I And You
1 Eu tenho um dia não muito feliz
Notas iniciais
Acordei com o som do meu celular. Era um sms, e eu estava ansiosa para saber de quem era: Tom.
"Eu espero que durma bem e pense em mim. Do seu amigo,Tom."
Eu gostava de Tom, não o queria apenas como amigo, mas as coisas não eram bem como eu queria. Ele tinha todas as garotas aos pés dele, e eu, não tinha ninguém. Ele era um ótimo amigo e então, eu me encantei por ele, justamente por isso. Eu não conseguia imaginá-lo apenas como amigo.
Sorri com o Sms e voltei à dormir. Não demorou muito para que o despertador tocasse, e eu fui para a cozinha comer alguma coisa.
- Bom dia, mãe.- Falei.- Bom dia, pai. Bom dia, pirralho.
Pirralho era o Nathan, meu irmão mais novo, um capeta. Me lembro bem da minha infância, e sempre que olho para ele fazendo algumas besteiras, tudo vem à tona. Eu era pior que ele quando pequena, e aquilo me causava arrepios só de lembrar.
Comi uma maçã e depois que terminei, fui tomar um banho rápido para ir para a escola. Depois que fiquei pronta, fiz um coque, peguei minha mochila, meu dinheiro e celular e, parti para a escola. No caminho encontrei os garotos. Eles me olhavam de cima à baixo e assobiavam.
- Como você está maravilhosa, Melissa.- Gustav colocou a mão em meu ombro e me olhou.
- Opa, tira seu braço gordo de cima de mim.- Eu ri.
- Como você tá bonita, Mel.- Tom falou enquanto eu o abraçava.
- Vamos para a escola?- Perguntei animada.
A escola não era meu motivo de alegria, mais quando eu estava com eles, principalmente com Tom, as coisas ficavam mais alegres, e não tão chatas.
Eles assentiram e nós fomos andando. O papo estava bom, até que Gustav seguiu até algum lugar que eu não sabia. Estávamos só eu e Tom, naquele momento.
- Tom, venha comigo, gato.- Angelina o puxou e me olhou como se tivesse poder.
- Não, eu... Eu estou com a Melissa, ela quer companhia.- Ele me olhou.
- Pode ir. .- Respondi.- Vá, você é livre pra fazer o que quiser. Você não é nada meu, só meu amigo, meu melhor amigo.
- É, Tom.- Ela disse sarcástica.- Você é livre, além do mais, não é nada dela.
Eu olhei triste para os dois, e ele tentou voltar, mas eu fiz que não com a cabeça. Ele era dono do próprio nariz, eu não podia tomar seu tempo. Ele não podia ficar comigo, uma garota idiota e apaixonada, quando se podia estar com todas as garotas mais gostosas do colégio. Eu me sentia excluída, mas e daí? Eles tinham todas aos seus pés, sabiam cuidar de si mesmos e não precisavam de uma amiga quando se tinham garotas atrás do dinheiro deles. Tom não estava mais lá, e nem Angelina. Segui para a sala de aula e me deparei com a cena mais deprimente de toda a minha vida: Tom e Angelina estavam aos amassos no canto da sala de aula. Fiquei de boca aberta e reparei que ele havia me notado ali.
- Me-Melissa?- Ele perguntou envergonhado. Eu saí da sala e os deixei sozinhos.- Mel, não era o que você estava pensando!
- Tom, você é só meu amigo, não me deve satisfações, você já é dono do seu próprio nariz, tem todas as garotas populares e gostosas do colégio aos seus pés, quer mais o que? Que sua amiga tome conta da sua vida particular? Na-na-ni-na-não! Eu também sei me cuidar, aliás, eu tenho coisas à fazer, e você também. A Angelina, ela está te esperando. Pode ir lá.
Eu fui andando pelo corredor até sumir.
- Melissa, vem aqui!- Ele gritou.
- Nos vemos mais tarde, Tom.- Falei.
- Venha aqui, Mel, por favor!- Ele pediu.
- Já disse, você é dono do seu próprio nariz, não deve satisfações à sua amiguinha.- Eu falei aquilo friamente e sumi no corredor.
Bill tocou em meu ombro e percebeu minhas lágrimas.
- O que foi?- Ele perguntou.- Está chorando?
- Não.- Respondi com um sorriso falso.- Um cisco caiu no meu olho. Assopre pra mim, por favor.
- Não tenho oito anos.- Ele respondeu.- O que aconteceu? Fale a verdade, por favor. Sou seu amigo, não conto para ninguém.
Foi tarde de mais. Todos me olhavam com cara de assustados e então, pela primeira vez, fui o centro das atenções.
- O que houve? .- Todos perguntaram em uníssono.
- Pessoal!- Bill fez um silêncio.- Ela levou um chute de algum grandão e veio aqui me pedir ajuda, pois o pé está doendo muito. Talvez tenha torcido, vamos levá-la à enfermaria.
Todos foram comigo. Não podia desfazer a mentira em meio á todos. Olhei para ele e murmurei:
- Obrigada.
Ele piscou para mim. Bill era bom em mentiras.
Infelizmente, a enfermaria era perto da minha classe, onde Tom e Angelina estavam aos amassos.
- O que houve?- Ele perguntou à Bill.
- Melissa foi chutada por um grandalhão, só isso.- Ele respondeu. O olhei implorando para que não deixasse ele entrar e me ver.
- Preciso vê-la.
- Não, já tem gente de mais aqui.- Ele respondeu.- Outra hora você vem.
Eu já havia "melhorado". Voltei para a sala de aula mancando, e me sentei no final da sala. Tom estava no meio, e quando me viu, parou a aula.
- Professor, posso trocar de lugar?- Ele perguntou.
- Algum problema?- O professor perguntou.
- Só está abafado de mais.- Ele respondeu.
- Tudo bem.- O professor respondeu.- Sente ao lado da senhorita Frank.
Tom pegou o material e se sentou ao meu lado. Abriu o caderno e rasgou uma folha. Então, me entregou.
"Me desculpe, eu não queria chateá-la."
"Me chatear? Tom, a vida é sua! Você quem a vive, você que faz as suas escolhas. Você sabe o que faz, e concerteza o que fez, foi o certo pra você."
"Eu achei que tivesse ficado com ciúmes por eu ter te deixado sozinha para ficar com a Angelina."
"Ciúme? Eu? Você é realmente muito comédia. Só fiquei irritada por estarem se amassando numa classe. Tem câmeras sabia?"
"Ferrou."
"Sim."
"Está melhor?"
"Cuida da sua vida!"
Eu o deixei de lado e começei à anotar as coisas da aula. As aulas foram chatas, demoradas e quando tudo terminou, fui para casa sozinha, sem os garotos.
- Olá, mãe!.- Falei.- Pai... Pirralho...
Eles me olharam e sorriram. Jantamos juntos e depois, escovei meus dentes, tomei um banho gelado e vi um pouco de filme para pegar no sono. Foi difícil dormir sabendo que meu melhor amigo estava se amassando com a Angelina.
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