Há beleza no inverno
1 Prólogo
Notas iniciais
Bom, essa é a primeira fanfic que eu escrevo, e espero que vocês gostem!
Controle-se, controle-se...
Não deixe que eles vejam...
Esconda isso...
Acordo em um supetão. Meu coração bate acelerado, as palavras ainda ecoam na minha mente. Consigo ouvir a voz de meu pai, vejo seu olhar reprovador. Esconda, Elsa. Você deveria sentir vergonha...
Já estava me acostumando com esse tipo de sonho. Nem os chamava de pesadelo, porque pesadelos são algo ruim. Este tipo de sonho não era ruim, ele só me lembrava de quem eu sou de verdade.
Sou um monstro. Uma aberração.
Levanto-me da cama, com todas as forças que eu consigo reunir. Vou até o banheiro e tomo um banho bem gelado, do jeito que gosto. Enquanto me visto e passo maquiagem, tento me concentrar. “Relaxe, Elsa, hoje é só mais um dia. Já vai acabar.”
Vou até a cozinha, onde já encontro minha irmã, Anna, e meus pais tomando café da manhã.
- Bom dia – digo.
- Bom dia, Elsa! – diz Anna, com sua tão característica animação matinal.
Junto-me a eles na mesa, servindo uma xícara de café com leite. Como uma torrada em silêncio, enquanto meus pais conversam animadamente com Anna. Eles a amavam, isso era evidente. Quanto a mim... Não sei se eles se importavam muito comigo. Na verdade, acho que eles tinham vergonha.
Vergonha por eu ter nascido do jeito que eu nasci. Pálida, com os cabelos quase brancos... e poderes. Sim, eu tenho poderes mágicos. Quase tudo o que eu toco congela, e eu preciso me controlar muito. Meus pais me diziam que eu deveria esconder esse tipo de coisa, que se os outros soubessem, iriam me tratar diferente. Eles diziam que eu deveria controla-los para minha própria segurança, mas eu sabia que isso não era verdade. Eu sabia que, no fundo, eles tinham vergonha de quem eu era.
Nos despedimos de nossos pais, Anna com beijos calorosos nas bochechas nos dois, e eu com um aceno frívolo. Sentamos no ponto de ônibus, com uma distância considerável entre nós duas. Minha irmã ficava muito triste por eu não falar muito com ela, mas eu sabia que tinha de ser assim. Por mais que ela não compreendesse, ela estava mais segura assim.
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Estou sentada na sala de aula, distraidamente desenhando flocos de neve no meu caderno. Realmente não ouço uma única palavra do que o professor diz. Quase não percebo quando a porta se abre, e ouço uma voz.
Uma voz linda, musical. Que me faz sentir algo que nunca senti.
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