Notas iniciais
Capítulo novo... Espero que gostem! Boa leitura...

PDV ARIZONA

Devia ter colocado uma blusa mais quente, como sempre o tempo nessa cidade muda instantaneamente, a garoa fina cai sobre meu corpo enquanto espero a ambulância chegar para buscar a equipe que o chefe Webber formou para irmos para o local do acidente. Na minha equipe estava Meredith, Teddy e Alex.

–Arizona como foi ontem a balada?- me pergunta Teddy. — Pelo jeito foi muito boa, essa marca no seu pescoço me parece que rolou sexo, rolou não rolou?

–Shiii Teddy, fala baixo. -Sinto-me corar. — Rolou sim, mas não quero falar sobre isso.

–Acho que o sexo não foi muito bom, porque você esta toda azeda hoje.

–Pra sua informação foi tudo ótimo. -respiro fundo. — Acho que foi eu, quem estragou tudo.

–O que você fez Arizona Robbins?- a loira me encara querendo rápido uma resposta.

–Eu... -sou interrompida por Alex avisando que a ambulância estava chegando. — Depois lhe conto.

O caminho para o local do acidente foi torturante pra mim, meus pensamentos ficava me martirizando sobre o que ocorreu mais cedo. A expressão de raiva que a latina tinha em seu rosto fazia meu coração em pedaços. Não deu nem tempo de me aprofundar nos meus pensamentos, porque chegamos rápido no local.

–Ai meu deus. — Meredith fala assim que abre a porta da ambulância espantada com a gravidade do acidente.

–Mas o que foi isso?- Alex desce da ambulância.

–Ari, vem comigo. — Teddy me chama e caminhamos para o lado oposto que Meredith e Alex seguiam.

Chegando do outro lado vejo um carro vermelho completamente esmagado entre um caminhão e um poste, aquele aperto no meu peito volta me dando um arrepio que não sei foi causado pelo frio ou pelo estado grave que a mulher se encontrava presa nas ferragens. Os bombeiros trabalhavam rapidamente para cortar todo o metal enquanto fazíamos os primeiros socorros na mulher a nossa frente.

–Teddy me da o colete cervical. — peço pra loira que me entrega prontamente.

Não sei como aquela mulher possuía sinais vitais ainda, pois o estado que o carro ficou completamente destruído e o rosto irreconhecível, o seu cabelo preto ganhava cada vez mais o tom avermelhado devido um enorme corte na cabeça, depois que consegui imobiliza-la os bombeiros continuam seu serviço cortando o resto das ferragens que prendiam a mulher desacordada.

–Nos 3... -Teddy avisa. -1... 2...3.- colocamos a paciente que já estava imobilizada na prancha em cima da maca.

–Vamos rápido. — Puxo a maca em direção à ambulância.

Entramos no automóvel e começamos os procedimentos necessários para manter a mulher mais estável possível. Não sei o que estava havendo nessa cidade hoje, mas o caos estava formado nesse lugar, assim como em minha vida no momento.

*************************************

–Ari você vai ter que entrar comigo na CO. — a loira diz em um só folego.

–Por que eu? Cadê a Bailey e a Meredith?- pergunto sem intender porque teria que entrar com ela.

–Porque a Bailey foi para o píer cinquenta e cinco, onde ocorreu um acidente entre duas balsas. — a loira me da um olha furioso. — Meredith esta com a mulher que resgatamos em outra CO. E o nosso paciente que esta nos aguardando tem apenas dez anos, e que eu saiba você é uma pediatra. — conclui a loira.

–Calma Teddy- levanto minhas mãos em sinal de rendição. — Desculpa por estar tão distraída e ter feito essas perguntas desnecessárias. — dou sorriso fraco e ela retribui me dando um abraço.

–Vamos nos preparar para cirurgia. -Teddy entrelaça nossos braços e caminha pelo corredor.

PDV CALLIE

Meu coração dispara quando freio o carro bruscamente e manobro o volante todo para a direita para não bater no carro que vinha na minha direção, agradeci por ter um ótimo reflexo, e me amaldiçoei por ficar vagando nos meus pensamentos, minha mão começam a tremer e choro ainda mais por sentir a morte passar diante dos meus olhos. Encosto o carro e respiro fundo tentando me acalmar um pouco, e deixar meu cérebro processar que tudo aquilo não passou apenas de um grande susto. Não sei quanto tempo demorei a me acalmar, mas tinha a noção que estava completamente atrasada para meu plantão. Dirijo o mais rápido possível, mas com cautela dessa vez, não estava a fim de virar uma paciente.

–Callie!- Ouço uma voz masculina me chamar, quando me viro dou de cara com o chefe Webber me observando. — Sabe que esta atrasada para seu plantão?- o moreno me pergunta e apenas aceno que sim com a cabeça. — Então se arruma e vai espera a ambulância lá fora, quero que você vá dar uma ajuda no acidente das balsas. — o chefe conclui.

–Sim chefe-respondo já caminhando em direção ao vestiário.

Troco-me rapidamente colocando uma jaqueta com o emblema do hospital e meu nome bordado por cima do meu uniforme azul, e corro pelos corredores ate chegar do lado de fora da emergência, assim que chego uma ambulância vira a esquina com a sirene ligada. Ao abrir a porta traseira, Bailey surge com um paciente com o abdômen as vísceras completamente exposta. Pelo estado do homem deduzo imediatamente que o acidente foi gravíssimo. Bailey entra com o paciente na emergência e entro na ambulância que sai em seguida para o píer.

–Jesus!-digo para o Matthew motorista da ambulância, assim que ele abre a porta e vejo a quantidade de pessoas feridas.

Pego minha maleta de primeiros socorros e vou em direção as pessoas feridas, que estavam espalhadas pelo chão. Observo que algumas pessoas feridas tinham umas etiquetas coloridas em alguma parte do corpo visível.

–Essas etiquetas que essas pessoas estão usando significa o que?- pergunto para um paramédico que esta ao meu lado.

–Tivemos essa ideia para organizar as pessoas pelo seu estado, se dar para esperar ou esta critica. — diz o rapaz me entregando um saquinho com etiquetas dentro. — Vermelhos são para caso grave, azul usamos para as pessoas que se feriram, mas da para esperar e a verde são para as pessoas que sofreram apenas escoriações leves.

Começo a prestar os primeiros socorros às pessoas e colocando as etiquetas assim como fui orientada a fazer de acordo com a gravidade que eles se encontravam. Levanto-me e começo a caminhar a procura de mais alguém que ainda não foi atendido, mas meus movimentos das pernas são obstruídos com alguém a agarrando, olho para baixo e vejo uma menina de cabelos castanhos abraçada na minha perna.

–Oi, você esta bem?- pergunto e a menina me olha.- Melody? O que você faz aqui? Você esta machucada, deixa-me dar uma olhada?- me abaixo e fico na altura da garota.

– Cal... — ela tenta falar, mas o choro não deixa.

–Calma meu amor, eu estou aqui, vai ficar tudo bem, ok?- ela envolve seus braços em volta do meu pescoço e aperta. — Me deixa dar uma olhada nesse corte na sua testa, prometo que não vai demorar. — faço um curativo rápido, pois o corte não era fundo suficiente para levar pontos. — Como você veio parar aqui?- pergunto.

–Vim passear com meu pai. — ela limpa as lagrimas que caem com a palma da mão. — Ele esta machucado e ninguém foi ajudar a gente... — ela soluça tentando segurar o choro.- Foi quando te vi e sai correndo pra você ajudar ele.

–Onde ele esta?- pergunto e ela aponta para um lado isolado do píer. — pego Melody no colo e trilho o caminho indicado pela menina.

Ao longe avisto o homem no chão, conforme vou chegando perto, peço pra deus que ele esteja vivo, pois o pai da garota estava imóvel.

–Olha aqui pra mim, vou precisar que você me ajude esta bem?- coloco-a no chão- Você pode pegar aquele pacotinho pra mim dentro daquela maleta. — ela balança positivamente com a cabeça e se virar pra pegar o que tinha pedido, aproveito para checar se havia pulsação no homem e fico aliviada quando acho.

Começo a examina-lo, vejo que ele possui uma fratura em seu braço, vou ate a maleta e pego uma tala para imobilizar e a menina entrega o pacotinho que continha gaze dentro, abro e coloco por cima das feridas que continha no local da fratura antes de imobilizar. Tiro minha jaqueta e visto em Melody, pois sua boca já começava a ficar roxa por conta do frio que estava se alastrando rapidamente.

–Melody você esta vendo aquele rapaz com uma jaqueta parecida com a minha?-pergunto apontando para o Matthew.

–Aham.- ela afirma e da um sorriso fraco, mas é possível ver que ela tinha as covinhas de sua mãe.

–Quero que você vá ate ele e diga que estou aqui e preciso muito dele, ok?- dou um sorriso confiante para a garota, assim que ela se vira para ir chamar o paramédico, puxo o braço do homem para colocar a clavícula no lugar.

Com o movimento brusco que fiz o homem que estava desacordado, grita de dor e me empurra longe. A única coisa que sinto é a agua fria entrando em contato com o meu corpo assim que cai no mar.

–CALLIE- ouço a voz da menina me chamar.

–ESTOU AQUI MEU AMOR- grito em resposta e ela aparece na ponta do píer e olha para baixo.- EU QUERO QUE VOCE CONSIGA AJUDA...- respiro fundo tentando pegar folego suficiente, pois a agua fria dificultava exercer a função.- PARA LEVAR SEU PAI AO HOSPITAL.

A menina some do meu campo de vista, e escuto seus passos se afastando. Os minutos se passam e quanto mais me debatia para me manter fora da agua, ficava cada vez mais difícil de lutar contra o frio. Escuto a voz de pessoas resgatando o homem, grito por ajuda, mas ninguém me ouve, meu corpo afunda, luto mais um pouco chegando à superfície e ouço a voz de Melody gritar meu nome. Meu corpo afunda e sem força para lutar contra a agua, a escuridão me domina.