I Believe
42 Capitulo 38
Notas iniciais
Duas semanas havia se passado desde o dia da descoberta de Callie, foram duas semanas de angústias e sofrimentos, a morena queria tomar uma decisão, mas não sabia como. Ela queria ligar para sua irmã e contar o que estava acontecendo, mas não queria sobrecarrega-la. Ária sempre ligava e perguntava como estava indo e Callie por sua vez sempre escondia a verdade, contornava a irmã com outros assuntos. E assim ela deixava cada vez mais esse assunto de lado, enquanto isso seu corpo mudava mais e mais, as mudanças começaram a fazer sentido em sua cabeça depois de saber de sua gravidez não desejada. Callie que sempre sonhou em ser mãe, e que tentou algumas vezes quando ainda estava casada com George, mas não conseguiu devido um problema em suas trompas, gastou rios de dinheiro em tratamento, mesmo assim nenhum tratamento adiantou e o único que poderia ajudar estava fazendo com que perdesse parcialmente a visão e como seu trabalho exigia muito que suas vistas funcionassem cem por cento preferiu interromper o tratamento. Ela chorou, sofreu, pois ela queria muito ter um filho, e ate o momento acreditava amar O’Malley e queria constituir uma família com ele. Callie sendo uma pessoa religiosa preferiu acreditar que deus tinha um plano em sua vida e seguiu em frente. Hoje pensando bem e vendo o rumo que sua vida tomou, foi melhor assim, agora por ironia do destino ela estava gravida de alguém que ela não ama mais e ainda sofreu abuso, ela não sabia o que doía mais. Pra falar a verdade hoje seu corpo se recuperou totalmente, a verdadeira dor vinha da alma, essa ferida será difícil de cicatrizar, mas no momento sua mente não queria saber disso, seus pensamentos de agora eram: “O que vou fazer com essa criança? Ela não pode vir a esse mundo sendo fruto de um abuso... Como eu vou olha-la? Eu não conseguirei olhar para seu rosto sem lembrar como ela foi concebida.”
Sim, Callie se martirizava, ela não queria colocar alguém no mundo dessa forma, seus planos para ter um filho em algum dia era bem diferente disso que estava acontecendo. Desde do dia que a morena descobriu sua gravidez não planejada ela passava as noites em claro, a ortopedista ficou mais abatida do que já estava por ficar longe da loira, por vê-la todos os dias e não conseguir toca-la como desejava, toda essa situação estava a matando por dentro, todo dia um pedaço dela morria ao guardar toda essa história, manter segredo, quebrar promessa, era como se o mundo estivesse desabando em sua cabeça, talvez uma parecela de culpa seja sua. A sua parte da culpa era esconder tudo de Arizona, talvez se ela fosse honesta e contasse o que havia acontecido a pediatra entenderia e ficaria ao seu lado, estaria lhe dando apoio nesse exato momento, estaria deitada ao seu lado, fazendo cafuné em seus cabelos negro até que ela pegasse no sono, mas não ela decidiu ir pelo lado mais difícil, e sua decisão estava a sufucando. Torres precisava desabafar, precisava parar de se martirizar e começar agir. E foi isso que ela fez. Callie pulou da sua cama quando o sol nem tinha surgido, tomou um banho, trocou de roupa, colocou um moletom, um tênis, saiu do seu apartamento e foi correr. A morena foi correndo da sua casa até um parque e ao chegar no local, ela correu por mais uma hora e trinta minitos sem parar, Callie estava querendo colocar sua cabeça em ordem, ela queria traçar um plano para organizar e resolver toda essa bagunça. E correr foi a melhor maneira que ela encontrou de tentar pensar em algo para tomar suas decisões. Quando seu corpo não tinha mais energia para se quer dar mais um passo ela se sentou em um banco completamente exausta, pegou sua garrafa com água que estava presa no suporte em sua cintura e bebeu, sua respiração era pesada.
*
Arizona levanta com a sensação de querer voltar para o aconchego de sua cama, mas isso não era possível pois teria uma cirurgia importante para fazer, ela arrasta eu corpo para fora da cama e caminha ainda sonolenta para o banheiro, ela abre a torneira e joga um pouco de água gelada para acordar, ela encara seu rosto no espelho a sua frente e não gosta muito de sua aparência, seu olhar era triste e seu semblante vazio, sem vida, Arizona ainda não tinha reparado em como ela estava desde que terminou com Callie, ela não imaginou que ficaria tão acabada, tanto sentimentalmente quanto fisicamente. A loira respirou fundo e um pouco decepcionada com si mesma e foi tomar seu banho.
Robbins ja estava pronta, apenas esperando Mel terminar de pegar sua mochila para poderem irem para seus respectivos destinos, a loira esperou alguns minutos antes de entrar em seu carro para ir trabalhar, como sua vida estava completamente corrida devido o caso do bebê de sua amiga que havia nascido com má formação no coração ela estava a disposição do seu pequeno paciente sempre presente no hospital o monitorando de perto, por conta disso teve uma conversa com sua filha sobre ela começar a ir para a escola no ônibus escolar, Arizona achou que a menina iria recusar, relutar, mas não, a garota aceitou facilmente ficando animada com a situação, pois ela tinha uma colega de classe que pegava o mesmo ônibus, porém a menina fez a exigência da mãe sempre esperar o veículo com ela que graças aos cosmos o motorista era pontual chegando sempre no horário, que casava perfeitamente com o horário que a pediatra teria que sair de casa para ir para o trabalho quando não levava a filha para escola, raramente ela não esperava o ônibus junto a menina, pois ate quando estava no hospital ela "fugia" para poder colocar a garota no ônibus. Isso era uma das coisas que estava acabando com a loira também, ela estava se desdobrando em várias para poder cumprir com todas suas obrigações como mãe, médica, chefe do seu setor, cirurgiã, tentar esquecer Callie, ser uma boa amiga com seus colegas de trabalho, sua vida estava uma bagunça organizada, um deslize e tudo desmoronaria. Consuelo passou a "morar" com Arizona, dormindo no serviço, pois o horário da agenda da pediatra l atualmente estava bem apertada, ela estava dobrando seu turno no hospital, mas na hora que a menina tinha que ir para o colégio ela fugia para poder colocá-la no ônibus, não queria ficar tão ausente na vida da filha, mas ultimamente tudo estava sendo tão difícil para ela, que tinha momentos que ela queria desistir de tudo aquilo, ter uma hora para si era algo raro, ela também não permitia que isso acontecesse enquanto o filho de Maura permanecia internado sobre seus cuidados, afinal ela prometeu fazer de tudo para salvar a criança.
E hoje não seria diferente, assim que chegou no hospital juntou-se com Yang e Altman na sala de reunião para saber como iria ser a próxima cirurgia da criança. Tudo estava indo incrivelmente bem até aquele momento, depois de acertarem os últimos detalhes com as cardiologistas ela saiu e foi fazer as visitas de seus pequenos pacientes, uma onda de ânimo/animação passou em seu corpo para poder atender seus pequenos milagres, Arizona poderia está tendo um dos seus piores dias, mas ao adentrar o quarto de seus pacientes era como se todos seus problemas sumissem. Arizona fez todas as suas visitas, atendeu algumas chamadas no P.S, fazendo com que as horas passassem rapidamente, como não tinha nada para fazer até a hora da cirurgia a mesma resolveu ir descansar em um dos quartos destinado para isso, a loira adentrou o local, chutou seus sapatos para fora dos pés a jogou na parte inferior da beliche, pegou seu celular e colocou para despertar trinta minutos antes da hora marcada para cirurgia, afinal contratempos sempre acontecem.
Xxx
Ja fazia algumas horas que Callie havia chegado ao hospital, ela procurou estabelecer sua rotina, sem fazer nada diferente do que o normal, apesar do seu dia ter começado bem diferente do habitual, pois a morena nunca foi de correr, ela apenas fez aquilo para colocar sua cabeça no lugar, pensar ao ar livre e ficar sentada em um banco apenas pensando não conseguiria raciocinar direito, pois a ortopedista estava realmente incomoda com a sua situação. Durante sua corrida ela concluiu que levar aquela gestação adiante seria um completo erro, optando por um aborto enquanto ainda está em tempo, mesmo ouvindo em sua mente a voz dos seus pais dizendo que aquilo era errado ela decidiu fazer, pois pra ela seria errado colocar uma criança que não fora planeja e principalmente desejada no mundo, portanto para ela aquilo que decidiu fazer não é errado. Assim que teve uma hora livre ela saiu, pegou seu carro e foi direto para uma clínica que havia pesquisado durante a manhã.
—Hey... — Callie chamou recepcionista que estava de cabeça baixa assinando alguns papeis. — É... Eu vim para ahm... — a morena estava nervosa. A moça a sua frente sorriu amigavelmente.
—Boa tarde, senhorita? — disse em tom de pergunta.
—Torres, Callie Torres. — respondeu ainda nervosa.
—Chloe. — se apresentou -Não precisa ficar nervosa. — disse a moça tranquilamente.
—Eu vim para marcar um... — a morena não consegui concluir suas palavras.
—Okay, não precisa falar, eu vou te dar uma ficha para poder preencher e lá estará descritos todos os procedimentos que a clínica oferece, é só marcar o que deseja, tudo bem? — explicou a recepcionista percebendo o constragimento de Callie. A morena apenas balançou a cabeça positivamente e estendeu a mão para pegar a folha onde continha as informações para os procedimentos.
Callie sentou-se em um dos sofás da recepção e preencheu a folha.
—Aqui está. — falou a morena entregando o papel para a recepcionista. A mulher da uma olhada na ficha para saber o procedimento que a ortopedista faria.
—Senhorita Torres, que dia gostaria de fazer o procedimento?
—O mais rápido possível, por favor.
—Tenho uma vaga para amanhã de manhã.
—Perfeito. Obrigada.
—Não foi nada e até amanhã.
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