Notas iniciais
Ana Malfoy e Smurfette, muuuito obrigada por favoritarem. Também quero aproveitar e agradecer os maravilhosos reviews e aos elogios. Vocês são os melhores leitores do mundo

Chegando ao porão, abri a porta lentamente, enquanto Potter e o Weasley voavam em minha direção.

– Mentirosa sangue-ruim! Diga a verdade. Como entrou no meu cofre? – um arrepio passou por minha coluna, acompanhado de outro grito terrível vindo dela. Meus joelhos fraquejaram mais uma vez. Cai ajoelhado no chão, em frente a cela enferrujada. Minhas mãos voaram até meus ouvidos, enquanto minha visão embaçou.

– HERMIONE! – o ruivo estava gritando, pude vagamente perceber.

– Me diga o que mais pegou sujeitinha nojenta, ou eu juro que vou enfiar essa faca em você! – eu podia enxergar Bella aproximando o rosto do meu, quer dizer, do dela. Meus olhos involuntariamente começaram a lacrimejar.

Hermione, eu não posso. Eu não posso.”

“Você pode Draco. Por mim.” Seus olhos estavam marejados, no entanto eram determinados.

“Eu vou te perder. Eu posso te salvar, vamos fugir.” A dor novamente atravessou meu corpo, mais forte do que antes, como uma avalanche, enquanto eu conseguia ver através de seus lindos olhos, Bella se aproximou, a ponta da faca lentamente começou a rasgar a pele alva de Hermione. Meu coração estava partido, e eu não sabia como lidar com aquilo. Eu precisava salvá-la.

“Por favor, Draco. Vá, faça o que tem que fazer. E então sim eu o amarei para sempre. A gente vai ficar juntos. Eu sei disso.” As palavras dela me rasgaram por dentro. Algo pior do que eu jamais sentira.

Me perdoe por tudo.” Fechei meus olhos brevemente, para então os reabrir e me esforçar sobre meus pés. Ergui minha varinha apontando para a cela.

– Para trás, eu quero somente o Grampo aqui. – minha voz soou tremida, o tom imperativo que eu desejava se perdendo no caminho.

– Como tem coragem de ver isso e não fazer nada? – sibilou Potter em minha direção. Balancei minha cabeça negativamente.

– Como conseguiu entrar no meu cofre? – Hermione gemeu quase incoerente. – CRUCIO!

Mais gritos preencheram a casa, o Weasley caiu sobre os joelhos se balançando.

– Aquela megera vai mata-la, precisamos sair daqui! – o garoto parecia a beira das lágrimas.

– Como pode ouvir isso e não fazer nada? – Potter agora se aproximava de mim.

– É o que ela quer. – sibilei entredentes. Minha cabeça latejando mais do que eu imaginava ser capaz de suportar. O sofrimento dela passando em ondar pelo meu próprio corpo. E eu queria aquela dor. Por mais masoquista que eu estivesse sendo eu precisava daquela dor, eu precisava passar por aquilo junto dela.

– Como pode saber? – Potter parecia prestes a avançar em mim.

– Cadê o maldito duende? – perguntou meu pai ao longe.

– Eu sei. – puxando o duende comigo me virei e sai da sala, tentando não sucumbir a dor que invadia meu corpo e minha mente. Deliberadamente deixei a grade aberta, dando um olhar significativo para o Potter. Ele me olhou surpreso.

– Ela te obrigou. – de repente Potter me olhou como se ele subitamente tivesse entendido algo. – Hermione. – a última palavra foi um sussurro.

Eu nunca soube dizer como eu obriguei minhas pernas se mexerem e voltar para aquela sala, acompanhado do duende.

Chegando a sala foi possível ouvir um barulho vindo do sótão, como se alguém tivesse desaparatado. Franzi a testa confuso. O que eles estariam aprontando afinal?

– O que foi isso? — meu pai estava novamente me olhando – Você deixou a porta aberta?

– Não. – tentei dar meu melhor olhar de escarnio.

– Chame Rabicho! Faça-o dar um jeito nisso.

E então fui ao hall, chamar o maldito da mão brilhante, enquanto eu rezava internamente para a dupla ser mais esperta, junto dos demais amiguinhos, para conseguirem fugir. Eu nada podia fazer melhor que isso, e se fosse o caso eu os deixaria e fugiria com a Hermione. Então voltei a sala rapidamente.

– Você está bem? – sussurrou minha mãe quando me dirigi a seu lado. Só agora eu percebera o quão embrulhado meu estomago estava. Balancei minha cabeça quase que imperceptivelmente para ela. Ela suspirou baixinho e suavemente apertou minha mão.

Fechei bem meus lábios, tentando evitar o suspiro amargurado que estava preso em minha garganta ao sentir uma nova pontada de dor emanando por meu corpo, quando Hermione mais uma vez fora torturada.

– E então? A espada? Ela é verdadeira? – perguntou minha tia, num tom desesperado que eu acreditava nunca ter visto.

– Não. – respondeu tranquilamente o duende. – É falsa.

– Certeza disso? – perguntou ela quase que soando aliviada. E com a confirmação do duende ela sorriu, um sorriso próprio dela. – Então agora podemos chamar o Lorde...

Bella ergueu a manga da capa e tocou com seu dedo longo e fino em seu antebraço, onde a marca negra desenrolava-se na forma de uma caveira cuja língua era uma cobra. Não pude deixar de me arrepiar.

– E o que faremos com a sujeitinha aqui? Se quiser, pode leva-la Greyback. – o homem logo a esquerda sorriu maliciosamente, enquanto abria e fechava a boca para morder o ar. Então sua mão lentamente deslizou em direção a suas calças, numa indicação explicita. Meu sangue ferveu.

Meu estomago afundou e inconscientemente dei um passo a frente. As mãos fechadas em punhos do lado de meu corpo. O sorriso maligno de tia Bella estendia-se por seu rosto como uma mascara de crueldade e morte. Antes que eu pudesse dar mais passo, barulhos vindos do porão vieram em minha direção.

E então, para a surpresa de todos, Rony apareceu empunhando a varinha de Rabicho. Sem perder tempo o garoto gritou um feitiço de desarmamento em direção a Bella, enquanto Harry se adiantava e pegava a varinha dela. Meu coração mais uma vez disparou naquela noite, mas agora era esperança. Ela poderia sair bem, mas eles precisavam ir antes dele chegar.

Estupefaça! –Potter gritou, atingindo meu pai na altura do peito. Então eu ergui minha própria varinha e direcionei contra Potter, gritando o mesmo feitiço de volta, no entanto errando por centímetros propositalmente.

E então tudo ficou em câmera lenta.

– Parem ou ela morre! – gritou Bella.

Virei lentamente em direção da voz, enquanto via uma inconsciente Hermione ser segurada contra o corpo de Bella. Uma faca apertada contra sua garganta. Eu podia ver um filete de vermelho escuro descendo por seu pescoço. Bile subia por minha garganta, eu estava achando impossível segurá-la.

Hermione!” chamei, mas ela não respondeu. “Hermione, acorda. Por favor!” eu olhei em direção a dupla, ambos pareciam em estado de choque, escondidos atrás do sofá. Olhei para o lado para então ver minha mãe desabada no chão. Por mais que eu quisesse fazer algo, meu corpo estava petrificado no lugar.

– Joguem as varinhas ou ela morre. Vamos ver o quão sujo é o sangue dela. – ela riu, mostrando seus dentes negros.

– Tudo bem. – disse Potter, para meu alivio, rolando as varinhas pelo chão.

– Fiquem tranquilos. Logo o Lorde chegará e acabará com isso. – continuou Bella. – Draco, pegue as varinhas.

Meus pés pareciam feitos de chumbo, eu não conseguia movê-los. Naquele momento, eu sentia medo, de uma forma que eu nunca sentirá antes. “Por favor Hermione, esteja viva. Por favor, não morra. Não morra por mim.”

– Não seria melhor amarrarmos até o Lorde chegar? Pegue-os Ciça. – sussurrou Bella para mamãe. – Se mexa Draco. – sibilou ela, olhando para mim como se não me reconhecesse.

E então, quando dei o primeiro passo um barulho estranho soou logo acima de Bella. Sobre o candelabro estava despencando, logo em cima das duas mulheres. Como única alternativa Bella se jogou pro lado, fugindo por um tris de ser atingida, no entanto Hermione não conseguiu escapar, estando inconsciente. No caminho, Grampo também fora atingido, ainda com a espada em mãos.

E então eu vi Dobby. O tão judiado Dobby estava ajudando a salvar minha menina. Eu não merecia isso dele, não depois de tudo que ele sofrera nas mãos de meu pai... e minhas.

– Draco! – gritou minha mãe para minha surpresa. Foi então que percebi que havia algo errado comigo. Levei minha mão ao meu rosto, sentindo uma ardência que não estava ali antes, senti algo pontiagudo preso em meu rosto. Sem pensar duas vezes agarrei o objeto e o puxei, olhando para minha mão, consegui ver um pedaço grande de cristal embrulhado no meu sangue.

Aproveitando a deixa, Potter virou-se para mim e correu em minha direção, puxando as varinhas, que estavam em minha mão livre para si. Eu quase que sorri com a situação, eu perderia minha varinha e de dois desgraçados comensais em troca da vida de Hermione. Era justo. Mais do que justo.

– Obrigado. – eu nunca saberia se eu tinha imaginado aquilo, ou se Potter realmente o dissera. Mas a surpresa me invadiu, bem como gratidão. O Weasley estava arrastando Hermione dos destroços enquanto Dobby ia em sua direção, seguido de Potter. Eles fugiriam à tempo.

Você!­ – sussurrou mamãe ao ver Dobby.

– Mate-o Ciça! – gritou Bella, assim que se recuperou do susto, sua faca apontada em direção ao grupo que estava a se ajeitar. – Não deixe-o fugir com Potter.

Quando minha mãe ergueu a varinha, tão logo ela voou de suas mãos com um clique vindo das mãos de Dobby. Alivio começava a inundar meu peito. Eles fugiriam, eles conseguiriam.

– Você nunca machucará Harry Potter! – foi estranho ouvir novamente a pronuncia errada de Dobby. Eu nunca teria palavras para agradecer àquele elfo.

– Como você tem coragem? – sibilou Bella. – Como pode trair seus mestres dessa maneira?

– Dobby não tem mestres! – gritou o pequenino de volta, seu corpo arqueando-se, seu olhar transmitia ira. – Dobby é um elfo livre! – bradou a plenos pulmões. Pela primeira vez eu senti orgulho dele. Me arrependendo por tê-lo feito sofrer tanto. O que Toffe pensaria se ela soubesse o que eu já havia feito passar o pequeno elfo?

– Rony! – Potter jogou uma varinha para o ruivo e então correu socorrer Grampo enquanto Dobby lidava com o resto. E então todos se reuniram ao centro da sala e com um olhar de determinação, Dobby segurou-os e começou a aparatar.

Eu não podia acreditar. Ela iria ficar bem. Ela iria ficar bem. Ela iria ficar bem. Me repeti pelo menos 5 vezes, como um mantra. Fé era tudo que eu sentia. “Você vai ficar bem. Eu te amo.” Disse baixo para mim mesmo e para ela, mesmo sabendo que ela não poderia me escutar.

Seus corpos começaram a se transformar numa sombra difusa e então novamente o mundo girou em câmera lenta.

Enquanto eu observava a cena, Bella lançara sua faca em direção ao grupo. Por um breve momento eu achei que a faca não chegaria e então com um som de tecido rasgado pude ver sangue escorrer diretamente da altura do coração do elfo. Escutei, mesmo que abafadamente, o grito incontido de satisfação de Bella por ter atingido o alvo. Simultaneamente ouvi um clique de desaparatação do grupo e um clique mais distante, vindo do hall de entrada.

A passos lentos Voldemort adentrava a sala, ao seu lado Nagini, sua fiel cobra. Uma aura sombria penetrou a sala, deixando-a ainda mais obscura, se é que fosse possível. Um arrepio nada bem-vindo passou por todo meu corpo, fazendo-me tremer. Pela primeira vez naquela noite eu pude perceber a dor se esvaindo de meu corpo e me regozijei na sensação, sabendo que aquilo significava que Hermione também estava melhor.

E então a dor de meu rosto finalmente se mostrou presente, uma vez que todas as outras foram ignoradas. Eu podia sentir o sangue escorrendo por minha bochecha.

– O que aconteceu aqui? – perguntou ele com sua cara de caveira. Seu olhar caindo sobre a bagunça da sala.

– Potter. – sussurrou Bella.

– Potter?! – a voz do homem subiu algumas oitavas. – Onde ele está?

– Acaba de fugir. – Bella parecia se encolher diante da fúria do homem.

–*-*

Bem, não sei que dia é, mas sei que faz exatamente duas semanas desde que Hermione conseguiu fugir. Não escrevi antes porque o caos instalado pela mansão desde esse fatídico dia foi quase catastrófico.

Ficou decidido que eu não voltaria a Hogwarts para poder ajudar na mansão. O lorde viera com sua fúria total com todos da casa. Pudera, deixaram o Potter fugir. Alias, mais especificadamente quem o deixara fugir fora eu, mas por incrível que pareça eu fui o único que se salvou da fúria. Afinal eu ganhara respeito com a tal cerimonia da marca. Hermione me salvando mais uma vez... eu nunca saberia demonstrar minha gratidão por ela ter entrado em minha vida.

E por que estou tão tranquilo? Porque apesar da distancia e do esforço e energia necessários para essa comunicação estranha que eu e Hermione desenvolvemos ela conseguira me avisar que estava tudo bem. Ela conseguiu me dizer que me amava. E realmente foi isso. Não tive tempo nem de responder de volta antes da nossa ligação mental sumir.

Writer’s pov

– Mas o que...? – Hermione arregalou seus olhos de maneira surpreendida enquanto via Ariana, a do quadro, guiar Neville por um túnel em suas direção.

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(N/A: capítulo e alguns diálogos baseados no capítulo 23 — HP e As Relíquias da Morte — da linda tia Jô)

NOTAS FINAIS: como podem ver, a fic está perto do fim... cheguei a conclusão que tenho que parar de me estender ou eu nunca vou terminá-la. Estou pensando na possibilidade de criar uma nova Dramione, como se fosse uma continuação dessa... o que acham?

Notas finais
E aí? (Sei lá, acho que to sentindo a Mari me matar a distância...) (PS:E eu amei tuas mensagens Thalia coisa linda, mas tava sem créditos pra responder =[ )