I Believe
54 Capítulo 50
Notas iniciais
Duas semanas haviam se passado após o jantar especial do casal. Arizona acordou com o seu terrível enjôo matinal, correu para o banheiro para colocar tudo para fora, a gestação se encaminha para o quinto mês, onde todos diziam que os sintomas matinais acabariam… Mas para a pediatra parecia que isso nunca mais acabaria, as olheiras e a pele mais pálida que o normal durante essa manhã, é o resultado de uma semana corrida no hospital, horas de cirurgia e casos não resolvidos. Mesmo Callie e Consuelo brigando para que ela diminuísse o ritmo do trabalho para que nada prejudicasse a gravidez com o esforço excessivo, Arizona apenas ignorava e continuava sua rotina antiga. Pois em sua cabeça parar com toda sua rotina hospitalar a faria ser alguém inútil dentro de casa. Ela não foi criada para ser dependente, ela é um bom homem na tempestade, foi criada para passa por cima dos obstáculos com um sorriso no rosto e um otimismo invejável. No fundo ela tinha consciência de que aquilo poderia prejudicá-la, mas os hormônios falavam mais alto em sua cabeça; ela só não queria ser a grávida que chora por tudo pelos cantos da casa sentindo falta de exercer o que mais ama. A loira jogou mais um pouco de água gelada em seu rosto para tentar amenizar o restante do mau estar que sentia. Fez sua higiene, trocou de roupa e seguiu para o quarto da filha; a menina dormia adoravelmente, com a boca levemente aberta, alguns fios de cabelo caídos no rosto uma das mãos dando apoio embaixo da cabeça, o edredom cobria apenas metade do corpo e a respiração pesada indicava que ainda estava em sono profundo. Robbins parou ao lado da cama e ficou observando a filha dormir enquanto acariciava seu ventre, milhões de coisas passava em sua cabeça naquele momento, um filme de tudo que viveu até chegar onde está agora passou diante dos seus olhos, mesmo com altos e baixos, ela chegou a conclusão que mesmo com tudo que sofreu, escolheria quantas vezes fosse necessário passar por tudo de novo só para ter tudo que está tendo agora: uma família maravilhosa e feliz.
Com muito pesar a loira passou as mãos sobre os fios de cabelo para retirar do rosto da filha, fez um carinho e chamou a menina para que ela levantasse.
–Hey, meu amor… — beijou sua testa — Acorda. — Melody resmungou algo incompreensível e virou para o lado, continuando a dormir — Vamos, Mel, acorde. — chamou mais uma vez.
–Sò mais cinco minutos, mamãe. — disse com a voz rouca de sono. A loira respirou fundo, acariciou as costas da filha e beijou o seu pescoço, ela sabia que a menina sentia cócegas ali. Melody se arrepiou e sorriu — Mamãe, isso é golpe baixo. — virou de barriga para cima e encarou os olhos idênticos aos seus.
–Vamos, minha princesa. Você não quer ver o bebê hoje? — perguntou para filha que ao escutar aquilo abriu um sorrisão e pulou da cama.
–¡Dios mio! Es hoy que voy a ver al bebé, estoy tan feliz! — a menina falou completamente animada enquanto retirava o pijama e corria para o banheiro. Arizona rolou os olhos ao ver que a menina realmente havia aprendido falar espanhol com a esposa e Consuelo, enquanto ela não saia do “Gracias”.
–Eu sei que está animada com tudo isso, mas expressa a felicidade na minha língua, por favor. — brincou. A menina pegou o hábito de falar espanhol quando estava muito feliz ou nervosa.
Alguns minutos se passaram até que elas terminassem de se arrumar para tomarem café da manhã e irem para o hospital.
–Melody, coma direito, você vai acabar sujando sua roupa. — avisou — Não podemos chegar atrasadas, Callie já deve estar nos esperando. — concluiu.
–Sim senhora. — respondeu arrumando a postura e a forma que comia — Consu, sabia que hoje vamos ver o bebê que está na barriga da mamãe? — informou para a senhora que lavava os pratos.
–Oh, isso é algo fantástico mesmo. Não estava sabendo disso. — a mulher piscou para Arizona antes de olhar para a garota.
–É a primeira vez que eu vou estar junto. Das outras vezes mamãe fez enquanto estava de plantão e depois só me mostrou as fotos… — disse sorrindo animada — Mami disse que se o bebê tiver em uma ótima posição podemos ver se é menino ou menina. — disse com ar confiante.
–E você quer que seja o que? — perguntou a mulher.
–Eu não sei… — disse pensativa.
–Vindo com saúde é o que importa. — respondeu Arizona.
–Isso é o que realmente importa, dona Arizona. — concordou — Por isso pegue mais leve nos plantões. — como sempre Consuelo não perdia a oportunidade de pegar no pé da loira.
–É. Quero um bebê bem fofo e saudável para mostrar para todas as minhas amigas na escola. — acrescentou a menina sem saber direto o que dizia, mas que foi um ótimo complemento para as palavras da senhora que lavava a louça.
–Okay, agora vamos, não podemos perder a hora. — disse se levantando e pegando sua bolsa enquanto Melody descia da cadeira e ia dar um beijo em Consu para se despedir.
Já no meio do caminho Arizona olhava pelo retrovisor a filha olhando a paisagem pela janela enquanto cantarolava a música que tocava na rádio e às vezes fazia alguma pergunta aleatória sobre algo que via na rua. Melody estava crescendo rápido demais, cada dia estava mais inteligente e Arizona por alguns segundos imaginou como seria daqui alguns meses após a chegada do bebê, se sua filha continuaria tão tranquila ou mudaria seu comportamento por conta de ciúmes, assim como acontece com algumas crianças. A loira fez uma anotação mental em nunca deixar sua filha de lado por conta do bebê, afinal o bebê não entende nada do que está acontecendo, mas sua filha já tinha consciência suficiente para entender se estaria sendo deixada de lado ou não.
Em meio a pensamentos sobre o futuro próximo elas chegarem ao hospital, pediatra estacionou em uma vaga onde ficava mais fácil de entrar no hospital e saiu do carro junto com a filha, assim que passou pela porta de entrada a loira viu sua amada descendo a escada junto com Mark enquanto conversam algo que não conseguiu ouvir; Melody ao ver a morena correu ao seu encontro agarrando sua cintura assim que ela terminou de descer a escada, o ato pegou a ortopedista de surpresa lhe dando um pequeno susto e como reação colocou a mão no peito para tentar se acalmar.
–Que susto, mi carino. — Callie disse assim que olhou para baixo e passou uma de suas mãos no cabelo da filha
–Oh, me desculpe. Não queria te assustar. — sorriu — Oi, tio Mark. — virou para o homem e o cumprimentou ainda agarrada nas pernas da morena.
–Oi princesa. — Mark retribuiu e apertou a bochecha da garota que fez uma pequena careta com o gesto.
–Oi, amor. — disse a loira assim que chegou perto dos três. Deu um selinho simples enquanto suas mãos arrumava o estetoscópio de Callie.
Callie segurou uma das mãos da filha enquanto os quatro caminhava até a recepção para saber se Lucy já estava disponível para fazer a ultrassom da loira.
–Eu soube que hoje vocês vão saber se vai ser um garotão ou garota. — comentou Mark.
–Aham, mas mamãe disse que só vamos saber se o bebê estiver numa posição boa, né? — respondeu a menina olhando para Callie e a mesma concordou com o movimento positivo feito com a cabeça.
–Espero que seja um menino, assim poderei ganhar o bolão que os internos fizeram. — Callie bateu em seu braço — O que foi? — perguntou inocente. — Eu quero ganhar, apostei cemzinho. — Arizona o olhou chocada.
–Não acredito que vocês estão fazendo aposta com o sexo do meu bebê. — disse indignada e o médico sorriu sínico. A morena mais uma vez bateu no amigo que resmungou passando a mão no local onde foi agredido.
–Vamos Arizona, deixa o Sloan aí e vamos para consulta. — disse a morena assim que viu no monitor que a recepcionista lhe mostrará que a médica já estava disponível.
A loira começou a caminhar na frente largando o homem para trás sem se quer olha para trás.
–Se for menina, eu ganho. — cochichou a morena assim que viu a loira numa distância segura para que pudesse falar. Mark sorriu travesso e Melody abriu a boca em um grande O ao descobrir que a morena também fazia parte da aposta.
Já dentro do consultório Callie estava ao lado de Arizona segurando sua mão, enquanto a mesma já estava deitada na maca para fazer o exame. Melody estava sentada na cadeira ao lado de Callie e olhava atentamente o grande monitor pendurado na parte superior da parede.
–Podemos começar? — perguntou Lucy
–Podemos. — responderam em uníssono.
A obstetra passou o gel no abdômen já com volume de Robbins e em seguida colocou o aparelho, assim os monitores ganharam imagens deixando a menina animada.
–Aqui está a cabeça. — mostrou e as mulheres já se derreteram imediatamente — as medidas estão ótimas e nada de anormal, está conforme o padrão para a idade gestacional. — aqui está o abdômen. — apontou — essas são as pernas. — conforme ia mostrando cada parte a médica já fazia as medidas necessárias — Está bem agitada essa criança, não para um segundo. — disse sorrindo.
–Olha mamãe, estou vendo as mãozinhas. — a garota apontava para o monitor animada — O bebê parece que está dando tchau pra mim. — a menina falou retribuindo o movimento para o irmão.
–Amor, ele colocou o dedo na boca e está chupando, que coisa mais linda. — Ari comentou com os olhos cheio de lágrimas.
–Será que conseguimos descobrir o que é? — perguntou Callie com a voz embargada de emoção.
–Hum… Vamos ver, se conseguimos. — a loira mexeu mais um pouco o aparelho para pegar um ângulo melhor, pois o bebê estava de bruços. — Parece que alguém quer fazer segredo, pois está com o pé na frente. — a médica mexeu mais um pouco para tentar que o bebê mudasse de posição, mas nada — Mesmo se mexendo bastante o bebê insiste em ficar com o pé na frente, quem sabe na próxima?!. — falou já retirando o aparelho do abdômen da loira e lhe entregando algumas folhas de papel para limpar a barriga.
Assim que a loira se limpou, Callie a ajudou a descer da maca e foram até onde Lucy estava sentada e sentaram também. Arizona na cadeira do lado esquerdo e Callie na cadeira do lado direito e Melody em seu colo.
–Bom, aqui está a foto do bebê de vocês. — colocou em cima da mesa e Callie pegou a foto — Ele está perfeitamente saudável e dentro dos padrões para idade gestacional, como disse antes. — disse mais uma vez — Mas… — ao ouvir esse "mas" ambas sentiram o corpo gelarem.
–O que tem de errado? — Arizona já perguntou.
–Por enquanto nada, mas eu notei um pequeno deslocamento da sua placenta. — Callie olhou para Arizona com preocupação ao ouvir tal notícia — Ela não chegou alcançar nenhum estágio ainda, porque conseguir ver a tempo e para que ela não chegue, eu aconselho que você fique de repouso por uns dias e evite excesso de trabalho ou esforço, okay? — conclui
–Eu vivo falando para ela pegar leve nos plantões, mas ela não me escuta. — Callie acrescentou e a loira apenas bufou pelo sermão que estava ouvindo.
–Eu vou passar um remédio para você tomar junto com as vitaminas para evitar que esse deslocamento se agrave e na próxima consulta, vou fazer outro ultrassom e verificar se tudo está normal, mas preciso que realmente você descanse e pegue leve nos plantões, Arizona. — Lucy falava enquanto escrevia na receita o nome do medicamento.
–Ela vai se comportar, vou deixar minha ajudante de olho nela em casa. — Callie disse beijando a lateral da cabeça da filha e Lucy sorriu ao ver as covinhas da Robbins mais nova.
–Pode pegar no pé dela e qualquer coisa me liga, até porquê médicos são nossos piores pacientes. — Lucy disse assim que terminou de anotar seu número e entrega para a garota — E isso aqui é para você, por você ter sido uma ótima irmã mais velha na consulta. — lhe entregou um pirulito.
Assim que terminou a consulta às três seguiram para a sala dos médicos, faltava vinte minutos para o plantão de Callie terminar e ela iria se trocar para poder ir embora junto com a esposa e filha. Robbins sentou emburrada no sofá, enquanto a ortopedista foi até a salinha ao lado se trocar, Melody assim que entrou sentou na poltrona que havia ali, já pegando o controle da tv a ligando ele colocando em um canal infantil.
IB
Já em casa as três estavam sentadas na sala enquanto um filme infantil passava na tv. Arizona tinha seus pés no colo da esposa enquanto a mesma fazia massagem, Melody tinha a cabeça no colo da mãe loira, a menina prestava a atenção no filme enquanto a mãe fazia carinho em seus longos cabelos castanhos. Callie tentava encontrar um modo de conversar com a esposa para que ela desacelera-se o ritmo do trabalho e evitar cirurgia de muitas horas, ela respirou fundo algumas vezes ainda apertado alguns pontos dos pés da esposa até que tomou coragem.
–Amor? — chamou.
–Hum. — murmurou a loira olhando para ela.
–Eu…- respirou fundo mais uma vez antes de continuar. — Eu sei que você já ouviu isso de mim inúmeras vezes, assim como de Consuelo e hoje mais cedo de Lucy. Mas eu só queria reforçar… Eu me preocupo tanto com você, eu tenho tanto medo que algo aconteça. — a loira se esticou um pouco e pegou em sua mão.
–Eu vou tentar, eu prometo. — fez um carinho na mão da esposa — Eu vim refletindo no caminho de volta e reconheço que peguei pesado. Mas em minha defesa vou culpar meus hormônios aflorados que não me deixam raciocinar direito. — sorriu fraco. — Eu só… — suspirou — Eu só não queria me sentir inútil dentro de casa, eu amo tanto o que faço, não queria ser aquelas grávidas que param a vida por causa de uma gravidez, eu só queira continuar com as mesmas funções de antes… — disse cabisbaixa.
–Mas você vai continuar a fazer tudo que já faz e eu apoio em você continuar sua vida ativa em todos os sentidos, eu só quero que você desacelere um pouco, você tem que se alimentar direito, semana passada você ficou nove horas dentro de um centro cirúrgico sem se alimentar, Arizona. É desse tipo de coisa que eu não quero que você faça. — os olhos da loira marejaram ao ouvir tudo aquilo, ela se sentiu culpada e uma péssima mãe. — Não chore, meu amor. Eu não estou brigando com você…
–Me desculpe. — pediu já com algumas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Callie colocou seu pés para baixo e se aproximou mais sentando ao seu lado.
–Não precisa chorar. — limpou sua lágrimas e em seguida selou seus lábios nos da esposa. — Vamos fazer um trato? — propôs e Ari balançou a cabeça concordando — Você pega as cirurgias que não tenha tantas horas de duração, mas se caso der algo errado e a cirurgia demora peça para alguém me avisar, assim posso ficar de olho em você ou pedir para alguém arrumar algo para você comer enquanto algum interno te substitui por alguns minutos, okay? — a loira concordou — E nada de plantões muito longos, você precisa descansar e agora que você pode ter um deslocamento de placenta, que tal pegar uma semana de descanso até irmos na consulta novamente? — a morena sorriu singela.
–Eu aceito a última proposta, só se você for ficar em casa comigo. — sorriu e deu uma contra proposta.
–Eu aceito. — beijou a amada mais uma vez.
Ao terminar o beijo a loira inclinou o corpo para frente para roubar mais um beijo da esposa e ouviu um resmungo vindo da filha, as duas olharam para baixo e viu a menina dormindo, riram baixinho.
–Eu olho para ela e fico imaginando como vai ser nosso bebê. — confessou a morena.
–Espero que tenha seus olhos e sorriso. — falou com os olhos brilhante ao imaginar uma cópia da esposa pela casa.
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