(E ele é triste, e ele é triste)
Kurt queria entender cada detalhe do que se passava na cabeça de Blaine, mas se ele parasse para prestar atenção, veria justamente o que se passava: dor. Era tudo o que Blaine sentia. Por esse motivo que ele procurava maneiras inúteis de sentir um pouco de alegria, como passar a noite com um cara aleatório ou se afundar em suas drogas. Aquilo o proporcionava pelo menos alguns minutos de alegria, porém o efeito secundário era péssimo e vinha acompanhado de uma quantidade até exagerada de tristeza.
Se sentia deprimido o tempo inteiro, só pensava no quanto queria que sua hora de partir chegasse em breve. Mas claro que isso mudou depois de Kurt chegar, porque cada momento ao lado do castanho, por menor que fosse, era repleto de alegria. Era apenas felicidade. E Blaine amava aquilo.
You were a vision in the morning when the light came through
(Você era uma visão de manhã quando a luz veio)
I know I’ve only felt religion when I’ve lied with you
(Eu sei que só senti religião quando estava deitado com você)
You said you’ll never be forgiven till your boys are too
(Você diz que não será perdoado até seus amigos também serem)
And I’m still waking every morning but it’s not with you
(E eu ainda acordo todas as manhãs, mas não é com você)
Blaine pegou a si mesmo pensando mais de uma vez se tinha a possibilidade de estar se apaixonando por Kurt e sempre chegava a triste conclusão de que era muito provável que sim. E aquilo o assustava. Tinha medo de estragar tudo sem nem tentar, mas ficar sozinho sem admitir seus sentimentos, fingindo ser uma pessoa sem coração, parecia uma ideia muito melhor e menos dolorosa do que simplesmente falar para o castanho sobre o que pensava estar sentindo e acabar estragando tudo.
Ficar sozinho era melhor, ainda que não conseguisse se afastar do Hummel por muito tempo. Ele sentia falta e sabia que precisava ver aqueles olhos azuis para lembrar do seu propósito de vida. Nunca foi muito sonhador ou ambicioso, mas a ideia de voltar a estudar e ser alguém que merecesse Kurt parecia o melhor plano para seguir daqui para frente.
You’re dripping like a saturated sunrise
(Você está pingando como uma luz do sol saturada)
You’re spilling like an overflowing sink
(Você está derramando como uma pia transbordando)
You’re ripped at every edge but you’re a masterpiece
(Está rasgado nas extremidades mas você é uma obra-prima)
And now I’m tearing through the pages and the ink
(E agora eu estou rasgando as páginas e a tinta)
Já Kurt agora apenas imaginava no quanto ainda queria ajudar Blaine e no quanto ele já estava totalmente entregue ao moreno. Queria fingir que não, dizer que não, convencer a si mesmo que não, mas era tudo impossível, porque não era verdade. Ele estava apaixonado por Blaine, perdidamente, e não conseguia negar isso para si mesmo e era provável que até Blaine já soubesse disso.
Mas o moreno não sabia, porque não se achava bom o suficiente para alguém um dia sentir algo tão forte, puro e lindo quanto amor e paixão. Desejo? Isso era fácil de alguém sentir por ele, modéstia parte. Mas amor? Paixão? Interesse de começar um relacionamento verdadeiro e fiel? Ninguém nunca iria querer isso com ele, pelo menos era isso o que ele pensava.
Everything is blue
(Tudo é azul)
His pills, his hands, his jeans
(Suas pílulas, suas mãos, seus jeans)
And now I’m covered in the colors
(E agora eu estou coberto com as cores)
Pull apart at the seams
(Separado pelas costuras)
And it's blue, and it's blue
(E é azul, é azul)
Quem dera ele soubesse o quão errado estava, porque tinha um castanho de olhos azuis que o admirava, especialmente por sua coragem de ainda não ter se matado. Mas aquilo não era algo admirável, porque não era uma coisa de verdade. Se não era para se matar, Kurt pensava que ele usava tantos entorpecentes por que, então? Para se divertir? Para testar algo científico?
Por mais que uma parte fosse por querer se sentir alegre e fora do mundo por breves momentos, outra parte era sim para encurtar sua vida de uma maneira mais lenta. Não queria acelerar o processo tão velozmente, mas que não queria viver tanto tempo, isso era verdade.
E agora sua perspectiva havia mudado, não queria viver em um mundo onde não existisse Kurt. Não queria.
Everything is grey
(Tudo está cinza)
His hair, his smoke, his dreams
(Seu cabelo, sua fumaça, seus sonhos)
And now he's so devoid of color
(E agora ele é tão desprovido de cor)
He don’t know what it means
(Que ele não sabe o que isso significa)
And he's blue, and he's blue
(E ele é triste, e ele é triste)
Kurt continuava a segurar as mãos geladas de Blaine, soltando algumas lágrimas, as quais Blaine não poupava há tempos. Kurt ficava se perguntando se aquilo faria o moreno melhorar ou se faria ele cortar os próprios pulsos, porque a maneira que ele estava chorando e soluçando, mostrava que ele não estava nada bem.
O castanho ainda tinha medo sobre o que poderia acontecer, mas queria mostrar que permaneceria ali com Blaine, não importando o que pudesse ainda vir a acontecer. Ele queria mostrar que queria ajudar, mostrar que estava presente e que continuaria presente. Queria, em primeiro lugar, ser amigo do moreno e lhe mostrar estabilidade e amizade. Outras coisas poderiam acontecer depois, é claro. Mas no momento era isso.
You were red, and you liked me 'cause I was blue
(Você era vermelho e você gostou de mim porque eu era azul)
But you touched me, and suddenly I was a lilac sky
(Mas você me tocou e de repente eu era um céu lilás)
Then you decided purple just wasn’t for you
(Então você decidiu que roxo simplesmente não era para você)
Agora sim Blaine se encontrava destruído sentimentalmente. Vulnerável como uma criança exposta, deprimido como se alguém tivesse morrido. Kurt tinha encontrado seu ponto fraco, tinha encontrado sua vulnerabilidade. E tudo isso se deu ao fato de Kurt ter cantado aquela simples estrofe.
Blaine era vermelho, gostava de Kurt porque ele era azul, mas se esse era o caso, então ele definitivamente amava roxo e agora o moreno estava percebendo que Kurt talvez pudesse estar dizendo, indiretamente, que gostava dele.
E se esse fosse o caso, ele estava ferrado, porque não podia seguir com isso. Se seguisse, estragaria com tudo, porque era só isso que ele sabia fazer.
Everything is blue
(Tudo é azul)
His pills, his hands, his jeans
(Suas pílulas, suas mãos, seus jeans)
And now I’m covered in the colors
(E agora eu estou coberto com as cores)
Pull apart at the seams
(Separado pelas costuras)
And it's blue, and it's blue
(E é azul, é azul)
Kurt agradecia por estar finalmente terminando aquela música, porque seu coração estava começando a doer de ver tanto sofrimento estampado nos olhos de Blaine. Sentia que era uma parte de si próprio que estava ferida, que um buraco estava em seu peito e estava aberto para todo mundo ver. Se colocou no lugar do moreno e viu que ele estava mais do que sofrendo, estava a ponto de ter um surto.
E ele definitivamente não queria imaginar Blaine tendo esse surto na rua no meio da noite, porque não ia terminar bem. E se o moreno usasse tanta cocaína que chegasse ao ponto de ter uma overdose? E se o moreno ficasse tão doido e saísse andando por aí e fosse violentado? E se ele se atirasse na frente de um carro? E se ele simplesmente se matasse?
Não, aquilo não podia acontecer. Ele tinha que encontrar uma maneira de proteger Blaine, de estar em todos os momentos ao seu lado, provando a ele o quanto a vida dele vale a pena ser vivida e o quanto ele quer que o moreno esteja ao seu lado.
Everything is grey
(Tudo está cinza)
His hair, his smoke, his dreams
(Seu cabelo, sua fumaça, seus sonhos)
And now he's so devoid of color
(E agora ele é tão desprovido de cor)
He don’t know what it means
(Que ele não sabe o que isso significa)
And he's blue, and he's blue
(E ele é triste, e ele é triste)
A música acabou e tudo que se escutava era o choro com soluços de Blaine, que mal conseguia respirar. Kurt levantou e aproximou-se mais e isso fez o moreno levantar-se para abraçá-lo com todas as suas forças, até mesmo aquelas que não estavam no momento com ele.
— Tem certeza de que não quer ajuda? – Kurt reforçou aquela pergunta, que já havia feito tantas vezes.
— Eu quero mudar, quero fazer isso por você. – Afirmou Blaine, ainda com o rosto encaixado no pescoço do castanho.
— Você tem que mudar por você mesmo, não por mim. – Blaine levantou a cabeça e encarou Kurt. Todos os olhavam com lágrimas nos olhos, até mesmo o professor, que agora se encontrava demasiadamente preocupado com os meninos.
— Não, porque eu não faço nada de bom para mim mesmo. A única pessoa que me faz feliz é você, então você merece que eu mude. Eu mesmo não mereço. – Confessou o moreno, sendo abraçado novamente.
O restante daquele dia passou tão rápido quanto um flash. Will disse que Blaine poderia voltar sempre que tivesse vontade; Kurt passou o dia enfornado em seu quarto pensando em Blaine; o Anderson passou o dia com Sebastian, fumando e falando besteira.
Quando a madrugada fria chegou, Kurt estava debaixo de suas cobertas pensando onde Blaine poderia estar e se ele estava com frio ou fome. Sentiu um vento um pouco forte e gélido invadir seu quarto, antes que pudesse se virar para conferir, o vento parou e uma pessoa se enfiou debaixo de suas cobertas consigo, o abraçando fortemente.
— Blaine?! – Perguntou o castanho, não podendo negar que sentiu um pouco de medo.
— Desculpa invadir seu quarto, mas eu precisava ver você. – Kurt se virou de frente para o moreno e o encarou com um pequeno sorriso.
— Não precisa se desculpar, eu disse que poderia vir sempre que quisesse. Só que meu pai vai nos matar se acordar e ver nós dois deitados juntos... – Kurt riu.
— É um risco que vou precisar tomar, porque eu não me vejo saindo do seu lado agora. Além do mais, é só por essa noite, depois eu...
— Se vira sozinho? Vai ficar sempre nessa agora? – Kurt revirou os olhos e Blaine riu.
— Você nem me deixou terminar, apressado. – Blaine colocou sua mão no rosto de Kurt e o acariciou. – Eu ia dizer que depois disso, depois de hoje, eu aceito o quarto que você me ofereceu. Pelo menos por enquanto.
Kurt não aguentou a alegria que o invadiu naquele momento e beijou Blaine com um sorriso brotando em seus lábios. Ele finalmente estava conseguindo quebrar o gelo que tinha no coração do moreno e, mais que isso, estava fazendo ele enxergar que tem muito mais coisas para fazê-lo feliz do que aquelas que o fazem feliz porém podem matá-lo.
Há muito mais para ver e fazer. Há um novo romance para ele viver e não importa se é um conto de fadas, se é algo épico ou se é algo simples e bom o suficiente para alegrar os dois.
A única coisa que importa é eles ficarem juntos.
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