I Bet I'll Get You Hermione
41 Capítulo 41
Notas iniciais
– Eu a vi no caldeirão furado com os Weasleys! – pude ouvir meu pai. – É ela, não é Draco? Hermione Granger?
A menção de meu nome, lindos olhos castanhos, brilhantes por lágrimas contidas, me olharam. Seu rosto estava sujo, seu peito erguia e baixava rapidamente. Eu não conseguia parar de olhá-la. Minha respiração entrava difícil por meus pulmões. Meu coração doía contra meu peito. Meu maxilar estava travado. Foi com muita dificuldade que desviei o olhar dela, para responder para meu pai.
– Olha a foto do profeta! – disse Scabior, tirando um recorte de jornal do bolso e mostrando a meu pai. Ali mostrava uma foto de Hermione como amiga fugitiva/sangue-ruim do Potter. Eu podia sentir meu rosto ficar ainda mais pálido que o normal.
– Então esse deve ser o amigo do Potter, o Weasley. – olhei brevemente para o rosto de meu pai, que se abriu num sorriso glorioso. Meu estomago afundou. – Não é Draco?
Voltei a olhar para Hermione, seu rosto não demonstrava nada para mim. Sua expressão era um painel em branco, seus olhos nada tinham para me dizer agora. No entanto, se eu pudesse ver minha expressão eu posso ter certeza que era possível ler o desespero em meus olhos.
– É, Talvez. – minha língua parecia estranha em minha boca, as palavras não saiam como deviam. – Pode ser.
– O que é isso Ciça? – pronunciou-se por fim tia Bella. – Então é verdade? Pegamos o triozinho? – o rosto de minha tia se transformou numa máscara horrenda de satisfação.
Tia Bella ergueu a manga de sua capa. Seu rosto beirava a loucura, ela mordia a língua com os lábios entreabertos, seu dedo estava a caminho de sua cicatriz no antebraço, quando Lúcio segurou-a.
– Eles estão em minha casa, eu que o chamarei. – exclamou meu pai de forma lívida, já erguendo sua própria capa.
– Desculpe senhor Malfoy, — a ironia estava implícita na voz de Greyback. – Mas acredito que fui eu que os encontrei.
Me desliguei da conversa e concentrei todas minhas forças naqueles olhos castanhos. Olhos que jorravam desespero. Eu tentava encontrar aquela nossa ligação, a mesma que me fizera ir até ela, mas não vinha nada. “Hermione.” – chamei pelo que parecera a milésima vez.
Eu não entendia, aquilo já havia funcionado antes. Era uma via de mão dupla. Eu só entraria se ela deixasse. A única razão para eu não falar com ela seria ela mesma. Seria possível que ela estava me ignorando? Eu podia sentir o que eu havia comido mais cedo se revirar em meu estomago. Ela não me perdoaria nunca depois de hoje. Enquanto eu me mantive em meu estupor em encarar Hermione, vi um raio vermelho passar e olhei apavorado Scabior cair no chão enquanto tia Bella apontava furiosamente com a varinha em direção de Greyback enquanto a mão apontava para algo além: a espada de Gryffindor. Aquilo finalmente prendera minha atenção. Olhei aturdido.
– Onde você arrumou isso? – a voz de minha tia parecia se propagar pelas paredes sombrias da nossa sala. E então mais baixo agora continuou ameaçadoramente — Isso foi enviado à Gringotes sobre a supervisão de Snape.
– Estava com eles. – disse Greyback de forma mordaz. – Agora liberte-me.
Antes que eu pudesse raciocinar direito o lobisomem se encontrava quase que inconsciente atrás do armário de carvalho. Já tia Bella andava em direção ao Weasley e a Hermione.
– E você Draco, leve essa escória lá para fora, se não tiver coragem de o matar. – sorriu com seus dentes podres de forma irônica em minha direção.
– Não ouse falar com meu fil... – começou mamãe.
– Você não vê a gravidade da coisa Ciça? – tia Bella começou a andar nervosamente. – Se esse for o Potter temos que mantê-lo vivo... – voltando a sussurrar. – Se essa for mesmo a espada, nós temos graves problemas... graves problemas.
Enquanto minha mãe e a tia discutiam voltei a encarar Hermione, cuja olhar estava direcionado para a parede logo a minha esquerda. Eu não conseguia entender. Eu não podia entender. Por mais errado que eu estivesse, por que ela estava me ignorando? Eu precisava falar com ela.
– Espere... — gritou tia Bella, sua voz baixando uma oitava conforme sua voz se tornava num sussurro malicioso. Voltei a prestar atenção nela. – Leve todos, menos a sangue-ruim. Tenho algo a tratar com ela. – Greyback olhou em direção a morena e soltou um uivo que era pura satisfação.
– Não! – gritou o Weasley. Seus olhos eram puro terror em direção a Hermione. – Eu fico, você pode me ter no lugar dela. – seus olhos estavam marejados. -Trinquei meus dentes. Até mesmo aquele nojentinho podia defende-la, até mesmo já a tivera em publico. E por um momento esse pensamento me enoja. Será que eles estavam juntos agora?
– Não se preocupe. Se ela morrer eu te chamarei. – ela olhou-o com desprezo. – Logo depois de sangues-ruim vem traidores do sangue como a pior escória que existe para o mundo bruxo. – O ruivo começara a tremer descontroladamente, enquanto era empurrado em direção ao porão, junto de Potter. — E leve logo essa imundície daqui Draco!
Lançando um ultimo olhar em Hermione, que ainda me ignorava levitei o corpo até a saída da casa, largando-o de qualquer jeito logo além das escadarias de entrada. Voltei então a passos ritmados, controlando meu corpo para não correr. E foi então que ouvi e senti. Estanquei no lugar, com meu batimento forte contra meu ouvido ensurdecendo-me e a dor em minha cabeça cegando-me .
– NÃO MINTA PARA MIM SANGUE RUIM! – Pude escutar a voz de Bella gritando tanto do lado de dentro da mansão quanto na minha cabeça.
– ARGH! –gritei junto de Hermione, do lado de dentro daquela sala. Meus joelhos cederam contra o chão e tentei manter minha sanidade, alimentando aquela conexão involuntária. – Hermione. – sussurrei. Minhas mãos foram para minha cabeça, apertando-a, tentando diminuir aquela pressão.
“Draco” – foi como um sussurro, mas eu escutei, sua voz era chorosa. Eu podia sentir a dor agonizante do Cruciatus sendo lançado sobre ela, no entanto eu não compartilhava os pensamentos dolorosos.
A dor irrompia por mim como o céu sendo despejado em minhas costas, mas lutei para me manter sobre os pés e caminhar em direção a sala, eu iria ajuda-la, nada no mundo me impediria. Chegando na sala a dor diminuiu, e então eu vi a cena. Bella sobre uma Hermione esparramada no chão. Lágrimas traçavam listras claras no rosto sujo de Hermione. Mais uma vez naquela noite meu coração parou. Estendi minha mão até o bolso de minha capa quando senti minha mão estancar. Meus olhos arregalaram-se em minha face. Mas o que estava acontecendo? Mais uma vez tentei pegar a varinha, sendo parado como se por uma mão invisível no ato.
Pude perceber um suave acenar de cabeça de Hermione.
“Mi, o que está fazendo?”– minha voz era de puro desespero até mesmo para minha mente.
“Não seja estúpido.” – sua voz era fraca, mesmo sendo mental e mesmo vendo sua cara de tortura em minha frente suas palavras eram exigentes de uma maneira que só ela sabia ser. “Não arrisque sua vida por mim, você tem que ajuda-los” – sua voz tremeu enquanto Bella chutava seu braço. Meu corpo retesou. “Você ainda tem tempo. Ajude meus amigos. Você não pode enfrentar sua família.”
“Não! Você está errada!” –gritei para ela de volta. Minhas mãos fechadas em punhos dentro de minha capa. “Me deixe ajuda-la Hermione! Eu não sou nada sem você. Sou apenas uma sombra do que eu posso ser se eu não estiver ao seu lado. Eu não quero voltar a ser como antes. Só você pode me salvar. Sem você eu...” — por um momento achei que eu havia recobrado meus movimentos, só para então perceber que o braço que me segurava só se tornara mais forte.
“Você não vai voltar a ser como antes, porque você é bom. Bom a ponto de fazer o que estou pedindo.” – pude ouvir um gemido escapar entre seus lábios enquanto tia Bella mais uma vez lançava um crucius nela, dessa vez por Hermione não responder. A culpa invadiu meu corpo, enquanto meus joelhos teimavam em querer ceder mais uma vez ao precipício devido a dor que se espalhava por meu corpo. “Por favor.” sua voz não passou de um sussurro em minha mente, enquanto meus ouvidos podiam ouvir seus gritos, gritos de dor que ultrapassavam qualquer coisa que eu já ouvira. Gritos que me petrificavam por dentro enquanto mil facas perfuravam meu ser.
– Como você entrou lá? Como conseguiram? – gritava Bella descontroladamente.
– Nós encontramos ela essa noite! – a voz de Hermione tinha um tom de imploração. — Nós nunca entramos em seu cofre. É impossível! É uma cópia. – choramingou ela enquanto seus dedos eram esmagados pela sola do sapato de minha tia
– Uma cópia? – gritou incrédula a mais velha!
– Simples. – virei para olhar meu pai, que eu não havia reparado estar ali até então. Finalmente meus movimentos estavam voltando, na mesma medida que as forças de Hermione se esvaiam. Meu estomago embrulhou. – Chame o duende Draco. Ele vai saber nos dizer se a espada é ou não verdadeira.
Sem minha autorização meus pés começaram a andar.
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