I And You

2 Me acordam para dar um esporro


Notas iniciais
Weeeee *=*

Escutei a porta do meu quarto se abrir com total força.

- Menina, levanta dessa cama!- Minha mãe gritou.

- Mãe, o que houve?- Perguntei.

- Não se faça de tonta! Diga a verdade... agora!

Eu estava tentando reformular aquela pergunta, para tentar responder.

- Eu não sei do que você está falando, mãe.- Respondi.- Pode me explicar, o que eu tenho que dizer?

- Ah, meu pai!.- Ela deu um tapa na testa.- Você é a única pessoa que estava aqui em casa além de mim e seu pai...

- Eu ainda não entendi aonde você quer chegar.- Falei.- Pode me dizer?

- Garota, seu pai me disse que o dinheiro da carteira dele sumiu de um dia para o outro, quando ele comprou algumas coisas no horti fruti, o troco dele sumiu e... Pode me dizer de onde veio aquele dinheiro que está nas suas coisas? TRINTA E CINCO REAIS!

Aquele era o dinheiro que estava juntando, de vezes que não havia comprado meu lanche na cantina da escola e, os cinco reais, estava na minha gaveta do armário. Ela estava desconfiando da própria filha.

- Está querendo dizer que aquele dinheiro eu peguei do meu pai?- Perguntei, achando insana aquela situação.- Não sou ladra! Tenho certeza que não sou ladra.

- Eu espero! Não estou criando meus filhos com o meu suor e o do seu pai, para roubarem! Ainda por cima, na própria casa!

- Me diga de onde vieram aqueles trinta e cinco reais! Agora!.- Ela me fuzilou com os olhos e eu me senti péssima. estava sendo acusada de algo que não havia feito. Acusada pela própria mãe!- Me diga, ou então eles vão ficar comigo!

- Mãe!.- Reclamei.- Você está desconfiando da sua própria filha? Você acha mesmo que eu faria isso? De onde tirou essa ideia maluca? Eu? Ladra?

- Eu e seu pai nunca fizemos nada para você, e de repente, essa bomba vem e nos atinge em cheio?.- Ela ficou calada por um tempo.- Nunca pensei que falaria isso para você, Melissa. Mas eu estou decepcionada com você!

Por mais que eu explicasse, ou tentasse explicar, parecia que eles escutavam isso "É, eu roubei mesmo! E daí?".

- Me explique de onde veio seu dinheiro, ou então, eles ficam para mim.- Ela me olhou.

- Aquele era o dinheiro que estava juntando, de vezes que não havia comprado meu lanche na cantina da escola e, os cinco reais, estava na minha gaveta do armário.- Respondi.

- Juntando para quê?- Ela perguntou.- Para pagar um cara para te dar aulas de como roubar a própria família?

Eu a olhei deprimida. Nunca imaginei que ela pensaria isso de mim, que ela me acharia com cara de ladra. Todos os anos me ensinando a não roubar, à não usar drogas, à não fazer essas coisas de errado, e ela vem e me trata como uma ladra? Uma mentirosa?

- Diga a verdade!.- Ela pediu.- Por mais que doa, é melhor ela do que a mentira.

- Mãe, eu não peguei dinheiro da carteira do meu pai.- Falei.- Além do mais, tenho o meu dinheiro e, porque mexeria nas coisas dos outros?

- Dos outros? Seu pai não é um "outro".- Ela respondeu arrogante.- Trate com respeito quem te trouxe ao mundo, pois posso te tirar dele em alguns minutos!

- Já disse, não fiz nada! Pra que eu pegaria dinheiro da carteira dele?- Perguntei sincera.

- Olha, eu estou por aqui!.- Ela apontou para a cabeça.- Eu tenho diabetes e se ficar doente, a culpa vai ser sua.

Eu a olhei com dor. Não acusaria meu irmão, meu próprio irmão, mas ele era uma peste, ele seria capaz de fazer isso apenas para me prejudicar. Ele me odiava, queria sempre aprontar e sempre se livravra. Dói ser acusado de algo que não fiz, principalmente roubo! Dentro de casa. Éramos tão felizes, e de repente, essa coisa acontece e a culpa vem toda para mim.

- Durma mais um pouco.- Ela falou.- Pense bem! Se estiver mentindo, vai levar uma surra, eu vou descobrir, de qualquer jeito vou descobrir. Fiquei muito triste, e vamos ter uma séria conversa, você não vai mentir, NÃO VAI.

Assenti e cochilei um pouco. O despertador tocou e aquele som pareceu soar mais alto, como se fosse minha chateação. Depois que acordei finalmente, segui até a cozinha, triste, peguei um suco e terminei em uma só golada.

Eu tomei um banho gelado, demorado, que pudesse me fazer pensar e tentar explicar. Era impossível fazer com que minha mãe acreditasse em mim, justamente naquela garota que ela havia ensinado as melhores coisas, e mais educativas. Toda a minha infância, ao contrário da de Nathan, fora de jogos chatos e educativos, ao invés de assistir programas de televisão eram sempre tele-jornais, ler jornais e revistas construtivas, nunca podia ler gibis, pois ensinaram coisas feias e que pioravam o crescimento da criança... Enfim, minha infância foi chata e muito educadinha, mas eu era uma capeta longe deles, mas sempre educada, sem xingar, usar drogas, roubar, etc. Eu mentia, sim, coisas de crianças, mas eu não faço mais essas coisas e ela tinha provas concretas sobre isso. Metade da minha vida era ao lado dos meus pais, e aquilo era enjoativo de certo modo. Já estava pronta e, fiz um rabo de cavalo xoxo e fui para a escola. Eu estava chorando, no meio da rua, quando me deparei com os garotos se divertindo. Passei direto, fingindo que não havia os visto. Entrei na sala de aula e depois, eles entraram. Tive aulas comuns, chatas, e meu dia não fora um dos melhores, embora eles tivessem tentado me animar, sem ao menos saberem o que estava acontecendo comigo.

- Melissa, podemos conversar?- Gustav perguntou meio sem jeito.

- Gustav, perdoe-me, mas não.- Falei.- Estou chateada de mais para conversar com alguém. Espero que não se chateie.

- Tudo bem, Mel.- Ele respondeu.- Não fique chateada, mesmo eu não sabendo o que seja, não fique chateada, por favor.

- Obrigada pela preocupação e, agradeço pelo conforto. Eles foram bons para mim, juro.

Ele sorriu convencido e eu segui para casa sozinha, de baixo de uma chuva horrorosa, que me fazia fungar e espirrar vez ou outra. Cheguei em casa deprimida, chorando, e toda molhada. Olhei para eles como se quisesse falar algo, mas nada saiu diante daquela cena horrenta. Todos sentiam ódio de mim.

- Ladra!.- Nathan me zoou e eu deixei que aquilo acontecesse. Ele era perfeitinho e se eu fizesse algo contra ele, eles falariam que eu estava diferente, estranha, ladra, drogada, qualquer coisa contra mim. Tomei um banho bem quente, demorei para poder pensar e quando saí, coloquei um pijama confortável e deitei na cama. Dormi direto, fungando.

Notas finais
Reviews? *--*