I And You

3 Eu tenho um novo lar


Notas iniciais
Eu demorei para postar, mas aqui estou eu com este capítulo lindo ! ;) beijos e boa leitura, amores !

Não tinha como dormir depois de passar metade do meu dia sendo tachada como ladra. Levantei cambaleando e coloquei uma roupa confortável para sair, escovei os dentes, prendi meu cabelo e fiz uma mala com algumas coisas que precisava. Fui até a porta e a abrí devagar. Saí perambulando sem rumo, quando por um acaso, Tom estava lá, bebendo com os meninos. Eu estava cansada, quase dormindo e soluçava de tanto chorar.

- Mel?.- Tom me olhou.- Mel, o que aconteceu com você?

- Tom, eu estou destruída.- Falei.

- Me diga, o que aconteceu e... Porque essa mala?

Tom me levou até o bar onde estava. Eu tinha vergonha de entrar lá, mas tomei coragem. Contei tudo e ele pareceu impressionado. Ele mexeu no meu cabelo e me olhou tentando me acalmar. Achei, por um minuto, que ele tivesse desconfiança, achando que eu havia mesmo feito aquilo.

- Eu não roubei aquela droga de dinheiro, Tom! Eu juro!

- Shhi!- Ele me abraçou.

- Porque...

- Porque... Porque você não merece sofrer pelos idiotas dos seus pais. Eles não te merecem, nunca te mereceram.- Ele respondeu e então, me abraçou novamente.

- Mel, vou falar com os garotos e perguntar se você pode ficar lá em casa conosco.

- Não. Não precisa.- Falei.- Eu posso me virar. Aliás, eu sou uma ladra, sabe? Posso morar na rua, roubar os outros e viver na boa.

- Para de besteira.- Ele me olhou sincero e foi para a mesa dos garotos.- Posso contar com vocês para qualquer coisa, certo?

Todos assentiram com a cabeça.

- A Mel precisa da gente nesse momento, precisa de um lar.- Ele falou.

- Mas... O que que aconteceu?- Gustav perguntou.- Ela não tem os pais? A casa dos pais?

- Sim, mas ela foi taxada de ladra porque um dinheiro sumiu e encontraram dinheiro nas coisas dela e... Aí, vocês sabem o resto. Só quero saber se ela pode morar conosco, tá certo?

Todos responderam em uníssono, como um coro, e sorriram para mim. Eles se levantaram da mesa do bar e seguiram e minha direção. Me abraçaram e começaram a falar coisas que me acolhiam.

- Eu... Eu adoro vocês, garotos.

Depois de um tempo contando tudo para eles, entramos num carro lindo.

- Este é o nosso Volvo preto C30.- Georg alisou o carro e se sentou no banco de trás junto com Gustav.

Abri a porta do carro e me sentei no banco do carona, ao lado de Tom, que dirigia. Não demorou muito e já estávamos na frente de um enorme prédio, lindo, que era só deles pelo visto.

- Seja bem vinda.- Gustav sorriu e pegou minha mala enorme.

- Isso tudo é de vocês?- Perguntei encabulada.

- Sim, tudo nosso.- Tom respondeu orgulhoso e adentramos o prédio.- Aqui tem uns 200 apartamentos, incluindo a cobertura, nosso preferido! Escolha um apartamento, cada um melhor que o outro. Do mais simples ao mais extravagante.

- A cobertura, tudo bem pra vocês?- Perguntei.

- Por mim está ótimo.- Responderam juntos e deram uma risada.

Subimos o elevador e fomos para a cobertura. Era grande, bonita, com decorações incríveis. Me sentei em uma cadeira acolchoada e colocaram a mala ao meu lado. Pensei de alguma maneira nos meus pais e aquilo me deu desgosto.

- Me arranjem um papel e uma caneta.- Pedi intensa.

- O que você vai fazer, Melissa?- Tom perguntou preocupado.

- Escrever uma carta para os meus pais, eu me senti culpada em sair de casa e não ter escrito nada para eles.

- Aqui está.- Georg me entregou e eu agradeci.

Coloquei o papel em uma mesinha que tinha ali e começei à escrever.

"Olá, mamãe e papai. Eu saí de casa, sim, eu saí. Vocês não devem estar nem aí para isso, mas eu quero dizer algumas coisinhas que estão entaladas na minha garganta. Não consigo falar através de uma carta, mais se vocês sabem ler... Bom, fiquem sabendo que eu NÃO sou uma ladra e NUNCA serei. Vocês me ensinaram as coisas mais certas do mundo e eu aprendi, eu entendi tudo. Desde os meus cinco anos aprendendo coisas boas e, quando completei meus 12 anos, as coisas foram se aprofundando. Aprendi à não roubar, à não matar, não me drogar, e não fazer outras coisas. Porque eu faria isso logo agora? Depois de tanto vocês me ensinarem, porque logo eu? Eu não sou assim. Podem acreditar, não sou esse tipo de menina. Mais, vocês me julgaram antes de pensar em todas as alternativas. Mãe, você SABE que meu pai bebe, fuma e... Sabe, talvez aquele dinheiro tenha sido o troco da compra de algo ruim, tá legal? Eu fico, de certa forma, triste por ele ter perdido o dinheiro (se é que ele perdeu), mas saiba que ele não iria fazer mais nada com o mesmo. Alguma pessoa deve ter pego o dinheiro e gastado com qualquer coisa que fosse, estando ou não em boas mãos, não estaria com o meu pai, e ele não faria mais nada. De qualquer forma, ele continuaria fazendo o que gosta: Comprando besteiras com o dinheiro que ele pega com você. Sabe aquele meu dinheiro? Trinta e cinco reais? Pode ficar pra você. Faça bom uso dele. Embora eu estivesse juntando para comprar algo para mim, eu não me importo. Eu não preciso mais dele. Concerteza você o usará melhor que eu. Enfim, uma dica: Preste atenção no filho de vocês, o que me chamou de ladra. Ele é uma peste. O vigiem de vez em quando, deixem a porta semi aberta e vejam com seus próprios olhos o que ele faz longe de vocês. Adeus e... Não vão saber onde estou tão cedo. Aliás, eu sei me cuidar e estou muito bem longe de casa. Estou com pessoas que acreditam em mim, que gostam de mim e que não me acusam de nada. Novamente, ADEUS, MAMÃE E PAPAI.

Ass.: Melissa Frank, a filha ladra."

Eu entreguei a carta de forma fria para Tom.

- Coloque num papel de carta e envie hoje para os meus pais, por favor.- Pedi e coloquei meu nome na frente da carta.

- Melissa, tem certeza disso?- Ele perguntou.

Balançei a cabeça positivamente e o olhei enquanto ia para o elevador. Gustav, eu e Georg fomos juntos para o apartamento 200. Quando o elevador se abriu, eu acenei para Tom e dei um meio sorriso.

- Obrigada.- Murmurei.

Os garotos abriram o apartamento e disseram juntos:

- Primeiro as damas.

Eu sorri e entrei. Fiquei encantada com aquela decoração. O apartamento era enorme e lindo.

- Uaaaaau.- Murmurei.- Isso aqui é fantástico.

- Pois é.- Os dois concordaram.

Sentei na cama relaxada e escutei o barulho da mala que Gustav trazia.

Pouco depois, fui até o banheiro que era encantador. Me despi e entrei na banheira. Tomei um banho delicioso e quente de espuma. Depois que terminei, saí, me sequei, coloquei uma camisola de onçinha e um chinelo novinho em folha. Prendi meu cabelo num coque e passei um perfume delicioso. Fui até o quarto e os garotos me olharam de cima à baixo.

- Uou, queria uma mina dessa pra mim.- Georg riu.

- Na-na-ni-na-não. garotinho!.-Falei.- Pode ficar aí, eu sou uma menina de ouro.

Nós rimos e eu fui até a cozinha. Preparei um jantar especial e os meninos comeram também. Eles lambiam os beiços de tão bom que estava. Aquilo me fez lembrar meus momentos felizes com os meus pais, mas foi passageiro e depois voltei à ficar feliz. Assistimos um filme de terror. Tom chegou ao apartamento e fez um ok com o polegar. Ele comeu o que havia preparado e assistiu o restante do filme conosco. Ficamos rindo muito. O filme terminou e então, escovei os dentes e fui dormir.